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quarta-feira, 1 de julho de 2015

'Ivã, o Terrível': conheça um dos czares mais violentos da História

O que você esperaria de alguém que recebeu o apelido carinhoso de “terrível”? Bem, que essa pessoa não deve ter sido a criatura mais amistosa e meiga do mundo, não é mesmo? Pois, o czar russo Ivã IV ficou conhecido na História dessa forma, e a seguir você vai descobrir os motivos disso — e poder decidir se a escolha do apelido foi justa!
De acordo com Richard Stockton do portal All That is Interesting, Ivã IV — ou Ivã Vasilyevich — governou a Rússia de 1547 até sua morte, em 1584, e recebeu dos russos o apelido de “Grozny”, que foi traduzido para o resto do mundo como “Terrível”. No entanto, é importante destacar que esse cognome, em vez de ter significado de “mau” ou “diabólico”, remete à ideia de “incrivelmente assustador” ou de alguém que “inspira o terror”.

Panorama caótico


Filho de Basílio III, Grão-Príncipe da Moscóvia, Ivã nasceu em 1530, uma época bem sangrenta da história russa. Segundo Richard, nesse período, a Rússia ainda sofria as consequências de três séculos de batalhas constantes e dominação mongol. O território se encontrava dividido em principados e ducados comandados por nobres — que se dedicavam a recolher impostos e a explorar os súditos — apontados pelos soberanos mongóis.
O pior é que, em vez de se unir e tentar derrubar o já enfraquecido Império Mongol, os líderes russos morriam de medo de se rebelar e ainda brigavam entre si. Basílio morreu em 1533, e Ivã herdou o lugar do pai com apenas três anos de idade — o que significa que o jovem Príncipe ficou à mercê da aristocracia local. Mas não pense que eles foram com bonzinhos com o pobre menino ou que se dedicaram a prepará-lo para a árdua tarefa de governar.

Infância difícil e abdicação estratégica


Segundo Richard, Ivã cresceu trancafiado em locais restritos do palácio — onde passava dias a fio — e era espancado sem motivo com frequência. Quando tinha oito anos, sua mãe foi envenenada por líderes rivais e, sozinho no mundo, assustado e fisicamente debilitado pela fome, o Príncipe não teve outra escolha além de fazer amigos entre os nobres que o controlavam. E, em 1547, aos 16 anos, Ivã foi coroado czar da Rússia.
Aos poucos foi ganhando mais liberdade para governar e começou a fazer alianças com outros líderes, consolidando seu poder gradualmente. Contudo, a situação era caótica: além de ter que lidar com os mongóis, o Czar assumiu uma Rússia devastada pela seca e pela fome, em confronto com os invasores Tártaros, em guerra com a Lituânia e enfrentando embargos comerciais impostos pela Suécia, Polônia e pela Liga Hanseática.

Para piorar, o Príncipe Andrei Kurbsky, um dos conselheiros de Ivã, decidiu se aliar aos lituanos, levando uma boa parte do exército do Czar junto — devastando alguns territórios do noroeste da Rússia. Como se fosse pouco, em 1560, a primeira esposa do monarca morreu, provavelmente envenenada, terminando por deixar Ivã abalado mentalmente, e ele passou a apresentar comportamento desequilibrado e a sofrer ataques de fúria periódicos.
E o que você faria se estivesse na mesma situação de Ivã? Fugiria para as colinas? Pois foi mais ou menos isso o que aconteceu, só que de forma bem calculada! Em 1564, o czar enviou um par de cartas oficiais nas quais responsabilizava a nobreza pela baderna na qual a Rússia se encontrava e anunciava a sua abdicação.
Contudo, enquanto esteve no poder, Ivã foi esperto e, além de ganhar o respeito do povo, acumulou poder suficiente para se tornar indispensável para o governo. Assim, os nobres foram obrigados a se entregar e, com os rabos entre as pernas, pedir que o czar retornasse ao trono. Por certo, vale lembrar que muitos desses “nobres” foram os mesmos que aterrorizaram Ivã durante a infância — e deram fim em sua mãe.

Volta aterrorizante


Ivã se fez de difícil quando os nobres arrependidos imploraram que ele voltasse ao comando. Quando finalmente aceitou, o czar tinha uma lista de condições, que incluía ter poder absoluto sobre as forças militares, sobre as finanças, sobre a administração da corte, e sobre a vida — ou morte — de todos os nobres do Império. Só isso! E os líderes desesperados caíram na besteira de aceitar os termos.
A primeira coisa que Ivã fez ao retomar seu posto de czar foi estabelecer a Oprichnina, uma organização que, oficialmente, era responsável por ajudar o monarca a governar. Entretanto, os integrantes — que, segundo Richard, se vestiam de preto e cavalgavam com cabeças de porcos presas às selas — se dedicavam a capturar qualquer inimigo do czar. Além disso, os membros da organização (ou Oprichniki) contavam com total imunidade legal para agir.
Depois, rancoroso, Ivã tomou todos os territórios controlados pelos nobres que ele julgava como traidores e, basicamente, começou a exilar, torturar e a acabar com a raça de todo mundo que o havia feito sofrer enquanto criança. Ainda, temendo que a cidade de Novgorod se debandasse para o lado dos lituanos, o Czar ordenou uma invasão que acabou com a morte de milhares de pessoas.

E o terror continua


De acordo com Richard, uma vez que Ivã conseguiu se livrar da oposição, em vez de distribuir medalhas entre os Oprichniki, mandou todo mundo para lutar contra os lituanos, sabendo que eles seriam massacrados. Além disso, os que não foram para a guerra — ou regressaram dela vivos — acabaram sendo executados. E a coisa não parou por aí.
Durante os últimos 12 anos de seu governo, Ivã resolveu continuar aterrorizando todo mundo que ocupava o território que ele comandava. Assim, entre um ataque de ira e outro, ele travou uma nova guerra — além da que ele já estava liderando contra seus rivais— e se livrou dos tártaros de vez. Assim, resolveu reorganizar a Igreja (e se declarar chefe dela também) e reestruturar o governo conforme sua vontade.
Lembra que mencionamos os ataques de ira? Ivã teve dois filhos, o primogênito, que também se chamava Ivã, e Teodoro, que nasceu surdo. Em um de seus surtos de raiva, o czar aparentemente bateu com tanta força na esposa — grávida! — de seu filho Ivã, que a moça acabou perdendo o bebê. Revoltado, o primogênito resolveu confrontar o pai e, segundo dizem, o czar o golpeou na cabeça e acabou matando o rapaz.

O monarca faleceu em 1584, depois de sofrer um derrame durante um jogo “amistoso” de xadrez — dizem que foi motivado por um de seus famosos chiliques —, e Teodoro acabou sendo coroado. O novo czar presidiu sobre o declínio do império criado pelo pai até sua morte, em 1598, e o período que seguiu seu governo ficou conhecido como “Tempo de Dificuldades”, que, como você deve imaginar, foi marcado por muita turbulência na Rússia.
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