Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

sábado, 28 de fevereiro de 2015

SOLARIUM por Danka Maia



Aponta-me se quiseres,

E se isto desejares.

Pois o meu apreço

É o que de ti mereço

Neste teu mundo, não há mais eu.

Fogosa é tua utopia,

O encanto se perdeu,

Foi-se o verso,

Veio o breu.
Jaze em mim
O vazio deste querer.
Lúgrime penitência de minh'alma
Funesto deste rélis ser.
Mas o que dizer?
Não foi isto que me imputastes?
Fizeste-o bem.
Eu fui, eu sou, porém serei?
Não, feneceu meu sol eu sei.
O Brilho matino da lua
Oculta as suas muitas faces,
Meros disfarces.
As tuas cairão.
As minhas brilharão,
Vem ó morte!
Afasta-me desta escuridão.
O Poeta esqueceu-se de lagrimar,
O que?
 As minhas muitas verdades,
Os teus cruéis enganos.
O Poeta me traiu.
Caí no sortilégio do teu encanto,
E o pranto?
Esvaneceu no meu despertar.
Verei o meu escopo
 Labutar na tua felicidade,
Meu brio espalmar,
O céu enegrecer,
Minha seiva se perder,
Assim num doce abandonar,
Como a lua que age fria toda vez que deixa o mar.