Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

terça-feira, 15 de outubro de 2013

NOVO COLABORADOR: JOTTA ELE




Nasci em Açu, pequena e marasmenta cidade do Rio Grande do Norte, num dia qualquer do mês de maio de um ano para o qual nunca dei a mais mínima importância... Ali a vida era mais besta do que em Itabira, com a desvantagem desvantagem, talvez de que os açuenses, apesar de herméticos, comem com estardalhaço... E o tal marasmo, às vezes, tornava-se tão denso, intenso, que eu, que detesto me aborrecer e me perder, à francesa, do humour, tirava hilariantemente proveito do fato, fabricando com este - com o tédio – grandes, divertidos e acinzentados bonecos de aborrecimento à guisa de neve, da neve da qual os avós na banda larga e lusitana do meu sangue só faltam até hoje se transformarem em coágulos de tanta saudade que estes, no interior latejante de minhas veias, sentem do inverno europeu e da mítica e cabralina cidade de Belmonte, Portugal...

Fiz bacharelado em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte... Porém, não exerço a profissão por puro idealismo, pois jornalismo, pra mim, é um solidário serviço de utilidade pública e não esse abominável e submisso meio de manipulação ideológica que se observa hegemonicamente por toda parte em defesa do invisível, ocultista, illuminati e reptiliano Governo Secreto do mundo, em cujas mãos os subservientes governantes das nações não passam de meros fantoches... 

As reticências são doidas por mim... os advérbios, idem... 
e os parênteses também... É como se eu fosse o deus deles: dos parênteses, dos advérbios e das ... reticências... 

Escrevo desde sempre: ainda no ventre de minha mãe, de onde saí sem a menor vontade, parece que estou agora a me ver, já em avançado estado de feto, escrevendo, nas úmidas e maleáveis paredes uterinas, versos muito mais proveitosos e contemporâneos do futuro que aqueles escritos na areia, para Cibele, sim, para a deusa Cibele, que,entrementes, era chamada astuta e sincreticamente de Maria pelo autor dos mesmos, o tal padre José de Anchieta, que nas horas mortas da noite punha-se a encher o oco pau mole daquelas larápias e pseudo-santas esculturas barrocas de tudo quanto era tipo de pedras preciosas antes de enviá-las secretamente ao murídeo e genro do diabo porquanto amasiado com a mentira Vaticano...

Ah, sim, ia esquecendo: Eu também, a respeito do antropofagismo, tenho a dizer que, fosse índio, teria agido como os Tamoio, entenda-se, comido o bispo que tinha sobrenome de peixe - Sardinha - e carne de porco...

Sou casado e fiel a minha esposa, pois nela estão imbuídas todas a mulheres do mundo...

Resido atualmente em Parnamirim-RN...

Primeiro aprendi a pensar e a ver por mim mesmo, e depois inaugurei minha própria e eclética temática eclética, mas não demasiado, pelo menos não a ponto de romper o tênue, mas consistente, fio da trama premeditada que liga - às vezes por meio apenas da sintaxe que me é peculiar - um poema a outro poema, num aparentemente espontâneo processo infinito de conversa puxa conversa puxa conversa..., temática esta simultaneamente canibal e autofágica, para só então começar a mostrar a cara dura, vária e multifacetada do que escrevo, e o que escrevo, faço-o deliberadamente, de maneira que os versos que escorrem dos meus dedos não sejam nem totalmente poesia nem prosa em demasia...

Assino assim os meus escritos: José Lindomar Cabral.da Costa

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3 PITÁGORAS SOBRE O MESMO TEOREMA:

PAPAI

... se eu fosse a Bela, 
ao invés de concordar
em morar com a Fera,
eu tinha era deixado,
papai, papai, seu navalha,
que você fosse devorado por ela...

MAMÃE

... ir para a cama comigo
é o desejo mais assustado
e escondido que existe
dentro de você, mamãe,
mamãe eu não sou seu marido
nem minha carne é habitada
por nenhuma e complexada
espécie de Édipo...

POEMA DA TRAIÇÃO QUE PAPAI ME FEZ

... quem traiu foi você
papai, papai, seu navalha
(e por navalha aqui, entenda-se
o contrário de gilete)
aquela esperança que eu tinha
de ser eu - de nós dois -
o primeiro a morrer...

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EMULSÃO E FITZGERALD

... convivi desde muito cedo 
com ambos os Scott
- Emulsão e Fitzgerald... 

Gostava mais de Scott Fitzgerald,
que me embriagava e insurgia
pois aos 9 anos, às  escondidas,
eu o lia... eu o lia... eu o lia...
e desaprendia, e aprendia,
e aprendi, lendo-o, ainda menino,
inclusive que a felicidade
se  inclinava mais para o clandestino
que para a normalidade...

Sim, leitor, gostava mais de Fitzgerald
do que de Emulsão de Scott,
embora ainda não soubesse
que os 2 eram peixe,
já que todos nós somos 
náufragos, ou melhor, seres submersos,
que habitam as águas etéreas
desses oceanos metafísicos,
desatlânticos e impacíficos 
chamados Tempo e Espaço...