Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

sexta-feira, 25 de abril de 2014

19- A BATALHA COMEÇOU por Danka Maia















Ele a olhou sobressaltado quando viu que mais seres, dessa vez gigantes com enormes mãos e pés colossais mais brunos que a própria escuridão brotou daquele solo seco e como um exército forte e gigantesco marchavam em direção aos dois.






_Liz!- Gritou Kadu assombrado, o renomado Físico formado numa das Universidades mais importantes do mundo. Por mais que seus olhos visse aquele cenário bélico e surreal, os pelos de seu corpo arrepiassem incessantemente dos pés a nuca, era muito complexo crer, ou melhor, saber como lidar com uma conjuntura tão peculiar e dramática.Não importava mais onde encontravam-se o fato era claro como o sol num dia lindo que há muitos não viam.

Estavam em meio a uma guerra.

Liz por sua vez parecia conhecer a fundo tudo aquilo que ali se passava, desde que chegaram naquelas terras ela jamais evidenciou que não compreendesse toda aquela atmosfera e aquela batalha embora deixasse sim,um  certo receio em sua carne ,a tal conjuntura era uma velha conhecida de seu espírito.Enquanto Kadu desesperadamente apetecia no olhar por uma resposta clara e mesmo de ordem por parte da moça baixinha e franzina de longos cabelos castanhos e densos olhos verdes, Liz somente fechou os olhos e por um momento balbuciou algo que o jovem não pode compreender:

_Liz! Liz! - Foi quando outra flecha banhada de uma substância fétida e abrasada semelhante aos demais raspou pela cabeça dela. Apavorado o Físico recuou alguns passos e seu maior intento era alcançar o que a moça fazia diante daquele panorama de morte eminente.De repente  mais e mais flechas lançadas por aqueles seres advinham por toda parte de toda sorte de tamanho cada vez mais ofensiva e certeira, Kadu refugiou-se no que semelhava um pedra que podia jurar que minutos atrás não jazia ali, não conseguia pensar, lembrara do que Tomé lhe disse que tentasse suas soluções para conseguir sobreviver naquela terra até a hora que o relógio da colina batesse as dezenove vezes e então a sua arma mais forte se manifestaria. Ponderava,ponderava...Mas a tal arma não surgia naquele Q.I de 140 como se fosse uma senhorita tímida obstinada em não se aparecer.




E foi nesse segundo que ao lançar seu olhar atormentado de volta a sua companheira de jornada, Liz, algo o deixou surpreso. O que parecia uma bolha envolta de uma atmosfera mais viva, que o próprio que é incolor formou-se em volta dela como uma cobertura. Torrencialmente flechas e mais dardos caiam sobre a jovem, porém nenhum adentrava na posição que permanecia, de joelhos, cabeça curvada, olhos fechados e os lábios que continuavam obstinados a proferir palavras incompreensíveis e nesse instante uma certeza invadiu o peito do rapaz com uma força abissal, como se o revide o viera em mãos numa entrega que se espera do ser amado num dia ensolarado e cheio de esperança. Célere, ergueu-se e ora se esquivando, ora se jogando ao chão literalmente correu em direção onde Liz jazia, entretanto ao tentar entrar Kadu não conseguiu ultrapassar aquela barreira que embora de aparência delicada , na verdade tratava-se de uma fortaleza aque não podia ser destruída e neste instante Liz despertou daquela ligação e viu o seu desespero:

_Kadu! - Jogando para perto dela, porém por dentro da proteção.

_Liz me ajude! Não consigo entrar!- Cada vez mais o exército brotava aos milhares do solo e toneladas de flechas e dardos se aproximavam com veemência.

_Kadu me escute!- Rogava a moça buscando um segundo de atenção naquele momento tão negro em suas vidas.

_Vou morrer Liz! Vou morrer! Deixe-me entrar!-Berrava cada vez mais aterrorizado.

_Não sou eu quem decide isso Kadu, me escute.

_Como não é você?

_É você quem decide Kadu.Lembre-se do que Tomé lhe falou, quando as dezenove badaladas se completassem deveria usar sua arma mais poderosa!

_E acha que já não tentei?- jogando do outro lado da bolha fugindo das setas  de terror._ Não há nada que minha inteligência possa fazer para nos tirar dessa situação Liz! Nada que meu Diploma ou Doutorado possa fazer!

E de repende aquele olhar doce da moça parou em meio a tudo e serenamente pondo a mão na palma da dele inda que do lado de fora o rebateu:

_Então,talvez seja a hora de reaver qual é a sua verdadeira maior arma não acha?

 Os olhos dele petrificaram. Em sua consciência tão fria e científica  uma voz maior todavia não desconhecida soprou lá dentro, numa divisão onde só a alma e espírito distinguem ,onde nem mesmos nós conhecemos o caminho mas, reconhecemos sempre que ouvimos sussurrou em segredo e atônito o Físico repetiu:

_Fé!

Liz sorriu rapidamente e quando viu que dessa vez algo mais poderoso seria deflagrado contra eles e era óbvio que o afetaria em cheio pois ele era quem estava fora da cobertura, gritou em tom de ordem:

_Creia, somente creia  e entre...AGORA!

Algo havia mudado dentro dele,apesar de não saber o que era, como tinha aportado nele,no entanto estava ali.E sem pestanejar, tomou fôlego e quando a arma mais poderosa tinha sido deflagrada com força total ,o moço se lançou e no mesmo milésimo de segundo que o estouro se deu no lugar onde ele se encontrava a cobertura se abriu e mesmo com leve escoriações pelo corpo, Liz o abraçou com carinho e  lágrimas de orgulho correu dos olhos dela e uma de alívio dos dele.

Ofegantes se uniram ali,de repente a capelo pareceu não aguentar mais, semelhava ceder.

_Não duvide Kadu! Não duvide por um só segundo!

_Não duvido,não duvido!

Mesmo assim a cobertura se foi, agora estavam a ermo, como um prato principal para todos aquelas criaturas tão selvagens e cruéis.

Liz o abraçou admoestando-o:

_Não tema! Não tema de modo algum!

_Liz...

_Não tema! Somente creia Kadu.

Rapidamente, ela voltou a antiga posição, joelhos no solo, cabeça curvada, olhos marejados e as tais palavras que o jovem não entendia de modo algum.

Ao seu lado, assustado, amedrontado o moço não sabia o que pensar, consigo falava o tempo inteiro:

_Não faça isso, eu creio! Eu creio! Proteja-nos! Por favor, se não por mim por ela, mas não nos desampare!

Um estrondo, um terremoto fez o a poeira do chão quicar como se fossem pérolas de um colar raro ao encontrar o piso de madeira.Ambos rolaram com o forte impacto, fendas foram se abrindo no solo, cada vez maiores ,era praticamente impossível ficar de pé. No céu uma luz mais forte que o sol riscou de um lado ao outro e Kadu segredou:

_Meu Deus!- Como quem quisesse entender tudo aquilo,por desespero, contudo Liz ergueu-se como uma guerreira se equilibrando e abrindo um largo sorriso afirmou categoricamente:

_Sim. É Ele mesmo!- E a seguir entrou num de seus estranhos momentos que Kadu  vira durante aquele percurso sem nada alcançar, os mesmos que também presenciara na Igreja quando ia só para estar com ela e julgava nada mais que um transe coletivo por indução emocional.Todavia eram nesses instantes em que uma Energia maior parecia não tomar conta dela , e sim visita-la,onde as tais línguas estranhas despontavam, onde Liz semelhava bailar num ritmo todo próprio o moço viu que sobre ela jazia dessa vez uma brilho incandescente e notas musicais materializadas como penas, mas com o brilho do ouro e iam pairando sobre a sua cabeça até atravessar toda extensão do seu corpo.E um Ser jazia ao lado dela, seu rosto era alvo,túnicas também, e o olhar, era o mesmo olhar que o contemplou em meio a pequena multidão quando discutiu com ela naquele dia da praça onde a moça falava sobre a Palavra de Deus.

_Quem é você? - seus lábios indagaram tremeluzindo e não havia empenhas em suas pernas para se levantar e ir em direção a Ele.

 O Ser que parecia um Homem alto, mas sem definições muito intensas,somente contestou:

_Eu Sou Quem Sou.

Kadu não soube o que dizer, mas o Homem continuou:
_A Pergunta Carlos Eduardo é: Quem você pensa que é?

E como se visse obrigado a respondê-lo embora em momento algum Ele tenha ordenado falou:
_Eu sou aquele que crê em Você.Seja Quem for, ou que Nome Tiver.

_Levante-se.- e de repente o físico pôde e caminhou até Ele.

_Pensei que gostasse das pessoas de joelhos.- afirmou.

_Não, os joelhos são para que a sua carne de lugar ao seu espírito e assim possa se aproximar de mim.Seu filho,Joaquim,fica de joelhos diante de ti?

Sacudiu a cabeça negando.

_Somos iguais.Meus filhos não precisam ficar de joelhos perante mim,lugar de filho Carlos Eduardo é aqui._ Mostrando a palma de sua mão, o que fez o moço compreender  o tamanho da dedicação que Ele tinha pelo seus,pois na palma da mão reguardamos aquilo que nos semelha de mais frágil,que carece de mais zelo,trato, proteção e cuidados e completou:

_Aqueles que amamos sempre estão amparados nas palmas de nossas mãos.

Lá fora a guerra continuava, porém, dessa vez o forte exército encontrou outros oponente a mesma altura.

 Eram as Hostes Celestiais de Jeová.




















 



















A batalha entre anjos e demônios enfim estava a céu aberto e diante de dois pares de olhos humanos. Liz o fitou e Ele acariciou seu rosto proferindo:
_Você foi maravilhosa Liz.Continue assim filha.

Ela limpando as lágrimas, foi abraçada pelo Ser, que com muito amor a envolvia como se acalmasse e resolvesse todos os seus dilemas, e depois que a deixou lhe ordenou:

 _É hora de ir. Precisam voltar antes que o relógio badale às vinte horas.

Kadu a apanhou pela mão e tentou falar algo a Ele que compreendendo como aquilo tudo era muito complicado para o moço Doutor em Física somente rebateu:

_Eu te compreendo Carlos Eduardo, não se absorva. - E outra vez colocou seu dedo sobre a palma da outra mão._ È um novo recomeço para nós dois. Veremos-nos muito mais daqui por diante. Não te preocupa, vai!

Subiram correndo a Colina do relógio, as pedras rolavam por causa dos respingos da batalha. Vez por outra raios e flechas se chocavam no ar impedindo que os atingisse. Quando abordaram as portas da colina, Kadu e Liz se entreolharam e também a tudo aquilo e o jovem confessou:

_Agora eu entendo. - E de repente como num raio eles se depararam em meio ao templo onde aquele culto começara, onde um homem de Deus colocara as mãos sobre a cabeça de cada um e juntos foram ao chão. Onde na terra dos viventes estiveram por cerca de sete minutos arrebatados, ao chão, mas no plano espiritual estiveram por longas sete horas onde depois de muitos questionamentos, obstáculos e aquela grande batalha o Físico Carlos Eduardo compreendeu que existem muito mais mistérios entre o Céu e a Terra do que possa supor a nossa vã filosofia como disse Shekespeare.

E se aprontou como guerreiro de Deus, pois dali a dois dias outra vez o culto começaria as Dezenove horas e certamente outra guerra como aquela seria travado entre os planos espirituais.