O REI no AMAZON! Confira!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Jovem não é convidada para o casamento da tia e faz post emocionante

A menina de 15 anos foi excluída do convite enviado a casa dela. Segundo a tia, o motivo é “proteção”



IStock


Uma adolescente, identificada apenas como Zinogirl, dividiu com a internet sua dor e frustração após não ter sido convidada para o casamento da própria tia. Diferentemente do que muitos podem acreditar, o caso dela foi pessoal: os irmãos e os pais estavam na lista de convidados; ela não.
“Estou muito chateada porque o casamento da minha tia é logo mais e acabei de ficar sabendo que não poderei ir porque não fui convidada”, escreveu a menina. “Eu sou deficiente física e, por isso, preciso de muletas para andar, mas consigo me virar. O convite endereçado à minha família inclui apenas meus pais e meus irmãos. Meu pai até conversou com minha tia e ela disse que o local da cerimônia não é acessível e confortável para mim. Esta é a razão pela qual não fui convidada. Se esse é o motivo, não seria eu que deveria tomar essa decisão? Talvez eu consiga me virar lá; talvez meu pai e meu irmão possam me ajudar se eu precisar. Ela me excluiu porque eu sou deficiente”, continuou.
Os pais da garota ainda tentaram contornar a situação. “Eles disseram que eu preciso entender que é o casamento dela e ela quem decide os convidados. Segundo eles, não posso ficar chateada e devo respeitar as decisões dela.”
Em outro post, a garota afirmou que a tia ainda se justificou. Segundo a menina, a parente enfatizou que não é pena. “É preocupação pelo meu bem-estar. Minha tia disse que não quer que eu veja outras garotas da minha idade e tenha inveja ou me sinta inadequada”. No fim do desabafo, a adolescente ainda pede a opinião dos internautas: “Eu tenho o direito de estar com raiva?”.
Os irmãos da menina disseram que vão boicotar o casamento. Já os pais e a família dela não entendem o motivo dela estar chateada.

fonte: http://www.metropoles.com



HANGRA REIS & A MANSÃO BOUDELAIRE




 PREFÁCIO
O livro de contos de Hangra Reis oferece ao leitor inúmeras oportunidades de entrar em uma verdadeira máquina do tempo, mergulhando em um passado que ainda marca a História do Brasil: o início do século XX, com todas as mudanças trazidas pouco depois da Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, um ano depois.
É exatamente no dia da Abolição, 13 de maio de 1888, que começa a jornada da nossa personagem principal, Hangra Reis do Brasil, nascida nesta data e filha de pais negros alforriados. Com a morte dos mesmos, é criada pelo Barão e pela Baronesa donos da Fazenda Progresso, onde nasceu. E para completo assombro de todos, algo inusitado acontece quando é adotada por eles e se torna sua única herdeira.
Sua história já começa surpreendente. Em meio a uma sociedade completamente racista, que se acostumou a tratar o negro como escravo, que via no branqueamento da população uma maneira de desenvolver o Brasil, como se seu atraso fosse a cor escura da pele, Hangra se torna ímpar. O que dizer de uma negra rica, bem educada e extremamente inteligente? Não bastasse isso, enfrenta também o preconceito de ser mulher em uma época que mulheres não estudam, não votam e são submissas ao marido.
Em meio a tudo isso, Hangra ainda encontra em seu caminho alguns mistérios e casos não resolvidos que chamam a sua atenção e passa a dedicar a eles seu tempo e sua dedicação, se tornando então uma investigadora mais do que diferente de todos os outros, decidida a provar que para cada suspense ou paranormalidade, existe uma explicação. Quem acredita nela? Um amigo e eterno apaixonado, que a ajuda a resolver os casos como fiel escudeiro. E uma senhora negra que acaba salvando e se torna sua companheira inseparável, cuidando de Hangra como uma verdadeira filha.
Mistérios marcam os diversos contos deste volume, que além de muito bem escritos pela autora Danka Maia, trazem a figura inquestionavelmente atraente e inteligente de Hangra Reis, retratam como era a época em que se passa a história, entre 1910 e 1920 no Rio de Janeiro, e mergulham o leitor em um desejo alucinado de acompanhar cada aventura e se surpreender no final.
Tem Hangra Reis para todos os gostos. Apaixone-se também por ela e vivencie seus dramas e também as ameaças e preconceitos que sofre, mas que não conseguem pará-la. Hangra Reis chegou para ficar e mudar a História dos suspenses policiais. Por ser única e prezar pela alta qualidade da escrita. Prepare-se para entrar nessa máquina do tempo.



BIOGRAFIA

Final do século XIX,no dia 13 de maio de 1888, em pleno dia  onde extingui-se a escravidão no Brasil.Uma menina, filha de escravos já alforriados consegue sobreviver a um parto extremamente difícil que acarreta na morte de sua mãe,Antônia. Os donos da Fazenda Progresso, o Barão Heleno de Bourbon primo em segundo grau da família da corte francesa, agraciado em bens e sua esposa a Baronesa Belina, que jamais conseguiram ter filhos, haja vista que os que nasceram foram natimortos. Sempre conhecidos por ser tão solícitos aos seus criados, porque foi um dos pioneiros a reconhecer o trabalho e pagar em moeda corrente pelos préstimos daquele povo africano. Decidiram para o assombro de toda comunidade Carioca da época adotar como filha menina que nascera naquele dia, chama-la de Hangra Reis do Brasil sobrenome que os pais adotaram quando aqui chegaram da África. Hangra Reis fora uma homenagem que a Baronesa desejou fazer ao vilarejo Angra dos Reis - Estado do Rio de Janeiro, que tanto amava e que para si o local que mais dignificava o solo sagrado brasileiro.
Hangra recebeu a melhor educação que o poder aquisitivo da época comportava, no entanto, muitas vezes esbarrou no mesmo contexto:O preconceito Racial.Era intolerável para a sociedade aristocrata da época aceitar um casal de senhores feudais ter como filha além de adotada também negra.Contudo, isso jamais impediu a menina que virou adolescente e então mulher, dominar seis idiomas, completar os estudos,  formar-se com  louvor  em direito inda que tivesse que assistir algumas aulas no fundo da sala com dois metros de distância da penúltima fileira por exigência dos demais pais e mestres e sendo a única mulher e negra dentro da sala.
  No entanto, em seu coração ela incansavelmente teve o mesmo ideal, investigar casos cujos não havia explicações ou era absurdamente abafados dadas as circunstâncias ora política ora  social-econômica dos indivíduos envolvidos.Seu pai era reticente quanto a isto, no fundo o Barão julgava que filha conseguiria uma vez sendo mulher e principalmente negra.Após a morte de  Belina, sua mãe,ele também logo sucumbiu deixando todos os bens para sua única herdeira, que vendeu a propriedade, e atirou-se a sua jornada crendo que essa era sua sina e paixão.

HANGRA REIS & A MANSÃO BOUDELAIRE



Meses haviam se passado desde então. Nenhuma notícia sobre Javanka tinha sido corrido. Hangra continuava agora em seu escritório com Bento Vicentin enfrentando o preconceito das pessoas do Velho Catete, que embora soubessem da repercussão de sua sagacidade e inteligência, não a poupavam de sempre a fitar como a "Negra Insolente". Nenhuma alma entrava no escritório, mas isso não desanimava, ela passava os dias lendo jornais, pesquisando ,lendo, pronta para qual fosse a sua próxima missão. Bento, por mais que admirasse a garra da jovem, não deixava de ajuizar lá com seus botões se não fosse melhor largar tudo aquilo. Afinal, Hangra não carecia daquela situação para viver, tinha posses, podia ir em frente sem necessitar de toda aquela exposição. E decidiu se manifestara respeito:

— Tenho pensado sobre este escritório e você. - iniciou Bento interrompendo os estudos da moça que semelhava estar em outra atmosfera.
—E o onde foi que esse tal pensamento o levou meu caro novato?- colocando os punhos sobre a quina da mesa e se recostando na cadeira que fora de seu pai trazida da fazenda.

—Hangra... Isto é desnecessário. -sendo firme. - Não precisa disto. E além do mais, ficar se expondo para esse povo, uma sociedade tão hipócrita quanto preconceituosa.

—Acha que devo desistir do escritório- A jovem foi ao centro da questão sem rodeios. -Permita-me narrar uma fábula que meu pai me contava quando criança na fazenda. Havia um caixeiro viajante que continuamente passava pelo mesmo vilarejo há anos via um homem no meio da praça que falava e falava sobre como abrir os olhos daquele povo, no entanto aquelas pessoas simplesmente o ignoravam de tal modo como se ele jamais estivera ali. Em sua última viagem pela cidade,o caixeiro resolveu perguntar aquele sujeito:
—Eu passo por aqui há anos e sempre o vi aqui falando e falando para esse povo que jamais lhe deu a menor atenção. Por que insisti tanto nisto?
O individuo sorriu, parou de falar, desceu do caixote e contrapôs:
—A resposta é bem simples meu senhor. Porque se eu desistir, serão eles quem terá me mudado. -E voltou a bradar ao povo.
Bento sorriu após o término esboçando o voto vencido.
—Preciso elucidar mais novato? - Hangra indagou torcendo um pouco o pescoço para esquerda.

—Não. Compreendi.
Foi neste instante que um senhor alto, bem apessoado que despertou um terno sorriso de lábios de Hangra que correu para abraça-lo saudando-o:
—Tio Tóvinho! - Tratava-se do Doutor de Cristóvão Dutra Rezende, advogado renomado que a conheceu desde sucessivamente. Ele sempre a incentivou demasiadamente e foi uma espécie de pai postiço na falta de seu pai ininterruptamente a estimulando a prosseguir seus estudos e seu lugar na sociedade. Fazia anos que não se viam.
 Depois que a saudade foi morta momentaneamente, ela o reapresentou Bento e depois de quase meia hora de conversa o Doutor Cristóvão disse o que levou procura-la.
— Bem minha amada flor morena- como carinhosamente a intitulava. — a razão que me fez vir ao seu encontro foi um caso que tenho nas mãos, mas por encargos e jogo de interesses, amizades mais propriamente ditas não sou a pessoa indicada para cuidar do caso.
— E do que se trata tio?- a jovem sentou-se a espera a resposta depois servi-lo com uma xícara de chá de laranjeira.
— Bem, é a Mansão Baudelaire. A propriedade pertence à linhagem existe pelo menos três gerações, mais especificadamente desde 1752. No entanto de aproximadamente cinquenta anos uma antiga maldição, crendices em minha opinião. — riu sacudindo a mão esquerda.  — Todos os doze herdeiros dentro da linhagem infelizmente morreram sobre circunstâncias um tanto soturnas.
—Como? —ela o inquiriu.
—Enforcados.
—Pelos céus senhor Cristóvão!- bradou Bento. — E o senhor acha isto norma?-replicou.
—Enfim, cada um que tinha o direito de receber veio a óbito pelo mesma razão. E a tal maldição que jazia há anos no seio da família tomou uma proporção deverás gigantesca.
—Maldição? — Hangra ficou como por enfeitiçada.
—Palavra mágica para os ouvidos dela! — gracejou Bento erguendo com as mãos para trás indo até a porta.
—Não lhe dê ouvido tio, fale-me da maldição.
—Filha... — pediu atenção com as mãos, ele era um sujeito que gesticulava muito. — A maldição é secundária na situação. A questão é que meu cliente, o senhor Gastón Baudelaire é um grande amigo, e isto me impede de administrar. O desejo de Gastón é que a propriedade seja vendida o quanto antes, e ele não quer correr o risco de ter o anexo pescoço da na forca desta vez.

— E ele é o último na linhagem para herdar a mansão? — quis averiguar a jovem.
— Sim,Gastón não teve filhos. Casou-se por duas vezes, mas todos seus filhos nasceram natimortos, assim como ficou viúvo pelas mesmas duas vezes um grande infortúnio em sua vida.
—Pobre homem. — disse Hangra.
—Você poderia assumir os documentos para a venda da Mansão Hangra?
—Pois Claro que sim meu tio. Agora mesmo se desejar.
—Podíamos ir até agora. O que acha?
—Por mim, perfeito! — levantando-se pronta para o caso.
Bento consentiu com a cabeça.
No trajeto para a mansão, quase três horas de carruagem já que ficava na zona rural. Fora um momento de recordações, tempos bons que não voltariam mais. Porque o tempo é senhor em não dar segundas chances a oportunidades esquecidas.
Logo que puderam avistar a propriedade estaca claro. Era de fato um lugar imponente, nebuloso mais belíssimo.
—Que brisa é essa tio? — questionou a jovem.
—Faz parte da dita maldição segundo os Baudelaire. Mas cá entre nós, creio mesmo em puro orvalho, afinal estamos num pé de serra. — sorrindo.
— Com certeza. — respaldou Bento.
Hangra parou por um segundo e prosseguiu a conversa ao cume que desejava.
— E como se deu a maldição?
O moço olhou Vicentin meu arredio em tocar no assunto, mas os olhos fulgentes de Hangra tornava sua fuga praticamente inconcebível.
—Bem. A casa foi construída como parte de um acordo de cavalheiros feito entre o Duque Cousteau e o Visconde Lemom Baudelaire. Onde o filho da família Cousteau ,Mourice deveria se casar com sua única filha,Katarina. A mansão seria presente de casamento e parte do dote ofertado pelo pai da noiva que segundo contam não era a beleza em pessoa.
Os dois homens sorriram. Hangra os corrigiu:
—A eterna exigência masculina. Além de ser mulher, tem que ser bela. Imagine se indagassem a nós, as mulheres.

— O que diriam? — quis saber Bento gracejando.
—Certamente que além de homens tivessem cérebros. Para que duas cabeças se nenhuma delas pensa. — O que causou imenso desconforto aos dois. Cristóvão intuiu que fosse uma boa hora para continuar as explicações da maldição da linha Baudelaire.
— Mourice tinha um caso em secreto com uma escrava de sua casa. E o sentimento de tão forte o levou a pensar em abandonar tudo e seguir com ela.Por intermédio direto da família, a escrava foi posta a venda, mas Mourice a conseguiu ajudar fugir.Depois teve que se casar com Katarina. Porém, seu pai caçou a escrava por todo canto e ela foi capturada a laço dentro da mata fechada. Levou cerva de quarenta chibatadas, e após de ser tratada com salmoura de sal grosso e vinagre, foi enforcada.Antes de morrer ela amaldiçoou Mourice e a esposa, que dariam seguimento a linhagem Baudelaire com a seguinte citação:
" TODO HOMEM QUE POSSUIR A BOUDELAIRE COM O PESCOÇO COMO O MEU ESTARÁ."
— Entretanto, essa maldição ganhou força mesmo de cinquenta anos para cá,como comentei anteriormente.
Hangra arqueou as famosas sobrancelhas e os singulares olhos verdes herdados de sua genealogia e que faziam parte dela dando um toque todo peculiar a sua formosura expressando:
— Fato capcioso.
 Na entrada jazia ansioso com mais dois criados, o então angustiado herdeiro o senhor Gastón Baudelaire. Era um senhor na casa de seus setenta anos, barba espessa, face gentil, bem alinhado,parecia na verdade um legitimo Lorde inglês, apesar do sobre nome francês.
— Sois muito bem-vindo a propriedade Dos Baudelaire! — Saudou com os braços abertos esquecendo a frieza dos franceses.
Todos desceram da carruagem. Hangra foi à última amparada pela mão de Bento, e apesar o chão e tratou de analisar cada detalhe. A mansão misturava-se entre predicados Elisabetanos e o requinte dos mosaicos franceses do século XVII para o XVIII, mas não podia se negar quer a simplesmente um lugar magnífico. Esplêndido seria a palavra apropriada.
Após a primeira impressão Cristóvão apresentou Hangra ao Senhor Gastón que lhe beijou a mão, atitude que chamou atenção da jovem advogada. Ele não se incomodara com pormenor dela ser mulher e negra que trataria da tal papelada.
— Realmente seu tio não mentiu quando a descreveu para mim senhorita Hangra Reis. Tens uma beleza e presença única. — O que deixou Bento levemente enciumado, Hangra somente agradeceu e todos entraram na tal morada amaldiçoada.

 O interior era mais rico em minudencias. Lareira de mármore, móveis esculpido em madeira de carvalho, um ostentação para aquela época. E um marcante predicado na parede que possuía a escadaria que levava para o segundo piso do ambiente. Quadros pintados a óleo de todos os ancestrais da linhagem Baudelaire. Sem dúvidas, mais uma evidencia do poder econômico e social que aquele clã detinha.
—É com certeza uma família bem grande, senhor Gastón. 
— Evidenciou Bento com as mãos para trás. Hangra sentou-se no sofá proeminente observando o recinto. Uma criada logo surgiu para servir chá com biscoitos de araruta. Depois de um abreviado instante de prosa a jovem pediu a palavra.
—Senhor Baudelaire, pelo que percebi falta um retrato na parede de quadros de sua árvore genealógica.
O consorte sorriu chacoalhando o dedo indicador:
—Muito astuta senhorita Hangra, muito astuta.
Todos sorriram pela forma como o homem gracejou a fala.
—É pela tradição da minha família o quadro dos membros só podem estar ali após sua morte.
—Então devo supor que a pintura que falta é a sua. — ponderou a jovem.
— Sim. — admitiu Gastón. Como não tive filhos,sou o último da linhagem Baudelaire e não pretendo morrer tão cedo, e em virtude disto é que procurei por meu velho amigo Cristóvão e decidi vender a mansão Baudelaire.
—Mais uma propriedade como está? — indagou Bento após uma talagada de chá. —Quantos acres?
— Seiscentos acres. — O que fez o jovem quase engasgar-se.
—Seiscentos?
—Em nenhum tempo considerou refletir sobre tal decisão senhor Gastón? — averiguou Hangra.
—Minha querida, com essa maldição sobre meu sangue, não mesmo.
—Bem lembrado, o senhor poderia detalhar-me quando precisamente essa maldição ganhou força?
—Hangra... — resmungou Cristóvão.

— Deixe-a Cristóvão. Entendo sua curiosidade senhorita Reis, mas prefiro não entrar nos predicados macabros. No entanto, separei minha biblioteca e pedi aos meus criados que colocassem todos os documentos da conveniência, tudo está lá ao seu dispor. Peço urgência, realmente temo e muito pela minha vida. — sendo incisivamente firme.
—Pois então tenho sua permissão para que eu e meu assistente Bento Vicentin possamos iniciarmos? — investigou outra vez.
—Por favor, fiquem a vontade. A mansão Baudelaire está em suas mãos. — erguendo-se. — Se não se importam meu cocheiro me aguarda, careço estar para cesta com uma amiga distante que vem me visitar.
Hangra estranhou a colocação.
—O senhor não vive aqui?
—De maneira alguma minha cara!-Protestou Gastón. - Jamais vive na Mansão Baudelaire. Este lugar me dar calafrios, e agora mais que nunca, quero passar o mínimo de tempo possível aqui. —  ajeitando o paletó e impondo o peso sobre a inseparável bengala.
A jovem acenou a cabeça e lançou um olhar para Bento que a acompanhou após despedir-se de Gastón e de Cristóvão. O senhor Baudelaire permitira a estadia de Hangra Reis e seu fiel escudeiro, Bento para o tempo mandatório para que preparassem toda a papelada para venda da suntuosa residência.
Enquanto Vicentin descobria onde jaziam seus aposentos e o de Hangra, a moça embrenhou-se na biblioteca que lhe chamou atenção pela beleza dos delineies e quantidade de livros raros.
 Ali se encontravam obras de Thaikosvky,Maquiavel,Dostoiévski,Shakespeare e estimadas e prodigiosas enciclopédias de vários outros renomados escritores, sem dúvida um patrimônio a ser muito bem estimado e considerado a se desfazer por uma pessoa. De súbito fez com que Hangra refletisse sobre a tensão e força que a tal maldição exercia sobre o senhoril Gastón Baudelaire.
Ao adentrar o recinto Bento espantou-se também.
—Homessa! Por acaso morri e meu espírito jaz no paraíso? — Porque como Hangra amava ler.
 A moça sentou-se na grande mesa de madeira, relíquia feita de pau-brasil, com detalhes de anjos que começavam nos pés do móvel como se estivessem segurando o peso da tampa lisa avermelhadas da madeira dita.
—Santo Deus! Olhe esta mesa, Hangra? — passando as mãos enquanto a senhorita Reis suspirava já remexendo algumas pastas que ali estavam.

—Pelo visto não teremos muito a fazer.  —  Disse a moça um tanto enfadada.
—Como não? — argumentou Vicentin.
—Pelo que estou vendo, a papelada da Mansão está perfeitamente em dia e mais que amoldada para efetivação da venda da mesma. E ser quer saber mesmo, o que me fez aceitar o caso foi a tal...
—Maldição. — Bento concluiu porque a conhecia perfeitamente bem para compreender que este teria sido o estopim que impulsionara a jovem investigadora.
—Dois mais dois ainda são quatro, não é meu caro Novato? — gracejou contente por compreendê-la.
—Você quando coloca caraminholas na cabeça, pelos Céus! — sentando-se derrotado.
—Vamos laborar Novato, laborar! — E os dois começaram a separar papéis e mais papéis. Ao findar a tarde com toda documentação organizada Bento rebateu satisfeito:
—Serviço concluído e com louvor!
Hangra não escondia certo desdém pelo enfado de ver diante dela uma simples questão familiar. Cainhando pela longa biblioteca achou curioso que no meio de tanta madeira, em cima da velha lareira jazia uma obra de cristal, que lembrava uma Fênix. Aproximou-se e no afoito de tão logo no objeto tocar tropeçou na ponta do tapete persa e para evitar a queda suas mãos caíram com força sobre a lareira e colidindo contra a peça que ao invés de cair, tombou para trás dando o inicio de uma grande surpresa.
—Mais o que é isso? — perguntou Bento que não sabia se acudia Hangra a recompor-se ou se contemplava o que estava diante deles.
—Uma passagem secreta, não está vendo meu caro. — Os olhos verdes da jovem negra brilharam como de frente do sol. 
Bento retrocedeu passos.
—Ignoremos isto. Nosso trabalho já está quase completo Hangra. — rogou.
Ela o lançou um olhar e o advertiu:
—Crê que isto se resume a mera coincidência, homem? — mostrando com uma das mãos a passagem secreta que agora deixava o oculto e se abria diante deles.
—Hangra, pelo amor de Deus, se isto existe é porque esconde segredos do clã Baudelaire. Sejamos sensatos, não é do nosso bedelho! — repousando as mãos sobre a cintura amargurada.
Ela volveu alguns passos além dele, não para obedecê-lo, na verdade para apanhar o candelabro uma vez que a noite já despontava e com a luz poder adentrar ao recinto misterioso.
Contudo, a finalidade de Vicentin sempre foi à mesma, proteger Hangra dos perigos de si mesma e de sua mente tão díspar e prodigiosa. O ambiente além de escuro tinha um odor muito pouco convidativo e logo revirou o estomago do moço e fez a jovem dar a resposta do que se tratava.
—Que catinga é essa? Santo Deus! — bradou Bento se encostando-se à escada que levava para um patamar inferior.
—Putrefação, meu caro. Putrefação. — E inda que fosse de porte acanhado ela elevava o máximo possível o candeeiro para alumiar o caminho e aguentar os resmungos do parceiro.
—Putrefação? Não acredito que está nos submetendo a isto!
—Se aquiete Novato. O silêncio aqui também vale ouro. — imperou.
 Era mais de cem degraus, uma escadaria rente a parede que era tão escura e incompreensível deixando Hangra cada vez mais salivante. Bento não suportou o odor e chegou as vias de fato o que fez a jovem ressaltar.
—Homens. Seres superiores, sei! —  ironizando a questão.
Lá embaixo jaziam mausoléus avelhantados. Os dois se entreolharam abismados porque todos sem exceções encontravam-se abertos, expostos ao tempo, esquecimento e desdém.
— Julgo isto no mínimo profano. — segredou Bento no ombro da jovem.
—Pois para mim, profano seria não investigar!-Em alto e bom som. Logo se direcionando para uma das covas com esqueleto vestido com traje a rigor dentro do ataúde.
Bento foi tomado pelo estarrecimento.
—Você não vai...
Pois sim, Hangra sorriu e desceu dentro da cova, e notando que o pescoço do defunto jazia separado do restante do corpo, pegou o crânio com respeito e delicadeza.
—Meus olhos não contemplam isto! — bradou Bento desesperado.
Ignorando o assombro de Vicentin, Hangra cheirou a cabeça por três vezes completamente concentrada.
—Na frança te mandariam para a fogueira e eu como cúmplice. Bruxaria! — ele estava horrorizado com a performance de Reis que colocou o crânio de volta com muito zelo e objetou:
—Está aqui há mais de cinco anos com certeza. — limpando as luvas em seguida e com o pensamento longe como quem arquitetara adágios inaceitáveis para Vicentin que reagiu rebatendo:

—E como pode ter tanta certeza, viraste coveiro agora também?
—Para de falar asnices, Novato! Nunca para e observa os acontecimentos ao seu redor. O mundo reage a sua volta e você fica sempre preso, atravancado neste seu mundinho de concepções. Entenda homem,o mundo muda o tempo todo! — sacudindo a mão esquerda para que ele a ajudasse a sair da catacumba. — Quando ossos humanos passam ter cheiro da terra, é um indicio que já estão ali por mais de cinco anos.
Permaneceram ali ainda por quase vinte minutos, o que fez a jovem recuar fora o cheiro insuportável de apodrecimento de alguns cadáveres. E antes que Bento colocasse os rins para fora, julgou sensato volver a biblioteca.
—Isto fica cada vez mais interessante. —  confessou a moça de volta ao recinto dos livros.
—Pois desejo é um bom banho, este mau-cheiro se entranhou em minhas vestes como cicatrizes.
 Aquela noite em seu aposento Hangra fora invadida por aquela trama. As perguntas borbulhavam em sua mente a levando ao êxtase das especulações. Inda que o corpo pedisse arrego, relutava em dar-se aos braços de Morfeu, foi quando batidas conhecidas soaram da porta de seu aposento. Ajeitou-se me seu penhoar dourado, e abriu a porta com um candelabro já proferindo entre murmúrios:
—Entre logo Novato!
—Desculpe Hangra. — Adentrou em passos céleres e curtos. — Eu sei que não fica bem um cavalheiro vir a alcova de uma senhorita mas...
—Que cavalheiro? Onde está a dama? Você para mim é como um irmão. Quantas vezes tenho que repetir isto. É exaustivo sabia? — fechando a porta sem poder ouvir o Bento retrucara em sussurros:
—Pelo menos mais uma vez para que eu me convença e perca todas as esperanças a seu respeito.
—O que foi que aconteceu?- indagou com pouca paciência, a presença de Bento deixava Hangra com dificuldades de raciocínio,embora nunca despertasse nela a razão de tal proeza.
Ele retirou do bolso algo e a entregou na penumbra.
—Enquanto descia aquela catacumba, vi este objeto no chão e achei que deveria guardar para mostra-la mais tarde. — explicou indo para a janela.
Hangra pegou o pedaço de pano e dirigiu-se a pequena mesa no centro do cômodo, abriu o lenço branco e pôs o candeeiro para que iluminasse melhor. Tratava-se de um pequeno saco de erva secas e semelhavam passadas. Hangra arqueou o corpo e as sobrancelhas arguindo:
—Zabumba?
—Hã? — o moço resmungou.
—Zabumba. Também conhecida como erva-do-diabo e dos feiticeiros. Tem um vasto e poderoso poder em alucinações visuais e delírios incontroláveis.
 —O coração de uma mulher é como um oceano guarda muitos segredos. Se alguém ainda não disse essa frase, creia, um dia falará. — gracejou.
Minutos depois Bento Hangra decidiram que naquela manhã, assim que o sol desse o ar de sua graça abençoando mais um dia, pegariam a documentação da Mansão Baudelaire e seguiriam para a Capital ,para ele para entregar os papéis ao seu legítimo dono, Gastón Baudelaire, para ela investigar os últimos episódios começando pela pessoa mais confiável para confirmar suas suspeitas. Vicentin notou que os pensamentos eram contraditórios neste preciso instante:
—Cocheiro, sigamos para Rua Das Nações...
—Não, não! —replicou Hangra. — Rua do Príncipe, 1928.
—O que? — Bento espantou-se, momento certo para a moça descontrair a tensão de sua face.
—Ora Novato, andas esquecendo o endereço da tua própria casa? Seria a idade dando seus sinais?
—Homessa, que faremos em casa Hangra?
—Saberá, saberá meu caro Novato. — lançando o olhar ao longe enquanto o cocheiro mudava o trajeto.
Ao chegar a sua casa, Hangra correu gritando pelo recinto. 
—Donana! Donana!
Que surgiu roçando as anáguas pelo chão e estranhando a pressa da jovem:
—Mas que alarido é esse, sinhazinha?
Hangra lhe explicou tudo e por fim deu a consorte a tal erva que só em ver volveu passos vertiginosos.
—Erva de mandinga! — com o pavor nos olhos. — Onde foi que vosmicê arrumou isso?
—Pois não acabei de elucida-la,Donana. — com um tom suave.

—A sinhazinha devia ter deixado isto onde achou
—Donana, saberia explicar porque tal erva estaria num espécie de cemitério? — perguntou Bento.
—Sei responder não senhorzinho. Agora, só por estar lá, já não é um bom agouro. E que povo é esse que tem tumulo dentro de casa? Nos "quinta" é inté respeito com "senhô" da casa, mas num porão? — Donana dera a Hangra a informação que ela queria para ir adiante.
Beijou-a na testa, agarrou novato pelo braço e desatinaram pelas ruas do bairro até a Biblioteca da dos Jesuítas. A moça pouco se importava com os cochichos de sempre e seu foco nunca fora tão certo. Ao chegar na Biblioteca mais uma vez o preconceito racial resvalava nos caminhos de Hangra. Não permitiam a entrada de negros, inda que alforriados, limpos ou educados e ricos como era seu caso.
Entretanto, ela só precisou do que ininterruptamente fez, se impor com honra e queixo erguido. Mostrou sua carteira como advogada, jogou os papéis que comprovavam os títulos de nobrezas de seus pais adotivos em cima do balcão e foi enfática:
—Ainda ouvirei um não?
O balconista teve que se curvar diante dos atestados. Causou abafos por toda sociedade. Hangra Reis do Brasil , a primeira negra a adentrar na biblioteca da cidade. Mais uma vez ela fazia historia.
Pisou nos degraus da escadaria que dava acesso ao vão inferior onde ficavam as plantas das casas dos abastados na época e simplesmente desprezou qualquer olhar imponente em sua direção.
Lá foi sucinta com Bento:
—Não temos muito tempo, procure!
—Se me disseres o que? — um tanto arreliado.
—Procuramos pela planta da casa dos Baudelaire, que, diga-se de passagem, não se encontrava na documentação que preparamos a venda da propriedade, predicado capcioso julgo agora depois do que descobrimos. Santa barra do meu vestido!-batendo as mãos para o parceiro. — Mexa-se homem!
Foram horas até que ela mesma gritou esquecendo onde estava, por sorte sozinhos e sem ninguém para reclamar do tom altivo de sua voz.
Examinou cada detalhe da planta e fitando Vicentin perguntou:
—O que vê?

Ajeitando o chapéu tentou fazer firulas de um bom detetive, mas por fim resumiu-se:
—Cômodos?
Hangra sorriu batendo no ombro dele e o beijando no rosto como um hábito que tinha.
—Aprenda Bento,as vezes aquilo que não ficou evidente ou salta aos nossos olhos é onde estão as grandes pistas.
—Uma planta de uma casa com cômodos, onde está o que salta aos olhos Hangra? —replicou o jovem absorvido por sua ineficiência.
—Onde está o enorme vão do porão que guarda as catacumbas, Novato?
Subitamente Bento lançou o olhar outra vez para o documento aberto e constatou que ela estava certa.
—Por Santa Clara! Não é que tens razão? — coçando o rosto.
Vamos, precisamos falar com meu tio Cristóvão e o senhor Gastón Baudelaire. Talvez ele posso acrescentar algo a tudo isto, ou se espantar quando souber o que há debaixo da suntuosa mansão Baudelaire. Talvez ele possa acrescentar algo a tudo isto, ou se espantar quando souber o que há debaixo da suntuosa mansão Baudelaire. Despencaram atrás de Cristóvão e por sequencia chegariam a Gastón, mas o primeiro tentou frear a mocinha.
—Hangra... Não foi para isto que te a chamei a este caso. — discorreu num tom preocupado.
—Meu tio? — Ela tentou justificar-se embasada nas provas que juntara.
—Os Baudelaire são uma família de muitos segredos, muitos mistérios, coisas que Gastón não deseja remexer por isso me procurou para indicar alguém de minha interia confiança para resolver tão somente a venda da propriedade.  — explicou o senhor passando a mão pela testa levando Hangra a outro pensamento.
—Então o senhor sabia da cripta?
—Sim e não.  — ponderou sentando-se. — Aquele lugar foi construído inda pelo primeiro dono,foi uma exigência de Mourice. Era um local para encontrar-se com sua amante as escondidas. Ele não intuiu jamais que a caçariam e a matariam de modo tão primitivo e selvagem.
—Um quarto secreto? — estranhou Bento.
—Sim, pelo menos o que Gastón me elucidou, no entanto, ele não sabe dessas tais sepulcros. Diversas vezes, em inúmeras conversas mostrava-se arrepiar só de falar na tal cripta, para eles, o espírito inconformado da escrava. — benzendo-se em seguida.

—Tenho conversar com ele meu tio! —Hangra foi talhante na postura para desespero de Cristóvão.
—Homessa Hangra,nem por Chongas! Eu a proíbo!
—E eu com todo respeito que lhe tenho, desobedeço! — rebateu com uma força que o intimidou.
O que se deu foi à conturbada conversa entre Hangra Reis,Cristóvão, Gastón Baudelaire e a revelação que pareceu cair feito bomba sobre a cabeça do herdeiro.
Hangra observou todos sem exceções. Para ela estava claro que naqueles vinte e seis sepulcros jaziam os últimos cinquenta herdeiros vítimas da tal maldição. Ela voltara lá sem Bento e inspecionara,em cada cova dois corpo, na última nada, um agente para despistar. A questão para ela foi compreender o mistério que se ocultava ali. No dia que deveria entregar a documentação para os agora proprietários da mansão.
Hangra chegou acompanhada do Delgado e dois policiais com um mandado de prisão. Mais uma vez ela causara alvoroço.
—Mais o que significa isto Hangra?- perguntou Cristóvão estarrecido pela cena.
—Trago um mandado de prisão para o Senhor Gastón Baudelaire. —Todos se entreolharam sobressaltados.  — E explico! — completou. — O Senhor Gastón está sendo indiciado pelo homicídio DOLOSO de seus últimos parentes na sua linhagem.
—O que? — berrou Cristóvão
Gastón tentou correr e logo foi detido pelos policiais.
—Permita-me meu tio. — pediu Hangra com louvor. —Descobri uma passagem secreta na Mansão Baudelaire e sua maldição.E sim a maldição foi lançada pela escrava, mas jamais foi concretizada.A cripta foi feita com intuito de que os amantes Mourice a escrava ali pudessem se encontrar mas após a morte da mesma foi dado como destruída pelo clã. Nos últimos cinquenta anos, Gastón levado pela ambição executou friamente cada um dos herdeiros até que chegasse até ele.
—Mas todos foram mortos como reza a maldição? — disparou um dos presentes.
—Não, não foi. Após examinar cada um dos cadáveres...
—Você exumou os defuntos? — perguntou um senhor boquiaberto. Hangra prosseguiu:
—Após examinar, haja vista ter encontrado esta planta no recinto- mostrando a erva zambumba. — Conhecida entre os feiticeiros por seu grande poder em alucinações visuais e delírios incontroláveis, entretanto,esta erva também e conhecida pelos botânicos pelo seu vasto poder em sufocamento, basta espalma-la e em contato com a vitima é morte por sufocamento de certo.Os corpo tinham marcas de estrangulamentos ,porém nem todos.Tenho plena certeza de que em todos foram usado a mesma substância.

—E por que Gastón faria abissal barbárie? — Cristóvão não conseguia crer no que Hangra dizia enquanto o amigo recuava a cabeça para chão.
—Nas terras da propriedade não há somente acres e mais acres de terra, mas também algo bem mais valioso e reluzente. Uma jazida de ouro descoberto por um dos escravos da casa e a este restou a vigésima sexta cova, único jazigo que não tinha um Baudelaire na cripta secreta.
—Então por que razão Gastón a venderia? — quis saber o Delegado.
—Levantei a vida nos últimos anos do senhor Baudelaire.Sua dívida com jogatinas jazem na casa dos milhares. A venda da casa saldaria a dívida, no entanto, ele teria recursos suficientes para sobreviver e bem graças à mina de ouro.
—Negra Insolente! Você só tinha que preparar a papelada, nada mais! — bradou Gastón possesso sendo seguro pelos policiais e conduzido para a Delegacia onde assumiu a culpa dos crimes que adveio sobre sua família.
Dias depois, Cristóvão veio procurar Hangra e se desculpar por ter duvidado da capacidade elucidativa dela.
—Tudo ficou bem. — falou Bento vendo a carruagem de Cristóvão partir.
Hangra sorriu e rebateu gracejando:
—Espero que não seja por muito tempo.

“SOFRO DE NINFOMANIA E SOU FIEL”.

A ninfomania é uma doença mais comum do que as mulheres imaginam (Foto: Shutterstock)

A publicitária Renata*, 24 anos, sempre gostou muito de sexo. Só descobriu que seu interesse era excessivo quando o namorado se mudou para o exterior. Ela sentia tanta falta de transar que não conseguia trabalhar, se masturbava cinco vezes ao dia e pensava em traí-lo. Ninfomaníaca, Renata precisou de terapia e remédios psiquiátricos para se controlar. Hoje, sabe lidar coma questão e não pensa em trair. Mas admite que, se pudesse, faria sexo todos os dias


Sempre fui bastante interessada por sexo. Era precoce em relação às meninas da minha idade. Aos 12 anos, já adorava ler contos eróticos pela internet. Minhas amigas sequer entendiam do que eu estava falando quando tentava conversar sobre masturbação. Ainda assim, minha primeira vez demorou um pouco para acontecer. Comecei a namorar aos 14 anos, mas só fui perder a virgindade com ele aos 17. Passamos quase um ano tentando transar, mas doía, era desconfortável. Quando finalmente conseguimos, foi incrível. Gozei muito. E rapidamente nos acostumamos a ter uma frequência sexual boa, de pelo menos três vezes por semana. Era comum que eu saísse da escola ao meio-dia e fosse direto para a casa do meu namorado, para transar. Depois, voltava para a escola. Ficamos nesse ritmo por quase um ano, até que ele teve que se mudar para Minas Gerais com a família. Ainda tentamos manter a relação à distância, mas acabou não dando certo. Eu não tinha paciência e nem maturidade para sustentar um namoro assim.
Logo que terminamos, percebi que sentia muita falta de sexo.Mas eu estava no primeiro ano da faculdade, conhecendo muitas pessoas e, com a vida dinâmica de solteira, consegui manter praticamente a mesma frequência sexual da época do namoro. Transava pelo menos três vezes por semana e cheguei a sair com cinco caras diferentes ao mesmo tempo. Até hoje, não sei como administrava tanta gente, sem que uns soubessem dos outros. Fiquei solteira por quase três anos e não faço ideia de quantos parceiros tive nesta época. Um dos caras com quem eu ficava me levava a casas de swing e eu me divertia horrores. A gente ficava das 10h da noite às 6h da manhã por lá e eu ia trabalhar direto depois. Meu recorde foram oito transas, com parceiros diferentes, numa mesma noite. Nem me sentia cansada. Sempre abri mão de uma noite de sono por uma bela noite de sexo. Achava que minha vida sexual era bastante agitada, mas nunca pensei que isso fosse um problema ou um distúrbio. Minhas amigas não eram como eu, mas achava que elas eram reprimidas, envergonhadas. E eu, despachada, sem amarras ou moralismo. Quanto mais transava, mais disposta ficava.
Essa farra acabou no dia em que vi meu namorado pela primeira vez, em um restaurante. Temos a mesma profissão e eu já admirava o trabalho dele como publicitário. Quando nos conhecemos, por amigos em comum, nos apaixonamos na hora e começamos a namorar imediatamente. Foi avassalador. Nos dávamos muito bem, dentro e fora da cama. O sexo era excepcional. Mas, aos seis meses de namoro, por motivos profissionais, ele precisou ir embora para Londres. Que sina a minha de ter namorados distantes! Mas estávamos muito apaixonados e resolvemos manter o namoro. Até poderíamos ter tentado combinar algo como um relacionamento aberto, mas nosso desejo não era esse. Também não sabíamos quanto tempo ele ficaria longe e, achando que o afastamento seria breve, decidimos continuar juntos.
Em seis meses de distância, enlouqueci. Nas primeiras semanas, sentia muita vontade de transar e não tinha como me saciar. Comecei a me masturbar, uma, duas, três... até cerca de cinco vezes por dia e não adiantava. Tentei fazer sexo por telefone e webcam, mas ainda assim não melhorava. Com o passar do tempo, comecei realmente a perder o controle. Eu acordava pensando em sexo, ia trabalhar pensando em sexo e dormia pensando em sexo. Via uma caneta na mesa do escritório e imaginava obscenidades. Cheguei a me masturbar no banheiro da empresa. Era um desejo compulsivo, e estava impossível de me concentrar em qualquer coisa. Ao final do terceiro mês, eu comecei a ter um forte mal-estar físico, sentia ondas de calor, tinha vontade de urinar, mas não saía nada quando eu ia ao banheiro, minha cabeça doía muito. Já nem percebia que era tudo culpa de um absurdo tesão reprimido. A situação foi piorando até o ponto em que eu não conseguia mais dormir. Virava para um lado, para o outro, faltava alguma coisa e eu não fechava os olhos.

NO CONSULTÓRIO

 Resolvi consultar minha ginecologista. Expliquei a história toda e tudo o que ela me sugeria como solução, eu já tinha tentado: vibrador, vídeo, masturbação de todas as maneiras. Nada funcionava. Diante disso, ela resolveu me encaminhar para uma psicóloga. Achando que a questão era física e não psicológica, comecei a terapia. Meu namorado acompanhava tudo remotamente de Londres, desesperado com a possibilidade de que eu o traísse. Confesso que pensava muito nisso, mas me segurava por amor. Quando ele começou a ver meu desespero, chegou a dizer que se eu precisasse transar com alguém, que eu fosse e não contasse para ele. Eu sofria demais. Mas sei que, se ele soubesse que eu tinha transado com outro homem, ficaria muito chateado. Estava muito apaixonada e não fazia sentido magoá-lo. Então, bloqueei todos os amigos com potencial para se transformar em um caso extraconjugal.


ETERNAMENTE EXCITADA

 Minha rotina ficou inviável: passava os dias excitada sabe-se lá com o quê. Minha calcinha vivia molhada e acabei desenvolvendo uma candidíase por estar sempre úmida. Via paus e xoxotas por todo lado, tudo me remetia a putaria. Eu não podia assistir a uma cena de novela ou ver as costas nuas de um ator, que já ficava enlouquecida. Tinha dores de cabeça, minhas costas viviam tensas. Era como se tivesse um vício e uma forte abstinência da droga. Na terapia, contava para a psicóloga tudo o que eu pensava. Começamos a tentar condicionar meus pensamentos. Ela me pediu para imaginar as coisas mais estapafúrdias quando eu tivesse ideias sexuais. Se eu pensava em sexo, imediatamente me concentrava para lembrar de um pasto, por exemplo. Algo nada erótico, que me desligasse dessa sensação de excitação. O problema é que não funcionou. No auge do desespero, tentei pensar em cocô. E isso me lembrou de bumbum, que eu já comecei a associar com imagens eróticas. Diante da falha na terapia, a psicóloga disse que meu caso demandaria remédio, algum calmante inibidor de libido, e que eu deveria consultar um psiquiatra. Iniciei uma bateria de exames neurológicos e ginecológicos. Fiz tomografia, vulvoscopia e testes hormonais, até que encontramos um problema. Um os hormônios, estrogênio, que ajuda a regular a libido feminina, estava em concentração muito acima do normal no meu sangue.

O DIAGNÓSTICO

O diagnóstico foi uma doença vulgarmente conhecida por ninfomania. O psiquiatra me perguntou se eu tinha previsão de quando veria meu namorado ou se eu poderia transar com outra pessoa. Diante da minha negativa, ele receitou um calmante tarja preta, que eu comecei a tomar sempre que a loucura do tesão se apoderava de mim. Só que tinha que ser uma dose muito moderada porque além de inibir a libido, o remédio poderia me deprimir.

Quando contei para o meu namorado tudo aquilo que estava passando, sua primeira reação foi de se achar sortudo. Os homens costumam ter essa ideia. Mas, infelizmente, não é assim. A ninfomania é uma compulsão, que me provoca sensações muito ruins e que precisa ser controlada. Segurei a onda como remédio por mais um tempo até que meu namorado me deu a linda notícia de que estava voltando. Quando isso finalmente aconteceu – depois de seis meses de distância – quase que não deu conta do meu fôlego. E eu, depois de tanta repressão, não conseguia ter orgasmos. Três tentativas depois, tudo se normalizou. Todos os sintomas de estresse, dores de cabeça e musculares, insônia, falta de concentração sumiram. Minha ginecologista me disse: “Renata, você gosta da coisa, realmente gosta e não pode ficar sem fazer”. É uma sensação maluca, um tesão eterno.
A volta do meu namorado foi ótima, mas não eliminou o problema definitivamente. Tive fases de querer transar todos os dias, duas ou três vezes, para ficar minimamente tranquila. E é óbvio que isso é impossível, meu namorado e eu trabalhamos, ele é quase 20 anos mais velho e fica difícil acompanhar o ritmo. Já tivemos brigas e quase terminamos porque eu queria muito sexo e ele não estava tão a fim. Por um dia ou dois, eu até me segurava, tentava entender o cansaço e o ritmo dele, mas em dados momento, surtava, não conseguia olhar na cara dele, de tanta raiva por estarmos transando “pouco”. Chegava a explodir, questionava, grosseiramente, porque a gente namorava, se ele não dava conta de mim. Dizia coisas pesadas. Sei o quanto esse tipo de conversa deve ser difícil para um homem. Querendo ou não, vivemos em uma sociedade machista que pressupõe que o homem seja sempre aquele que procura pelo sexo. E ele, fazendo o máximo, não era o suficiente para mim...
Hoje, quatro anos depois, com muita conversa e concessões de ambos, conseguimos manter um ritmo de transas razoável para os dois. Há um ano, ele está morando no Rio de Janeiro. Mas temos nos visto toda semana e tem sido suficiente para não me dar loucura. Tenho evitado o calmante, porque ele acaba afetando a minha disposição para outras coisas. Não há remédio específico para baixar a libido. Aliás, há muito poucos estudos sobre o tema. Eu mesma tenho sido objeto de pesquisa da sexóloga Regina Navarro Lins. Ela me disse que, embora pareça raro, o problema é comum. Só que as mulheres não sabem que tem e não falam, porque têm medo de parecer vulgar. Sorte que eu sempre tive uma relação de muito diálogo como meu namorado, então, para mim, foi mais tranquilo. Mas sei que não é fácil para a maioria, que dá vergonha dizer para o marido ou namorado, depois da relação sexual terminar, que você não está 100% ou que quer de novo.
Estamos pensando em morar juntos quando ele voltar do Rio. Hoje, temos uma relação mais tranquila, sem desconfianças. Se sinto muita vontade, aviso para ele. Já aconteceu umas duas vezes de eu estar bem desesperada para transar, ligar, ele pegar um avião e, em uma hora, estar na porta da minha casa. Você acha que eu vou trair um homem desses? Não faço mais terapia, mas tenho feito, sozinha, um trabalho psicológico muito forte. Sou capaz de me concentrar, de controlar meu estresse quando estou sem sexo, muito mais do que antes. Consigo manter um relacionamento e ser fiel. Ter descoberto que sofro de ninfomania e buscado ajuda foi fundamental para os meus planos de futuro. Acho que tentar se entender é algo que todas as mulheres deveriam fazer. Se você sente uma vontade excessiva de sexo, não se reprima. E se, ainda assim, esta vontade atrapalhar sua vida, procure ajuda médica.

Fonte: Marie Claire

A PRAGA DA DANÇA?


Conheça a bizarra história do surto que fazia as pessoas dançar até a morte

Conheça a bizarra história do surto que fazia as pessoas dançar até a morte
Você deve conhecer vários “pés-de-valsa”, que adoram dançar e basta com que ouçam uma musiquinha para sair por aí chacoalhando o esqueleto. No entanto, ocorreu na Europa — em 1518 — um caso relacionado com a dança bastaste curioso: na cidade de Estrasburgo, na França, uma mulher começou a dançar e permaneceu assim por dias a fio sem descanso, sendo pouco a pouco acompanhada por centenas de pessoas.
Os indivíduos afetados dançavam compulsivamente sem parar e, como consequência, a maioria acabou falecendo em virtude de ataques cardíacos, derrames e cansaço. A mulher que apresentou os primeiros sintomas sucumbiu após um período entre quatro e seis dias de atividade incessante.

Músicos e profissionais

As autoridades locais, ao não saberem como lidar com a situação, acreditavam que a dançomania só podia ser curada se as pessoas dançassem até que o desejo se esgotasse. Inclusive foram liberados espaços nas prefeituras, e músicos e dançarinos profissionais foram contratados para acompanhar os maníacos.
Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia
Depois de um mês, cerca de 400 pessoas tinham sido afetadas pelo surto, e como ele parecia não ter fim, as autoridades decidiram enviar os dançomaníacos a um santuário para que implorassem pela cura. O evento de 1518 durou aproximadamente dois meses até que a epidemia se dissipasse, e o mais curioso é que este, embora seja um dos episódios melhor documentados da História, não foi o único.

Possíveis explicações


Outra crença é a de que os envolvidos faziam parte de um culto herético e, ainda, que a dançomania era, na verdade, um caso de histeria coletiva. Contudo, hoje em dia a teoria mais aceita é de que as pessoas afetadas se encontravam em uma espécie de transe. Segundo os especialistas, as pessoas mais susceptíveis a sofrer dessa condição normalmente se encontram sob estresse psicológico ou acreditam na possibilidade de possessão espiritual.

Praga divina

São VitoFonte da imagem: Reprodução/Wikipédia
Aparentemente, ambas as situações podiam ser observadas na população de Estrasburgo de então. Os pobres estavam atravessando um período de fome extrema e doenças, sem contar que muitos eram devotos de São Vito e temiam a sua maldição. Portanto, os habitantes acreditavam que se o santo fosse provocado, ele lançaria a sua ira na forma de uma praga que provocava a compulsão por dançar.
Conforme explicaram os especialistas, como a população se encontrava em um estado psicológico profundamente vulnerável e temia a praga de São Vito, muitos acabaram entrando em estado de transe, dançando enlouquecidamente durante vários dias. A epidemia, portanto, foi provavelmente provocada por uma combinação de medo e desespero.
Os surtos de dançomania acabaram desaparecendo conforme algumas partes da Europa foram se tornando protestantes, a crença em santos deixada de lado e o medo do sobrenatural começou a desaparecer. No entanto, embora a Epidemia de Dança de 1518 tenha ocorrido há meio milênio, esse evento ainda serve de curioso exemplo sobre a incrível estranheza do cérebro humano. E você, leitor, já tinha ouvido falar desse surto?
Conforme afirmam historiadores, tudo teria começado com uma mulher. Ela saiu de casa, provavelmente em 14 de julho ou algum dia próximo, e começou a dançar. Os relatos da época dizem que ela não parou por seis dias. Em uma semana, outras 34 pessoas começaram a se mexer de maneira ininterrupta. Era a eclosão de um dos casos mais curiosos da história da medicina: a epidemia de dança de 1518.
A "praga" tomou conta das ruas da cidade francesa e se tornou um problema para a nobreza e a burguesia, que consultaram os médicos da época. Após as causas astrológicas e sobrenaturais (que eram levadas a sério) serem excluídas, os especialistas chegaram à conclusão que o problema era natural, causado por "sangue quente" (para a medicina ortodoxa da época, poderia ocorrer um aquecimento do cérebro que causaria loucura). O tratamento: dançar, dançar e dançar - até as vítimas recuperarem o controle do corpo.
Salões e mercados foram abertos para as vítimas. Dançarinos profissionais e músicos foram chamados para mantê-los mexendo. Dia e noite, as pessoas requebravam freneticamente, sem parar. Se o doente enfraquecia, desmaiava, cambaleava ou diminuía o passo, o ritmo da música era aumentado. "Em um mercado de grãos e uma feira de cavalos, as elites criaram espetáculos tão grotescos quanto telas de Hieronymus Bosch retratando a loucura humana ou os tormentos do inferno", diz em artigo John Waller, professor de história da medicina da Universidade do Estado de Michigan e autor de livros e outro textos sobre esta e outras pragas de dança.

"Em um mercado de grãos e uma feira de cavalos, as elites criaram espetáculos tão grotescos quanto telas de Hieronymus Bosch retratando a loucura humana ou os tormentos do inferno", diz em artigo John Waller
Foto: Wikimedia
Não foi o primeiro caso de praga de dança registrado. Antes de Estrasburgo, pelo menos outros sete surtos ocorreram na Europa. Mas Estrasburgo teve maiores proporções. No final de agosto, seriam mais de 400 "infectados". Muitos mortos de tanto dançar - literalmente. "Nós não temos meios de saber quantos morreram - algumas crônicas dizem 'vários' e as autoridades da cidade foram suficientemente alertadas para parar toda a dança pública, tendo antes encorajado isso. É também plausível que as fatalidades resultaram de dançar sob o auge do calor do verão e raramente se parar para comer ou beber", diz o historiador ao Terra.
Após a primeira estratégia ter sido um desastre, as autoridades decidiram que o problema não era uma doença natural, e sim uma maldição enviada por um santo (para o pensamento do final da Idade Média, que persistia na região, os homens santos não apenas ajudavam contra certos males, mas também poderiam usar as doenças contra pecadores). O escolhido foi são Vito, conhecido por ajudar epilépticos.
A associação com o santo vem de outros casos de praga de dança. O primeiro conhecido foi na Suíça, quando dois surtos ocorreram em prédios religiosos no século 15, no dia seguinte ao de são Vito. Em 1518, a associação já estava bem conhecida.
As vítimas então passaram por uma espécie de cerimônia. Foram calçados nelas sapatos vermelhos e os dançarinos foram despachados para um santuário dedicado a Vito nas montanhas. Eles ficaram ao redor de um altar com as imagens do santo, da Virgem Maria e do papa Marcelo. Nas semanas seguintes, a epidemia perdeu força até exaurir, com os doentes recuperando o controle do corpo.
Mas fica um pouco difícil acreditar que, repentinamente, um grupo de pessoas seja afetado por uma "praga de dança". Dá para confiar nessas histórias? Segundo Robert Bartholomew, sociólogo da Universidade James Cook (Austrália) , "as dançomanias (como também são chamadas) são bem documentadas e foram descritas em numerosas crônicas medievais europeias que continham descrições de testemunhas. Além disso, diversos médicos do período escreveram sobre isso. Sendo assim, não há dúvida de que ocorreram - a questão mais relevante é: por quê?"
Causas e teorias
Diversas são as opiniões sobre o que levou centenas de pessoas a saracotear freneticamente pelas ruas de uma cidade francesa no início da Idade Moderna. Uma delas é de que o problema teria causa química ou biológica. O principal "suspeito" é a ferrugem dos cereais, um tipo de fungo que ataca plantações. Segundo Waller, essa possibilidade foi descartada, pois, apesar de o fungo causar convulsões violentas e ilusões, ele não leva a movimentos coordenados que duram por dias.
Outra causa seria a peste negra. A dança seria uma resposta à dor extrema causada pela doença nas vítimas. Segundo Robert Bartholomew, o problema aí é que a data não encaixa com as de surtos da peste.
Para o historiador John Waller, é necessário entender o contexto da época. As décadas que precederam a epidemia, afirma, foram notáveis pela severidade - mesmo em um período em que a população era acostumada com o medo e a privação. Ocorreram momentos de grande penúria em 1492, 1502 e 1511. Invernos rigorosos, verões abrasadores, granizo e tempestades de neve acabaram com as plantações - desastres que atingem mais a população pobre da cidade. Além disso, os senhores de terra aumentavam os impostos agressivamente e decretavam diversas proibições à população - como pescar e caçar em suas posses, o que apaziguaria a fome.

Em 1516, um verão escaldante acabou com as plantações e o preço do pão disparou. As pessoas gastavam suas economias para pagar pela comida. O inverno que se seguiu foi rigoroso e muitas pessoas morreram de fome. Doenças afligiam o povo e eram consideradas castigos divinos. Um relato da época conta que um orfanato ficou lotado com filhos de vítimas da varíola.
Segundo o historiador, o medo e a angústia eram gerais na população mais pobre, que acreditava em qualquer rumor místico. Além disso, a maldição do santo já era bem conhecida na Europa. "Que são Vito venha para você" ou "que Deus lhe dê são Vito" eram maldições conhecidas na época.
A pressão física e mental, diz Waller, tornou as pessoas mais suscetíveis a sugestões. Quando elas viram pessoas "amaldiçoadas" por são Vito, acreditaram também que elas eram amaldiçoadas e se uniram inconscientemente. A ação das autoridades, de incentivar a dança das vítimas em locais públicos, fez com que a epidemia só se espalhasse ainda mais.
"A praga de dança foi uma expressão patológica de desespero e medo religioso", diz Waller. Essa explicação se aplicaria aos demais casos. Em 1374, por exemplo, antes de a praga ser atribuída a são Vito, as vítimas acreditavam terem sido amaldiçoadas pelo diabo ou por são João.
Bartholomew tem outra visão. "Em teoria, muitos especialistas pensam que (as dançomanias) foram uma resposta catártica reprimida por estresse associado a pragas, fome e a peste negra, especialmente a última. Eu discordo. Eu sou um dos pesquisadores que tem uma explicação diferente. A de que essas pragas são consequências de crenças religiosas nas quais as pessoas pediam favores divinos através da dança", diz.
O sociólogo diz que relatos da época afirmam que as pragas de dança começavam com grupos de peregrinos que chegavam às cidades atingidas. Essas procissões eram marcadas por gritos a santos e danças pelos participantes. Ao longo do percurso, os moradores acabavam se unindo à dança, que se tornava frenética por parte dos fervorosos.
Para Waller, há um problema com esta hipótese: as vítimas não demonstrariam prazer em seus atos. Elas implorariam a outras pessoas e padres por ajuda. As expressões em suas faces eram de medo e desespero.
O fim repentino
As pragas de dança ocorreram durante a época final da Idade Média e desapareceram. Estrasburgo foi o último grande caso e até o final daquele século teriam sumido por completo.

Gravura de 1587 mostra a cidade de Estrasburgo, que no período romano foi chamada de Argentoratum
Foto: Wikimedia
"Não está inteiramente claro por que esses surtos pararam no final do século 16. É sensato assumir que como a crença nas maldições de santos enfraqueceram lentamente, elas não poderiam mais surgir. É também provável que com o estável crescimento do nível de instrução e o aumento, apesar de gradual, de uma mentalidade mais laica entre os educados, esses surtos não ficaram fora de controle porque as autoridades davam menor créditos às crenças populares", diz Waller.
Para o historiador, fica uma lição com a epidemia de dança. Por mais sobrenatural e inacreditável que o caso pareça, ele é um fenômeno psicológico que "nos lembra da inefável estranheza do cérebro humano".
Fonte:http://www.megacurioso.com.br/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

NO CÉU NASCEM OS HOMENS


Inspirado  num antigo comercial


Bahi era um menino camponês com uma obsessão na vida: Conhecer o céu e o inferno. Queria mesmo saber se um era o deserto escaldante e o outro a miragem em meio ao mesmo deserto que seus pais viviam lhe contando em histórias e pregando peças.Em meio suas peraltices infantis, cria que talvez as mesmas o impedissem de chegar ao Oásis que todo ser tem direito quando" bonzinho".
 
    De tanto pedir, veio à boa notícia das ordens celestiais. Ele acordou com uma bela moça ao lado da cama, de cara soube que não era um ser terreno, o rosto dela falava claramente isso sem nenhum termo. O esticar da mão amiga, a mão direita aceitou sem titubear, soube que o momento de esclarecer suas dúvidas enfim abordara.
    Chegaram num lugar de bela paisagem, os ruídos e alaridos vinham da mesma direção. Ela o deixou livre e o menino agitado correu e o ao se deparar com aquela cena seu semblante fechou-se por demais.
    Era uma mesa enorme. Pessoas, pessoas e pessoas ali sentadas, todas em prantos e gritos. Em cima da mesa um banquete se perdia. Eram guloseimas, pratos de toda sorte de paladares e todos se estragavam assim, simplesmente. Incomodado olhou o Ser e indagou:

    _Por que não comem?

    Ela sorriu e respondeu:

    _Olhe seus braços. - Que eram tortos, todavia especificamente com cotovelos para fora, assim não podiam comer e assim padeciam com fome pela eternidade. A moça completou:

    _Este é o inferno Bahi.

    O garoto ficou atônito. Ali? Assim? Como? E logo foram para o mesmo local.

    _Mesmo lugar?- questionou o menino com certo desapontamento.

    _Não. Olhe mais atentamente. -pediu o Ser.

     E ele viu que o ambiente era o mesmo, mesma mesa abissal, mesmo banquete, pessoas com braços tortos, porém com belos sorrisos nos em seus cenhos.

    _Por quê?- Bahi necessitava compreender. E o Ser apontou para a diferença. As pessoas não podiam pegar o próprio alimento, no entanto, podiam alimentar ao seu vizinho.

     Bahi emocionou-se.


    Ali estava não só a diferença, ali se explicava o céu.

    Pois é leitor,nossas atitudes são que constroem ou destroem onde estamos,e criam em nossas vidas nossos céus ou nossos infernos.

TRÊS PÊSSEGOS Por Danka Maia






Das muitas mães que batalham o seu pão de cada dia Cida era mais uma. Com três filhos, Caio, Breno e Inácio, restou-lhe a dignidade de como diarista prover o sustento de todos depois de ter sido abandonada pelo marido que se achou nos braços de uma mocinha de vinte anos.
Os meninos tinham onze, dez e sete anos. Cida pouco os via,quando voltava do trabalho já dormiam para a escola do outro dia, quando saia do mesmo modo, então deixava o café e a tarefa de cada um para o dia. Todos colaboravam e se ajudavam, sabiam que precisavam daquela união para dar a mãe um pouco mais de sossego e assim poder concentrar-se melhor na labuta de todos os dias.
Havia por costume, uma vez que os garotos aniversariavam no mesmo mês, dar a cada um deles um pêssego. Amavam a fruta, e com o orçamento sempre muito apertado a mãe se espremia para cumprir a tradição que lhes habituou. Naquele ano não foi diferente, antes de ir para a árdua lida, Cida deixou na bancada da simplória cozinha um pêssego com o nome de cada filho e para todos,o mesmo recado: "Usem e desfrute dos pêssegos da melhor maneira que puderem. Feliz Aniversário meus lindos, mamãe ama vocês!"
No domingo dia seguinte ao fato, Cida recebeu folga e na conversa agradável do café da manhã com os meninos, coisa rara quis saber como cada um desfrutara de sua fruta.
Caio disse:

_Eu comi tudo mamãe, devorei com tanto gosto, foi o melhor pêssego do mundo!

- Abraçando a matriarca com um beijo gostoso que só filho saber dar e que mãe adora receber._Por nada meu querido. - Respondeu ao filho.

- E você Breno:

_Ah mamãe, eu comi metade ontem, e irei comer hoje, achei melhor prolongar a gostosura. - Rindo, Cida passou a mão pelos seus cabelos e o elogiou:

_Fez bem filho, soube guardar para o dia seguinte, é importante isso. Na vida nunca se sabe quando a necessidade bate a porta.

-Porém o semblante do caçula Inácio ficou fechado. Os outros levantaram e na gritaria foram para rua jogar bola com os amigos. Cida aproximou-se do menino e o questionou:

_E você meu pequeno, o que fez com o pêssego? Estava gostoso?-O garoto a olhou sem jeito e respondeu:

_Mãezinha... Não sei, não provei. - Cida achou estranho e replicou:

_Estava estragado, caiu no chão, o que houve?-Inácio então esclareceu:

_Não mamãe, a senhora sempre nos ensinou que temos que ajudar ao próximo sempre ainda mais se estiver com muita necessidade.

_Sim Inácio isso mesmo!- Cida reafirmou a lição.

_Então, sabe os vizinhos aqui do lado, os que mudaram há pouco tempo? Ontem o Marcos, o que brinca comigo me contou que nada tinham para comer. Aí peguei meu pêssego e dei a ele para repartir com sua mãe e irmã. Cida não escondeu a emoção, o abraçou, o beijou e disse:

_Cada um usou da melhor maneira que quis. Mas sem dúvida Inácio, você foi o que melhor soube usar o pêssego. Estou orgulhosa em ser sua mãe. Muito obrigada por esse presente.

Sabem, as pessoas acham que ser generoso é dar ao outro aquilo que a pessoa necessita, ledo engano,generosidade é dar aquilo que você mais precisa,ama ou gosta ao seu próximo, e independente da falta que isso possa ou não lhe fazer,ainda sentir-se pleno com isso.