Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Poupée cassée

Como um espartilho colado à cintura, o sentia, a apertar o peito, esse amor, que sem ela saber bem como, ali estava. Contra o peito, espartilho, cortava o ar à respiração. Tinha ouvido dizer que havia quem não o usasse, mas estava habituada, o espartilho moldava-lhe a cintura fina, o colo generoso, sentia-se bonita.

Não poderia sair à rua sem o seu espartilho, seria mais um boneca desengonçada, triste. Sabia que o silêncio a rodearia, como a olhariam, e que esse não esse o olhar que queria.

Quando tirava a roupa, quando a pele se tocava, os lábios se beijavam e os corpos se misturavam, em movimentos compassados, ensaiados; ainda mantinha o espartilho. Sentia aquele calor estranho, como se fosse apenas morno, mas ao mesmo tempo a queimasse, deixando uma ferida fria que sarava no dia seguinte. Sarava quando saía e não era boneca desengonçada, sem espartilho que a mantivesse elegante.


Mas quando se via nua apenas ela, quando se atrevia a tirar a roupa frente ao espelho, desapertava o espartilho, conseguia respirar, e parecia bom, parecia que podia ser livre. E então o medo era mais forte, não podia ser bom, nunca seria nunca bom, não seria nunca uma boneca desengonçada, triste, só.

Dark Lolita (Kodona Style)_by Cha Tox

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