Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Confissões com um "Q" de pecado: A Melhor Amiga




 Olá Galera! Olá minhas Ciganas! Então gostando dos nossos contos com aquele "Q" de pecado? O de hoje é quente e de uma amiga que... Vamos deixar que cada um tire a sua conclusão não é mesmo?
Divirtam-se!

Rita

     Eu nunca mais fui à mesma depois que o Robledo me pegou pela primeira vez. Não quero outro homem além dele. Eu sei que ele pode ter as mulheres que desejar. Um homem lindo como aquele. Louro, olhos azuis, aquele olhar safado. Eu sei que ele pega geral incluindo algumas amigas minhas. Quando posso sempre empato um encontro de alguma delas com ele. Não sou a sua amante oficial, embora creia que eu mereça o posto. Não sei também o que ele insiste em fazer com a ridícula da minha melhor amiga Aretha, que mal sabe que só é melhor amiga por causa do lance que tenho com o marido dela. Eu sou obsecada pelo Robledo. A hora, quando e como ele quiser, basta estalar os dedos e eu irei. Atravesso o oceano a nado se for necessário somente para ter a sensação dele acabando comigo. 





            Eu adoro cuidar de minha aparência e gosto de elogios sobre meu corpo. Mas nada significa mais que o Robledo Del Touro. O sobrenome dele dispensa qualquer outro adjetivo. A primeira vez foi aqui em casa, meus pais estavam passando um tempo comigo, mas naquela tarde, eles saíram para um exame que mamãe precisava fazer. Daqueles que levam uma eternidade. Robledo passou aqui em casa para entregar um vestido que propositadamente eu deixei no banheiro do apartamento dele só para ver se compreendia um dos meus muitos sinais. Estava cansada de me acabar tocando meu corpo para ele sem que soubesse, até uma boxer preta dele eu roubei só para ter o prazer de esfregá-la em mim. Era um meio de ter algo seu no meu corpo. Mas isso foi uma pequena fase. Logo vi que não me saciaria tão facilmente quando o quesito fosse ele.
— Ro... — a voz não podia ser mais melosa, caprichei mesmo.
— Tudo bem Rita? — Uau! Esse par de olhos azuis é um oceano de desejo. Ainda mais com essa camisa social preta ressaltando mais seus cabelos dourados. Sinto-me a própria libertina diante dele.
— Tudo sim. Entra!  — louca para puxá-lo pelo colarinho arrancando a roupa dele ali mesmo. E o perfume? Enlouquecedor!
— Eu só vim trazer uma peça de roupa sua que amiga Aretha encontrou lá em casa depois daquela noite que você passou lá. — Sorri malevolamente. 
— Ah sim... Sei. Um vestido bem curtinho azulzinho que eu adoro. — Dando-lhe mais sinais imprensando meus seios contra a porta só para vê-lo abrir lentamente a boca como quem os quisesse sorver ali mesmo. — Entra Ro, eu não mordo... Pelo menos não na porta. Vem! Meus pais saíram. Exames, sabe? Aquele do tipo eterno. — O sorriso lindo dele trouxe consigo seus pés para dentro da minha armadilha. 

Já tínhamos trocados uns beijos e amassos na cozinha do restaurante dele após o serviço acabar. Porém ele relutou. Não sei por qual razão na maioria das vezes que estávamos na cama, nos amando enlouquecidamente ele parecia querer fugir. O sexo é selvagem. Eu dou mesmo a ele o que quiser e como quiser. 




    Levamos dias sem nos ver, ele nem atendia minhas chamadas ou mensagens. Mas isso não me importa muito. Meu foco é sempre a próxima vez. Haverá aquele dia que eu farei mais que apetitoso ao ponto dele não conseguir respirar se não for dentro de mim. Não tenho o menor interesse em tomar o lugar da esposinha insossa do Chefe de Cozinha Del Touro. Isso é pouco para mim. Eu quero é enfeitiçá-lo. Só então sossegarei.




   Assim que ele entrou fechei a porta batendo com certa força, a excitação me dominara. Comecei beijando-o insanamente. Com o que a Aretha me conta, eu sei bem o que ela não banca e o que eu preciso fazer. A maioria das mulheres não sabe lidar com os homens. Eles são diferentes de nós. Seus cérebros trabalham diferentes do nosso. Os homens só pensam em sexo e sendo assim é o que mais buscam. E qual a primeira coisa que as divas donas de casa fazem numa simples toalha molhada caída em cima da cama? Negam-se. Tolas. Você pode estar possessa com as atitudes de um homem. Mas não se negue para ele. As maiorias dos casais brigam tanto, mas no fim, se você questiona o motivo da briga, nem um dos dois se lembra de exatamente como foi que tudo começou. Nessas horas mulheres como eu estão a espreita. Sabemos exatamente o que e como fazer. 
  Eu sei que seria uma boa esposa, mas eu não quero isso para mim.  É pouco demais. 
 Nós mulheres somos um emaranhado de fios desencapados, mas ordenados. Somos completamente capazes de falar sobre filhos, casas, finanças, sexo sem nos perder em momento algum do fio da meada. Quantas vezes um homem chega em casa depois de um dia alucinadamente estressante e tem que deparar com a cara feia da esposa sem saber a razão. Ele não pode imaginar que justo naquele dia uma lembrança de séculos atrás decidiu visitá-la fazendo-a reviver o excesso ou a omissão da atitude dele em relação ao tal assunto do passado. O mais curioso vem agora. Tudo isto ferve dentro dela como a palavra que rege as mentes femininas: Emoção.
Quantas vezes presenciei brigas homéricas entre Robledo e Aretha por causa de um copo quebrado.
— Você quebrou um copo!
— Sim. Foi só um copo.
— Você quebrou o copo!
— Eu compro outro.
— Vai comprar um se era um jogo de seis?
— Comprarei os seis. Problema resolvido.
— Mas foi presente da minha mãe?
— Então o que quer que eu faça Aretha?
— Nada. Você nunca faz nada mesmo.
 Aquilo era o necessário para que a minha entrada cada vez mais fosse mais penetrante, envolvente e majestosa. Além de respirarem sexo, os homens possuem outro cofre ainda maior que a do sexo, acredite ou não. O cofre do nada. Aretha passou irritada pelo copo, parou no meio da sala vendo Robledo com a cabeça ao longe.
— Está pensando em que?
Segundos se passam, porque quando estão na caixa do nada, os homens ficam surdos.
— Está pensando em que? — gritou ainda mais nervosa.
— Hã?
— Robledo, você está pensando em que?
— Nada.
Nada para um homem é nada. Nada para uma mulher é tudo. E se há uma coisa que um homem adora antes de ir para caixa do nada, é passar na caixa do sexo, é como se o mundo dele virasse um eterno arco-íris. São sortilégios como estes que a maioria de nós mulheres desconhece. Detalhes perniciosos que nas mãos certas, como as minhas podem sim destruir um casamento.
O beijo dele é provocante. O fogo sobe prontamente. Os toques dos lábios são intensos, duvido que ele a beije assim. Estava ficando banhada... Decididamente ele é um homem que manipula bem o fogo do corpo de uma mulher. 




  Continuou insistindo mais e mais... Arranquei a camisa dele empurrando na parede, desafivelei a calça jeans descendo-a ali mesmo. Eu sei que ela não faz isto. Tem nojinho. Adoro o nojinho dela!
— Quer? — indaguei certa da resposta.
— Muito.





Sorri começando a chupá-lo ali mesmo. Saquei que um homem experiente como ele era do tipo que gosta que seja forte com mais vontade, aquilo me excitava e a vontade de dar só aumentava a minha linda menina rosadinha de 25 anos já tão recheada de desejo por ele...  Tão encharcada... Cada vez que o sugava mais a única certeza no mundo é que o queria dentro de mim... Não aguentando mais chamei para cozinha... Aquela seria a primeira das minhas fantasias como ele... Na cozinha com o Chefe mais gostoso do mundo. A janela da cozinha dava de frente para rua. Eu moro no segundo andar, seria muito fácil assim como muito excitante alguém nos ver. Meu troféu sendo exibido em todos os detalhes. Melhor mesmo só se a nossa outra amiga Margo visse e corresse ligando para a otária da Aretha para contar que o marido frio e indiferente dela está me detonando. Ao entramos ele foi abaixando minha calça e empurrando minha calcinha de lado... Jogou-me em cima da mesa sem assunto enfiou aquele obra prima na minha pequena e apertada menininha com toda força... Sim, ele é um touro. 




Metendo sem dó ou piedade... Saquei de cara que ele estava na seca... A vontade era tanta que ia dando coragem de cada vez ir mais fundo...  Socando muito me puxou me colocando em pé pedindo com aquela voz bem máscula para ficar de costas e apoiar na mesa... Que homem!



 Adentrou mais decidido em mim, pulsava como se aquela fosse a última transa da sua vida. Era tanta força reprimida que minha menininha começou a ficar ardente... Soltei tudo ali sem reservas, ele abaixou lambendo todo meu caldinho libava-me com gosto...  Até que me disse:
— Minha safadinha quero gozar também...
Colocou-me em cima da pia, afastou bem minhas pernas novamente triturou-se em mim de um jeito que deu pra sentir lá no meu profundo... Dei um grito de dor, ele ignorou... Não parou de modo algum, ia rasgando-me como mero objeto. Bombava violentamente disciplinado com todo entusiasmo e prazer.
—Vamos minha cadelinha...Faz-me gozar não quer tomar esse leitinho gostoso que eu preparei para você, não?
— Sim... Quero sim, seu cachorro! Faz-me sentir seu leitinho, faz!
  Louco tirou como pode já destilando seus jatos quentinhos em minha boca. Dali em diante eu descobri o que é um homem de verdade quando encontra uma mulher a sua altura. Eu tinha o chefe na palma da minha mão.

Esse trecho é do meu livro : O Chefe. Uma amiga como essa, inimiga para que? Beijocas! Comentem! Indiquem as amigas!

   Conheça minhas obras: Permita-se!







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A surpreendente origem das palavras

Todos os dias, nós usamos palavras para nos comunicar com as outras pessoas, mas são raras as vezes em que paramos para pensar no seguinte: “De onde surgiram essas palavras? E qual seu real significado?”
Quase toda palavra possui uma origem e um porque, muitas vezes são surpreendentes:
 

Boicote

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Conforme a definição: “Boicote ou boicotagem é o ato de recusar quaisquer relações com um indivíduo ou uma coletividade (grupo de pessoas, empresa, país etc…) como forma de protesto ou coerção a quem se pretenda punir ou constranger a algo, por razões econômicas, políticas, ideológicas, sociais etc.”
Essa palavra, muita usada em dias atuais nas relações políticas, tem origem bem definida. Ela apareceu em 1880, quando Charles Boycott, um subordinado de latifundiários e fazendeiro, resolveu expulsar o povo que trabalhava para ele em algumas terras da Irlanda. Ele desejava aumentar o aluguel, porém os moradores acharam isso abusivo.
Devido ao desentendimento, um movimento contra Charles foi iniciado na região. Ninguém lhe vendia nada, ninguém trocava uma palavra com ele e não havia quem quisesse trabalhar em suas terras. O evento chamou a atenção da Europa e Charles Boycott teve que importar trabalhadores para que sua colheita fosse feita. O governo britânico teve que interferir devido a possíveis movimentos “mais fortes” dos despejados. A imprensa local cobriu o evento em todos os aspectos e, ao final daquele ano, o sobrenome de Charles tinha se tornado um verbo: boicotar.
 

Sadismo

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O sadismo sexual é algo que anda na moda, mas sua origem é muito mais antiga. O sadismo envolve sexo com “algo a mais”, normalmente tendo a ver com dor, humilhação ou algum tipo de ataque psicológico ou físico. A ideia é que a pessoa fique excitada nessas condições estranhas, tendo um prazer diferente do normal.
Essa história, que parece coisa dos dias atuais, surgiu há mais de 200 anos. O termo é uma espécie de homenagem a Donatien Alphonse François de Sade, um filósofo francês, muito conhecido por sua perversão, libertinagem e violência sexual.
 

Linchamento

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Linchamento é conhecido como o ato de espancar uma pessoa, normalmente feito por um grupo maior, em alguma situação onde a maioria acredita estar fazendo justiça. Esse termo tem origem em um homem chamado Charles Lynch.
Charles foi o juiz de uma corte irregular durante a Revolução Americana no estado da Virginia. Ele e seus comparsas julgavam e puniam por linchamento aqueles que eram a favor da Coroa Britânica. E foi daí que a palavra surgiu e caiu no gosto popular.
 

Braille

Braille
Braille é uma linguagem feita para que as pessoas com deficiência visual possam escrever e ler. Essa forma de expressão mudou o mundo para os cegos, pois, antes disso, tudo que eles faziam dependia apenas da voz, como meio de comunicação.
O nome dessa linguagem veio de um homem chamado Louis Braille. Quando tinha apenas 3 anos de idade, Louis perdeu a visão dos dois olhos devido a um acidente na oficina de seu pai. Na tentativa de seguir a vida de maneira mais normal, Braille foi matriculado em uma escola regular, apesar de ter sérios problemas para aprender apenas ouvindo. Mais tarde, ele ganhou uma bolsa no Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris).
Na época, a linguagem de escrita para cegos nada mais era do que letras bem grandes em alto revelo, mas sua produção envolvia letras sendo coladas em papel, o que impossibilitava a escrita por parte dos cegos.
Com apenas 12 anos, Braille começou o trabalho que mudaria sua vida e a de milhões de pessoas. Usando um sistema com seis pontos marcados no papel, ele conseguiu representar o alfabeto e os números. Infelizmente, na época, ninguém aceitou muito bem a escrita de Braille, mas incrível simplicidade de seu método ganhou espaço aos poucos.
Em 1854, a linguagem foi aceita oficialmente na escola para cegos e se tornou um padrão mundial. Mas Louis Braille não viveu para ver sua invenção ajudar milhões de pessoas, pois morreu em 1852 de tuberculose. Hoje, os restos mortais de Braille estão no Panteão, junto de alguns dos maiores nomes franceses de todos os tempos.


Fonte: Minilua
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A MANSÃO FISHER Por Stefani Kalin

  

O céu já havia escurecido quando Alex estacionara sua velha picape azul em frente ao casarão. A Mansão Fisher era uma das construções mais antigas da cidade e uma das mais assustadoras na opinião de muitos. Ela ficava nos limites de Cherwood, bem longe das outras propriedades e bem perto de um pântano. Sua fachada havia sido quase toda escondida por um conjunto de árvores tortas que cresceram envolta dela como se para proteger a mansão dos olhares desconfiados de alguns habitantes daquela pataca cidade. Todos os seus moradores haviam morrido de maneiras das mais variadas, desde enforcamento até esmagado pela queda de um lustre gigante. Alguns acreditavam que havia algum tipo de maldição, ou melhor, um espírito maligno que se apossara do casarão e provocava o triste fim dos que ali habitavam. — Quer mesmo passar a noite aqui?! — perguntou Alex a uma garota ruiva sentada no banco do passageiro a seu lado. A jovem sorriu e pôs uma de suas mãos no rosto dela dizendo: —Vai ser divertido! Eu, você, um saco de dormir e uma casa mal assombrada cheia de fantasmas e demônios que vão nos matar ou nos possuir. —Isso não tem graça, Chloe! — bradou Alex. Chloe afastou sua mão do rosto dela e cruzou seus braços abaixo dos seios fingindo estar chateada. — Tudo bem, senhorita “Tenho Medo de Casas Velhas”’. Talvez eu deva chamar o Kevin White para vir comigo. Alex fitou a companheira com uma mistura de raiva e decepção. Aquela garota de meia-calça preta, jaqueta de couro e gargantilha com pingente de pentagrama a fazia perder a cabeça, mas às vezes esse seu amor pelo obscuro a irritava, como agora querer que a primeira vez das duas fosse em um casarão abandonado. As duas garotas continuaram paradas por mais alguns segundos uma olhando para outra sem tomar qualquer atitude até que Alex quebrou o silêncio: — Vamos lá. Ela agarrou uma mochila preta que estava no banco de trás com uma certa rispidez e saiu do carro, Chloe fez o mesmo, e com ela trouxe um pé-de-cabra o qual entregou a Alex logo que elas se aproximaram da porta da frente da mansão. Alex pegou a ferramenta das mãos da menina e forçou a porta a qual em pouco tempo se abriu com um rangido. O hall do casarão era um lugar amplo, cheio de antigos móveis cobertos por lençóis brancos empoeirados. Havia uma grande quantidade de dejetos de roedores próximos a uma escadaria em forma de caracol o que fez o estômago de Alex revirar. Chloe que ainda estava atrás dela, deu um leve empurrão para que a garota avançasse. Ela possuía um largo sorriso em seu rosto e parecia estar maravilhada com interior do casarão. Depois que seus olhos correram por todo o hall ela caminhou em direção a uma grandiosa forma no centro do saguão e com um único movimento arrancou o lençol que o cobria. Era um antigo piano de cauda. A garota se curvou sobre o instrumento e tocou algumas teclas as quais produziram um som desafinado que ecoou pelo lugar como a voz agourenta de um enfermo. —Eu disse que esse lugar era legal! —exclamou Chloe quando o som do piano cessou -Sabe qual é a história macabra dessa casa? —Não! E não sei se quero ouvi-la — respondeu a outra menina. —Seu nome era Harold, doutor Harold Fisher —- disse Chloe, apontando para um quadro pendurado em uma das paredes do hall. Ele retratava um homem de meia idade vestindo um velho jaleco de médico. Em uma de suas mãos se encontrava um grosso livro de anatomia humana e na outra seus óculos de grau com lentes arredondadas. Em meio ao seu arrumado cabelo preto havia uma mecha esbranquiçada que indicava a vinda da velhice, entretanto o que mais impressionava Alex eram seus olhos. Não eram azuis nem esverdeados, mas negros e sombrios - Fisher havia construído essa casa para morar com sua mulher e filho recém-nascido e ele atendia seus pacientes aqui mesmo. Alguns diziam que ele era louco e quando um dos enfermos morria na mansão guardava seus restos mortais no porão. Sabe, era como um hobbie. —Isso é loucura! - exclamou sua namorada sem ao menos tirar os olhos do quadro. —É apenas o que eu escutei - respondeu Chloe dando de ombros. —E como a família Fisher acabou? —Bom, Harold descobriu que sua mulher tinha um caso com o homem que trabalhava como jardineiro na casa. Ele a cortou em pedaços e enterrou no jardim, já o filho, o matou envenenado. Ele acreditava que a criança não era sua. Depois de alguns dias ele se suicidou. —Eu não sabia que você era tão boa para inventar histórias. —Não acredita em mim? - indagou Chloe. — Acha que seria capaz de inventar essa história toda? Bom, está errada. Isso tudo aconteceu e pra falar a verdade, acho que estou até sentindo a presença dele. A jovem ruiva esticou seus braços na frente de seu corpo e começou a andar pelo hall apalpando o ar como se quisesse encontrar algo invisível. —Harold Fisher, você está aí? —Não há ninguém nessa droga de lugar, Chloe! - bradou a outra. —Cala a boca, Alex. Estou tentando fazer contato. Harold, você está aí?! A brincadeira de Chloe acabou irritando Alex a qual em um ataque de fúria destruiu um vaso de cerâmica azul que estava sobre um aparador usando o pé-de-cabra. Sua namorada se calou no mesmo instante e ficou imóvel observando ela destruir o resto do hall. —Qual é, Harold, meu amigão? Onde você está? Apareça para que minha garota fique feliz, eu só quero passar uma noite com ela, droga! É pedir demais pra um fantasma? —Alex, já chega! Nós podemos ir embora daqui! - disse Chloe ao se aproximar da garota. Ela passou seus braços envolta de seu quadril e começou a puxá-la em direção a saída, contudo, a velha porta se fechou com um estrondo como se um forte vendo a tivesse empurrado. Mas não havia vento, nem mesmo janelas abertas no hall. As duas garotas espantadas permaneceram paradas onde estavam a cerca de dois metros da saída. Chloe apertou ainda mais seus braços em torno de Alex, afundou seu queixo no ombro dela e em um sussurro falou: —Acho que ele nos ouviu! Aquilo foi o suficiente para que toda a coragem de Alex sumisse. Estava prestes a dizer para fossem embora dali imediatamente quando o quadro de Harold Fisher pregado na parede começou a pegar fogo espontaneamente. Chloe gritou e se soltou de Alex. Um segundo depois uma força invisível a agarrou pelos cabelos e a arrastou pelo chão para o interior da casa. —CHLOE!!! — gritou Alex. A garota correu atrás dela, porém não conseguiu alcançá-la antes que uma porta no chão feito de tábuas de madeira se abrisse e a Chloe fosse jogada dentro do porão da Mansão Fisher. Um tenebroso grito de dor ecoou por baixo do antigo piso do casarão. Desesperada Alex se jogou sobre a porta e tentou puxá-la novamente para cima, no entanto, ela mal se mexeu. Pelas frestas de madeira do chão ela podia ver um homem alto vestindo um velho jaleco branco avançar sobre Chloe com um machado. Sem saber o que fazer Alex começou a golpear as tábuas com o pé-de-cabra. Lascas de madeira podre voaram por toda a parte e pequenas aberturas surgiram na porta do porão, mas nada suficientemente grande para que ela passasse. Quando suas esperanças de destruir a porta com a ferramenta se esgotaram, Alex pulou sobre as tábuas já partidas e o chão finalmente cedeu sobre seus pés. Ela rolou sobre as escadas do porão e quando finalmente alcançou o último degrau um pedaço de madeira perfurou sua perna direita. Ela caiu no chão com um bagre e sentiu o líquido escorregadio e rubro embaixo de si. Por um momento pensou que era seu próprio sangue vazando de seu ferimento, mas quando levantou sua cabeça viu o corpo de Chloe jogado em um canto daquele porão escuro. Lágrimas cortaram o rosto de Alex e com o pouco de força que lhe sobrava rastejou até jovem morta. Havia várias cortes de machado em seu abdômen e sua jaqueta preta agora não passava de um conjunto desordenado de tiras de couro. —Chloe… — murmurou ela enquanto agarrava uma de suas mãos sem ao menos perceber que o espectro do doutor Harold Fisher se encontrava atrás dela…
A MANSÃO FISHER Por Stefani Kaline O céu já havia escurecido quando Alex estacionara sua velha picape azul em frente ao casarão. A Mansão Fisher era uma das construções mais antigas da cidade e uma das mais assustadoras na opinião de muitos. Ela ficava nos limites de Cherwood, bem longe das outras propriedades e bem perto de um pântano. Sua fachada havia sido quase toda escondida por um conjunto de árvores tortas que cresceram envolta dela como se para proteger a mansão dos olhares desconfiados de alguns habitantes daquela pataca cidade. Todos os seus moradores haviam morrido de maneiras das mais variadas, desde enforcamento até esmagado pela queda de um lustre gigante. Alguns acreditavam que havia algum tipo de maldição, ou melhor, um espírito maligno que se apossara do casarão e provocava o triste fim dos que ali habitavam. — Quer mesmo passar a noite aqui?! — perguntou Alex a uma garota ruiva sentada no banco do passageiro a seu lado. A jovem sorriu e pôs uma de suas mãos no rosto dela dizendo: —Vai ser divertido! Eu, você, um saco de dormir e uma casa mal assombrada cheia de fantasmas e demônios que vão nos matar ou nos possuir. —Isso não tem graça, Chloe! — bradou Alex. Chloe afastou sua mão do rosto dela e cruzou seus braços abaixo dos seios fingindo estar chateada. — Tudo bem, senhorita “Tenho Medo de Casas Velhas”’. Talvez eu deva chamar o Kevin White para vir comigo. Alex fitou a companheira com uma mistura de raiva e decepção. Aquela garota de meia-calça preta, jaqueta de couro e gargantilha com pingente de pentagrama a fazia perder a cabeça, mas às vezes esse seu amor pelo obscuro a irritava, como agora querer que a primeira vez das duas fosse em um casarão abandonado. As duas garotas continuaram paradas por mais alguns segundos uma olhando para outra sem tomar qualquer atitude até que Alex quebrou o silêncio: — Vamos lá. Ela agarrou uma mochila preta que estava no banco de trás com uma certa rispidez e saiu do carro, Chloe fez o mesmo, e com ela trouxe um pé-de-cabra o qual entregou a Alex logo que elas se aproximaram da porta da frente da mansão. Alex pegou a ferramenta das mãos da menina e forçou a porta a qual em pouco tempo se abriu com um rangido. O hall do casarão era um lugar amplo, cheio de antigos móveis cobertos por lençóis brancos empoeirados. Havia uma grande quantidade de dejetos de roedores próximos a uma escadaria em forma de caracol o que fez o estomago de Alex revirar. Chloe que ainda estava atrás dela, deu um leve empurrão para que a garota avançasse. Ela possuía um largo sorriso em seu rosto e parecia estar maravilhada com interior do casarão. Depois que seus olhos correram por todo o hall ela caminhou em direção a uma grandiosa forma no centro do saguão e com um único movimento arrancou o lençol que o cobria. Era um antigo piano de cauda. A garota se curvou sobre o instrumento e tocou algumas teclas as quais produziram um som desafinado que ecoou pelo lugar como a voz agourenta de um enfermo. —Eu disse que esse lugar era legal! —exclamou Chloe quando o som do piano cessou -Sabe qual é a história macabra dessa casa? —Não! E não sei se quero ouvi-la — respondeu a outra menina. —Seu nome era Harold, doutor Harold Fisher —- disse Chloe, apontando para um quadro pendurado em uma das paredes do hall. Ele retratava um homem de meia idade vestindo um velho jaleco de médico. Em uma de suas mãos se encontrava um grosso livro de anatomia humana e na outra seus óculos de grau com lentes arredondadas. Em meio ao seu arrumado cabelo preto havia uma mecha esbranquiçada que indicava a vinda da velhice, entretanto o que mais impressionava Alex eram seus olhos. Não eram azuis nem esverdeados, mas negros e sombrios - Fisher havia construído essa casa para morar com sua mulher e filho recém-nascido e ele atendia seus pacientes aqui mesmo. Alguns diziam que ele era louco e quando um dos enfermos morria na mansão guardava seus restos mortais no porão. Sabe, era como um hobbie. —Isso é loucura! - exclamou sua namorada sem ao menos tirar os olhos do quadro. —É apenas o que eu escutei - respondeu Chloe dando de ombros. —E como a família Fisher acabou? —Bom, Harold descobriu que sua mulher tinha um caso com o homem que trabalhava como jardineiro na casa. Ele a cortou em pedaços e enterrou no jardim, já o filho, o matou envenenado. Ele acreditava que a criança não era sua. Depois de alguns dias ele se suicidou. —Eu não sabia que você era tão boa para inventar histórias. —Não acredita em mim? - indagou Chloe. — Acha que seria capaz de inventar essa história toda? Bom, está errada. Isso tudo aconteceu e pra falar a verdade, acho que estou até sentindo a presença dele. A jovem ruiva esticou seus braços na frente de seu corpo e começou a andar pelo hall apalpando o ar como se quisesse encontrar algo invisível. —Harold Fisher, você está aí? —Não há ninguém nessa droga de lugar, Chloe! - bradou a outra. —Cala a boca, Alex. Estou tentando fazer contato. Harold, você está aí?! A brincadeira de Chloe acabou irritando Alex a qual em um ataque de fúria destruiu um vaso de cerâmica azul que estava sobre um aparador usando o pé-de-cabra. Sua namorada se calou no mesmo instante e ficou imóvel observando ela destruir o resto do hall. —Qual é, Harold, meu amigão? Onde você está? Apareça para que minha garota fique feliz, eu só quero passar uma noite com ela, droga! É pedir demais pra um fantasma? —Alex, já chega! Nós podemos ir embora daqui! - disse Chloe ao se aproximar da garota. Ela passou seus braços envolta de seu quadril e começou a puxá-la em direção a saída, contudo, a velha porta se fechou com um estrondo como se um forte vendo a tivesse empurrado. Mas não havia vento, nem mesmo janelas abertas no hall. As duas garotas espantadas permaneceram paradas onde estavam a cerca de dois metros da saída. Chloe apertou ainda mais seus braços em torno de Alex, afundou seu queixo no ombro dela e em um sussurro falou: —Acho que ele nos ouviu! Aquilo foi o suficiente para que toda a coragem de Alex sumisse. Estava prestes a dizer para fossem embora dali imediatamente quando o quadro de Harold Fisher pregado na parede começou a pegar fogo espontaneamente. Chloe gritou e se soltou de Alex. Um segundo depois uma força invisível a agarrou pelos cabelos e a arrastou pelo chão para o interior da casa. —CHLOE!!! — gritou Alex. A garota correu atrás dela, porém não conseguiu alcançá-la antes que uma porta no chão feito de tábuas de madeira se abrisse e a Chloe fosse jogada dentro do porão da Mansão Fisher. Um tenebroso grito de dor ecoou por baixo do antigo piso do casarão. Desesperada Alex se jogou sobre a porta e tentou puxá-la novamente para cima, no entanto, ela mal se mexeu. Pelas frestas de madeira do chão ela podia ver um homem alto vestindo um velho jaleco branco avançar sobre Chloe com um machado. Sem saber o que fazer Alex começou a golpear as tábuas com o pé-de-cabra. Lascas de madeira podre voaram por toda a parte e pequenas aberturas surgiram na porta do porão, mas nada suficientemente grande para que ela passasse. Quando suas esperanças de destruir a porta com a ferramenta se esgotaram, Alex pulou sobre as tábuas já partidas e o chão finalmente cedeu sobre seus pés. Ela rolou sobre as escadas do porão e quando finalmente alcançou o último degrau um pedaço de madeira perfurou sua perna direita. Ela caiu no chão com um bague e sentiu o líquido escorregadio e rubro embaixo de si. Por um momento pensou que era seu próprio sangue vazando de seu ferimento, mas quando levantou sua cabeça viu o corpo de Chloe jogado em um canto daquele porão escuro. Lágrimas cortaram o rosto de Alex e com o pouco de força que lhe sobrava rastejou até jovem morta. Havia várias cortes de machado em seu abdômen e sua jaqueta preta agora não passava de um conjunto desordenado de tiras de couro. —Chloe… — murmurou ela enquanto agarrava uma de suas mãos sem ao menos perceber que o espectro do doutor Harold Fisher se encontrava atrás dela…exercícios para emagrecer
A MANSÃO FISHER Por Stefani Kaline O céu já havia escurecido quando Alex estacionara sua velha picape azul em frente ao casarão. A Mansão Fisher era uma das construções mais antigas da cidade e uma das mais assustadoras na opinião de muitos. Ela ficava nos limites de Cherwood, bem longe das outras propriedades e bem perto de um pântano. Sua fachada havia sido quase toda escondida por um conjunto de árvores tortas que cresceram envolta dela como se para proteger a mansão dos olhares desconfiados de alguns habitantes daquela pataca cidade. Todos os seus moradores haviam morrido de maneiras das mais variadas, desde enforcamento até esmagado pela queda de um lustre gigante. Alguns acreditavam que havia algum tipo de maldição, ou melhor, um espírito maligno que se apossara do casarão e provocava o triste fim dos que ali habitavam. — Quer mesmo passar a noite aqui?! — perguntou Alex a uma garota ruiva sentada no banco do passageiro a seu lado. A jovem sorriu e pôs uma de suas mãos no rosto dela dizendo: —Vai ser divertido! Eu, você, um saco de dormir e uma casa mal assombrada cheia de fantasmas e demônios que vão nos matar ou nos possuir. —Isso não tem graça, Chloe! — bradou Alex. Chloe afastou sua mão do rosto dela e cruzou seus braços abaixo dos seios fingindo estar chateada. — Tudo bem, senhorita “Tenho Medo de Casas Velhas”’. Talvez eu deva chamar o Kevin White para vir comigo. Alex fitou a companheira com uma mistura de raiva e decepção. Aquela garota de meia-calça preta, jaqueta de couro e gargantilha com pingente de pentagrama a fazia perder a cabeça, mas às vezes esse seu amor pelo obscuro a irritava, como agora querer que a primeira vez das duas fosse em um casarão abandonado. As duas garotas continuaram paradas por mais alguns segundos uma olhando para outra sem tomar qualquer atitude até que Alex quebrou o silêncio: — Vamos lá. Ela agarrou uma mochila preta que estava no banco de trás com uma certa rispidez e saiu do carro, Chloe fez o mesmo, e com ela trouxe um pé-de-cabra o qual entregou a Alex logo que elas se aproximaram da porta da frente da mansão. Alex pegou a ferramenta das mãos da menina e forçou a porta a qual em pouco tempo se abriu com um rangido. O hall do casarão era um lugar amplo, cheio de antigos móveis cobertos por lençóis brancos empoeirados. Havia uma grande quantidade de dejetos de roedores próximos a uma escadaria em forma de caracol o que fez o estomago de Alex revirar. Chloe que ainda estava atrás dela, deu um leve empurrão para que a garota avançasse. Ela possuía um largo sorriso em seu rosto e parecia estar maravilhada com interior do casarão. Depois que seus olhos correram por todo o hall ela caminhou em direção a uma grandiosa forma no centro do saguão e com um único movimento arrancou o lençol que o cobria. Era um antigo piano de cauda. A garota se curvou sobre o instrumento e tocou algumas teclas as quais produziram um som desafinado que ecoou pelo lugar como a voz agourenta de um enfermo. —Eu disse que esse lugar era legal! —exclamou Chloe quando o som do piano cessou -Sabe qual é a história macabra dessa casa? —Não! E não sei se quero ouvi-la — respondeu a outra menina. —Seu nome era Harold, doutor Harold Fisher —- disse Chloe, apontando para um quadro pendurado em uma das paredes do hall. Ele retratava um homem de meia idade vestindo um velho jaleco de médico. Em uma de suas mãos se encontrava um grosso livro de anatomia humana e na outra seus óculos de grau com lentes arredondadas. Em meio ao seu arrumado cabelo preto havia uma mecha esbranquiçada que indicava a vinda da velhice, entretanto o que mais impressionava Alex eram seus olhos. Não eram azuis nem esverdeados, mas negros e sombrios - Fisher havia construído essa casa para morar com sua mulher e filho recém-nascido e ele atendia seus pacientes aqui mesmo. Alguns diziam que ele era louco e quando um dos enfermos morria na mansão guardava seus restos mortais no porão. Sabe, era como um hobbie. —Isso é loucura! - exclamou sua namorada sem ao menos tirar os olhos do quadro. —É apenas o que eu escutei - respondeu Chloe dando de ombros. —E como a família Fisher acabou? —Bom, Harold descobriu que sua mulher tinha um caso com o homem que trabalhava como jardineiro na casa. Ele a cortou em pedaços e enterrou no jardim, já o filho, o matou envenenado. Ele acreditava que a criança não era sua. Depois de alguns dias ele se suicidou. —Eu não sabia que você era tão boa para inventar histórias. —Não acredita em mim? - indagou Chloe. — Acha que seria capaz de inventar essa história toda? Bom, está errada. Isso tudo aconteceu e pra falar a verdade, acho que estou até sentindo a presença dele. A jovem ruiva esticou seus braços na frente de seu corpo e começou a andar pelo hall apalpando o ar como se quisesse encontrar algo invisível. —Harold Fisher, você está aí? —Não há ninguém nessa droga de lugar, Chloe! - bradou a outra. —Cala a boca, Alex. Estou tentando fazer contato. Harold, você está aí?! A brincadeira de Chloe acabou irritando Alex a qual em um ataque de fúria destruiu um vaso de cerâmica azul que estava sobre um aparador usando o pé-de-cabra. Sua namorada se calou no mesmo instante e ficou imóvel observando ela destruir o resto do hall. —Qual é, Harold, meu amigão? Onde você está? Apareça para que minha garota fique feliz, eu só quero passar uma noite com ela, droga! É pedir demais pra um fantasma? —Alex, já chega! Nós podemos ir embora daqui! - disse Chloe ao se aproximar da garota. Ela passou seus braços envolta de seu quadril e começou a puxá-la em direção a saída, contudo, a velha porta se fechou com um estrondo como se um forte vendo a tivesse empurrado. Mas não havia vento, nem mesmo janelas abertas no hall. As duas garotas espantadas permaneceram paradas onde estavam a cerca de dois metros da saída. Chloe apertou ainda mais seus braços em torno de Alex, afundou seu queixo no ombro dela e em um sussurro falou: —Acho que ele nos ouviu! Aquilo foi o suficiente para que toda a coragem de Alex sumisse. Estava prestes a dizer para fossem embora dali imediatamente quando o quadro de Harold Fisher pregado na parede começou a pegar fogo espontaneamente. Chloe gritou e se soltou de Alex. Um segundo depois uma força invisível a agarrou pelos cabelos e a arrastou pelo chão para o interior da casa. —CHLOE!!! — gritou Alex. A garota correu atrás dela, porém não conseguiu alcançá-la antes que uma porta no chão feito de tábuas de madeira se abrisse e a Chloe fosse jogada dentro do porão da Mansão Fisher. Um tenebroso grito de dor ecoou por baixo do antigo piso do casarão. Desesperada Alex se jogou sobre a porta e tentou puxá-la novamente para cima, no entanto, ela mal se mexeu. Pelas frestas de madeira do chão ela podia ver um homem alto vestindo um velho jaleco branco avançar sobre Chloe com um machado. Sem saber o que fazer Alex começou a golpear as tábuas com o pé-de-cabra. Lascas de madeira podre voaram por toda a parte e pequenas aberturas surgiram na porta do porão, mas nada suficientemente grande para que ela passasse. Quando suas esperanças de destruir a porta com a ferramenta se esgotaram, Alex pulou sobre as tábuas já partidas e o chão finalmente cedeu sobre seus pés. Ela rolou sobre as escadas do porão e quando finalmente alcançou o último degrau um pedaço de madeira perfurou sua perna direita. Ela caiu no chão com um bague e sentiu o líquido escorregadio e rubro embaixo de si. Por um momento pensou que era seu próprio sangue vazando de seu ferimento, mas quando levantou sua cabeça viu o corpo de Chloe jogado em um canto daquele porão escuro. Lágrimas cortaram o rosto de Alex e com o pouco de força que lhe sobrava rastejou até jovem morta. Havia várias cortes de machado em seu abdômen e sua jaqueta preta agora não passava de um conjunto desordenado de tiras de couro. —Chloe… — murmurou ela enquanto agarrava uma de suas mãos sem ao menos perceber que o espectro do doutor Harold Fisher se encontrava atrás dela…exercícios para emagrecer
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História da Vida

                                     Resultado de imagem para amor não correspondido




Oi Galera Machine! Olá minhas Ciganas! Tudo bem por aqui?
 A história de hoje é curiosa porque é muito mais comum ler, ouvir ou saber sobre mulheres com seus corações partidos, mas hoje conheceremos a história de um homem e seu coração partido por um amor não correspondido. Vamos lá?

Entrei de cabeça num amor não correspondido


Tenho amigos que trocam de namoradas como quem vai ao supermercado. Eu não consigo. Nunca consegui. O namoro mais longo que tive durou pouco menos de três anos, de 2003 a 2006. A partir daí, estou sozinho, tirando um casinho ou outro, que raramente sobrevivem ao segundo mês. Para alguém que tem 33 anos, como eu, é muito tempo sem ninguém. Só topei namorar com a Verônica*, uma mulher linda, chique, bem relacionada no mundo da moda e muito inteligente, porque desde o primeiro dia que a vi passei a admirá-la e amá-la profundamente. Não namoro quem não admiro. Foi um relacionamento pontuado por quebra-paus, vaivéns e um término cheio de acusações e descobertas. Descobri boa parte desse amor que eu sentia — e que nem sempre consegui demonstrar — depois que já não estávamos mais juntos, no divã do meu psicanalista. Ela foi o meu amor maior, que, por várias razões (quiçá o fato dela ser cinco anos mais velha, a minha imaturidade, objetivos distintos... enfim), acabou morrendo.
As semanas seguintes ao fim foram de um sofrimento infinito. Pensei em me matar, dormia e acordava à base de remédios e precisei muito da ajuda dos amigos para sair daquele buraco em que eu havia me metido. Pedi demissão do meu emprego, vendi o carro, tranquei o apartamento e fui viajar para tentar esquecer, ou pelo menos tentar cicatrizar um pouco a ferida profunda e purulenta que não parava de doer. Fiquei seis meses fora. Voltei quase recuperado. Não tenho dúvidas de que a Verônica foi um grande amor. O maior de todos até o dia em que conheci a Helena.
Nós nos vimos pela primeira vez no restaurante dela; eu cliente, ela chef. Fui jantar com uma amiga para comemorarmos a compra do seu apartamento, de modo que pedimos o melhor vinho e devoramos os melhores pratos num apetite falstaffiano. Mas eu não dei muita bola para a Helena. Quem me chamou a atenção foi a garçonete: loira, olhos grandes, boca bem desenhada e um jeito de mulher relaxada e resolvida com a vida. Helena pareceu uma mulher meio estranha, calada, que raramente sorria para os comensais que passavam em frente à sua cozinha. Parecia estar sempre mais entretida com o salpicar dos temperos, o corte perfeito da carne e a temperatura certa da grelha do que com o entra e sai da clientela. Além disso, a Helena não era dona de uma beleza padrão. Uma pele muito branca, cabelos negros longos e rebeldes, dois palmos abaixo do ombro, boca projetada para frente, uma pinta vizinha do lábio inferior e o nariz levemente adunco. Definitivamente Helena não era meu tipo de mulher. A garçonete era.
Eu deveria saber que minha história com a Helena não terminaria bem. Nesse primeiro encontro, senti algo estranho. Ela passava na minha frente com tanto desinteresse, não só por mim, mas por todo universo ao seu redor, que logo no primeiro instante estabeleceu-se uma hierarquia entre nós na minha cabeça. Embora no início eu não tivesse nenhuma atração sexual por ela, era como se eu estivesse fadado a notar mais a presença dela do que ela a minha. Como se eu sempre fosse querê-la mais do que ela a mim. Mas naquele momento não dei importância para esses pensamentos, afinal, estava interessado na funcionária dela.
Durante seis meses frequentei as mesas do restaurante em visitas quase semanais — sempre para reencontrar a garçonete, que, mais por educação do que interesse em mim (algo que eu só descobriria mais tarde), me tratava com muita atenção. Até que soube que a garçonete era casada e, como se eu procurasse um prêmio de consolação, passei a olhar para Helena de um jeito diferente. Tudo o que me incomodava nela, da sua misantropia à pele excessivamente alva, também me atraía. E assim, quase sem perceber, como um botão de liga e desliga no meu cérebro, comecei a gostar dela. Como ela jamais esboçara nenhum interesse por mim, parti para a tática do e-mail e do Facebook. Ficamos amigos na internet, até que um dia ela me convidou para a festa de um ano do seu restaurante. Poucas pessoas, vinho e cerveja à vontade. Pela primeira vez, a vi fora de seu traje de trabalho. Avental e lenço na cabeça deram lugar a um vestido preto e uma maquiagem forte no rosto. Também foi a primeira vez que a vi sorrindo. E que sorriso! Eu já estava apaixonado e não sabia. E sequer tínhamos trocado nosso primeiro beijo.
Foi uma semana depois, quando ela me chamou para tomar uma taça de vinho na sua casa, que ficamos pela primeira vez. E foi a melhor noite da minha vida. Fomos para cama bêbados e cheios de vontade. Transamos, dormimos e acordamos com Billie Holiday tocando no seu computador. Era uma linda manhã de domingo de inverno. Ela ficou deitada enquanto eu fui ao mercado comprar leite, suco, revistas e mais camisinhas. Passamos o domingo inteiro transando. Transando e tomando café preto. Havia menos de 24 horas que tínhamos ficado pela primeira vez e eu não queria mais sair de perto da Helena. O mundo podia acabar para mim. E, desde que eu estivesse ao lado dela, morreria feliz. Era noite quando voltei para casa, e já contando as horas para vê-la novamente.
Viajei a trabalho na semana seguinte, mas quem disse que eu conseguia parar de pensar nela? Não queria fazer nada, sequer sair do hotel. Meu único desejo era voltar logo para São Paulo e tê-la de novo em meus braços. Eu mandava mensagens pelo celular, ligava, mas ela não respondia. Ou melhor, ela respondia ou atendia quando achava conveniente. Aquilo começou a me deixar angustiado. Acordava de madrugada para checar os e-mails ou ver se não tinha uma mensagem dela no Facebook. Ligava e desligava o telefone na esperança de surgir alguma mensagem que, por culpa da operadora de celular, tinha chegado atrasada. Mas nada. Passou uma semana até o nosso segundo encontro, dessa vez na minha casa. Comprei boas taças de vinho, duas garrafas de tinto e preparei uma comida simples. Mais do que o beijo e o sexo incríveis, eu gostava de ficar olhando, conversando com ela, sempre tão cheia de histórias interessantes. Seu cheiro, suas roupas, seus dedos longos e um único anel, as unhas desprovidas de qualquer coloração artificial, o cabelo solto. Eu gostava de tudo nela. Tudo.
Mas foi logo nesse segundo dia, depois do jantar, que ela veio com um balde de água fria. Estávamos deitados no sofá, seminus, e entre um beijo e outro ela me disse: “Olha, eu não quero namorar, não quero nada sério, O.K.?”. Se fosse em qualquer outra circunstância, eu nem ligaria para isso. Pelo contrário, ficaria aliviado em saber que a pessoa não iria ficar no meu pé, ligando todos os dias, perguntando onde eu ia ou o que estava fazendo. Mas a Helena, eu queria inteira para mim. Queria ter um filho com ela, envelhecer ao seu lado, conhecer sua família. É claro que, quando ela me falou que não queria nada sério, eu não esbocei nenhuma reação. Disse apenas: “O.K., eu também!”. Mas eu estava blefando, fingindo não estar nem aí. Engoli a seco e levei adiante.
Obviamente não consegui manter essa indiferença por muito tempo. Certo dia, algumas semanas depois, durante uma transa, eu falei que estava completamente apaixonado por ela. E repeti várias e várias vezes, desejando que saísse de sua boca uma afirmação semelhante: “Sim, eu também! Eu confesso, te amo! Te amo! Te amo!”. Naturalmente, só ouvi o silêncio. Toda vez que eu evidenciava a minha paixão, ela colocava o dedo indicador nos meus lábios como se pedisse para eu me calar. Em uma ocasião, me apontou para um pedaço da parede perto da sua janela em que estava escrito à caneta esferográfica azul a frase “Es tan corto el amor, y tan largo el olvido” (é tão curto o amor, tão longo o esquecimento), do Pablo Neruda. Eu estava avisado. A partir dali, qualquer envolvimento era por minha conta e risco.
Por outro lado, apesar de nem sempre atender ao telefone e insistir na ideia de que não queria nada sério, sua atitude era de uma pessoa que estava se envolvendo. Quando eu comentava a situação com as minhas amigas, elas me diziam que era uma questão de tempo. Afinal, mulher alguma deixa o homem passar o final de semana inteiro na sua casa, lhe prepara café da manhã, vai passar um final de semana junto na praia ou divide o jornal na cama se não estiver minimamente envolvida. Era engraçado porque um dia ela fazia planos comigo, comentava a possibilidade de viajarmos juntos nas férias, me convidava para jantar com a sua família, e no outro desaparecia, ficava inacessível por dias, fazia pouco caso da minha saudade. Lembro-me de várias vezes dizer para ela que estava com saudade depois de uma semana sem vê-la, e ela retrucava: “Sete dias é muito pouco tempo pra sentir saudade de alguém”. O que deveria funcionar como um repelente para mim era, na verdade, um desafio, me deixava curioso para saber o que de tão intrigante tinha aquela mulher. Gosto de desafios.
Mas a verdade é que ela não estava envolvida. Você já viu aquele filme 500 dias com ela, com a Zooey Deschanel e o Gordon-Levitt? Pois é. Eu fui o Gordon-Levitt; ela, a Zooey. Inclusive, o jeito de Helena se vestir, vestidinhos vintage em cores pastel, meia arrastão, sapatos de boneca e pouca maquiagem, em muito lembra o figurino de Zooey no filme e também na vida real. Helena era a minha Summer, que é como se chama a personagem da atriz no filme. Uma suave ida ao céu e a vertiginosa descida ao inferno é o que foi minha relação com Helena em pouco mais de 100 dias de convivência. Foram três meses de uma montanha-russa de sentimentos. Até que, numa noite de segunda-feira, tivemos a conversa final. Cada um para o seu lado. A extrema-unção veio quando, entre gritos e acusações, ela bradou: “Eu nunca vou namorar ou me apaixonar por você. Nunca! Nunca!”. Chorei dias a fio, emagreci seis quilos, fumei maços de cigarro, fiquei desmotivado com a vida e o trabalho. Felizmente não precisei pedir demissão e viajar para curar a ferida.
Agora, com a chegada do inverno, resgatei um dos meus casacos e encontrei um bilhete escrito em uma folha de caderno quadriculada. A letra era da Helena. Meu estômago queimou. Parecia que o tempo não tinha passado. Fiquei nervoso, trêmulo, meio perdido. Era o poema “O desconcerto do mundo”, de Camões, um de seus autores prediletos (ao lado de Neruda e MFK Fischer). Diz ele:
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
No dia do seu aniversário, mandei uma mensagem pelo celular (ainda sei de cor o número). Ela me chamou para um café. Pensei, pensei, e não aceitei (sequer respondi), ainda com suas palavras estalando na minha cabeça: “Nunca! Nunca!”.
Fonte: Marie Claire
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A CIDADE DOS LOUCOS! A HISTÓRIA DO GENOCÍDIO BRASILEIRO

Conhecida como Cidade dos Loucos, Barbacena quer se reabilitar do passado 
 
ArquivoDivulgação
O histórico prédio do Centro Hospitalar de Psiquiatria de Barbacena, em Minas Gerais, ergue-se solitário sobre uma colina. É uma presença imponente, localizada na periferia da cidade, que permanece ali, insistindo em lembrar a população local um sombrio passado que não é possível apagar.
É uma história que começou em 1903, quando a cidade foi escolhida para receber o primeiro hospital psiquiátrico de Minas Gerais, mas continuou por décadas, quando milhares de pessoas foram internadas ali, fazendo com que o município passasse a ser conhecido como a Cidade dos Loucos.

As pessoas internadas sofriam de algum distúrbio mental ou, simplesmente, apresentavam um comportamento inaceitável para o padrão conservador da época, como homossexuais ou mães solteiras, que eram despejados em Barbacena, para serem isolados da sociedade.
Essas pessoas passaram grande parte da sua vida sem qualquer contato com o mundo, enjauladas como animais, submetidas a tratamentos desumanos, a condições sanitárias inadequadas e a todo tipo de tortura. Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido, vítimas das condições precárias da instituição, que chegou a ser comparada a um campo de concentração pelo psiquiatra italiano Franco Basaglia, em 1979.

“À medida que o Brasil foi se urbanizando, passou a ter uma dificuldade de lidar com seus loucos. A solução que existia, até então, era a reclusão. Barbacena ficou muito marcada porque ganhou uma instituição que tinha a pretensão de fazer isso em larga escala”, conta Edson Brandão, que pesquisa a história da loucura na cidade.
“A princípio, isso funcionou de forma muito positiva, mas foi desandando ao longo do tempo e formando uma tragédia, porque, quanto mais gente chegava, menos condições o hospital tinha de dar a elas um tratamento digno”, diz Brandão, que nasceu em Barbacena.
A história começou a mudar na década de 80, quando teve início no Brasil a luta antimanicomial. O movimento, idealizado por trabalhadores da área de saúde mental, previa o fim dos hospícios e a integração das pessoas com problemas mentais à sociedade. Aos poucos, Barbacena viu o cenário se transformar.
O hospital psiquiátrico continua lá. Mas não funciona mais como um hospício. Hoje, a unidade prioriza o atendimento ambulatorial. Há também uma pequena emergência, chamada de Serviço de Internação de Agudos, com 30 leitos, para internações de curta duração e recuperação de usuários de drogas. “Tentamos evitar que a internação ultrapasse os 15 dias nesses leitos de agudos”, conta a diretora interina do hospital, Mônica Chartuni.
Ainda há pessoas internadas. São 215 pacientes de longa permanência, ou seja, que estão há anos no hospital. Mas a internação é diferente daquela do passado: a maior parte das pessoas vive em enfermarias que parecem casas, no terreno do hospital, e o atendimento é feito de forma humanizada. Além disso, a proposta é que, aos poucos, elas sejam deslocadas para residências terapêuticas, isto é, casas comuns, localizadas no meio da cidade, que comportam de duas a oito pessoas.
“O Centro Hospitalar de Psiquiatria de Barbacena tem uma história de 100 anos em que chegou a abrigar 5 mil pacientes. Hoje ainda tem alguns pacientes de longa permanência que estão aguardando vagas nas residências terapêuticas. Só esperamos a abertura de vagas nessas residências [para dar alta a eles]. Agora, por exemplo, estamos preparando seis senhoras de idade avançada porque vai abrir uma nova residência terapêutica”, afirma Mônica.
A mudança no paradigma de tratamento dos pacientes com problemas mentais nos últimos anos também levou a cidade a reavaliar a própria história e a relação com a loucura. Hoje, segundo Edson Brandão, Barbacena está disposta a refletir criticamente sobre a saúde mental.
“Uma parte da população aceita isso com muita naturalidade e até se orgulha porque temos uma história de superação para contar ao mundo. Não tivemos só o hospício com suas faces negativas, também tivemos, depois, todo o trabalho de grandes profissionais de saúde que conseguiram, em poucos anos, reverter essa situação. Hoje somos um exemplo de uma cidade que absorve essa população marginalizada de forma muito eficiente”, afirma Brandão.
Segundo ele, a loucura e as tragédias que ocorreram no antigo hospício são um pedaço da história de Barbacena. “Essa história tem que ser contada e recontada, com aquela velha máxima de que, se todos conhecerem, isso não será repetido”, diz o pesquisador.

TRECHO DO LIVRO: HOLOCAUSTO BRASILEIRO DA AUTORA DANIELA ARBEX



Não se morre de loucura. Pelo menos em Barbacena. Na cidade do Holocausto brasileiro, mais de 60 mil pessoas perderam a vida no Hospital Colônia, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos. As milhares de vítimas travestidas de pacientes psiquiátricos, já que mais de 70% dos internados não sofria de doença mental, sucumbiram de fome, frio, diarreia, pneumonia, maus-tratos, abandono, tortura. Para revelar uma das tragédias brasileiras mais silenciosas, a Tribuna refez os passos de uma história de extermínio. Tendo como ponto de partida as imagens do então fotógrafo da revista "O Cruzeiro", Luiz Alfredo, publicadas em 1961 e resgatadas no livro "Colônia", o jornal empreendeu uma busca pela localização de testemunhas e sobreviventes dos porões da loucura 50 anos depois. A investigação, realizada durante 30 dias, identificou a rotina de um campo de concentração, embora nenhum governo tenha sido responsabilizado até hoje por esse genocídio. A reportagem descortinou, ainda, os bastidores da reforma psiquiátrica brasileira, cuja lei sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, editada em 2001, completa dez anos. As mudanças iniciadas em Minas alcançaram, mais tarde, outros estados, embora muitas transformações ainda estejam por fazer, conforme já apontava inspeção nacional realizada, em 2004, nos hospitais psiquiátricos do país. A série de matérias pretende mostrar a dívida histórica que a sociedade tem com os "loucos" de Barbacena, cujas ossadas encontram-se expostas em cemitério desativado da cidade.
Criado pelo governo estadual, em 1903, para oferecer "assistência aos alienados de Minas", até entã atendidos nos porões da Santa Casa, o Hospital Colônia tinha, inicialmente, capacidade para 200 leitos, mas atingiu a marca de cinco mil pacientes em 1961, tornando-se endereço de um massacre. A instituição, transformada em um dos maiores hospícios do país, começou a inchar na década de 30, mas foi durante a ditadura militar que os conceitos médicos simplesmente desapareceram. Para lá eram enviados desafetos, homossexuais, militantes políticos, mães solteiras, alcoolistas, mendigos, pessoas sem documentos e todos os tipos de indesejados, inclusive, doentes mentais.
'Trem de doido'
Sem qualquer critério para internação, os deserdados sociais chegavam a Barbacena de trem, vindos de vários cantos do país. Eles abarrotavam os vagões de carga de maneira idêntica aos judeus levados, durante a Segunda Guerra, para os campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia. Os considerados loucos desembarcavam nos fundos do hospital, onde o guarda-freios desconectava o último vagão, que ficou conhecido como "trem de doido". A expressão, incorporada ao vocabulário dos mineiros, hoje define algo positivo, mas, na época, marcava o início de uma viagem sem volta ao inferno. Wellerson Durães de Alkmim, 59 anos, membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise, jamais esqueceu o primeiro dia em que pisou no hospital em 1975. "Eu era estudante do Hospital de Neuropsiquiatria Infantil, em Belo Horizonte, quando fui fazer uma visita à Colônia 'Zoológica' de Barbacena. Tinha 23 anos e foi um grande choque encontrar, no meio daquelas pessoas, uma menina de 12 anos atendida no Hospital de Neuropsiquiatria Infantil. Ela estava lá numa cela, e o que me separava dela não eram somente grades. O frio daquele maio cortava sua pele sem agasalho. A metáfora que tenho sobre aquele dia é daqueles ônibus escolares que foram fazer uma visita ao zoológico, só que não era tão divertido, e nem a gente era tão criança assim. Fiquei muito impactado e, na volta, chorei diante do que vi."
Esgoto era fonte de água de internos
Entrar na Colônia era a decretação de uma sentença de morte. Sem remédios, comida, roupas e infraestrutura, os pacientes definhavam. Ficavam nus e descalços na maior parte do tempo. No local onde haviam guardas no lugar de enfermeiros, o sentido de dignidade era desconhecido. Os internos defecavam em público e se alimentavam das próprias fezes. Faziam do esgoto que cortava os pavilhões a principal fonte de água. "Muitas das doenças eram causadas por vermes das fezes que eles comiam. A coisa era muito pior do que parece. Cheguei a ver alimentos sendo jogados em cochos, e os doidos avançando para comer, como animais. Visitei o campo de Auschwitz e não vi diferença. O que acontece lá é a desumanidade, a crueldade planejada. No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. Havia um total desinteresse pela sorte. Basta dizer que os eletrochoques eram dados indiscriminadamente. Às vezes, a energia elétrica da cidade não era suficiente para aguentar a carga. Muitos morriam, outros sofriam fraturas graves", revela o psiquiatra e escritor Ronaldo Simões Coelho, 80 anos, que trabalhou na Colônia no início da década de 60 como secretário geral da recém-criada Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica, substituída, em 77, pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A Fhemig continua responsável pela instituição, reformulada a partir de 1980 e, recentemente, transformada em hospital regional. Hoje, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) atende um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas.
Capim como cama
Os pacientes da Colônia, em sua maioria, dormiam no "leito único", denominação para o capim seco espalhado sobre o chão de cimento, que substituía as camas. O modelo chegou a ser oficialmente sugerido para outros hospitais "para suprir a falta de espaço nos quartos."
Em meio a ratos, insetos e dejetos, até 300 pessoas por pavilhão deitavam sobre a forragem vegetal. "O frio de Barbacena era um agravante, os internos dormiam em cima uns dos outros, e os debaixo morriam. De manhã, tiravam-se os cadáveres", contou o psiquiatra Jairo Toledo, diretor do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB).
Marlene Laureano, 56 anos, funcionária do CHPB desde os 20, era uma espécie de faz-tudo. "Todas as manhãs, eu tirava o capim e colocava para secar. Também dava banho nos pacientes, mas não havia roupas para vestirem. Tinha um pavilhão com 300 pessoas para alimentar, mas só tinha o suficiente para 30. Imagine! Só permaneci aqui, porque tinha a certeza de que um dia tudo isso ia melhorar, sei que Deus existe."
Sobreviventes passaram a vida internados
"Esse faleceu. Era uma delícia de pessoa. Essa morreu. Ela benzia a gente. Lembra? Olha o Raul, que saudade. Essa era bem alegre. Esse homem era engraçado, gostava de tomar conta das portas." Os comentários deMarlene Laureano sobre os pacientes fotografados por Luiz Alfredo, em 1961, não deixam dúvida de que a história da Colônia tem na morte uma de suas principais heranças. Sobreviver à Colônia é quase como confrontar o improvável. José Machado, 80 anos, Sônia Maria da Costa, 61, Maria Aparecida de Jesus, 71, e Antônio Sabino, 70, são alguns dos que conseguiram. Institucionalizados há mais de meio século, resistiram a fome, ao frio e ao tratamento desumano, mas carregam graves sequelas.
O registro de José Machado, o Machadinho, é de número 1.530. A informação sobre ele que mais se aproxima da verdade, já que a maior parte dos pacientes não tem qualquer registro sobre o seu passado, é de que deu entrada na entidade em 1959, conduzido pela polícia, após ser acusado de colocar veneno na bebida de alguém. Inocente, passou a vida encarcerado. Hoje, aos 80 anos, precisa de uma cadeira de rodas para se locomover, mantendo-se reticente na presença de estranhos.
Sebastiana Marques está em um dos cinco módulos residenciais implantados no hospital para atender os pacientes com mais autonomia. Com diagnóstico de esquizofrenia, mantém o hábito de ficar isolada e não consegue se expressar. Já Sônia é uma exceção entre os sobreviventes. Apesar de ter chegado ao hospital ainda criança, vive hoje em uma das 28 residências terapêuticas de Barbacena. Mudou-se para lá em 2003, deixando para trás uma história de eletrochoques, agressões e medo. "Lá no hospital judiavam muito da gente. Já apanhei muito, mas bati em muita gente também. Como era agressiva, me deram muito choque. Agora tenho comida gostosa, talheres e o principal: liberdade."
Museu é tributo às vítimas
Atualmente 190 pacientes asilares estão sob a guarda do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), mas sua sobrevida é estimada em, no máximo, mais uma década. "Acredito que, em dez anos, o ciclo dos porões da loucura se fecha", afirma o diretor Jairo Toledo, referindo-se às últimas testemunhas daqueles tempos de horror. Maria Cibele de Aquino, 68 anos, foi uma das baixas mais recentes. Clicada em 1961, aos 18 anos, por Luiz Alfredo, ela faleceu em 14 de setembro, na companhia das bonecas que ninou durante toda uma vida de internação. Chegou ao hospício aos 14 anos de idade e nunca saiu de lá.
Para que a memória não seja enterrada, o Museu da Loucura vai continuar lembrando o que, convenientemente, poderia ser esquecido. Idealizado por Jairo, o museu foi inaugurado, em 1996, no torreão do antigo Hospital Colônia, e pretende ser um tributo às dezenas de milhares de vítimas da lendária instituição. Dos cinco museus de Barbacena, o que se dedica a contar a história da loucura é o mais visitado por turistas.
Em 2008, a publicação do livro "Colônia", também organizado por Jairo, expôs as feridas de uma tragédia silenciosa abafada pelos muros do hospital. "Por mais duro que seja, há que se lembrar sempre, para nunca se esquecer - como se faz com o holocausto - as condições subumanas vividas naquele campo de concentração travestido de hospital. Trazer à tona a triste memória dessa travessia marcada pela iniquidade e pelo desrespeito aos direitos humanos é uma forma de consolidar a consciência social em torno de uma nova postura de atendimento, gerando uma nova página na história da saúde pública", afirmou o ex-secretário de estado da saúde de Minas, o deputado federal Marcus Pestana. (PSDB/MG). Foi ele quem viabilizou a tiragem de mil exemplares do livro "Colônia."


Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/cidade/holocausto-brasileiro-50-anos-sem-punic-o-1.989343

 
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