Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

CRISÁLIDA

Foto da web
Como todas as borboletas, começara por ser crisálida, frágil, envolta no seu casulo protector, talvez desinteressante, achariam alguns.
Mas descobriu que, se quisesse, podia transformar-se em borboleta.
E, apesar das dúvidas que a assaltavam, deixou que as asas crescessem, deixou que a côr  as invadisse, e rasgou a película que lhe tinha servido de casa por tanto tempo.
Gostou da sensação nova, de voar, de cortar o vento, de escolher os caules onde pousar, de procurar pólen, de se deixar estar nas flores do prado, desfrutando de um pouco de sol.
Mas, ao contrário de todas as outras borboletas, um dia voltou à pequena planta onde pela primeira vez voou.
Enrolou-se nas suas próprias asas, indiferente a como estavam mais coloridas, e tapou-se com o que restava do velho casulo.
Não sabe bem quanto tempo lá ficou. Talvez tenha sido apenas alguns dias. Ficou até que uma outra borboleta ali passou. Ficou talvez com curiosidade sobre com aquela estranha crisálida, creio que a reconheceu, bateu à porta, não obteve resposta, está um dia lindo, disse, anda, sai, ainda há tanto para voar.
Sem movimento de resposta, seguiu.
A borboleta-crisálida espreitou para fora, viu o sol, o dia, o céu. Sim, queria sair, voar. Já descansara.

Isa Lisboa