Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

terça-feira, 29 de abril de 2014

O DIÁRIO DE MACHINE: Te Esperando


 









 




Pois é caro Diário,lá vem eu!

Há uma música, que mexe muito comigo por muitos fatores diferenciados do que citarei hoje.

 O de hoje, aconteceu ontem.

 Isso mesmo ontem ,quando meus alicerces foram balançados de modo díspar.Sabe Diário, essa história começou há muito tempo atrás, a primeira vez eu era uma mocinha nos seus onze anos de idade e ele dezesseis ou seja, não ia rolar nunca. Ele era um moreninho lindo, olhos esverdeados, um rosto bem definido para sua idade e o carinha mais lindo e popular do colégio, tudo isso contra uma gordinha de óculos?
 Que chances eu tinha?
Embora o W, chamarei assim, namorasse a Musa da escola, que era uma menina muito legal .eu sentia algo no olhar dele quando me via.Na minha inocência feminina alguma coisas me dizia que mexia com o gatinho do colégio.

Mas deixei as coisas como eram. Sabe Diário, às vezes esse pode ser um dos segredos da vida,irritante segredo confesso. porém,sim,pode ser um dos tais:Saber deixar as coisas simplesmente como elas são.

Tempo depois,eu tinha treze anos e ele dezoito,o namoro com a Musa terminara  e aquele sentimento pelo W ainda jazia ali, intocável dentro de mim. Não bulia com ele Diário, era como fosse sagrado,imaculado,contudo gostava de tê-lo dentro de mim inda que não compreendesse o motivo. Dei-me o direito de viver outros amores da idade, mas houve um dia que haveria uma festinha na minha sala e uma colega veio me contar de que o W fora convidado. E pasmem, fiquei tão apavorada que acabei não indo.

Dias depois, algumas coisas foram surgindo em minha vida e por ganhar um prêmio do Estado do Rio de Janeiro já na linha literária, meu primeiro, aliás, tornei-me a celebridade da escola. Me senti! E por um orgulho feminino besta, entrei numa de esnoba-lo, aquela coisa sabe:

_Agora quem não te quer sou eu!

E vi tão claro como os raios do Sol que vão se apagando com nuvens espessas prontas para sucumbir a uma tempestade o rosto dele se entristecer. Percebi que minha atitude o machucou, o feriu de algum modo.

Agora eu tinha catorze anos e W dezenove, olha como as coisas nos marcam, lembro daqueles dias numa precisão incrível e não sei direito o que comi ou falei ontem. Enfim, numa festa municipal daquelas com direito a bandinha e coreto na praça principal, estava passeando com minhas amigas e de repente o vi com seus amigos. Rodinha de lá, rodinha de cá  e nós dois ali se olhando, se curtindo daquele jeito que só a boa e velha paquera sabe promover aos corações que se almejam. Aquele frio na barriga, aquele calor que sobe e friozinho que descem pela garganta,aquele jeito sem jeito onde a gente não sabe onde por as mãos, sem saber se está bonita ou não, sem saber o que falar...Quem dos mortais não passou por isso?

Pois é Diário,e veio o embate, aquele momento que tudo que tinha que fazer quando nos encontrassemos era devolver o olhar ao W,no entanto,passei pelo primeiro amigo...O segundo...O terceiro...E ele ...Eu meramente,num ato de loucura lançei meu olhar para o outro lado,acho que predominou em mim o orgulho do que o sentimento e me recordo porque nunca me esqueci a frase que a amigo número dois dele falou quando passei:

_Ela nem olhou para você.

E por anos foi isto. Vivemos na mesma cidade. Ele casou, teve filhos. Não me casei,ainda, mas tive outros amores,que não foram eternos entretanto, foram lindos enquanto duraram e minhas sobrinhas que são minhas duas filhas que amo, educo.

Tudo isto até ontem.Acho.

Precisava demais ir ao médico resolver um assunto e no consultório conversando, pondo as fofocas em dia, quem entra naquele mesmo recinto? O W.

A questão é que nos vimos inúmeras vezes depois do colégio, muitas.Mas acreditem no que vos conto, jamais trocamos uma palavra sobre nós,sobre aquilo, era como um assunto proibido,nem ele ou eu falávamos como faço com outros namoricos da adolescência, onde rimos, essas coisas.Entre nós,jamais houve esse  assunto.

Enfim...O W entrou, sentou, ouviu a conversa, até que restou somente nós dois na sala pois até auxiliar do médico sabe-se lá o porquê teve um piriri e não saia do banheiro.

E de repente veio a tal música...
 

Mesmo que você não caia na minha cantada

Mesmo que você conheça outro cara

Na fila de um banco

Um tal de Fernando

Um lance, assim

Sem graça

Mesmo que vocês fiquem sem se gostar

Mesmo que vocês casem sem se amar

E depois de seis meses

Um olhe pro outro

E aí, pois é

Sei lá


Mesmo que você suporte este casamento

Por causa dos filhos, por muito tempo

Dez, vinte, trinta anos

Até se assustar com os seus cabelos brancos


Um dia vai sentar numa cadeira de balanço

Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos

Vai lembrar de mim e se perguntar

Por onde esse cara deve estar?

 E eu vou estar te esperando

Nem que já esteja velhinha gagá

Com noventa, viúva, sozinha

Não vou me importar

 Vou ligar, te chamar pra sair

Namorar no sofá

Nem que seja além dessa vida

Eu vou estar

Te esperando...

E eu que me sentia revolvida por essa música por outros motivos como citei no início,fui escutando a letra e parecia que ela contava nossa história.

Ouve silêncio.

Até o rompi e perguntei:

_Como você está?

E para minha surpresa, minha mais absoluta surpresa o W que hoje é deparado, quase quarentão me respondeu como a canção:

_Te esperando.

Não soube o que dizer.Fico até agora me perguntando se existe o que ser dito num assombro desses. Ai o médico me chamou e eu adentrei e quando sai o W não estava mais lá.Achei curioso e indaguei a atendente se ele havia desistido  da consulta, dei o nome dele e para mim,outra grande revelação, ele não tinha consulta marcada,pode ser especulação da minha parte,mas acho que o W entrou ali porque me viu sair do estacionamento que é na frente do comércio dele.Será?

Mas hoje, advinha que música não paro de escutar?
 
 
Te Esperando- Luan Santana

 

O tempo dirá Diário, o tempo dirá. E se ele nada disser,é porque as coisas deverão ficar exatamente como são.
 
 
 
BEIJOCAS GALERA!