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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Comer Cachorro Enfrenta Pressão Na Tailândia E Pode Ser Banido!

cachorro
Fonte:Matéria do Jornal The New York Times, adequada pelo Quer Café? para os brasileiros.

BAAN Klang, Tailândia – As comunidades que comem cachorros, geralmente produtores de arroz e diaristas, compreenderam que os seus hábitos culinários não são bem vistos em outras partes da Tailândia, especialmente no meio urbano, onde são considerados amorosos animais de estimação pela classe alta. As comunidades que comem cachorros sentem-se cercados.
O governo militar da Tailândia, eleito ao poder em maio, está considerando aprovar uma lei proibindo o comércio de carne de cachorro. Ativistas dos direitos dos animais estão apoiando o projeto de lei entusiasmados. Com esta medida o governo acredita melhorar a imagem internacional do país.
A polícia nacional começou uma ofensiva pressionada pelos ativistas, prendendo alguns envolvidos no comércio sob a alegação de não possuir todas as licenças necessárias para o abate e transporte dos animais. A polícia também montou operações nas florestas onde os cães são abatidos, na tentativa de pegar os ” chefões da carne de cachorro “, exportadores de vários caminhões carregados com os animais para o Vietnã e China.
No país os conhecidos como ” dog lovers “, que amam os cachorros, são em maior número em relação aos que os comem. Nas pequenas comunidades é possível encontrar os dois tipos de pessoas. Um morador de uma vila comenta:
” Nós só comemos os cães ferozes – os cães que mordem pessoas ou matam galinhas “. Disse Praprut Thanthongdee, 45 anos, agricultor de arroz que come cão desde criança. Enquanto ele falava com o repórter ele acariciava o pescoço de seu cão de estimação, Money, um vira-lata branco e marrom, cuja função é ser cão de guarda, companheiro nos arrozais, caçador de cobras perigosas e assistente no pastoreio de búfalos.
Comer cão não chega a ser uma tradição culinária tailandesa, limita-se a grupos aficionados, principalmente no nordeste da Tailândia. A prática existe a décadas, principalmente nas comunidades de origem vietnamitas. A esposa do Praprut Thanthongdee foi presa em julho e condenada a uma pena de prisão por dois anos, por administrar um pequeno mercado de carne de cachorro. Ela também foi multada em U$ 150,00, uma quantia enorme para uma família que possui três búfalos e alguns hectares de arrozais. A família está amargurada, vêem a ofensiva do governo como uma medida excessivamente enérgica contra suas tradições.
Praprut Thanthongdee ainda disse: ” A carne de cachorro é deliciosa, é parecida com carne de porco, mas sem aquela gordura toda “. completou: ” Supostamente este país não é livre? deveríamos ter liberdade para comermos o que quiser “.
O Policial que prendeu a esposa de Praprut Thanthongdee, Jantima, disse que realiza seu trabalho como uma cruzada pessoal, por ter amor e compaixão com os cães. O policial ama resgatar cães, é um amante confesso e tem quatro cães de estimação em casa. Disse ainda: ” Eu não posso ficar parado vendo os cães serem mortos para se tornarem alimentos “.
O Tenente Chaleaw Chaihung diz também amar os cães, porém alega que as autoridades não vão conseguir concretizar esta tarefa rapidamente, acabar com este comércio não é trabalho da noite para o dia, ele completou dizendo: ” Você precisa cortar um ramo de cada vez “.

A meia hora de carro de Baan Klang, na aldeia Tha Rae, vendedores de estrada vendem o produto abertamente, um tipo de carne seca de cachorro, custando U$ 7 por quilo. A Tenente Lamais diz que o comércio é concentrado na província de Sakon Nakhon há muitas décadas, mas está se elevando em escala comercial nos últimos 20 anos. Dois policiais pararam caminhões transportando aproximadamente 1.000 cães, cujo destino era Laos e Vietnã. Os policiais disseram que além da carne usam também a pele. A pele é mais fina e delicada do que o couro de vaca, é usada para fazer luvas.
O trabalho da polícia é apoiar os grupos civis que pretendem erradicar o comércio, e realizar repressão contra os fundamentos de comer carne de cachorro.
Bhurita Wattanasak é uma fazendeira da cidade de Chiang Mai, ela lidera a divisão chamada supressão da Tailândia Watchdog, um grupo civil que incentiva e fornece dicas para a polícia contra o comércio. Ela disse: ” Demorou dois a três anos para fazer a polícia perceber que esta não é uma questão para rir “. Bhurita conta que seu envolvimento com a organização ocorreu depois de ver cães sendo transportados em grandes caminhões. Ela contou: ” Havia um monte de pessoas como eu, com lágrimas escorrendo pelo rosto e sentindo-se impotente diante aquilo “.
Os membros do Watchdog se reuniram recentemente com altos oficiais militares, visando questionar pontos sobre um projeto de lei contendo direitos aos animais. Tem como base a intenção de ser explicitamente proibido matar cães para comer sua carne. Bhurita revela: ” Eles nos disseram para realizarmos mudanças, escrever o que quisermos e depois enviar “.
Os estrangeiros desempenham um papel importante na tentativa de erradicar o comércio. Celebridades britânicas como Ricky Gervais e Judi Dench foram destaque em um vídeo postado na internet no mês passado, condenando esta prática. Grande parte das doações da organização Watchdog são de origem dos Estados Unidos e da Europa.
John Dalley, co-fundados da Soi Dog, organização fundada por holandeses e ingleses residentes na Tailândia, revela que já ouviu muito o argumento de que comer cachorro deve ser permitido por ser tradição em algumas culturas asiáticas, além do mais ajuda a combater a população de cães vadios. Ele aponta que não trata-se de diferença cultural ou coisa do tipo, é puramente um negócio terrivelmente cruel, do início ao fim. Os cães são amontoados em gaiolas e não é incomum que os cães ainda estejam vivos quando são jogados em panelas de água fervente.
A polícia concorda que os cães frequentemente são tratados com crueldade. Os açougueiros dizem, porém, que o abate de cães é tão humano quanto possível. Comentam: ” Não é diferente do abate de outros animais de onde obtemos carne “. Um açougueiro permitiu um repórter testemunhar o abate. O cão foi morto com um golpe repentino na cabeça, houve sangramento e o cão pareceu estar morto dentro de poucos segundos. O açougueiro disse ainda que mata cães problemáticos ou indesejáveis.
Existe um refrão entoado como argumento dos que comem carne de cachorro: ” Muitos dos que dizem serem amantes dos cachorros, acabam por abandonar o seu animal de estimação em templos budistas, isso agrava o problema dos cães vadios na Tailândia “.
Kawai Thanthongdee, 66 anos, argumentou: ” Os cães são o melhor amigo do homem, sei disso desde quando era jovem, mas alguns cães merecem ser mortos “.