Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

domingo, 1 de março de 2015

DOMA MEU CORPO TOMA MINHA ALMA por Danka Maia

 
 
 
ELE SEMPRE VAI ESTAR POR AÍ...
Ele encontrou a porta do apartamento 701 entreaberta, fazia parte do pedido façanha de meia hora trás no celular quando ali marcaram que se daria a voracidade sedenta de seus corpos. Samira chegou a pensar o quanto insana tudo aquilo parecia. Marcar um encontro em seu apartamento na penumbra com um homem que embora a invadisse a alma e fizesse muitas vezes seu corpo explodir de prazer pela rede nas câmeras pelo Skype era a lascívia encontrando a loucura. Mas ele valia a pena, Mark era o homem dos sonhos de qualquer mulher. Másculo, sedutor, charmoso e como suas palavras eram doces tanto quanto libertinas.
O acordo fora deixar a música Cochise tocando repetidamente enquanto ela o esperaria amordaçada somente com um corpete preto com renda vermelha que acentuava inda mais suas curvas a deixando com uma simples presa para seu homem.
Ele adentrou o recinto tentando ser discreto. Entretanto, aquele perfume de erva-almiscareira que Samira ambicionara tomou todo espaço arrepiando os pelos de sua nuca deixando-a inda mais sedenta dele. A mulher carente de trinta e oito anos, Doutorada em Engenharia Civil, a quarta de oito irmãos, mãe de gêmeos que moravam há oito anos com o pai no Sul da França, jaz ali a espera daquele homem de terno bem alinhado e chapéu de que encobria parte de seu rosto evidenciando somente seus lábios carnudos que ela tanto almejava devorar enfim.
Mark repousou a pequena maleta que trouxe consigo, uma vez que se intitulava um cirurgião. Trancou a porta lentamente e sua voz rouca, no entanto imponente deferiu a primeira pergunta:
_Ainda me quer?
Samira sorriu, era possível sentir o ar quente que seu corpo emanava em vê-lo ali.
_Muito!- confessou com sua alma.
Ele caminhou vagarosamente até a mulher inteiramente entregue a ele e conferiu se as amarras eram seguram. Cheirou todo seu corpo que era mel para sua alma e replicou:
_Então sabe o que precisa. Diga!- ordenou.
Aquilo foi como ter acesso ao olimpo dos deuses:
_Doma meu corpo, toma minha alma!-confessou Samira
Ele a tomou pelos lábios e a beijou como jamais nenhum outro ser masculino o fizera, semelhava sugar todo sua alma por ali, naquela troca de fluidos deixando em ardor, leve e enfraquecida diante dele onde nem suas pernas a obedeciam mais.
Ele cortou tirou as amarras com muito cuidado, dizia não querer marcar a pele dela. Num ímpeto de luxúria a jogou contra parede e ali o fato se deu. A foi após Mark ver no rosto da mulher que a satisfizera subitamente a agarrou pelos cabelos negros e longos e jogou veemente contra outra parede onde a violência do ato arranhou sua face e seu olhar tornou-se apavorado.
_Mark, o que foi isso?
Outra vez um solavanco na altura do peito foi desferido e outro mais abaixo, seguindo repetidas vezes e quando ela conseguiu olhar já que suas forças tinham se ido desde aquele beijo, o sangue esvaia ao chão abrindo caminho como se fugira dela. A faca de corte com cerca de três centímetros foi limpa por ele rente a ela num lenço de seda que retirou do bolso da capa, e enquanto tentava mencionar algo semelhante a:
_Por quê?
Ele reclinou sua cabeça sobre sua perna direita e apetecendo silêncio com o dedo indicador nos lábios dela aguardou serenamente Samira agonizar, e quando isto se deu, célere pegou um pequeno frasco que semelhava um botija muito antiga pôs abaixo de suas narinas uma espécie de fuligem esbranquiçada foi se retirando da mulher e repousando no fundo daquela garrafa.
Ele limpara todo apartamento. E a colocou no mesmo estilo. Amarrada a cadeira e antes de sair pela porta com sua maleta a contemplou proferindo:
_Agora está tudo bem, domei seu corpo e levo sua alma como você me pediu querida.