Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

"Fui escravo sexual de depravados", diz ex-missionário sobre Igreja



(Reprodução/El País) 





A Comunidade Missionária de São Paulo Apóstolo e de Maria Mãe da Igreja (MCSPA, na sigla em inglês) se trata de uma organização religiosa entre laicos e religiosos que surgiu no século passado em Barcelona, na Espanha. Até hoje o grupo espalha-se por diversos países, mesmo após seus fundadores terem sido punidos pela Arquidiocese de Barcelona por acusações de abuso sexual.
Paulino, que não quis revelar seu nome em uma reportagem feita pelo El Pais, considera a organização como uma "perfeita engenharia do mal". O homem teve a sorte de ter conseguido levar às mãos do atual Papa um relato de viagem bastante traumático em sua vida. Em uma das expedições voluntárias com intuito de cooperar com comunidades na África, Paulino foi escravo de trabalho e escravo sexual de integrantes do MCPSA.
Agora com 36 anos de idade, ele se confessa arrependido de não ter reportado antes as situações absurdas às quais se submeteu. "Sinto muito não ter tido coragem de fazer isso antes. Sinto muito que durante todos esses anos em que não fui capaz de fazer essa denúncia eles continuaram abusando de meninos e meninas. Eu já não tenho medo. Mas ficaram sequelas em mim", confessou a vítima da instituição.
Hoje o Papa Francisco tem em mãos sete páginas de confissões secas e detalhadas de quão torturante foram os três anos em que Paulino foi escravizado por um "grupo de depravados, acobertado por chefes da Igreja", como ele mesmo define. A missão de Nariokotome, no Quênia, era composta por um grupo de 30 pessoas, todas "estimuladas a ter uma vida sexual ativa" e ficarem sempre nuas, já que estes seriam desejos de Deus.
Em resposta às acusações, várias pessoas mencionadas no dossiê entregue ao líder da Igreja Católica negam fortemente saberem de qualquer uma das coisas citadas. "Nunca vimos esse acampamento de horrores que Paulino conta”, afirma o sacerdote e médico Pablo Cirujeda. Já, o bispo responsável por autorizar a viagem messiânica, Dominik Kimengich, diz que tinha conhecimento de algumas acusações, mas afirma que todas elas dizem respeito a acontecimentos já investigados em 2006.
Francisco Andreo, Albert Salvans e Pere Cané são os fundadores da MCSPA ao lado de alunos do seminário para vocações tardias Casa de Santiago de Barcelona e meninos e meninas de famílias ricas. A arquidiocese da região investigou a respeito na ocasião, após eles terem sido acusados de corrupção de menores e estupro. O caso chegou ao parlamento da Catalunha em 1995.
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