Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

A TEMPESTADE por Danka Maia



Eu venho vento,eu venho tudo!
Reviro o mundo, crio caso.
Eu te completo 
E  te desfaço,
Para isto?
Só careço de um mero segundo.

O teu telhado,
De vidro quebro,
De telha acabo,
De emoção vivo,
Eu sou o que ameaço.

E tu imploras,
E rogas a minha ida,
Mas de partida,
Jaz nos teus olhos,
Eu te invoco,
Porque te preciso,
Amada minha.

Te dizem sei,
Tu és um louco!
Sou Dona da tua voz,
Dos teus desejos submetidos ao meus pés.
És meu capacho?
Tu negas,
Relutas,
Empenhas,
Mas sabe que és.

No meu mar não há ondas,
Sou eu quem as faço,
No meu caminho não há raios,
Sou eu quem os traço,
A minha voz é rouca,
A tua fica louca,
Quando sente-se aos meus pés.

E o vento,
Este sucumbe,
Ah não te deslumbres,
Posso ser tua amiga,
E sei ser a tua perdição.
Sei virar tua cabeça,
E posso te levantar do chão.

Eu tenho idade?
Endereço?
Sou novidade?
Não.
Eu tenho nome e sobrenome:

SOU TUA TEMPESTADE!
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A Sombra da Luz por Danka Maia















Anita e Amália viviam numa ilha.


Sós não, tinham a vista.


Amália amava a vida.


Anita,a vida de Amália.


Amália apreciava cores e sabores,


Anita os dissabores dessa conquista.


Amália queria o céu,

Anita o véu, caso ela não conseguisse.
O tempo esvaia entre elas,
Como as altas da maré,
Ora revoltas, ora de bem-me-quer,
Amália via um mundo arfante em tudo,
Anita via o mesmo mundo, mudo.
Onde Amália via coqueiros, beleza e luz.
Anita queria seus olhos, sem tentar ver a própria força que a conduz.
Anita, Amália.
Amália vivia. Anita via.
Sem entender que há segredos
 Que só o tempo e a experiência
Instrui, exprime,mostra, ensina.
Que na sorte da vida cada um tem seu brio,
Sua seiva, sua história e sua lida,
O que a moça não alcançava, não compreendia,
Que jamais seria a outra,
Pois para ser Amália, não pode ser Anita.
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Felicidade Crônica



Você escreve e depois de um tempo (três anos) relendo aprende consigo mesmo. Coisas da magia de escrever. <3 span="">
Ela era a mulher mais feliz da casa, da rua, da cidade, do país e sim, também do mundo. Amália perdera os pais num acidente de carro aos sete anos, os avós aos quinze e ao vinte dois o único amor com quem se casara e tivera os gêmeos: Guillermo e Antunes. Ela era gorda, baixa, pele manchada e de cabelos muito crespos e desbotados. Tinha um busto imenso, pernas arqueadas, era professora, ganhava pouco, não dava para quase nada.
No trabalho, riam dela, pais, mestres e alunos. Parecia insulto, mas Amália ria de tudo sempre chupando uma bala.
A vida passou para ela como quem passa aos olhos de um presidiário, sol quadrado, feio, um descaso. Porém, o crime dela era ser feliz apesar de tantas perdas lastimáveis, irreparáveis e dores insuportáveis.
Ninguém nunca a visitava, nem mesmo os filhos depois de crescidos e que diziam amá-la.
Amar Amália, que mal há?
Ela jamais chorava, falava que a água das tais lágrimas foi levada com os móveis da última enxurrada que acabou com sua casa, mas não com seu lar. Não se importava, dava os ombros, ria e dizia:
— Há forças em meus braços? Então vamos lá!
E a vida foi passando.
E quanto mais a mesma vida lhe dava razões para ser infeliz por competência, Amália simplesmente sorria ignorando tudo e todos, andando só com a sua consciência.
Um dia depois da última tragédia, um dos filhos morrera com a mulher e os dois netos numa viagem, a vizinha decidiu ir visitá-la.
Estava visivelmente abatida, mas aquele sorriso, aquele teimoso riso estava lá.
— Como você consegue mulher? — perguntou a vizinha com a mão no queixo.
Amália sentou-se na cadeira de balanço começando a falar:
— Conta-se uma história que um dia uma senhora apaixonou-se por um homem, que na verdade era um encanto, ele a terra só vinha de dez em dez anos. Durante toda a vida da mulher, ela só o viu cinco vezes. Cinco vezes em cinquenta anos. Morreu e ao chegar às portas do céu, alguém a indagou: “— Foste feliz na Terra?”, ela abriu um riso lindo e profundo respondeu: "— Sim, eu fui feliz e fui fiel”.
A vizinha parou refletindo e depois de alguns minutos e um gole no café que acabara de fazer retrucou:
— Você é a tal mulher e o homem a felicidade?
Amália sorriu serena dizendo:
— Sim, de sorte ela sou eu. E sim a felicidade em minha vida pode ser este homem, mas no meu caso nem cinco vezes se quer a vi.
— Se morresse hoje, diria que foi feliz e fiel a esta felicidade?
— Sim. — respondeu firme.
— Por que Amália? — a vizinha interrogou. — Tudo que a vida te fez foi sofrer e a felicidade nunca te visitou!
— É verdade, eu sei. — confessou. — Mas esse é o segredo da felicidade, se você for fiel a ela, ainda que nunca a veja, mesmo que como um amante que te abandona e te ignora, a sua fidelidade de buscá-la, fará de ti uma pessoa alegre ou como eu a mulher mais feliz do mundo.
— Por quê?
— Porque nunca cri que depois de tantas perdas ainda poderia ser infeliz.



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