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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Africana que sofreu mutilação genital aos 9 anos dá a luz primeiro filho!

 

“Ele é um milagre”

Khadija Gbla dirige a organização NO FGM Australia, que assiste vítimas de mutilação genital no país (Foto: Reprodução / Facebook)

Hoje cidadã australiana, Khadija Gbla dirige organização que denuncia e presta assistência a vítimas de mutilação genital no país. "Nunca pensei que pudesse viver esse momento", diz ela, que durante anos não conseguia lembrar do dia que teve clitóris extraído com faca

Vítima de mutilação genital quando tinha apenas 9 anos, e lidando com as sequelas físicas e psicológicas do trauma, Khadija Gbla, hoje uma cidadã australiana de 26 anos, deu à luz o primeiro filho, que considera “um milagre”.
 
Samuel Williams Jr, que recebeu o nome do pai, nasceu na última segunda (2) em uma maternidade de Adelaide, na Austrália, pesando quase três quilos, após um bem sucedido parto cesariano.

“Quando eles me mostraram ele, eu nunca pensei que pudesse viver esse momento. Muitas vezes pensei que a mutilação genital tornasse impossível, mas quando o vi finalmente pensei: ‘Sim, eu realmente tive um bebê’. É um grande milagre”, disse ela ao “Daily Mail Australia”.

 
Khadija, que vive em Adelaide com o marido Samuel, tinha 9 anos quando a mãe a levou para um matagal em Gâmbia, na África, e a segurou enquanto uma idosa a “operava” com uma faca enferrujada.

Eu lembro a dor e o trauma todo. A faca estava tão enferrujada que achei que aquilo fosse durar para sempre. Eu achava que ela ia me esfaquear. Ela ficou sobre mim e cortou um pedaço de carne, o que só mais tarde fui saber que era o clitóris”, lembra.

Nascida em Serra Leoa, Khadija foi levada para a Gâmbia pela família, que fugiu do país após a eclosão da guerra civil em 1991. Mais tarde, ela conseguiu migrar para a Austrália, onde conseguiu o status de refugiada em 2001.

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Durante anos, conta, ela sofreu de uma espécie de amnésia que a impedia de lembrar do fatídico dia. Hoje, Khadija dirige a ONG NO FGM Australia (sigla para mutilação genital feminina, em inglês), que ajuda vítimas e presta assistência a outras sobreviventes da mutilação, cujo risco atinge uma em cada três meninas de origem africana por dia no país.

Esta sexta-feira (6) marca o Dia da Tolerância Zero contra a Mutilação Genital Feminina da ONU e a ativista espera que sua história possa encorajar outras mulheres a denunciarem a violência de que são vítimas. “O silêncio permite que o abuso continue. Quando você denuncia, evita que outras pessoas sofram o mesmo.”





Fonte:Revista Marie Claire