Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

O LOUCO E CAIXEIRO VIAJANTE (por Danka Maia)

    
 Foto:google
Inspirada numa lenda antiga

 
 Houve um tempo que o mundo vivia abastecido por uma profissão: Caixeiro Viajante.
         Meu nome é Augusto, e fui um caixeiro viajante. Criei cinco filhos desta forma e todos sem exceções foram todos muito bem encaminhados. Durante quase trinta anos de minha vida vi,li,presenciei e vivenciei muitas situações porém  a que mais me marcou trago agora para vocês.A cidade de Inquinas era mais uma em meu itinerário viajante, na verdade era um vilarejo que não tinha mais que trezentos habitantes.O que me chamava a atenção era que  sempre que passei por aquele lugar ,via um homem pendurado num mastro, com barbas enormes, roupa maltrapilha gritando.Aquela figura que a primeira vista era tão grotesca me intrigava. As pessoas passavam de um lado a outro como se ele nada fosse para elas. Definitivamente não seria exagero meu mencionar aqui que o indivíduo não existia aos olhos de seus conterrâneos. Era ignorado com toda pompa e circunstância.
            E durante trinta anos todas as vezes que passei pelo vilarejo de Inquinas foi ininterruptamente assim. Mas veio a aposentadoria, era hora de sossegar e ver um pouco da vida parado numa mesma paisagem uma vez que tinha visto incontáveis.Naquela última viagem decide me despedir de cada um de meus clientes, conhecidos e amigos ao longo da jornada, e ao chegar naquela aldeia decidi enfim aproximar-me daquele sujeito,havia uma pergunta entalada por trinta anos em minha garganta a sua pessoa,portanto somente ele poderia respondê-la.E lá estava aos berros como continuamente fora:
              __EU CREIO QUE O IDEAL DE UM SER HUMANO SÓ MORRE QUANDO DESISTE DE CRER NELE!
              _Moço?- o abordei batendo na base do mastro com tom suave, e para meu espanto na mesma hora ele desceu.
              _Sim!- respondeu prontamente._ Em que posso ajuda-lo cidadão?
            _Na verdade, sou caixeiro viajante, por trinta anos passo por esse vilarejo que nunca progrediu, e de certo modo acho que o que sempre me trouxe aqui foi a sua pessoa.
            _Fico lisonjeado. -Voltando ao mastro.
            _Queria lhe fazer uma única pergunta, prometo não tomar seu  tempo!- gritei.Do alto me replicou:_E qual seria essa pergunta?
           _Por que insiste em berrar aos quatro cantos dessa cidade essas suas ideias seguidas dessa frase se ninguém nunca em tempo algum parou para lhe dar um segundo de atenção?-Imediatamente escorregou pelo mastro com cenho fechado, fitou-me nos olhos e foi catedrático:
            _Essas pessoas estão mortas. Passamos por um grande incêndio há uns trinca e dois anos atrás que dizimou quase todo comércio assim como toda população, eu mesmo perdi mulher e três filhos. O fogo queimou muito mais que empregos, casas e cavalos. Incinerou famílias, sonhos, desejos, amores e coragem. Deixou como herança tão somente esse conformismo que vê caro amigo.
            _E por que continua com isso? Esse povo jamais mudará!- Precisava entender, e por fim acabou a minha dúvida.
        _Porque se eu desistir não será eu quem os terá despertados e sim eles a me conformar que não vale a pena crer em meus ideais. -Esboçou um riso e volveu a  gritar.
            "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.", Albert Einstein


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