Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

quinta-feira, 20 de março de 2014

Olhos negros

Anna Bocek art
Os teus olhos estão negros hoje
Parecem declamar-te
Como um poema dito
Que escreveste a ti mesma;

Expões
As páginas do livro
Abertas sobre o rosto
Não há quem as saiba ler!
Sentes tu.

Poucos as vêm
Menos as entendem
As palavras escritas por teu punho
Guardadas aí
No negro dos teus olhos;

Mas há quem as tacteie
Como se fossem Braille
Quem as abrace com paciência
Até que deixem de ser grito
E as apanhe
Quando caem lágrima.

Os teus olhos estão negros hoje
Ao teu lado
Silenciosamente
Alguém espera que volvam ao mar.