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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Receita de Exorcismo por Danka Maia





 Mila já não suportava mais lidar com aquela situação. Havia se tornado deverás insuportável. Há ocasiões na vida que se você toma uma atitude em si,daquelas que vira o mundo,você simplesmente se esvai.Não vive mais somente existe.
Dos "Nãos",restaram...
Não havia mais remédios  a tomar.
Não havia mais médicos para ir.
Não havia mais lágrimas por derramar.
Não havia mais para onde ir.

Os cabelos caíram, a pele secou, o rancor adveio de sua alma se apossou.Os parentes te toleram,até o terceiro mês, depois não tem jeito, cada um cuida de si,ninguém é culpado,são as leis.

Até que um dia ela viu no chão do ponto de ônibus, vindo da consulta do psiquiatra uma filipeta no chão que dizia citação curiosa: RECEITA DE EXORCISMO.- pensou consigo:
_Será que depois de prometerem trazer o amor partido em três dias poderão agora exorcizá-lo?
Entretanto, o peculiar estava mais abaixo no endereço: "Campo das Risoletas, 287- Circo Dos Depressivos."
Mila parou franzindo a testa e repetiu em voz alta?
_Circo Dos Depressivos? Depois dos Alcoólicos Anônimos ,Vigilantes do Peso e Mulheres Que Amam Demais? Será?
 Como na rua já se encontrava e sem expectativas para os próximos cinco minutos de vida, ela foi.A esperança tem disso,é a mais educada das virtudes,espera tudo passar para então dizer a que veio.
 O lugar era modesto.Poucas pessoas, na verdade dois trabalhadores esticando a saia da lona do circo e um casal saindo de lá com sorriso de orelha a orelha.
_Bom dia, é aqui que fica o...
_Circo Dos Depressivos!- confirmou o rapaz animado. - A senhora veio pela Receita do Exorcismo, estou certo?- sacudindo o dedo indicador.
_É.- Mila rebateu sem graça diante do que parecia loucura.
_Só seguir por ali!- mostrando um caminho estreito e esquisito.
Lá no fim uma tenda. Amarela como sol, um menina veio lhe saudar:
_Receita de Exorcismo? Saindo Para já!
_Mas eu ainda nem ...- Sendo puxada pela pequena.
Numa bancada enorme, tinha ovos,laranja, mel,bola de gude, algodão doce,brigadeiro,um pandeiro e uma viola.
_É para levar o beber agora?- a senhora arfante perguntou.
_Beber o que? Viola?- arregalou os olhos a perdida Mila.

Jogaram na cadeira. Trouxeram um vidrinho, sacudiram, riram e aplaudiram  a garrafinha.
No fim a moça pela força de vontade decidiu beber inda que não soubesse o que fosse.
Sentiu-se mais leve, melhor, bem disposta, sim o milagre havia ocorrido, a após o agradecido, indagou a menina e  a senhora:
_O que colocaram nesta botija? Vida? Milagre?
_Água. - ambas responderam.
_Água?- a moça replicou surpresa com a façanha.
A senhora deu um passo a frente, tocou na sua mão e admitiu:
_Água cura tudo filha. Mas para curar mesmo basta só a gente ir onde certamente nunca achou que iria.E foi isto o que fez.Veio no último lugar que jamais viria.E foi isto que mudou não só seu dia, sua vida e sim história.Remédio bom,começa aqui.- apontando na cabeça.
_Por quê?- ela precisava saber.
_Porque e o caminho mais próximo daqui. - apontando para o coração.
Mila saiu dali e comeu quanto tempo desperdiçou sem olhar o lógico, que para  livrar-se de doenças sejam físicas ou  emocionais ,o melhor caminho era sim,trilhar quantas vezes possíveis e necessárias o caminho entre a mente e o coração.