Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mulher cria página que reúne histórias de aborto para promover "discussão mais honesta" sobre o tema

Sherry Merfish falou à Marie Claire sobre o site Not Alone, no qual americanas contam por que decidiram abrir mão da gestação e como vivenciaram a experiência


EMILY LETTS FICOU FAMOSA NA INTERNET COM VÍDEO EM QUE MOSTRA O MOMENTO EM QUE FOI FAZER UM ABORTO (Foto: REPRODUÇÃO)

Proibido no Brasil, com poucas exceções, o aborto ainda é um tabu. Mas nos Estados Unidos, um grupo de mulheres está disposto a falar sobre o assunto de forma aberta e não anônima. Em uma série de vídeos divulgados no recém lançado site Not Alone, elas contam por que decidiram abrir mão da gestação e como vivenciaram a experiência.

"Achei que, se eu falasse sobre meu aborto, outras mulheres seriam encorajadas a fazer o mesmo. Ao estimular outras a falarem suas histórias, nós teremos uma discussão mais honesta", afirmou Sherry Merfish, uma das criadoras da página na internet à Marie Claire.
Sherry é uma norte-americana de Houston, Texas, que teve sua história revelada primeiramente em 2013 em um artigo no jornal "The New York Times", no qual sua filha Beth Merfish contou como ficou sabendo da interrupção da primeira gravidez da mãe. A partir de então, muitas mulheres entraram em contato para falar sobre suas histórias. Foi aí que surgiu a ideia de criar um site para compartilhá-las. "Nós decidimos que precisávamos reunir toda essa comunidade que nasceu após o artigo".
SHERRY MERFISH CRIOU SITE NA INTERNET EM QUE MOSTRA MULHERES FALANDO SOBRE ABORTO (Foto: REPRODUÇÃO)

Com a ajuda das duas filhas, Beth e Brett, e da atvista Emily Letts, a americana desenvolveu a página para divulgar a experiência dessas mulheres e mostrar a elas que não estão sozinhas. Na última terça-feira (8), o projeto finalmente ganhou vida. "Quando você assiste a um vídeo e vê uma pessoa contando sua história, você ganha o senso de urgência. A pessoa foi valente o suficiente para mostrar seu rosto e revelar sua identidade. Suas decisões, circunstâncias e sua vida se tornam menos fáceis de serem descartadas ou julgadas", afirmou.

Um dos vídeo divulgados no site é de Emily Letts. Nele, ela relembra a gravação que fez, em maio deste ano,  que mostra o momento em que interrompeu sua gravidez na clínica de aborto onde trabalha. O vídeo se tornou viral e conquistou mais de 3 milhões e visualizações. "Muitas pessoas perguntaram por que compartilhei uma história tão íntima com o mundo. Todos os dias vejo mulheres punindo a si mesmas por serem sexuais, por estarem grávidas. Eu fiz isso porque acredito que é tempo de pararmos de punirmos a nós mesmas e começarmos a apoiar umas as outras", disse.
O Not Alone, além de vídeos, traz também informações importantes sobre o aborto. Segundo a página, 50% das mulheres americanas com cerca de 45 anos experenciam gravidez indesejada e 1 em cada 3 americanas escolherão fazer um aborto em algum ponto da vida. "Escolhas pessoais são melhores quando são deixadas para serem tomadas pela mulher e seu médico. O governo não deveria fazer parte da decisão", defendeu Sherry. No Texas, onde mora, o aborto é permitido por lei, mas enfrenta duras restrições.





FONTE:REVISTA MARIE CLAIRE