Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Há algo pior que a morte?

Por Shirley Couto.

Sempre paro para pensar sobre a morte. Isso me assusta! De vez em quando recebo a notícia de um felino ou um canino que falecera. Pobre coitado, penso!

Minha dona, por exemplo, já sofrera demais com a perda de três amiguinhos meus. A primeira foi a Capitu. Ela tinha a infeliz mania de sair á noite e só voltar pela manhã. Nunca entendi isso! Deixar o conforto de um lar quentinho, uma ração maravilhosa e o carinho de nossa 'dona', para perambular pelas fétidas ruas frias e insensíveis de nosso bairro. Quanta idiotice! Com isso, um certo dia, Capitu saiu e não mais voltou. "Com certeza morreu. Disse minha 'dona'", muito triste.

A segunda companheira felina que fez minha 'dona' sofrer foi a Pandora, que também era adepta dos passeios noturnos e de apenas aparecer em casa ao raiar do dia. Minha 'dona' sempre sofria ao vê-la sair e  demorar a voltar, lembrava-se do ocorrido com a Capitu. Certo dia, Pandora saiu e não voltou. Quando acordamos e minha 'dona' tirava o carro para ir trabalhar tomamos um grande susto: a Pandora estava dura e morta embaixo do carro. Fora envenenada e viera morrer em casa, parecia que queria ajuda das pessoas que a amavam. Sofremos muito.

Um ano após a morte de Pandora foi a vez de perdermos o meu amado irmão Allan Poe. Poe já havia passado por duas cirurgias e muito sofrimento. Seus rins não funcionavam mais e ele não conseguia urinar. Era muito sofrimento para um bichano tão lindo e tão carinhoso como ele. Dessa vez o sofrimento foi enorme, pois ele estava sempre junto a minha 'dona' e ambos eram muito apegados um ao outro. Os dias que se seguiram foram muito tristes em nossa casa, mas como tudo na vida, acostumamos. 

Por fim, mas não menos triste, quem partiu foi nosso companheiro de miadas e gatices: o Floquinho. Meu amigo era muito divertido e adorava brincar, escalar os muros e andar no telhado. Essa foi a sua perdição. Numa maldita noite, por obra do destino, a pior vizinha que um ser humano ou um felino poderia ter matou meu amigo. Ele subira no muro para brincar e escorregara para dentro do quintal da maldita vizinha que estava encarnada com o Diabo, só pode. Os cachorros dela faziam o maior barulho e ela, incomodada, pegou um cabo de vassoura e bateu tanto em Floquinho que quebrou seu pescoço, matando-o. Nunca mais pude ver aqueles olhinhos lindo e vesgos brilhando ao olhar para minha 'dona'. Quanto sofrimento!

Eu, uma humilde gata siamesa, fico a pensar, então:

- Por que animais tão carinhosos e tão meigos sofrem tanto e morrem? Por que nossos amados 'donos' morrem e ficamos sozinhos nesse mundo tão frio com pessoas tão más?

É inexplicável e, ao mesmo tempo, inaceitável aceitar que tudo tem um fim. Eu, não aceito! (miados de revolta, hoje não consegui fazê-los rir!!!!!)


Obs: Por favor, comentem na coluna -  
http://blognovaalexandria.blogspot.com.br/2014/05/coluna
gatices-e-outros-bichos-ha-algo.html

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Formada em Letras pela Unicamp, com pós-graduação em Língua Portuguesa, Shirley Couto é professora de Português do colégio Sérgio Buarque de Holanda, na Zona Sul de São Paulo. Realiza trabalho de leitura e redação com alunos das séries finais do Ensino Fundamental e escreve a coluna Gatices e outros bichos para o blog da Editora Nova Alexandria toda sexta-feira.

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