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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Crônica de Um Escritor Machucado por Danka Maia

Bem, eu gostaria de pingos esclarecer que essa Crônica foi uma Junção de muitos Depoimentos que colhi, Alguns que vivenciei, E uma Reflexão parágrafo aqueles que  como eu estão nesse árduo Caminho da Literatura Brasileira tentando encontrar seu caminho como escritores.








Eu simplesmente não entendo. Estudei em escolas públicas como quem cursara em Howard.Porque sempre cri quem faz a escola é aluno e ponto. Honrei o ensino que tive. Não me importei se alguns falsos mestres cruzaram meu caminho fingindo que me instruíam, o que eles não fizeram e fui atrás e procurei as respostas. Eu tinha oito anos quando decidi que quando crescesse seria escritor. Papai capinara alguns quintais e como presente no dia das crianças ganhamos eu e meus cinco irmãos a dádiva de pisar em algo semelhante à sétima arte. Aqui, permito-me abrir um parêntese: Se o cinema é a sétima arte, quais são as outras? Recordo de uma vez ter indagado a um professor que não soube me replicar e nem tampouco mostrou algum interesse de auxiliar na questão.Pelas próprias pernas, quero dizer mãos, dedilhei livros e fui encontrando. As outras artes são arquitetura, pintura, escultura, música, literatura e teatro (incluindo a dança). São as chamadas Belas Artes, conceito que surgiu na Europa no final do século XVIII, junto com as Academias de Arte, e que designa atividades atentadas com a criação do belo, independente da sua utilidade prática. Quando, um século depois, as academias se transformaram em Escolas de Belas Artes, a expressão já estava concretizada, então com apenas seis artes. O cinema, inventado pelos irmãos Auguste e Louis Lumière no final do século XIX, é a lanterninha da lista. Foram os críticos e teóricos franceses, no começo do século XX, os primeiros a chamar o cinema de "sétima arte". Mas por essa nobre arte que despertou em mim o Escritor. Elucidada a questão, continuo minha mágoa.


Acredite li tanto que sinto ter lido todos os livros do mundo. Não suportava a ideia de me atrever a minutar ou de me intitular escritor sendo na verdade mais um aventureiro do que qualquer outra coisa. Participei de ideias no tempo que para se ter uma era inconcebível não ter o acento que a Língua Portuguesa exigia, agora tombado. Até hoje não consigo escrever tal palavra sem pensar no abandono do acento. Mas era assim sabe, ideias (com acento) e ideais. Grêmios, Confrarias, Concursos, Faculdade, Pós, finalmente se havia um fim, eu fui até lá.


 Após esse término meu sonho borbulhava como um caldeirão de uma possante feiticeira. Porque todo Escritor compreende o que estou narrando. No início, todos nós temos absoluta certeza que dentro do nosso sonho uma pérola foi escrita através de nossos sentimentos, sensações e extravasos. Eu fui somente mais um.


Batalhei com meu original debaixo do braço, sol a sol, chuva embaixo de chuva, num tempo em que o cara a cara causava nas editoras uma melhor impressão, porque naquele tempo elas queriam pessoas, hoje  só querem o “modinha” do momento. Virou mercado, nada contra, afinal amizade é amizade, negócio é fora parte. Como me disse meu último editor ao me abandonar no meio do caminho com mais de 2000 livros encalhados na garagem da minha casa. Quando sonhamos, o que é vender 2000 livros? “Nada, isso é fácil, mole,faço com pé nas costas.” Vender 50 livros no Brasil é tão difícil como arrancar guaiamums (caranguejos) de dentro de um mangue. Você precisa ter a manha. Necessita saber como, onde e qual a melhor maneira de encontra-los. Resumindo: Pode ser qualquer coisa, menos simples, isso eu lhe garanto.


No começo, a família e os amigos podem te ajudar, mas depois o compromisso acaba. Não acho errado, já pensou se a família e os amigos tivessem que deixar seu jovem dentista arrancar o dente de cada um para começar o negócio? Imagine então se for o dono de uma funerária? Vai ter que morrer um de cada casa para dar aquele ponta pé? Por outro lado, o glamour que essa profissão exerce, fascina quem a vê de fora. Parece que basta dizer que é Escritor para que cifras apareçam milagrosamente em sua conta bancária, que as portas da nata e intelectual sociedade te recebam com aquele ar de que estamos recebendo o honorável, excelentíssimo... Balela! Minha geladeira é como o de todo mundo nesse país, se eu não trabalhar deixa de ser geladeira e vira caixa d’água, se não cortarem o abastecimento de água por falta de pagamento é lógico.


Aí,vem a dura realidade. Autor nacional não tem valor. Somos sim e honramos a finco nossas raízes (pelo menos nesse sentido), os índios que trocaram com Cabral e Companhia nossas pedras preciosas por suas quinquilharias. O brasileiro (não todos evidentemente) carrega consigo esse conceito do que aquilo feito, dito,comprado, elaborado, vendido pelo outro, especialmente se for estrangeiro, é e sempre será melhor do aquilo que aqui se faz, inclusive o que o mesmo indivíduo produz. Eu sei que isso não é patriótico, mas é a realidade. E em sua maioria esta não está nem ai para o que lhe convém ou não. Ela puramente é. Sambando em cima disto vem as novelas, paixão nacional. Irei lhe confessar um pensamento:Para mim os Escritores mais inteligentes deste país foram os que migraram para Autores de Telenovelas, pois perceberam para ontem que nosso povo sempre vai optar por um livro “lido” e mastigado por seis meses em seus ínfimos detalhes de um modo que ele não tenha que correr seus olhos e sua alma para deixar sua mente construir um mundo com  cores, cheiro, magia que só existirá dentro de si. Pergunto: Tenho como concorrer com tudo isso?


Sim, haverá os que defendem o otimismo, o talento, a bravura, o “Sou brasileiro e não desisto nunca.” Que eu particularmente apoio e até creio, contudo, não me permito mais dele sobreviver. Para mim essa é  a grande sacada da literatura e utopia brasileira. Não se deixar contaminar pelo otimismo e fazer dele bandeira para sobrevivência porque isso é certamente ladeira abaixo. Há os poucos que como toda e qualquer exceção vão se firmar por sorte, puro talento, capacidade, destino, ou chame lá como quiser. Eles sempre existirão. No entanto lembre-se, proferi que é a exceção não a regra. Nesse dia do Escritor Nacional eu quero dizer que deixo de ser Escritor. Necessito pagar minhas contas com dignidade que qualquer cidadão tem direito. Não dá mais para ficar cantando o samba combinado: “Ei você aí, me compra um livro, me compra um livro aí!”


Entro para o time dos hobbies. Serei escritor não Escritor. A diferença vive na forma como passo a encarar essa arte que é e sempre será briosa. Digna de ser honrada com afinco, dedicação, paixão, disciplina e veemência. Não a verei mais como profissão e sim como arte. Talvez se eu tivesse feito isso desde o começo há 20 anos minha trajetória poderia ter sido deferente ou até mesmo a igual, mas eu certamente não sairia de cena tão machucado.


Para você que fica não deixo boa sorte, boa luta. Não há conselhos, existe sim o que não fazer o que não pensar, e foi exatamente isto que eu acabei de improvisar, esse é o meu legado para você que começa agora. É cada um com seu cada um.