Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

sábado, 27 de dezembro de 2014

O Diário de Machine por Danka Maia




    
"A ARTE DE SORRIR CADA VEZ O MUNDO DIZ NÃO"

Oi Diário...

A frase acima me visitou e eu a furtei para dentro da minha alma. Pois é, o mundo me disse não outra vez. A princípio, escutar seus "nãos", é até familiar para mim, devo confessar que quando ele me disser: SIM! Aí, começarei a duvidar se estou entre a Terra dos viventes realmente.

O não que me foi dado categoricamente, é doloroso, amargo e cruel, e pela segunda vez se manifestou de modo imperativo, sem exageros, um carrasco. Mas nessa trajetória  intitulada como vida,cada um tem que enfrentar seus próprios demônios e como qualquer mortal tenho que vencer o inimigo  que se mostra invencível, voar sem asas, cravar o chão com meus pés calejados e inda que morta por dentro ou não certamente sei que terei que vencer muitas guerras para ter meu deleitoso e adocicado instante paz, e nesse momento acabará essa agora infinita agonia que se desponta como uma senhora alta,poderosa,debochada,malévola que me encara dentro dos meus olhos escarnecendo minha alma, e gargalhando satisfeita e  tripudiando meus sentimentos.

Sabe Diário,posso parar aqui, penso em parar aqui e sendo mais sincera:Eu quero parar aqui.Quando somos afetados de modo tão duro e com golpe tão certeiro,quem pode julgar uma decisão como tal? As lagrimas de fora do meu rosto ocultei, porém por dentro minhas emoções  estão desabrigadas em cacos de janelas, portas e troncos de árvores em meio há uma enorme tempestade.Meus sentimentos estão perdidos, desabrigados e sozinhos.Que resta?
Resta a menina que não tem nada.

Resta a mocinha intrépida que burlou o mundo o enfrentando-o de frente, não de lado, não se desviando tampouco se esquivando.

Resta a mulher que com catorze  anos de idades assumiu uma casa, uma família como se fosse um adulto forte, uma leoa protegendo o que julgava ser o mais importante, sua linhagem.

Resta um tudo de nada, mas não um nada de tudo. Ainda estou aqui.

Faça sua chuva ou sol,quente ou frio,alto ou baixo não importa,essa é minha opção:Ainda estou aqui.

Se passo, me olham e me ignoram,se é só sufoco,se é só porrada,não importa:Ainda estou aqui.

Não vou ver a vida passar sentada na calçada, é a vida que vai sentar e me ver passar diante dela.Ainda estou aqui.

E aquelas emoções em cima de mazelas depois deste tsunami?

Todo mundo,todos nós temos que nos refazermos, eu já perdi a conta de quanta e quanta vezes tive que me refazer.Estou em cacos,dilacerada,talvez  morta.Entretanto,todavia,mas,porém,contudo e no entanto,Ainda estou aqui.

Não sei por quanto tempo é verdade, porém, enquanto estiver:

Não abaixo a guarda.

Não desistirei de crer, mesmo que meus lábios declarem e meu coração admita.É meu espírito quem  me comanda e nele domarei os meus leões internos.

Não fracassarei.

E se eu não vencer depois de tanta persistência?

Impossível. A minha vida por si só mostrará que não sou vencedora por estar em primeiro lugar de alguma circunstância e sim porque jamais cedi diante dos "nãos" que ganhei.

Hoje careço reaprender a sorrir. Dói somente em forçar meus lábios a se abrirem.Só preciso de tempo,me refazer,me permitir,entretanto não esqueço:AINDA ESTOU AQUI.
Sempre disse que de todas as personagens que criei a que mais imprimi características minhas foi Blanka Pankova.Aquela capacidade de receber tantas cacetadas com peito aberto e só esmorecer diante dos próprios olhos sempre com a cebeça erguida, sem medo de ser julgada ou compreendida.Aquela é Blanka,e também sou eu.
Então como diria Blanka:_Opchá!
Digo eu:_Que seja como o Destino quer!

Beijos Diário!