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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Noite das Bruxas - Parte II

(...)
Passamos ao pequeno jardim, onde abóboras suspensas no ar - como terão feito este truque - iluminam este espaço onde a noite se adensa. Trazem-nos um cálice, dizem-nos que são lágrimas de feiticeira, néctar muito raro, que temos que provar, pois nunca esqueceremos o sabor daquela bebida exótica. Começo por saborear um pouco, deixando o sabor apoderar-se dos meus lábios, sinto uma mistura de doce com pimenta, que fervilha na pele, convidando a beber mais. Arrisco e sinto que um leve fogo me queima a garganta, e avança pelos meus músculos, sinto como que um vórtice me suga e perco os sentidos...! 

(Re)leia aqui integralmente a primeira parte deste conto...

I Remember/Stranger Than You Dreamt It
Tha Phantom of the Opera 

Acordo ouvindo vozes há minha volta, parecendo distantes como se um vidro estivesse entre nós... Abro mais os olhos e vejo que existe, sim, um vidro, à minha volta, redondo, com filigranas de cor rubi... como os do copo de que acabei de beber... Vejo à minha frente a cara do Maître, um gigante...Não, não é gigante, sou eu que estou minúscula, dentro do cálice que me ofereceram. Ainda adormecida de todas estas novas sensações, tento perceber o que se passa,  consigo perceber que não chegarei ao topo, não vislumbro como poderei sair... O Maître diz-me "Não podes sair", como se adivinhasse os meus pensamentos. Começo a recuperar as forças, e bato no vidro, que se passa, onde me levas, responde-me...

Entrega-me noutras mãos e vejo à minha frente aqueles olhos perturbadores que ao início da noite me chamaram a atenção... Ao olhá-lo mais de perto, sinto o corpo adormecer, fico quieta, presa naquele olhar... Bebeste as lágrimas de feiticeira... Quando te vi, sabia que as provarias... Que queres de mim??? Como aconteceu isto...? Pergunto, com um misto de confusão, medo, sensação de que apenas posso estar a sonhar... As lágrimas de feiticeira são poderosas, quem as bebe fica prisioneira de quem serviu o cálice... Porque me queres como tua prisioneira? Os seus olhos não paravam de me fixar, como se estivessem mais fascinados comigo, do que eu estava com tudo aquilo, sentia-me já não com medo, mas como que hipnotizada... 

Não irei fazer-te mal, prendi-te neste cálice porque quero olhar-te, um dia já fui assim, e perdi quem eu fui... Quem tu foste? Já fui humano e com o olhar cheio de esperança como tu, tornei-me numa criatura da noite e não me lembrava de como era antes... Quero levar-te comigo, posso contemplar-te durante horas a fio, será que consegues devolver-me um pouco do que era...?

Fiquei suspensa daquelas palavras, daquele olhar saudoso e que sofria... Não precisas de mim para te lembrares como é ser humano, disse-lhe, se não estivesse ainda dentro de ti, não o terias reconhecido quando me olhaste, eu seria indiferente para ti, apenas mais uma mortal... Sei que te lembras, e sei que também te lembras que não se prende a esperança, porque senão ela morre... 

Tens razão, não posso manter-te aqui... Passou a mão por cima do cálice e de novo um vórtice me puxou, desta vez para fora do copo. Obrigada, disse eu, e sem saber se o devia fazer, peguei-lhe na mão, enorme, com garras, assustadora... Por momentos vi, vi quem tinha sido aquela criatura do imaginário... Vi que foi um homem com sonhos, alegrias e, sim, esperança... Vi como perdeu tudo isso, como se transformou num dos nossos medos mais profundos... 

Senti vontade de ficar ali mais um pouco, apesar de ele me dizer "Estás livre, podes ir embora, ninguém te travará." Fiquei, mais um pouco, lembrei-lhe daquelas pequenas coisas que fazem os humanos felizes, vi um brilho nos olhos dele, ouviu tudo e disse, "Preciso ir-me embora, apenas na Noite das Bruxas podemos estar entre os humanos, a noite está a acabar."

"Posso voltar na próxima Noite da Bruxas?", perguntei. Não esperei pela resposta, "Até daqui a um ano, estarei aqui", e saí, livre, como tinha chegado.

Continua dia 04.Nov.13....

Foto de Isa Lisboa

Era uma vez...

Imagem da Web

Era uma vez...

Era uma vez
o medo que os anciãos
tentavam combater
à volta da fogueira
na noite em que diziam 
adeus à luz.

Era uma vez
uma oração oferecida
pelos pedintes que recebiam
bolos doces em troca
da salvação das almas perdidas.

Era uma vez
uma crença há muito esquecida
que matou inocentes
sedentes de liberdade.

Era uma vez
a tradição de esconder
dos pedintes e mendigos
o rosto atrás de uma máscara
para que nada saia da bolsa.

Era uma vez
travessias tão difíceis
que faziam desaparecer sem rasto
milhares de esperançosos 
em busca de um mundo melhor.
E o medo dos que haviam sobrevivido
que eles voltassem assombrar
as colheitas dos que tiveram mais sorte.

E hoje vivo eu
inocente e ignorante
do que aqui trouxe esta tradição.
E brinco de ser
o que outros tentaram esquecer.

Feliz Halloween :)

Dulce Morais

Obrigado

Meu obrigada a todos os escritores/poetas/poetisas/leitores que, de alguma maneira, me ajudaram e me ajudam para que eu, a cada dia mais, aprenda com suas palavras e experiências.

Obrigado

Como eu gosto desse lugar
agradável e doce sensação
Aqui eu posso compartilhar
o que sinto em meu coração

Partilhar e ler letras assim
é ótimo para o crescimento
Cheias de riquezas, enfim
sustentam-nos o alimento

Há diversos pensamentos
em suas particularidades
Ricos em seus sentimentos
agradando todas as idades

A você digo gentilmente
parabéns e obrigado
De poder continuamente
aprender ao seu lado

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Soneto aos Poetas

Dizem que são intocáveis,
Outros dizem que são chatos,
Já outros, que são estáveis,
Quanto aos outros, são idiotas natos...

Muitos têm visões diferentes sobre um poeta,
Mas amam a poesia,
E se esquecem que quem a faz não é um atleta,
Mas sim, quem sofre a agonia.

Muitos odeiam os poetas,
Mas amam seus escritos,
Isso os deixa em berros e gritos:

Pois o Mundo ingrato,
Nada sensato,
Se esqueceu dos poetas, e foi viver a poesia!

Simon-Poeta

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Noite de Bruxas - Parte I

Este conto foi escrito entre Novembro de 2011 e Novembro de 2012… Resgatado de entre memórias difusas, realidades que se confundem com sonhos, todas apanhadas pela caneta de uma escritora…



The Mirror/Angel of Music
The Phantom of the Opera

Noite de BruxasParte I , por Isa Lisboa

Seguimos no carro por entre as árvores verdejantes, que formam um arco sobre as nossas cabeças, deixando a sensação de estarmos a ser guiados por um roteiro mágico. Ao fundo vislumbra-se por entre a vegetação densa o que parecem ser as torres do castelo de uma princesa de contos de fadas, quase espero que a fada Sininho passe alegremente a fazer as suas travessuras...

Ao longe vejo uma fogueira a crepitar no cimo da serra, mantém-se uma chama viva, apesar de a chuva bater cada vez mais forte. Lembram-me dos rituais que se diz são ainda praticados por aqui... Imagino pós a serem lançados à fogueira, mantendo aquela chama crepitante e tão misteriosa...

Chegámos à aldeia, seguimos agora pelas ruas estreitas, direita, esquerda, em frente, direita. Paramos junto ao velho coreto, imagino-o testemunha silenciosa e paciente de amores e desamores, revoluções e conspirações, danças pagãs e procissões em honra aos santos. Vários carros parados, um lugar vazio, um único, parece que reservado para nós.

Entramos, espera-nos um mestre de cerimónias, vestido a rigor. O seu olhar de imediato me prende os olhos, sinto a vento a fustigar-me as costas, a porta atrás de mim fecha-se com a força do vento.

Dirigimo-nos à mesa, um lobisomem entra furtivamente na sala, enquanto me sento em frente a uma aranha que se passeava pela mesa e que estranhamente parece olhar-me como se fosse uma presa... Por um breve momento, preciso lembrar-me de que é Noite das Bruxas, em que os monstros saem à rua, o único dia em que podem passear-se livremente, sem assustar os mortais...

Trazem-nos a ementa para a noite, o que me distrai das intrigantes sensações que me assaltam desde que cheguei. Como entrada, Salada de Tentáculos de Monstro Marinho, com Óleo de Azeitonas Embruxadas, seguindo-se Peito de Dragão Alado com Frutas dos Duendes embebidas em Poção Mistério. Assim avançamos até à sobremesa, Tarte de Frutos do Bosque Encantado com raspas de Asas de Morcego.

À volta, o lobisomem continua a passear-se, falando descontraidamente com uma vampiresa que parece pronta para voar pela noite em busca não entendo de quê...

Passamos ao pequeno jardim, onde abóboras suspensas no ar - como terão feito este truque - iluminam este espaço onde a noite se adensa. Trazem-nos um cálice, dizem-nos que são lágrimas de feiticeira, néctar muito raro, que temos que provar, pois nunca esqueceremos o sabor daquela bebida exótica. Começo por saborear um pouco, deixando o sabor apoderar-se dos meus lábios, sinto uma mistura de doce com pimenta, que fervilha na pele, convidando a beber mais. Arrisco e sinto que um leve fogo me queima a garganta, e avança pelos meus músculos, sinto como que um vórtice me suga e perco os sentidos...! 

Continua na Noite de Bruxas.....

Foto: Isa Lisboa

domingo, 27 de outubro de 2013

Haikai Iludido




Sentado acolá,
Com uma linda flor na mão,
Venha me buscar?

Simon-Poeta

Iludido

Sinto-me com algo estranho...
Não sei do que se trata,
Só sei que essa dor me mata,
Mais dor sinto quando vejo teus olhos castanhos.

Qual nome se pode dar a isto?
Será que eu ainda sou amado?
Estou vivendo o inesperado.
E nem sei mais se ainda lhe conquisto...

Não sei viver correctamente,
Nem sei ser eu mesmo,
Só sei que a vida é além de um vilarejo,
Que rodeia nossas mentes.

Não sei se estou iludido...
Muito menos sei a verdade,
Só sei que me sinto pela metade,
Pois desconfio que estou sendo traído!

Simon-Poeta

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

SENDA


                                                                  Imagem: Denis Octubre


                                                              Caminho com fé, buscando
cumprir minha missão íntima
os dias de lutas, lágrima,
tumultos, mas superando.

                                                                                              claudiane
                                                                                              22/10/13



" Se chamares experiências às tuas dificuldades e recordares que cada experiência te ajuda a amadurecer, vais crescer vigoroso e feliz, não importa quão adversas parecem as circunstâncias".
                                                                                                                                        Henry Miller

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Imortal - Capítulo I

Minha nova série aqui no Danka Machine.

Tudo que amei, amei sozinho”
Edgar Allan Poe

   Sentia fortes dores... quase não suportava mais; sangue em toda parte, tudo é desgraça! Tudo é tristeza. Assim que fiquei sabendo que William morreu, quase fui junto; além da tamanha dor que sentia das feridas em meu corpo inteiro, tinha a dor que me pesava na consciência e no coração. O velório foi triste -como todos-, quase ninguém compareceu, foram apenas três pessoas o dia todo, eu, Marye -a mãe dele- e Rougger -seu irmão-. Rougger só levou sua mãe, não se interessou em ver o próprio irmão... quanto à Sr. Marye, não ficou por muito tempo, pois passou mal e teve que ir embora... para evitar um pouco mais cinco horas seguidas de tédio, mandei enterrarem-no logo. Momento triste... apenas eu... só. 
   Na realidade, eu apenas tive um companheiro quando me casei com William. Imagine só que dificuldade uma roqueira, desnaturada, sem se importar com a vida conseguir ser amiga de alguém pois, todos são “santos” e não querem estar perto de você. William veio em um momento muito especial em minha vida... quando eu estava prestes à pular de uma ponte, pois, 'tudo que amei amei sozinha'... jamais namorei... nunca tive amigos. Quando eu me apaixonava por um menino legal, ele me rejeitava sem antes mesmo eu falar que o amava. Não sei... acho que tinham medo de mim.
   Ele era como eu... amava Rock And Roll, Rock Metálico, e o Rock Inglês -o que mais gostávamos-. Ah! Eu vi um deus em minha frente e, logo que eu ia o convidar pra sair, ele me convocou antes mesmo que eu precisasse abrir a boca. Não pensei duas vezes... aceitei e contava as horas, os minutos e até os segundos. Mas, minha desgraça era que o tempo não passava.
   Assim que casei-me com ele, vivi os dias mais felizes da minha vida, até mais feliz do dia em que fui em um show dos Beatles e tirei uma foto com John Lennon e Paul McCartney. Ah! Não consigo me esquecer dos momentos que vivemos juntos. Você pode até pensar que eu me casei com William por gratidão; mas lhe desminto agora... se tu acreditares em amor à primeira vista, com certeza acreditará que eu e William nos apaixonamos à partir da primeira troca de olhares. Eu, que sempre fui sozinha e que só passei por dificuldades nessa vida, aproveitei o que o destino reservara-me. 
   Quando cheguei do velório, não tinha nada a fazer... então, para meu consolo, fui tocar em suas roupas, sentir o cheiro dele e o amar eternamente, pois nosso amor é imortal. A calça que estava reservada na frente de todas que estavam no armário, cujo, julgo eu, ele usaria no dia seguinte, estava uma folha de papel com algo escrito... curiosa, quis logo ver. Quando comecei a ler, me surpreendi e me emocionei... isso era o que estava escrito:

Se da vida colocar-me o mel na boca,
Sentirá a mais estranha, farta, louca...
Vontade de me amar,
E sempre mais me abraçar...
Se com o passar do tempo recordar-te de min,
Irá então perceber, 
O que fez de ruim,
Daí irá ver, 
Que jamais conseguirá se esquecer de min.
Mesmo se o véu deslumbrante da vida se apagar,
E a morte me dissipar,
Com certeza, irá se lembrar,
Do amor que eu tinha por você, minha beleza rara!
Se um dia quiseres morrer,
Irá pensar duas vezes ou mais,
E assim será capaz,
De então dizer: Como eu amo você!
Se dissipar-me em brigas,
Irá depois se arrepender,
Deleitando-se sobre a morte cálida,
Estranhamente pálida,
Irá então perceber,
Que eu não só te amava,
Mas ainda amo você!

Chorei... não me segurei! O dia seguinte, era a comemoração do nosso primeiro ano de casados.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

MUITO OBRIGADO!!!





QUE FELICIDADE!!!!

Ver que atingimos 45.000 mil acessos em oito meses de existência é uma satisfação muito grande.Só que tem um blogue e faz seu trabalho com verdade, veemência, dedicação, como eu , Danka Maia,Jana Bragança e todos os nossos AUTORES E COLABORADORES sabe o que significa ver isso!

Recebam os nossos 45.000 mil obrigados com  todo carinho, a você que passa por aqui para ler, interagir, fazer o Danka Machine acontecer de fato!



   O NOSSO PRESENTE
 
É
 
A SUA PRESENÇA!!
 
 
 

 

Já Amei uma Vez

Já amou uma vez...
Sei que sim,
Pois então...
Na verdade.
Com certeza!
Digo com o sopro da Natureza
Que a vida pede mais um chance
Todos sabemos
Que tudo não passa de um lance
Você me deixou pois sei
Jamais morrerei
De amor por alguém
Não quero nada nem ninguém, já não tenho uma gota
Volte p'ra min?
Você me pergunta...
Tudo calado
Não se ouve nenhum riso chorado
Alguém já se foi e
A doçura é monótona
Mas tenho consciência
Por que me perguntas se já amei uma vez
Eu te digo
Já amei sim, uma vez!

Leia de novo, só que de baixo para cima


Simon-Poeta

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Amor e confiança sempre andarão juntos

Amor e confiança, juntos estarão
amarrados em qualquer situação
no emaranhado de uma emoção
No coração, vão fazer a varredura
combatendo o mal com ternura
com um toque singelo que cura
Somente unidos serão capazes
de tirar todos os tipos de males
fazendo nele, limpezas eficazes
Varrendo para longe, o de ruim
que aos poucos, culmina assim
as desgraças que sujam o jardim
Pragas essas que o torturam
fazendo maus que machucam
até não aguentar, ai o trancam
Em uma cela imunda e vazia
será isolado do que mais queria
que era tanto ver um novo dia

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A ti

Arte: Irene Carranza








Puxa-me a ti
Ama-me, não me prendas
Voltarei sempre


Isa Lisboa


Escuridão – Capítulo V

Arte: Autor desconhecido

Escuridão – Capítulo V 

A surpresa foi enorme quando, ao acordar naquela manhã, viu a primeira claridade dos últimos seis anos. Era ténue e desapareceu quase imediatamente. Apenas teve tempo de entrever um halo mais claro, um pormenor do dia, uma sombra menos escura. Tinham sido só alguns segundos de surpresa, antes de tudo voltar ao que lhe era agora habitual: a escuridão. Sentiu algo estranho. Uma mistura de medo e de curiosidade, de vontade que voltasse a acontecer, acompanhada por uma estranha sensação de vertigem. Não disse nada. Não contou a ninguém. Poderia ter sido só um sonho. Tinha apenas acordado quando o evento sucedera. Só podia ser isso mesmo: um sonho. O dia continuou como todos os outros. 

As semanas sucederam-se e nada de novo aconteceu. A luz, ou melhor, o sonho daquela claridade, não voltou. Já não pensava nela quando, ao virar a esquina de uma rua em direção à estação do autocarro que a devia levar a casa do irmão, voltou a ver. Desta vez não era simplesmente uma leve e breve aparição da luz. Era uma luminosidade tão forte que teve de fechar os olhos e cobri-los com as mãos. A dor foi intensa, mas passou. O choque foi mais intenso ainda. Não podia deixar de sentir aquela mistura de curiosidade e de medo. 

Decidiu consultar o médico e explicou-lhe os eventos. Imediatamente foram receitados novos testes, novas análises e, após algumas semanas, novos resultados estavam disponíveis. A doença recuava. Ninguém compreendia as razões da situação. Nem os médicos, nem ela própria. E ninguém podia prever se iria continuar a ver ou entrever a luz ocasionalmente, se iria voltar a acontecer, ou se iria continuar a melhorar. Nenhum médico se atrevia a prognósticos. Tudo era desconhecido. Nunca tinham visto uma tal coisa. 

A mãe dela, guiada pela fé, estava convencida de um milagre, de que Deus ouvira as suas súplicas repetidas e decidira, enfim, devolver a vista à sua filha. Os irmãos, mais pragmáticos, armaram-se em especialistas em psicologia e explicavam que, como a força de vontade e o desejo de combater a doença eram mais fortes, e como ela nunca tinha desistido de querer voltar a ver, a mente tinha acabado por vencer o corpo fazendo recuar a doença. 

Quanto à principal interessada, nenhuma das explicações a satisfazia. Se Deus ouvia as súplicas, devia certamente fazer milagres a quem precisasse muito mais do que ela. A sua mente não tinha vencido o corpo, simplesmente, porque ela já tinha renunciado há muito a combater a doença. Já se tinha convencido de que iria ficar cega até ao fim da vida e o facto nem a incomodava assim tanto. Claro, gostaria de voltar a ver o rosto dos que amava. Claro, desejava voltar a ver as cores. Com certeza que queria admirar o Mundo e comunicar com um simples olhar, adivinhar pela expressão na cara e o olhar o interlocutor o que ele pensava, o que sente ao ouvir as suas palavras, ao ver uma das suas esculturas. Mas o que lhe parecia indispensável na vida, agora, ela só o tinha encontrado depois de perder a vista. 

Era a aceitação de quem ela era. A argila e a escultura já a chamavam no tempo em que ainda via, mas a família, a sociedade, exigia que uma menina tão inteligente não perdesse o seu tempo de maneira tão inútil. No entanto, quando deixou de ver, já não pareceu estranho a ninguém. Pelo contrário, todos a encorajaram a continuar a experiência e agora mostravam orgulho no seu sucesso. 

A independência que conquistou durante os últimos seis anos, ela sabia, não teria sido aceite tão facilmente. Mas, para uma pessoa que não pode ver, e que todos esperam ser independente, tornar-se autónoma, é uma vitória, não só para ela, mas para toda a família e amigos que já imaginavam assisti-la até ao fim da vida. 

O que iria acontecer se a doença recuasse verdadeiramente? Iria conseguir guardar tudo o que tinha conquistado? A história não o diz. Ensina, no entanto, que só as pessoas que a amavam verdadeiramente ficaram ao seu lado. Diz também que essas pessoas, por vezes, confundiam amor e controlo mas que, graças – e não por causa – à doença e às suas consequências, aprenderam a ter orgulho nos sucessos e nos passos que dava na direção da independência. E ela sabia que tinha começado a ver quem era, a ver o queria para ela, exatamente quando os seus olhos deixaram de ver… 

— FIM —

domingo, 20 de outubro de 2013

Lago dos Cisnes



Estupendo esse vídeo!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Última Gota (Terror)


Simon-Poeta

Mensagem I


Amo Livros


Eu amo livros,
Nos levam p'ra um lugar tão diferente...
Inesperado,
Esperando ser de bom grado,
As belezas de uma "fantasia".
Mas isso dá espaço à alegria,
A felicidade reina então,
No livro do coração,
E dos sentimentos de alguém que ama,
Ama livros como eu...
Pode ser grande ou pequeno,
Pode ser fino ou grosso,
Mas o que importa é o colosso,
E a sensação de liberdade,
Quero ler um livro com vontade,
E não hei de me arrepender.
Nas verdadeiras faces,
A brincadeira do teatro,
É um simples facto,
Mas contudo,
Aqui, no mundo,
Quem não gosta de ler,
E com certeza, aprender,
Não sabe que o novo boato
É ler um livro, 
E viver uma história.

Simon-Poeta

A Filosofia do Amor

O amor é o mais puro pecado,
Que lhe faz pecar por ele;
Ele é capaz de lhe deixar censurado,

E tu ainda sente falta dele.

O amor lhe faz sonhar,
Os mais belos pesadelos,
Depois de um dia vulgar,
Esses "sonhos assustadores" lhe faz 
perder o medo.
O amor é o tapa que não dói,
O tiro que não mata,
O arrumador que destrói,
A fome mais farta.
O amor é o doce mais salgado;
O falso amor,
É aquele desamado,
Aquele que machuca de um menino até um senhor.
Isto é o amor,
Aquele que te bate...
Mas tu não sente dor;
Aquele que lhe humilha...
Mas do ódio não lhe deixa provar o sabor;
Que uma vez te ama,
É sincero,
Mas depois numa cama lhe abandona,
Este amor, não quero.
Essa é a filosofia do amor...
Vamos então filosofar?
Todos nós sabemos que a medida do amor;
É cada vez mais amar.


Simon-Poeta



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lábios de Veludo

Oh! Minha amada,
Meu amor,
És tão delicada,
E de tanto valor...

No teu beiço,
Na tua face,
Vejo resplandecer no espelho,
A tua força de vontade.

Minha vida,
Meu tudo,
Minha querida,
Meu mundo!

Lábios aveludados,
Assim como o avelã,
Que na nossa noite de amor foram marcados,
Assim como nossa vida no ecrã...

No cinema da realidade,
Na novela da verdade,
Mentira não há no nosso amor,
Assim como eu te dou valor.

Meu tudo,
Minha querida,
Minha amada,
Minha vida!



Simon-Poeta

terça-feira, 15 de outubro de 2013

NOVO COLABORADOR: JOTTA ELE




Nasci em Açu, pequena e marasmenta cidade do Rio Grande do Norte, num dia qualquer do mês de maio de um ano para o qual nunca dei a mais mínima importância... Ali a vida era mais besta do que em Itabira, com a desvantagem desvantagem, talvez de que os açuenses, apesar de herméticos, comem com estardalhaço... E o tal marasmo, às vezes, tornava-se tão denso, intenso, que eu, que detesto me aborrecer e me perder, à francesa, do humour, tirava hilariantemente proveito do fato, fabricando com este - com o tédio – grandes, divertidos e acinzentados bonecos de aborrecimento à guisa de neve, da neve da qual os avós na banda larga e lusitana do meu sangue só faltam até hoje se transformarem em coágulos de tanta saudade que estes, no interior latejante de minhas veias, sentem do inverno europeu e da mítica e cabralina cidade de Belmonte, Portugal...

Fiz bacharelado em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte... Porém, não exerço a profissão por puro idealismo, pois jornalismo, pra mim, é um solidário serviço de utilidade pública e não esse abominável e submisso meio de manipulação ideológica que se observa hegemonicamente por toda parte em defesa do invisível, ocultista, illuminati e reptiliano Governo Secreto do mundo, em cujas mãos os subservientes governantes das nações não passam de meros fantoches... 

As reticências são doidas por mim... os advérbios, idem... 
e os parênteses também... É como se eu fosse o deus deles: dos parênteses, dos advérbios e das ... reticências... 

Escrevo desde sempre: ainda no ventre de minha mãe, de onde saí sem a menor vontade, parece que estou agora a me ver, já em avançado estado de feto, escrevendo, nas úmidas e maleáveis paredes uterinas, versos muito mais proveitosos e contemporâneos do futuro que aqueles escritos na areia, para Cibele, sim, para a deusa Cibele, que,entrementes, era chamada astuta e sincreticamente de Maria pelo autor dos mesmos, o tal padre José de Anchieta, que nas horas mortas da noite punha-se a encher o oco pau mole daquelas larápias e pseudo-santas esculturas barrocas de tudo quanto era tipo de pedras preciosas antes de enviá-las secretamente ao murídeo e genro do diabo porquanto amasiado com a mentira Vaticano...

Ah, sim, ia esquecendo: Eu também, a respeito do antropofagismo, tenho a dizer que, fosse índio, teria agido como os Tamoio, entenda-se, comido o bispo que tinha sobrenome de peixe - Sardinha - e carne de porco...

Sou casado e fiel a minha esposa, pois nela estão imbuídas todas a mulheres do mundo...

Resido atualmente em Parnamirim-RN...

Primeiro aprendi a pensar e a ver por mim mesmo, e depois inaugurei minha própria e eclética temática eclética, mas não demasiado, pelo menos não a ponto de romper o tênue, mas consistente, fio da trama premeditada que liga - às vezes por meio apenas da sintaxe que me é peculiar - um poema a outro poema, num aparentemente espontâneo processo infinito de conversa puxa conversa puxa conversa..., temática esta simultaneamente canibal e autofágica, para só então começar a mostrar a cara dura, vária e multifacetada do que escrevo, e o que escrevo, faço-o deliberadamente, de maneira que os versos que escorrem dos meus dedos não sejam nem totalmente poesia nem prosa em demasia...

Assino assim os meus escritos: José Lindomar Cabral.da Costa

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3 PITÁGORAS SOBRE O MESMO TEOREMA:

PAPAI

... se eu fosse a Bela, 
ao invés de concordar
em morar com a Fera,
eu tinha era deixado,
papai, papai, seu navalha,
que você fosse devorado por ela...

MAMÃE

... ir para a cama comigo
é o desejo mais assustado
e escondido que existe
dentro de você, mamãe,
mamãe eu não sou seu marido
nem minha carne é habitada
por nenhuma e complexada
espécie de Édipo...

POEMA DA TRAIÇÃO QUE PAPAI ME FEZ

... quem traiu foi você
papai, papai, seu navalha
(e por navalha aqui, entenda-se
o contrário de gilete)
aquela esperança que eu tinha
de ser eu - de nós dois -
o primeiro a morrer...

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EMULSÃO E FITZGERALD

... convivi desde muito cedo 
com ambos os Scott
- Emulsão e Fitzgerald... 

Gostava mais de Scott Fitzgerald,
que me embriagava e insurgia
pois aos 9 anos, às  escondidas,
eu o lia... eu o lia... eu o lia...
e desaprendia, e aprendia,
e aprendi, lendo-o, ainda menino,
inclusive que a felicidade
se  inclinava mais para o clandestino
que para a normalidade...

Sim, leitor, gostava mais de Fitzgerald
do que de Emulsão de Scott,
embora ainda não soubesse
que os 2 eram peixe,
já que todos nós somos 
náufragos, ou melhor, seres submersos,
que habitam as águas etéreas
desses oceanos metafísicos,
desatlânticos e impacíficos 
chamados Tempo e Espaço...

NOVO COLABORADOR: Jhordany Souza Siman







A BIOGRAFIA

   Jhordany Souza Siman, mais conhecido como Simon-Poeta, é escritor, poeta e compositor desde os sete anos de idade. Nascido em 22 de junho de 1999, Simon tem como maiores objetivos ajudar a comunidade com todo esforço e garra-além de poesia. "A vida é bem melhor quando se sabe vivê-la bem, e com os amigos" diz Simon-Poeta em uma entrevista para o Jornal Diário do Aço em agosto de 2010. Fã de Edgar Allan Poe -escritor americano- e de suas obras, Simon se inspira em muitas das obras do escritor falecido em 7 de outubro de 1849. Os poemas de Simon muitas vezes são românticos, policiais, de protesto, de terror e outros de ações de graça e seus textos mais famosos são de terror e ficção. O eleito melhor texto de Simon foi A Brisa do Rio -2012-, onde o escritor se refere ao seu dia de aventuras onde viu, pela primeira vez um rio.
   Em 2013, Simon-Poeta fundou o grupo de poesia e arte Os Poetas na rede social Facebook afim de chamar para o mundo poético não só os adultos do mundo inteiro, mas também os jovens, crianças e adolescentes. Desde aí, muitos elogios vieram por meio de mensagens, e-mails e pessoalmente que Simon recebeu.

SIMON-POETA, poesia é vida!

OS ASSUNTOS A QUE VOU ABORDAR
   
   Eu pretendo falar sobre vários assuntos... todos eles abordando o mundo da arte e da escrita, às vezes entrevistarei artistas, outras vezes, irei escrever documentários, outras vezes posso fazer uma série, isso varia de minha disposição e do tempo que terei... fugindo um pouco do assunto, assim que a minha publicação for para o blog, por favor, passem-me o link para que eu possa divulgá-la! 
   Assim que eu puder mandar alguma publicação, por favor, me avisem... 


Saúde, bem estar e felicidades!
Simon-Poeta, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Escuridão – Capítulo IV

Arte: Autor desconhecido

Escuridão – Capítulo IV 

Os meses passaram. Passaram os anos. Ela já estava habituada a tudo o que lhe parecia impossível seis anos antes. Já não se perdia no seu próprio apartamento. Já conseguia deslocar-se na rua sem qualquer ajuda, mesmo em sítios que não conhecia. O segredo eram os outros sentidos. Apercebeu-se que a sua audição detectava mais informações do que pensara possível, que as suas mãos e a preciosa guia sentiam e viam o caminho e os seus perigos. Pensava muitas vezes que as pessoas que podem ver desperdiçam o dom de visão em coisas inúteis quando deveriam aproveitar esse presente para apreciar o mundo, para comunicar sentimentos de doçura, de ternura, como só o olhar pode. 

E trabalhava. O mais curioso no seu trabalho é que ninguém acreditava que ela o poderia fazer até que viram os primeiros resultados. Nem ela tinha consciência que seria capaz de uma tal coisa, mas a sensação nas mãos era tão tranquilizadora, tão maravilhosa, que decidiu tentar a experiência. E deu resultado. A coisa ainda mais estranha era que, ela, a própria criadora dos objetos, não os podia ver. Era escultora. As suas pequenas estátuas vendiam-se facilmente. Porque não eram caras, mas também pela curiosidade dos amadores que queriam possuir uma estátua, um busto, uma flor, formada na argila por uma pessoa com a sua condição. 

Tudo o que diziam dela, ela ouvia. Nunca lhe veio à ideia responder. Aceitava que as pessoas pensassem dessa maneira mas recusava-se categoricamente a deixar-se levar a aceitar condescendência e generosidade originada pela culpa. Tinha novos amigos, alguns que também não podiam admirar o Mundo, outros que desejavam sempre descrever o que ela não podia ver para que lhe fosse possível imaginar ou comparar com a lembrança de tudo o que vira no passado. O seu filme privado ainda estava vívido, fresco. Ela nunca se esquecia de rever tudo o que tinha amado ver. As lembranças, se bem que em menor quantidade, ainda ocupavam o olhar da sua memória.

termina no dia 21 de outubro...

Dulce Morais