IKANATON no Amazon!Confira!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Pedidos inusitados de casamento viram moda


Um dos momentos mais inesquecíveis da vida a dois, a hora do "sim" está sempre rodeada de narrativas emocionantes. Para Camila, Aline e Laís, o momento foi além do jantar à luz de velas: conheça suas histórias inspiradoras


Camila e o adminstrador de empresas Carlos de Barros se casaram no Rio, em 2014. No detalhe, o momento do pedido a quase 6 mil metros de altitude, no Kilimanjaro (Foto: Túlio Thomé / Arquivo pessoal)
Num passado bem recente, um pedido de casamento tinha que ser especial para ficar eternamente registrado na memória do casal. Hoje, esse momento também deve ser original, de preferência com lances cinematográficos, para que ganhe centenas de “likes” nas redes sociais.
O publicitário Francisco Zuccatto, 27 anos, pediu a mão da fonoaudióloga Laís Rehem, 26, durante um voo de helicóptero em Bali. Já o militar Bruno Nalbone, 33, surpreendeu a jornalista Aline Prado, 33, ao perguntar “Quer casar comigo?” em rede nacional, num programa deTV.
Histórias desse tipo são quase rotineiras na @howheasked, conta no Instagram que tem mais de 250 mil seguidores. No endereço, imagens e depoimentos emocionantes de noivados se destacam pelo ineditismo dos arroubos românticos.
Esse esforço para tornar o pedido tão único vem acompanhado de um dado novo no Brasil: estamos nos casando mais. Segundo o mais recente levantamento do IBGE, em 2013 foram realizados por aqui 1.052.477 casamentos, 11 mil a mais que no ano anterior.
Além de ascendente, o número de apaixonados que oficializam a relação no papel supera o dos divórcios, que foram 16 mil a menos que em 2012. Marie Claire reuniu histórias incríveis de três mulheres que disseram “sim” em momentos inesquecíveis. Confira.
Camila e Carlinhos se casaram em uma cerimônia que aconteceu na capela do Cristo Redentor, no Rio, em 2014 (Foto: Tulio Thomé)
NO TOPO DA MONTANHA
Camila Schnarndorf, 30 anos, gerente da grife Paula Raia

“Apesar de termos vários amigos em comum, eu e o Carlinhos nunca havíamos nos cruzado. Até que num voo de São Paulo para Porto Seguro, finalmente nos conhecemos. Ele havia acabado de voltar de uma temporada em Nova York e, de última hora, embarcou nos planos de Réveillon da minha turma. Ficaríamos em uma casa enorme em Trancoso, para passar a virada de 2008 para 2009. Quando o Carlinhos entrou no avião, o achei meio excêntrico. Usava uns óculos escuros enormes, pareciam máscaras de mergulho. Minha amiga, a Giulia, apontou e disse: ‘Olha só o gatinho que vai passar o Ano-novo com a gente!’.

Fiquei tentando entender como ela via beleza naquele rosto todo coberto, mas, quando o moço tirou os tais óculos gigantes, constatei: ‘Sim, é gatinho!’. Logo nos primeiros dias dessa viagem, pintou o maior clima entre nós. Não nos largávamos, conversávamos o tempo todo e ríamos juntos das mesmas bobagens. Nossos amigos botavam pilha para que ficássemos. Coisa que nem demorou a acontecer: no terceiro dia juntos, nos beijamos e não nos largamos mais.
O Carlinhos morava no Rio e eu em São Paulo. Nosso namoro continuou na ponte aérea. Ele sempre foi fã de esportes de aventura e eu, apaixonada, embarco em qualquer parada. O sonho do Carlinhos era subir o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, o ponto mais alto do continente africano. Meu namorado já havia morado um tempo na África, em Nairóbi, no Quênia, fazendo trabalho voluntário e, em nossos três anos de namoro, sempre me deixou curiosa com suas histórias nos lugares que conheceu por lá.
A ideia de passarmos por esse desafio juntos me encantava e resolvi me jogar nessa travessia, que dura uma semana. Mal podia esperar por tudo que me aguardava. Logo no primeiro dia de subida, comecei a me perguntar onde é que estava com a cabeça ao aceitar me enfiar naquela roubada... Enfrentamos uma tempestade enorme e foi um perrengue sem fim chegar a quase 6 mil metros de altitude em meio àquele lamaçal.
Coisas que pareciam simples, como dormir em uma barraca, se revelaramuma fria, literalmente: ali a temperatura era de 20 graus negativos. No último dia de escalada, precisávamos sair à meia-noite para chegar ao topo antes do nascer do sol. Estava exausta e mal-humorada. Era uma subida muito íngreme e comecei a achar que não conseguiria chegar ao fim. Quando estávamos próximos ao topo, às 5h30, a neblina era tanta que eu não enxergava nada.
Notei que o Carlinhos chorava. Pensei: ‘Que bonitinho, está emocionado de realizar o sonho....’. Mas ainda tinha outra parte para subir, que é onde todo escalador que percorre o Kilimanjaro tira foto. O Carlinhos saiu na frente, me largou para trás. Fiquei brava, sem entender nada. Estava com ele até aquele momento, custava conter um pouco a ansiedade e me esperar?

Chegando finalmente ao topo, a vista era maravilhosa. Vi crateras de um vulcão de um lado, uma geleira de outro e o amanhecer mais colorido do mundo! Também havia outros aventureiros por lá, australianos e japoneses. De repente, o Carlinhos começou a chamar a atenção das  pessoas, dizendo bem alto, em inglês, que iria falar umas palavras em português e que no final todo mundo batesse palmas. Fiquei meio envergonhada, imaginei que ele fosse fazer uma declaração de amor – nada a ver com a vibe das outras pessoas que estavam ali.

Carlinhos então tirou um papel do bolso e começou a declamar um poema que havia escrito. Quase no final, ajoelhou-se e me pediu em casamento! Os escaladores nem precisaram de tradução, logo entenderam do que se tratava. Comecei a gritar: ‘Sim! Sim! Sim!’ e pulava feito uma louca. Estava exausta, há quatro dias passando o maior frio da minha vida, sem tomar banho, só usando xampu seco e me limpando com lencinhos... Mas era, naquele momento, a mulher mais feliz e apaixonada do mundo!”

O militar Bruno Nalbone, 33 anos, fez o pedido ao vivo no programa "Encontro com Fátima Bernardes" (acima, à esq.). Acima, a festa durante o Carnaval (Foto: Marcio Monteiro / Reprodução)
AO VIVO NA TELEVISÃO
Aline Prado, 32 anos, jornalista, carioca
“Nunca quis saber de casamento. Achava uma instituição falida e quando era mais nova tinha até pesadelos em que estava grávida. Mas quando conheci o Bruno tudo mudou. Nossa sintonia é única. Ele éumcara incrível, que sempre me fez rir com seu humor ácido. Temos conversas tão sensacionais que, se roteirizadas, dariam um belo filme. Além disso, temos outra paixão em comum: o Carnaval. Todo ano, saio como porta-bandeira do bloco Imprensa Que eu Gamo, no Rio, e o Bruno sempre me acompanha. Nos conhecemos graças ao Leonardo, meu colega de trabalho e primo do Bruno, que ia se casar e nos chamou para padrinhos.

Na época, estávamos em outras relações, mas, entre o noivado e a data do casamento do Leonardo, meu namoro e o do Bruno chegaram ao fim.Onoivo resolveu a situação nos juntando no altar. Quando vi o Bruno na igreja, naquele traje de gala, acheio um gato! Ficava olhando para ele e percebi que tinha outra madrinha de olho também. Pedi então que segurasse meu celular e fiquei o tempo todo perto para delimitar território. Depois de nos juntarmos para tirar uma foto, tasquei um beijaço nele, assimmesmo, sem chance de reação. Sempre fui assim, atirada.
Dois meses depois, já dividíamos o mesmo teto. Estávamos juntos havia dois anos, e, ironicamente, queria muito que ele pedisse minha mão e oficializasse nossa relação. No dia do meu aniversário de 30 anos, Bruno fez uma festa-surpresa temática: era tudo cor-de-rosa, do bolo à decoração. Ele sabe que detesto essa cor, mas, como é um tremendo fanfarrão, quis brincar com isso... E a balada estava linda! Fui logo acreditando que aquele circo todo havia sido armado para que o Bruno, enfim, me pedisse em casamento. No entanto, a festa acabou e ele não disse nada. Fiquei arrasada e no trabalho desabafei para todos os amigos. Na época, era repórter do programa "Encontro com Fátima Bernardes".

Semanas depois, precisei cancelar uma viagem para Brasília, onde gravaria uma matéria. O diretor do programa me explicou que precisaria de mim naquele dia, para um quadro especial do programa, que seria sobre casamentos. ‘Ele só pode estar de sacanagem comigo... Poxa, sabe que esse assunto é tão delicado para mim...’, foi o que pensei. Quando cheguei em casa, reclamei com o Bruno, estava inconformada. E ele me aconselhou: ‘Calma, amor! Dia ruim é véspera de dia bom. Vai lá amanhã bem bonita, peça ao cabeleireiro que te deixe linda!’.
No dia seguinte lá estava eu no estúdio. O programa correndo ao vivo, com a Fátima fazendo suas entrevistas. De repente, ela anunciou aos telespectadores que, no próximo bloco, iríamos testemunhar, ao vivo, um pedido de casamento. Achei estranho, aquilo não estava no roteiro... Até que voltamos do intervalo e a Fátima chamou um convidado ao palco. Estava nos bastidores, e não acreditei quando comecei a ouvir a voz do meu amor. Na entrevista com a apresentadora, falou sobre nossa história, se declarou e me pediu em casamento ao vivo!
O que mais me emocionou foi o fato de o Bruno estar ali, expondo-se, falando de como a gente se conheceu. Ele é militar da Marinha, nunca tinha pisado numa TV, é acostumado à rigidez do dia a dia. Mas tomou coragem e entrou no estúdio, com rosas vermelhas colombianas que eu amo, e fez o pedido, transmitido para milhões de pessoas. Tudo para que o momento fosse especial. Procurou a Gabriela Lapagesse, que é minha amiga e produtora do programa, e eles planejaram cada detalhe. Aliás, todos ali sabiam, menos eu... Quando fui responder o ‘sim’, de tanta emoção a voz nem saía.
Como o Brasil inteiro testemunhou nosso noivado, precisávamos fazer um casamento à altura. A cerimônia aconteceu em pleno Carnaval do ano passado, no bloco Imprensa que Eu Gamo. Acredite: um pastor aceitou a ideia maluca de nos casar no meio do desfile, com 12 mil foliões como testemunhas.”
Laís e o publicitário Francisco Zuccato, 27, vaõ se casar no início de 2017. Acima, o pedido de casamento feito em Bali, na Indonésia, durante um voo de helicóptero (no detalhe). Ela ficou tão chocada que perdeu a voz (Foto: Arquivo pessoal)
NAS ALTURAS
Laís Rehem, 26 anos, fonoaudióloga, paulistana

“Conheço o Francisco desde os tempos de colégio. Naquela época, não éramos próximos, mas sempre o achei gente boa. Extrovertido, generoso, vivia cercado de amigos. Depois da formatura, nos perdemos de vista e só nos reencontramos ano passado, nove anos depois, via Facebook. Um post meu apareceu na timeline de um conhecido em comum, então o Francisco me adicionou e começou a me paquerar.

Achei ótimo, porque ele tinha virado umsupergato. Formado em publicidade, tinha viajado para lugares incríveis só para surfar, seu esporte favorito. Lembro que, no primeiro encontro que marcamos, dei um furo porque perdi a hora... Estava cansadíssima após um dia insano de trabalho e achei que seria bom tirar um cochilo antes de me arrumar para o jantar. Acordei só
na madrugada, um vexame...O Francisco ficou chateado e me deu um gelo.

Mas corri atrás, joguei todo meu charme e ganhei uma nova chance. Ainda bem! Nos reencontramos e foi incrível. Duas semanas depois, já estávamos completamente apaixonados. Mas, antes de tudo isso acontecer, o Francisco já estava de viagem marcada ada para El Salvador. Passou 15 dias surfando por lá. Sofri de saudade e insegurança. Afinal, nós não estávamos ‘oficialmente’ namorando. Mas, na volta, ao esperá-lo no aeroporto, fui recebida com um sorrisão. No desembarque, veio até mim cheio de carinho e pediu que checasse na bagagem se suas pranchas de surfe não haviam sido danificadas na viagem. Achei estranho, mas atendi ao pedido.

Quando abri a capa, em uma das pranchas estava escrito: ‘Laís, quer namorar comigo?’. Tão lindo... Com um pedido de namoro desses, sempre tive a certeza de que, se um dia me pedisse em casamento, seria de uma forma espetacular. E estava certa: em abril passado, fiquei noiva numa cena que foi de cinema. Para comemorar nosso primeiro ano de namoro, o Francisco me convidou para conhecer Bali. Ao chegar lá, fizemos trilhas para conhecer praias maravilhosas, um santuário onde se veem macacos de pertinho, mergulhamos com tartarugas-marinhas...

Até que ele sugeriu um passeio diferente: um sobrevoo de helicóptero pela ilha. Topei na hora, achei o máximo. Momentos depois que estávamos no ar, o piloto virou-se para mime disse, em inglês: ‘Agora vamos passar por um ponto muito especial da ilha. Prestem atenção lá embaixo!’. Quando olhei, vi letras enormes pintadas com tinta branca no jardim de um hotel, onde se lia: ‘Laís, quer casar comigo?’.

Comecei a gritar e queria pular dentro daquele helicóptero, não acreditava que aquilo estivesse acontecendo... Foi um misto de felicidade, euforia e medo, pois sabia que minha vida mudaria dali para a frente. Quando me acalmei, mas como coração ainda quase saindo pela boca, o Francisco tirou uma caixinha do bolso e a abriu. Tinha um anel dentro, um solitário lindo de ouro amarelo, bemclássico, a minha cara... Ironia do destino, logo eu, uma fonoaudióloga, fiquei sem voz por alguns minutos antes de dizer o ‘sim, eu aceito’.

O piloto e o copiloto, que não falavam português, ficaram ali, curiosos, sem saber qual tinha sido minha resposta. O Francisco havia arquitetado tudo um mês e meio antes, com a ajuda do guia turístico. Foi tão cuidadoso que, antes de embarcarmos no helicóptero, checou em uma imagem de satélite do hotel se haviam acertado as letras direitinho. Ele diz que fez tudo isso porque o amor tinha crescido tanto que já não cabia mais em uma prancha de surfe.”


Fonte: Revista Marie Claire