Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

segunda-feira, 16 de março de 2015

“Troquei o amor da minha vida por um homem rico e me dei mal”

A analista de sistemas Aline*, 40 anos, vivia uma fase de euforia com o novo emprego, enquanto seu namorado estava desempregado e deprimido. Apesar de gostar dele, terminou tudo e se envolveu com o chefe milionário, com quem viveu seis anos. Deslumbrada com a vida glamourosa, tornou-se refém do ciúme do marido, parou de trabalhar e sua libido foi a zero. Sem o sexo e sem a carreira, viu seu destino mudar de repente ao descobrir os golpes do parceiro. Com a separação, ela retomou a autonomia e sua antiga paixão 
 "ELE HAVIA RESERVADO DOIS QUARTOS NO RITZ E QUERIA ME DAR UM PRESENTE. ENTÃO, ME LEVOU À LOJA DA CHANEL E DISSE QUE EU PODIA COMPRAR O QUE QUISESSE" (Foto: THINK STOCK)
 "ELE HAVIA RESERVADO DOIS QUARTOS NO RITZ E QUERIA ME DAR UM PRESENTE. ENTÃO, ME LEVOU À LOJA DA CHANEL E DISSE QUE EU PODIA COMPRAR O QUE QUISESSE" (Foto: THINK STOCK)"ELE HAVIA RESERVADO DOIS QUARTOS NO RITZ E QUERIA ME DAR UM PRESENTE. ENTÃO, ME LEVOU À LOJA DA CHANEL E DISSE QUE EU PODIA COMPRAR O QUE QUISESSE" (Foto: THINK STOCK)  

“No meu aniversário de 30 anos, eu estava em Paris como meu chefe. Tínhamos alguns contratos para fechar, mas eu sabia que não era só isso. Ele havia reservado dois quartos no Ritz e queria me dar um presente. Então, me levou à loja da Chanel e disse para eu comprar o que quisesse. Fiquei atônita, mas ele insistiu. Por ele, eu teria comprado a loja inteira. Escolhi uma bolsa e um par de sapatos. Naquela noite, durante o jantar, veio a declaração de amor. Disse que eu era a mulher de sua vida, que havia sonhado comigo dez dias antes de me ver pela primeira vez, na entrevista de seleção de emprego. saiba mais      Eu, Leitora: "Tenho um casamento feliz e um amante sadomasoquista"     “Minha gravidez me causou câncer”, diz americana que descobriu ter tipo raro da doença após dar à luz  Na verdade, quando o conheci, meses antes, eu morava com o Nando, meu namorado, havia uns dois anos e passávamos por uma crise. Ele estava deprimido, tinha perdido o pai e o emprego de designer ao mesmo tempo. Eu achava que o luto ia passar, mas isso não aconteceu. Ele passava o dia de pijama, sem forças. Justamente nessa fase, eu estava louca para sair da multinacional onde trabalhava e um amigo me indicou o Walter, empresário que procurava uma diretora-executiva na área de tecnologia, minha especialidade.  Marquei uma entrevista e tive ótima impressão dele. Era tão seguro que, ao final da conversa, disse que eu estava contratada e me ofereceu o dobro do que eu ganhava. Logo depois notei que eu estava entrando no lugar de sua ex-mulher, mãe de seus filhos, que tinha sido sócia dele. Após um divórcio complicado, ele ficara com a metade do negócio e queria crescer a qualquer custo. Tornei-me seu braço direito. Em uma semana, arrumou um flat e mandou um funcionário buscar minhas malas. Nesse momento, eu pensei: ‘Nossa, ele está tomando conta de mim’"    Um tempo depois, Walter inventou uma viagem para Nova York e levou um monte de gente da empresa. Ficamos todos em um hotel lindo, com ele promovendo jantares espetaculares. Gostava de ostentar o seu poder. Com tanto agito, eu mal tinha tempo para o Nando, que continuava prostrado. Não conseguia resolver nem o inventário do pai dele. Nando vem de uma família tradicional do Nordeste, é de linhagem aristocrática. Além de apaixonados, tínhamos afinidade cultural.  Eu sou de uma família de classe média alta de Recife, sempre estudei em bons colégios e fiz especializações no exterior. E notava que essa imagem de mulher descolada fascinava meu novo diretor. Enquanto minha relação com Nando degringolava, ele se aproximava. Demorei a perceber suas intenções porque ele era sedutor com todo mundo. Aos poucos, ficamos amigos, ele sabia dos dilemas com o meu namorado e palpitava: ‘Vai ver ele não gosta mais de você, está apenas acostumado’.  Assim, resolvi dar um ultimato no Nando: ‘Ou você reage ou eu vou embora’. Ele era caladão, nunca conseguimos conversar sobre nós dois. Com o orgulho ferido, respondeu: ‘Se é o que você quer, pode ir’. Foi horrível, no fundo queria que ele me segurasse, mas parecia não se importar comigo. Como o apartamento era dele, decidi sair. No escritório, quando comentei que ia procurar casa, Walter assumiu as rédeas. Em uma semana, arrumou um flat e mandou um funcionário buscar minhas malas. Nesse momento, eu pensei: ‘Nossa, ele está tomando conta de mim’. "ELE COLOCOU UM MOTORISTA À MINHA DISPOSIÇÃO. MORRIA DE CIÚMES DE MIM E ESSE FOI UM JEITO DE SABER SEMPRE ONDE EU ESTAVA" (Foto: THINK STOCK)"ELE COLOCOU UM MOTORISTA À MINHA DISPOSIÇÃO. MORRIA DE CIÚMES DE MIM E ESSE FOI UM JEITO DE SABER SEMPRE ONDE EU ESTAVA" (Foto: THINK STOCK) saiba mais      Noiva prende recém-nascida à cauda do vestido, a arrasta pela igreja e diz que bebê estava protegida por Cristo     Walter era um cara bonito, rico, que malhava, jogava tênis. Eu admirava sua garra, mas tinha medo do seu jeito intenso. Logo ele mudou para outro apartamento no mesmo flat! A desculpa era que a reforma da casa dele tinha atrasado. Era só seis anos mais velho que eu, mas ao seu lado eu me sentia protegida. Então, começamos a namorar. Nossa primeira noite foi incrível, a química rolou. Quem não gosta de um homem rico e bonito a seus pés? Na volta, ao conhecer sua mansão recém-reformada, achei cafona, mas relevei nossas diferenças. Em dois meses, fomos morar juntos num condomínio fechado, cheio de milionários.  Eu ia decorar a casa e ele colocou um motorista à minha disposição. Morria de ciúme de mim e esse foi um jeito de saber sempre onde eu estava. Algum tempo depois, pediu que eu parasse de trabalhar. Minha mãe estrilou: ‘E a sua carreira?’. Walter dizia que ela tinha inveja – ela nunca se deslumbrou com sua fortuna. Quando parei de trabalhar, eu preenchia o tempo com academia, compras e mil cursos de arte. Com a minha ginecologista, eu me abri: não queria mais transar com meu marido. Transava porque me sentia na obrigação. Ela diagnosticou uma ferida no útero, que nunca sarava. Eu tinha desenvolvido um tipo de alergia ao esperma dele. Com essa desculpa, fiquei sem transar durante quatro anos"    A vida parecia tranquila, mas algo começava a desandar. O fato de ele querer me controlar acabava com o meu tesão. Dois anos depois de casada, tive uma dor terrível durante uma relação sexual. Com a minha ginecologista, eu me abri: não queria mais transar com meu marido. Transava porque me sentia na obrigação. Ela diagnosticou uma ferida no útero, que nunca sarava. Eu tinha desenvolvido um tipo de alergia ao esperma dele. Com essa desculpa, fiquei sem transar durante quatro anos.  Não sei até que ponto eu travei por causa de umas notícias inesperadas. Por acaso, reencontrei na rua minha ex-empregada, Ana, que começou a fazer faxina lá em casa. Soube por ela que, quando eu e Nando nos separamos, ele caiu em depressão, falava em se matar – Ana chegou a esconder uma arma que havia no apartamento, com medo de alguma loucura. Isso me tocou tanto... Mas o que eu podia fazer? Nada.  Felizmente, ele tinha se curado, e estava até morando com outra. Eu tinha que olhar para a frente. Walter, por sua vez, nunca me cobrou nem paixão nem sexo. Comprar e viajar também são formas de prazer e nisso fomos muito cúmplices, mas hoje sei que eu nunca gostei dele. Ele é que fazia tudo para me agradar. Por exemplo, um dia eu disse que não gostava de morar na tal mansão. Ele falou: ‘Escolha o apartamento que você quiser, eu compro’. saiba mais      Após escola mandar aluna para casa por usar vestido curto, mãe o usa em festa de formatura     Após perder a filha de 15 anos por overdose, inglesa luta pela legalização de drogas no Reino Unido  Em uma de minhas viagens à Europa, entretanto, houve uma reviravolta. Ele pediu que eu voltasse logo ao Brasil, sua ex-mulher o havia denunciado. Estava cheio de problemas: pensão, Receita Federal, processos trabalhistas... Vendeu minha Land Rover, depois vendeu a mansão, foi colocando tudo no nome de um laranja. Quando eu o questionava, ele minimizava. Até que fechou a empresa, abriu outro escritório chique e ficava lá até a meia-noite. Reclamei e, pela primeira vez, brigamos feio. Eu disse que ia voltar a trabalhar, ele via isso como uma ameaça, me chamou de ingrata e disse para a gente se separar.  Era o que eu queria, mas estava acomodada naquela vida. Como concordei, ele se acalmou, foi gentil e parecia que resolveríamos tudo. Mas na verdade me enrolou. Me convenceu a sair do nosso apartamento, disse que logo compraria outro e passaria para o meu nome, mas tínhamos que ir para um flat. Era fim de ano, pediu que eu não contasse nada para os meus pais.  Concordei e ele até me ajudou a arrumar emprego, pois tinha mil contatos. Mas, assim que mudamos para o flat, ele disse que ia passar um tempo na casa da mãe e sumiu. Não depositou o dinheiro do aluguel, como prometera, e não me atendia mais. Liguei para a mãe dele e, para minha surpresa, ela respondeu: ‘Ele foi morar com a fulana’. Eu fui a última a saber que Walter já tinha outra. Ouvi dizer que era a recepcionista da empresa, mas nunca investiguei. 
"COMPRAR E VIAJAR TAMBÉM SÃO FORMAS DE PRAZER E NISSO FOMOS MUITO CÚMPLICES, MAS HOJE EU SEI QUE NUNCA GOSTEI DELE" (Foto: THINK STOCK)"COMPRAR E VIAJAR TAMBÉM SÃO FORMAS DE PRAZER E NISSO FOMOS MUITO CÚMPLICES, MAS HOJE EU SEI QUE NUNCA GOSTEI DELE" (Foto: THINK STOCK) 


Para sua mãe e outros conhecidos, ele espalhou que tinha me deixado super bem e me dado um apartamento. Nunca me deu nada nem eu pedi, mas tinha vendido meu carro, dizendo que eu ficaria com outro, da empresa. Esse automóvel está comigo até hoje porque nunca pude vendê-lo – deu rolo na documentação, por causa dos processos contra ele. E o pior é que o contrato do aluguel do flat, altíssimo, estava em meu nome e a multa para desfazê-lo era enorme. Com meu salário, eu não conseguia pagar isso e outras contas, como meu seguro-saúde. Nunca mais vi o Walter e, na única vez em que nos falamos ao telefone, ele brigou: ‘Você não estava entediada, não queria trabalhar? Agora eu quero ver você se sustentar com o seu salário"    Assim que pude, cancelei tudo, mas fiquei devendo tanto que tive que pedir empréstimo no banco e para meus pais. Levei mais de um ano para me equilibrar. Nunca mais vi o Walter e, na única vez em que nos falamos ao telefone, ele brigou: ‘Você não estava entediada, não queria trabalhar? Agora eu quero ver você se sustentar com o seu salário’. Me senti punida por não tê-lo amado, mas aliviada pelo fim. Depois, soube que ele deu golpes em deus e o mundo e que tinha voz de prisão pedida pela ex. Isso não me interessava mais.  Então chegou a hora de fazer minha autocrítica. Me senti burra e acomodada. Como pude perder minha autonomia, me submeter tanto, achando que não podia nem reclamar, porque tinha vida de rica? Eu caí do cavalo porque traí meus princípios – empresoube que a independência econômica feminina é fundamental. Caso contrário, a mulher vai ter que obedecer ao marido. Não foi à toa que adoeci. Além da parte ginecológica, tive problemas de tireoide. Era pura somatização. De longe, minha vida parecia invejável, mas eu não conseguia me expressar, permiti ser tolhida. 
"ELE COLOCOU UM MOTORISTA À MINHA DISPOSIÇÃO. MORRIA DE CIÚMES DE MIM E ESSE FOI UM JEITO DE SABER SEMPRE ONDE EU ESTAVA" (Foto: THINK STOCK) 
Walter era um cara bonito, rico, que malhava, jogava tênis. Eu admirava sua garra, mas tinha medo do seu jeito intenso. Logo ele mudou para outro apartamento no mesmo flat! A desculpa era que a reforma da casa dele tinha atrasado. Era só seis anos mais velho que eu, mas ao seu lado eu me sentia protegida. Então, começamos a namorar. Nossa primeira noite foi incrível, a química rolou. Quem não gosta de um homem rico e bonito a seus pés? Na volta, ao conhecer sua mansão recém-reformada, achei cafona, mas relevei nossas diferenças. Em dois meses, fomos morar juntos num condomínio fechado, cheio de milionários.
Eu ia decorar a casa e ele colocou um motorista à minha disposição. Morria de ciúme de mim e esse foi um jeito de saber sempre onde eu estava. Algum tempo depois, pediu que eu parasse de trabalhar. Minha mãe estrilou: ‘E a sua carreira?’. Walter dizia que ela tinha inveja – ela nunca se deslumbrou com sua fortuna. Quando parei de trabalhar, eu preenchia o tempo com academia, compras e mil cursos de arte.
Com a minha ginecologista, eu me abri: não queria mais transar com meu marido. Transava porque me sentia na obrigação. Ela diagnosticou uma ferida no útero, que nunca sarava. Eu tinha desenvolvido um tipo de alergia ao esperma dele. Com essa desculpa, fiquei sem transar durante quatro anos"
 
A vida parecia tranquila, mas algo começava a desandar. O fato de ele querer me controlar acabava com o meu tesão. Dois anos depois de casada, tive uma dor terrível durante uma relação sexual. Com a minha ginecologista, eu me abri: não queria mais transar com meu marido. Transava porque me sentia na obrigação. Ela diagnosticou uma ferida no útero, que nunca sarava. Eu tinha desenvolvido um tipo de alergia ao esperma dele. Com essa desculpa, fiquei sem transar durante quatro anos.
Não sei até que ponto eu travei por causa de umas notícias inesperadas. Por acaso, reencontrei na rua minha ex-empregada, Ana, que começou a fazer faxina lá em casa. Soube por ela que, quando eu e Nando nos separamos, ele caiu em depressão, falava em se matar – Ana chegou a esconder uma arma que havia no apartamento, com medo de alguma loucura. Isso me tocou tanto... Mas o que eu podia fazer? Nada.
Felizmente, ele tinha se curado, e estava até morando com outra. Eu tinha que olhar para a frente. Walter, por sua vez, nunca me cobrou nem paixão nem sexo. Comprar e viajar também são formas de prazer e nisso fomos muito cúmplices, mas hoje sei que eu nunca gostei dele. Ele é que fazia tudo para me agradar. Por exemplo, um dia eu disse que não gostava de morar na tal mansão. Ele falou: ‘Escolha o apartamento que você quiser, eu compro’.


Em uma de minhas viagens à Europa, entretanto, houve uma reviravolta. Ele pediu que eu voltasse logo ao Brasil, sua ex-mulher o havia denunciado. Estava cheio de problemas: pensão, Receita Federal, processos trabalhistas... Vendeu minha Land Rover, depois vendeu a mansão, foi colocando tudo no nome de um laranja. Quando eu o questionava, ele minimizava. Até que fechou a empresa, abriu outro escritório chique e ficava lá até a meia-noite. Reclamei e, pela primeira vez, brigamos feio. Eu disse que ia voltar a trabalhar, ele via isso como uma ameaça, me chamou de ingrata e disse para a gente se separar.
Era o que eu queria, mas estava acomodada naquela vida. Como concordei, ele se acalmou, foi gentil e parecia que resolveríamos tudo. Mas na verdade me enrolou. Me convenceu a sair do nosso apartamento, disse que logo compraria outro e passaria para o meu nome, mas tínhamos que ir para um flat. Era fim de ano, pediu que eu não contasse nada para os meus pais.
Concordei e ele até me ajudou a arrumar emprego, pois tinha mil contatos. Mas, assim que mudamos para o flat, ele disse que ia passar um tempo na casa da mãe e sumiu. Não depositou o dinheiro do aluguel, como prometera, e não me atendia mais. Liguei para a mãe dele e, para minha surpresa, ela respondeu: ‘Ele foi morar com a fulana’. Eu fui a última a saber que Walter já tinha outra. Ouvi dizer que era a recepcionista da empresa, mas nunca investiguei.
"COMPRAR E VIAJAR TAMBÉM SÃO FORMAS DE PRAZER E NISSO FOMOS MUITO CÚMPLICES, MAS HOJE EU SEI QUE NUNCA GOSTEI DELE" (Foto: THINK STOCK)


Para sua mãe e outros conhecidos, ele espalhou que tinha me deixado super bem e me dado um apartamento. Nunca me deu nada nem eu pedi, mas tinha vendido meu carro, dizendo que eu ficaria com outro, da empresa. Esse automóvel está comigo até hoje porque nunca pude vendê-lo – deu rolo na documentação, por causa dos processos contra ele. E o pior é que o contrato do aluguel do flat, altíssimo, estava em meu nome e a multa para desfazê-lo era enorme. Com meu salário, eu não conseguia pagar isso e outras contas, como meu seguro-saúde.
Nunca mais vi o Walter e, na única vez em que nos falamos ao telefone, ele brigou: ‘Você não estava entediada, não queria trabalhar? Agora eu quero ver você se sustentar com o seu salário"
 
Assim que pude, cancelei tudo, mas fiquei devendo tanto que tive que pedir empréstimo no banco e para meus pais. Levei mais de um ano para me equilibrar. Nunca mais vi o Walter e, na única vez em que nos falamos ao telefone, ele brigou: ‘Você não estava entediada, não queria trabalhar? Agora eu quero ver você se sustentar com o seu salário’. Me senti punida por não tê-lo amado, mas aliviada pelo fim. Depois, soube que ele deu golpes em deus e o mundo e que tinha voz de prisão pedida pela ex. Isso não me interessava mais.
Então chegou a hora de fazer minha autocrítica. Me senti burra e acomodada. Como pude perder minha autonomia, me submeter tanto, achando que não podia nem reclamar, porque tinha vida de rica? Eu caí do cavalo porque traí meus princípios – empresoube que a independência econômica feminina é fundamental. Caso contrário, a mulher vai ter que obedecer ao marido. Não foi à toa que adoeci. Além da parte ginecológica, tive problemas de tireoide. Era pura somatização. De longe, minha vida parecia invejável, mas eu não conseguia me expressar, permiti ser tolhida.

Assim que voltei a trabalhar, tudo foi entrando nos eixos, até que um dia... Nando reapareceu.  Queria ser meu amigo no Facebook. Começamos a conversar, a sair, e reatamos o namoro. Nunca deixamos de nos gostar. Ele tinha se curado, se separado da  namorada e aberto uma empresa de reformas e hoje, quarentão, planeja retomar a faculdade de arquitetura. Mas, claro, a gente teve que abrir o coração e lavar a alma, porque ele achava que tinha sido traído e eu nunca o traí.
A gente se acertou de vez, ele tem um humor incrível, faz piada das minhas bolsas de grife. Só tive que  e conquistar a mãe dele, que tinha ficado bem brava porque me separei quando ele estava frágil. Mas sempre nos demos bem, ela me aceitou de novo. De início, como eu estava sem sexo havia anos, tive medo de transar e sentir dor. Que nada, nunca mais tive problema algum. Voltamos a morar juntos há dois anos. Quero passar a vida ao lado dele, mas sem dependência. Eu já me senti aprisionada pelo dinheiro. Não vale a pena. Nenhuma relação bacana se sustenta se não houver liberdade.”


Fonte: Revista Marie Claire