Boto: O Prazer Vem Das Águas no Amazon!Confira!

domingo, 27 de abril de 2014

VOLTANDO A PEDIDOS: " O POETA" Por Danka Maia





Recomendo a  Leitura deste conto, com essa música ao fundo.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
O sonho havia o abandonado.


 Embora resistisse até aquele momento, teve que assumir:


_Este é o meu fim. - E ao Som da melodia que rememorava  Tudo Que Se Quer foi que a criada Huga ouviu aquele estampido seco que fez seu velho coração alforriado desatinar enlouquecidamente. Os criados também vieram, mas o fim de Pierre de Santrie jazia para o homem de posses, calado, sozinho, generoso e  acima de tudo,o dono de um dom sublime: A poesia.


No entanto, a pergunta pairou:


_ Por quê? - como se houvesse elucidação salutar par um suicídio. Tirar a própria seiva é o ato mais descabido de coragem e o mais estúpido dos desejos da alma humana. Ali,o encanto se perdeu,foi o corpo de volta ao solo, porém na terra deixou o breu.


 E durante cem anos a alma daquele homem vagou em busca de justiça.


Novembro de 2013.


_Alana! Vai perder de novo a Van escolar e não conte comigo para deixa-la na escola! Essa menina acha que tiro dinheiro do lixo para pagar tal regalia. -resmungou Lidia, voltando a berrar a filha de dez anos. - _Alana!Vai descer por bem ou terei que mandar um daqueles meus convites especiais?


 _Que saco mãe!Tô descendo!-olha esse linguajar garota, não uma das tuas amiguinhas patricetes não viu? -a menina pegou uma maçã limpando na blusa do uniforme e saiu em resmungos que Lidia preferiu ignorar pelo menos desta vez. Passos vieram da escada, esperou Lucius com a caneca do time de coração em punho, na  boca com seu cappuccino sem açúcar e uma gota de creme.Passados cinco segundos desistiu de ver o rosto do namorado.E então ele surgiu:


_Bom dia luz do dia!


_Nossa, cansei de esperar você aparecer depois de descer a escada.


_Escada?  Eu já havia descido antes de Alana,vim do escritório,fui apanhar o seu manuscrito.


_Hum... Gostou foi?- agarrando pela cintura e o beijando de leve.


_Sensacional!-Lucius completou. - _Acho que teremos outro Best seller em tua prateleira minha talentosa escritora! -se despediram após o desjejum. Lidia gostava de estar cercada do calor do namorado e da filha, embora Lucius fosse seu agente literário, uma grande amigo se não o melhor deles, o relacionamento homem e mulher  vinha sofrendo um longo desgaste,Lidia intuía que seria uma questão de tempo, mesmo assim e do mesmo modo  a jovem escritora enaltecia a clareza que só a solidão pode dar aos que a aprecia.


 Depois de lavar a louça recordou-se do fato dos passos descidos pelos degraus da escada. Passos pesados, quase lamentadores. Ignorou, aquela casa era mesmo estranha, apesar deter sido habituada a passar todos os verões de suas férias de menina ali, morar definitivamente estava sendo uma grande mudança para todos. Um importante legado de família, quase um patrimônio histórico da humanidade.


Lídia vinha de uma linhagem muito conceituada, era filha, da filha, do irmão de Pierre de Santrie. Um nome proibido sempre rodeado de muito mistério e de certa forma evitado. Pierre embora deixasse toda aquela herança para os Santrie, era evitado quase incógnito e isto se arrastou por um século. Mas agora vivendo ali, começando outro ciclo de sua vida com Alana, a escritora pensara que aqueles novos ares lhe daria a inspiração devida para seu próximo livro e escutar a aprovação de Lucius provara que estava no caminho certo. Foi subindo as escadas que  encontrou o que semelhava um pedaço de papel amarelado entre o lance do primeiro para o segundo patamar da escadaria toda  rubra e encarpetada.Inclinou-se rente a parede e o pegou abrindo as quatro dobras com muita serenidade e seriedade.Nele continha:



    "A quem me dera poder-te olhar cá entre essas límpidas paredes colossais,

Teus dedos passam por mim,

Suplico o teu rélis momento,

Um piscar,

Mas tu não me vês

Para mim tu nunca estás!"

A beleza de ser um escritor é que quando se contempla a obra de outro, naquele instante o sino do âmago toca, você sabe que está diante de um senhor. Um dono de um mundo, um rei de um reino de uma alma só, mas não pó, ele é muitos numa jazigo interior Mor.E foi exatamente o que sobreveio em Lídia ao ler aqueles breves versos tão densos e tão cheios de um sentimento platônico. No fim, encontravam-se como toda citação  em caneta tinteiro as iniciais P.S.
Deduziu rapidamente:
_Pierre de Santrie! - Um breve arrepio correu-lhe da nuca até os calcanhares. Nada aterrorizador, mas sim, sobrenatural. E no canto do olho esquerdo jurou ter visto o vulto de um homem de cartola vestimenta de fraque sumir na parede. E em seguida uma canção que amava na voz do saudoso Emílio Santiago & Verônica Sabino.
Olha nos meus olhos!
Esquece o que passou.
Aqui neste momento,
Silêncio e sentimento,
Sou o teu poeta,
Eu sou o teu cantor,
Teu rei e teu escravo,
Teu rio e tua estrada...




E numa intuição que só a sensibilidade sabe usar ,a moça soltou a doce voz em módicos sussurros...

Vem comigo meu amado amigo
Nessa noite clara de verão!
Seja sempre o meu melhor presente,
Seja tudo sempre como é,
É tudo que se quer...


E na medida em que elevava-se em direção ao quarto que brotava a canção ouvia aquela voz forte e mansa completar...
Leve como o vento,
Quente como o sol,
Em paz na claridade,
Sem medo e sem saudade,
Decidida a entregar-se e simplesmente vivenciar aquela ocasião tão inóspita Lidia ia completando...
Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia...
E ao brotar no batente do umbral da porta do recinto,viu aquela figura esfumaçada com um tom acinzentado admirando algo pela janela que prosseguia a cantarolar a melodia...
Eu sou teu homem
Sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo, seja aonde for,
E onde estiver estou...
Há coisas que na nessa vida ou em outra não se pode explicar. É aquele instante em que precisamos decidir num piscar de olhos, arriscar-se, fazer, realizar, jogar-se,enfim:VIVER!
E Lidia decidiu pelo mesmo, continuando de onde aquela silhueta masculina tinha cessado, e ao notar que ela aceitara puseram-se a cantar, cada um em seu mundo, vivos  ou morto?
Quem se importa?
Estavam imortalizando um momento, e isso só a alma pode fazer independente de que plano espiritual se encontre.

Vem comigo meu amado amigo,
Sou teu barco neste mar de amor!
Sou a vela que te leva longe,
Da tristeza, eu sei, eu vou!
Onde estiver estou,
E onde estiver estou!
 Ela jamais vira aquele rosto enevoado que pairava diante dela, mas por ele se apaixonou naquele exato segundo e soube que nunca mais o deixaria de amar, e quando esticou a mão para toca-lo,subitamente esvaneceu.Tomada pela emoção, uma lágrima rolou de sua face, e por mais que os pelos de seu corpo se encrespassem tudo que a escritora almejava era viver  nem que por um milésimo de segundo aquele moço de cartola uma única vez. Determinada ela permaneceu por todo dia ali naquele quarto.No entanto,ele não veio, o homem não regressou.
À noite jamais fora tão longa.
A comida jamais fora tão insossa.
A água jamais fora tão vazia.
E a vida jamais fora tão morte.
  Por dias a escritora voltou aquele ambiente,colocou a canção para tocar.Foram dias,horas,minutos e segundos desperdiçados.Parecia que Lidia jamais o veria outra vez,nem mesmo por uma última vez.E foi então que recordou-se daquele poesia, a releu e resolveu ir ao telefone na sala ligar para sua mãe,Odete,para averiguar algo sobre a questão.
_Filha, sabe que não falamos sobre ele em nossa família!- Odete foi enfática.
_Sim mamãe, eu sei.Só quero que me diga por qual razão.E quais as chances de encontrar esse poema no meio da escada depois de um século? E quem é o homem que ouvi, vi e cantei com ele?
Odete silenciou e depois de segundos  replicou:
_Como era esse homem?- num tom preocupado.
Lidia fechou os olhos para rememorar aquele instante doce como o mel em favo, fresco e retirado de uma colmeia e a respondeu:
_Ele era único. - Suspirando profundamente a seguir.
_Santo Deus! Lidia, você o viu!Precisa sair dai depressa filha!
A escritora não compreendia o afobamento da mãe.
_Lidia, me ouça, saia dessa casa agora! Não passe nem mais um minuto dentro deste lugar!
_Por quê?- Queria entender o motivo de alarido.
_Porque até hoje ninguém que o tenha visto sobreviveu mais que sete dias após vê-lo.Ele é uma maldição, não percebe?
Odete continuou a explicar,todavia Lídia deixou o parelho em cima da mesa no centro da sala e meramente  fechou-se para qualquer elucidação além do que havia sentido.E foi ao voltar para biblioteca afim de procurar algo na árvore genealógica da família sobre Pierre ,que mais uma vez encontrou o mesmo pedaço de folha envelhecida dobrado em quatro partes na sobre seu notebook como quem  o deixara ali a sua espera.A jovem o abriu e leu:
" Sim,eu te vi como és,
Mulher, linda,
Pensei nos teus cabelos dourados,
Na tua pele alva,
O cheiro de doce de seu perfume
Que me adentrou  nessa forma corpórea
Como o sangue que um dia correu nas minhas veias.
Cri que meu mundo passara,
Mas então veio você
Só para evidenciar
Que jamais serei esquecido.
Assim amada de minh'alma
Teu poeta irá,
Obtive minha vingança,
Sem as matanças que me impuseram,
Mas com a honra que busquei,
Eu não fui,
Eu não sou,
Eu sempre serei.
P.S.
Desesperada pelo que semelhava uma poema de partida tomou as chaves do carro e seguiu para cidade.Na biblioteca municipal encontrou Soraia, uma senhora de cabelos brancos e muito conhecimento a dar.A consorte  escutou Lidia cautelosamente, e no término rogou-lhe:
_Siga-me querida.
Os fundos da Biblioteca era um regresso ao passado. Móveis, tapetes, quadros, livros.
_Sente-se, fique a vontade. - Lidia a obedeceu. - _Até entendi,você foi mais uma pessoa da linhagem Santrie a ver o espírito de Pierre De Gusmão,O Poeta.
_Pierre De Gusmão?- rebateu confusa pelo novo dado.
_Sim, Pierre de Santrie, foi um dos maiores poetas de seu século. Um home com uma sensibilidade díspar e incomparável, e por isso, um ser incompreendido em seu tempo, inclusive pela própria família se me permite a sinceridade.
_Concordo com a senhora. - Desabafou Lídia. - Ele é um assunto proibido entre nós, porém nunca soube o porquê.- Soraia sorriu e começou a contar o que sabia sobre o assunto.
_Este foi Pierre de Saintre.

 
_Um homem muito bonito, não?

_Único. - Lidia outra vez se referia ao poeta do mesmo modo.
_Pierre utilizava o pseudônimo De Gusmão,porque cria que se assim não fosse nunca saberia se iam apreciar sua escrita por gostar dela ou porque ser quem ele era,um dos homens mais ricos e influentes de sua geração.
A escritora a escutava sem piscar.
_Um ato nobre não é verdade? A maioria usaria tais predicados para se manter reconhecidos, nobilitados, bajulados e sabe Deus o que mais.
_Mais ele conseguiu não foi?
Soraia riu timidamente de novo objetou:
_De Gusmão,O poeta, escreveu dezoito livros durante toda vida.E sabem quantos mil exemplares vendeu?
_Creu eu que milhares?- Lidia  sorriu envaidecida.
_Nenhum.- Soraia foi enfática.- Durante seus 37 anos de vida, Pierre escreveu  dezoito livros,e só vendeu dezoito exemplares.
_Meu Deus! dezoito livros?
_Sim minha jovem, seu ancestral vendeu somente dezoito livros,um de cada. E esse foi uma das que o fez desistir de viver o que levou a tirar a própria vida naquela fatídica data.
Inda que baqueada Lidia a indagou:
_Uma das razões?
_Sim. - A senil fizera agora um ar de mistério.- A outra razão que fez com que Pierre calasse a própria alma e de seu clã era uma paixão proibida.
A escritora se surpreendeu ainda mais com novo dado:
_Paixão?
_Pierre era apaixonado por uma jovem chamada Olímpia, sua prima. Segundo as fontes checadas na época, chegaram a ter um caso, mas por ser mais velho que ela doze anos, a família não concordou com o casamento e a prometeu ao irmão dele mais novo Luigui. E o poeta não aguentou a pressão, decidiu partir para França onde iria morar o resto da vida, contudo, antes deixou uma carta para ser entregue a Olímpia, nela além de manter seu amor fiel fez-lhe um pedido.

_Que pedido?- Lidia não controlava.
_Que não deixasse sua poesia sozinha. Que o tornasse imortal através de seus escritos. Pois em sua investigação,soube que ela foi a única a comprar um de cada dos seus dezoitos livros.Não foi por dó ou infortúnio.Mas porque sabia que todos os livros foram escritos para ela,por aquele amor que não podiam viver.

Anos se passaram. E um dia veio a notícia, Olímpia teria morrido de febre tifoide,e para que seus filhos e marido não contraísse a doença,colocaram fogo em todos os seus pertences particulares entre eles os livros De Gusmão,O Poeta.Foi assim,que compreendeu que seu legado teria morrido com sua amada,pois a jovem era a única pessoa no mundo que tinha o prazer de ler seus escritos por uma razão que só o coração conhece...
E antes que Soraia terminasse, Lidia concluiu:
_ O Amor.
Ambas se calaram por instantes.Depois Soraia prosseguiu:
_Porém,se você o viu,e teve essa experiência com ele,é porque há algo que os interliga.
_Talvez porque somos da mesma linhagem e também sou escritora.
_Só por isso?- Soraia a incitou.
_Por que mais Soraia?

_Espere aqui. - Disse levantando-se e indo a outra estante. Ao voltar, passou por folhas, e enfim retirou uma foto e entregou a jovem que a pegou sem muito compromisso. Entretanto logo que repousou seus olhos sobre a mesma  replicou:
 _Não recordo de ter tirado esta foto. Onde conseguiu isto?
Soraia delicadamente virou a foto e atrás com o dedo a mostrou o que jazia escrito:

Natal de 1913,

Olímpia de Santrie

 No Jardim da Casa Grande.
Sim, a foto não era de Lidia, mas de Olímpia, a amada de Pierre de Santrie.E a razão pelo qual O Poeta se mostrara a ela.
Lidia saiu da biblioteca invadida por um sentimento revelador e ao mesmo tempo atordoado. Logo ela quem não cria  nem mesmo na existência Divina, poderia agora enfrentar um amor que de outra vida da qual se quer recordava?
Todavia o que é amor? Onde vai nos levar? Parece que não há fim...
or fim, o namoro entre Lidia e Lucius chegara o fim. Mandou Alana passar os dias com o pai, e naquela casa por mais exatos nove meses escreveu seu novo livro,recontando toda história de Pierre de Santrie e da história de amor entre ele e Olímpia de Santrie, que intitulou de: O Poeta- O Seu Legado Era Não Ter Sido Esquecido.
O lançamento foi um sucesso. O exemplar vendeu rios de dinheiro e exalaram poesias, cartas, sentimentos e confissões tanto de Pierre quando dela, agora Lídia.
Ao retornar para casa depois da festa, cansada jogou-se no sofá com um alivio no peito, de quem havia cumprido uma promessa e ao mesmo tempo com imenso vazio de quem jamais poderia vivenciar tal história ou sentimento na verdade sua saúde tornara-se frágil sem grandes explicações naqueles últimos meses. E ao adormecer, viu-se num campo com raios de sol fulgentes e o céu mais azul que já presenciara.
Lidia sorriu.
O vestido era rendado,longo e amarelo claro,como a uma rosa que uma vez havia sido deixado em sua cama quando fizera quinze anos em jamais ter descoberto quem a deixara lá.
Algo pairava no ar,algo nela estava mudado, rompia a roupa os cabelos,era algo que transcendia tudo que a palavra possa definir.
E lá no horizonte viu uma figura,alguém que sua memória agora sabia identificar.Seus passos foram suaves,não havia pressa,nem mesmo ela alcançava a razão,tudo que intuía era que precisava saborear cada pedaço daquele instante.Ao aproximar-se dele que então virou-se para ela,aqueles olhos negros a tomaram como já se nela vivessem e a conhecessem até a última seiva de seu espírito e aquele sorriso era como o sol depois de uma grande tempestade e então a escritora segredou:
_Pierre.
Ele ergueu a mão direita e a beijou sobre a luva com tamanha delicadeza e ao fita-la de novo sussurrou:
_E onde estiver estou. - O derradeiro verso da canção.
Seus olhos marejaram, e enfim era claro, recordava de cada instante  em que passaram juntos. Cada palavra, cada beijo, cada toque, cada olhar, cada tudo que se guarda no coração quando se ama não além da morte,mas da própria vida.De repente outra vez somente  a melodia estava ali a disposição deles.Pierre a convidou para aquela dança que há anos esperaram.
 O cavalheiro torceu sua fronte diante dela, que como manda a tradição deu permissão com uma Mademoiselle. Pierre retirou a cartola lançando ao ar e arrancando um riso lindo e fácil do rosto iluminado de Lidia e simplesmente bailavam em tom de valsa por toda campina, sem jamais retirar por um segundo suas almas dos olhos um do outro.



PIEREE
Leve como o vento,
Quente como o sol,
Em paz na claridade,
Sem medo e sem saudade,


LIDIA
Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia...











E
Enfim...

PIERRE & LÍDIA
Vem comigo meu amado amigo,
Sou teu barco neste mar de amor!
Sou a vela que te leva longe,
Da tristeza, eu sei, eu vou!
Onde estiver estou,
E onde estiver estou!
DEDICO ESTE CONTO A VOCÊ QUE TEM, TEVE OU AINDA ESPERA O MOMENTO DE VIVER UM GRANDE AMOR...

O MELHOR DO AMOR É O AMAR!




BEIJOCAS GALERA!