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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Imortal - Capítulo I

Minha nova série aqui no Danka Machine.

Tudo que amei, amei sozinho”
Edgar Allan Poe

   Sentia fortes dores... quase não suportava mais; sangue em toda parte, tudo é desgraça! Tudo é tristeza. Assim que fiquei sabendo que William morreu, quase fui junto; além da tamanha dor que sentia das feridas em meu corpo inteiro, tinha a dor que me pesava na consciência e no coração. O velório foi triste -como todos-, quase ninguém compareceu, foram apenas três pessoas o dia todo, eu, Marye -a mãe dele- e Rougger -seu irmão-. Rougger só levou sua mãe, não se interessou em ver o próprio irmão... quanto à Sr. Marye, não ficou por muito tempo, pois passou mal e teve que ir embora... para evitar um pouco mais cinco horas seguidas de tédio, mandei enterrarem-no logo. Momento triste... apenas eu... só. 
   Na realidade, eu apenas tive um companheiro quando me casei com William. Imagine só que dificuldade uma roqueira, desnaturada, sem se importar com a vida conseguir ser amiga de alguém pois, todos são “santos” e não querem estar perto de você. William veio em um momento muito especial em minha vida... quando eu estava prestes à pular de uma ponte, pois, 'tudo que amei amei sozinha'... jamais namorei... nunca tive amigos. Quando eu me apaixonava por um menino legal, ele me rejeitava sem antes mesmo eu falar que o amava. Não sei... acho que tinham medo de mim.
   Ele era como eu... amava Rock And Roll, Rock Metálico, e o Rock Inglês -o que mais gostávamos-. Ah! Eu vi um deus em minha frente e, logo que eu ia o convidar pra sair, ele me convocou antes mesmo que eu precisasse abrir a boca. Não pensei duas vezes... aceitei e contava as horas, os minutos e até os segundos. Mas, minha desgraça era que o tempo não passava.
   Assim que casei-me com ele, vivi os dias mais felizes da minha vida, até mais feliz do dia em que fui em um show dos Beatles e tirei uma foto com John Lennon e Paul McCartney. Ah! Não consigo me esquecer dos momentos que vivemos juntos. Você pode até pensar que eu me casei com William por gratidão; mas lhe desminto agora... se tu acreditares em amor à primeira vista, com certeza acreditará que eu e William nos apaixonamos à partir da primeira troca de olhares. Eu, que sempre fui sozinha e que só passei por dificuldades nessa vida, aproveitei o que o destino reservara-me. 
   Quando cheguei do velório, não tinha nada a fazer... então, para meu consolo, fui tocar em suas roupas, sentir o cheiro dele e o amar eternamente, pois nosso amor é imortal. A calça que estava reservada na frente de todas que estavam no armário, cujo, julgo eu, ele usaria no dia seguinte, estava uma folha de papel com algo escrito... curiosa, quis logo ver. Quando comecei a ler, me surpreendi e me emocionei... isso era o que estava escrito:

Se da vida colocar-me o mel na boca,
Sentirá a mais estranha, farta, louca...
Vontade de me amar,
E sempre mais me abraçar...
Se com o passar do tempo recordar-te de min,
Irá então perceber, 
O que fez de ruim,
Daí irá ver, 
Que jamais conseguirá se esquecer de min.
Mesmo se o véu deslumbrante da vida se apagar,
E a morte me dissipar,
Com certeza, irá se lembrar,
Do amor que eu tinha por você, minha beleza rara!
Se um dia quiseres morrer,
Irá pensar duas vezes ou mais,
E assim será capaz,
De então dizer: Como eu amo você!
Se dissipar-me em brigas,
Irá depois se arrepender,
Deleitando-se sobre a morte cálida,
Estranhamente pálida,
Irá então perceber,
Que eu não só te amava,
Mas ainda amo você!

Chorei... não me segurei! O dia seguinte, era a comemoração do nosso primeiro ano de casados.