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sábado, 31 de maio de 2014


Por Shirley Couto.

A sinaleira toca, o bedel grita, os alunos correm, a aula começa. Mais um dia letivo para o ser mais amado de minha vida: minha 'dona'! A lousa parece perder a vida cada vez que seu verde é coberto por uma fina camada de pó de giz envelhecido na sala de aula onde minha amada 'dona' leciona todos os dias com todo amor que lhe é peculiar. Como seriam os dias de uma escola sem giz?

Como seriam os alunos caso não houvesse tanto a lhes ser ensinado? Como seria o mundo sem as escolas? A cada ano que passa, a cada dia no calendário, a cada momento em nossas vidas, precisamos buscar por norteadores que nos levem por caminhos firmes, às vezes difíceis, contudo certeiros.

Tais caminhos permearão os sonhos que nos enredam e que fazem com que nossas vidas tenham sentido. Minha 'dona' é assim, sempre galgando novos horizontes no mundo da educação. A escola, por sua vez, tem esse lado norteador. Um norte que disciplina e faz com que cada um perceba seus erros e acertos de forma a repensar acerca de seus atos. Quando temos a chance de repensar e apreendemos com tal gesto, mostramos ao mundo o quão estamos preocupados com aquilo que refletimos para aqueles que nos veem e nos observam.

Somos capazes de lutar e mudar tudo aquilo que nos incomode, tudo mesmo. Precisamos, pois, para isso, de alguém que se importe conosco e que acredite que temos capacidade de mudar. Quem seria esse alguém? Aqui em casa tenho como exemplo a minha amada 'dona'.

Um exemplo de guerreira e amante daquilo que faz. Mas nessa conversa, o assunto é outro... Ao soar da sinaleira, ao grito do bedel e ao fechar de cada sala de aula para início do dia letivo, deparamo-nos com esse alguém capaz de transformar algo inexplicável e incrivelmente inacabado em milagre: o professor!
Haveria alguém no mundo tão qualificado quanto um bom professor para transformar água em vinho? Pois é, um professor transforma o mais terrível aluno em alguém capaz de acreditar em si mesmo e ainda o faz ser bem visto perante muitos que antes o criticava.


No final, a sinaleira soa novamente, o bedel volta a gritar, os alunos correm para suas casas e o bom e velho professor retorna para sua morada, certo de que mais uma vez cumpriu seu papel perante a sociedade. Um papel muito importante: o da dicotomia de ser tão importante, tão necessário, tão iluminado e, ao mesmo tempo, tão invisível perante a sociedade! Dessa forma, deixo com vocês a visão que tenho do mundo em que minha 'dona' vive. Um mundo que exige amor e dedicação e que, em troca, devolve pouco reconhecimento. (Miados de decepção!)


VAI BRASIL!


Formada em Letras pela Unicamp, com pós-graduação em Língua Portuguesa, Shirley Couto é professora de Português do colégio Sérgio Buarque de Holanda, na Zona Sul de São Paulo. Realiza trabalho de leitura e redação com alunos das séries finais do Ensino Fundamental e escreve a coluna Gatices e outros bichos para o blog da Editora Nova Alexandria toda sexta-feira.

Comentem em: http://blognovaalexandria.blogspot.com.br/2014/05/coluna-gatice-e-outros-bichos-minha.html