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quinta-feira, 23 de julho de 2015

As Vezes por Danka Maia





Eu o tinha visto cruzando a ponte por onde passo todos os dias para ir trabalhar num dia de chuva.Ele era lindo,mas estranho de um jeito que eu não sei explicar.Cri que nunca mais o veria novamente,mero lapso,o acaso não perdoa,faz mesmo e com vontade a gente se enganar.

Aquela caneta caiu da minha mão que a segurava firme,o barulho no chão me fez esquecer por um instante em volta de mim para apanha-la,no entanto,foi a mão dele que encontrei sobre ela no lugar da minha. O seu riso era doce,os olhos levemente amendoados me recordava alguém de um tempo que nem mesmo o futuro do pretérito poderia elucidar. Pensei em dizer algo,porém nessas horas as palavras somem,acho que se aglomeram na boca do estômago como uma grande rebelião que talvez um dia o futuro mostre,contudo naquele exato momento faz a gente passar como bobo,se achar o otário do planeta e somente se resume num olhar.

O perfume amadeirado me trouxe um olhar rústico sobre ele.Me fez voltar no tempo quando li um livro onde uma judia ortodoxa que fugia de seu grande amor um seminarista católico,refugiada num kibutz, um dia se depara com o recado de que alguém a procurava  ali no meio do nada das Terras de Jerusalém .O via outra vez a sua frente e  quando perguntado por ela de como a encontrara ouviu:

_Usei Jeremias 29;13. “E me procurareis e me achareis quando me procurardes com todo vosso coração.”

Peguei a caneta e rompi as portas da livraria como um raio evocado por uma tempestade.Eu fui,mas de certa maneira,alguma parte de mim ficaria presa para sempre naquele lugar,naquele instante e com aquele desconhecido.
As vezes eu paro e penso no que poderia ter sido.
As vezes volto naquele horário na velha ponte ou a livraria só para ver se o encontro de novo.
As vezes me pego divagando entre músicas que falam do que seria um grande amor.
As vezes...

Por que o Destino faz isso com a gente?


Espero um dia descobrir.