Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CIDADÃO BICHO DE PÉ por Danka Maia














  Talvez o título dessa crônica o faça crer tratar-se  sobre um texto humorístico afinal,quem é que pensa  em intitular  sua  narrativa como tal?
Na calçada de uma  movimentada avenida ,de uma metrópole qualquer desse país continental chamado Brasil, jaze Leopoldo ou como sempre conhecido ali, Lupa.
  Vivia nas ruas desde 1981, esquecera-se da data de nascimento, aparentava pertencer há uns bons cinquenta e poucos anos. Talvez acabado devido a exposição contínua ao sol, as chuvas e as mazelas que só a rua pode presentear aos que nela  que só a rua pode presentear aos que nela se atrevem a não vier e sim sobreviver como guerreiros desgarrados não do seu mas pelo seu rebanho.Lupa comia quando podia,o que ocorria quando o pessoal da sopa passava por ali nas madrugadas de terças e quintas,O vício no cigarro, drogas e álcool era um modo de se manter vivo seja no mundo dos vivos ou no da utopia.O fazia lembrar das festas extravagantes que a vida como bom vivã  que se deleitava na herança deixada pelo pai  construído em décadas de trabalho duro porém que Leopoldo devastara ferozmente em dois anos e nenhum dia a mais.

  A vida de quem sempre teve tudo tornar-se na  de quem nada, tem é um percurso contrário muito doloroso e muito constrangedor e fora isso que o fez assumir aquela vida nas calçadas da vida ,onde atrás da vasta barba e fétida e do boné desbotada e maltrapilho o escondia de qualquer pessoa ou fato do seu suntuoso passado.

  Naquela mesma calçada, diariamente passava Mauro, advogado bem sucedido, filho de uma doméstica e um jardineiro que passara mais de vinte anos servindo a uma família que se disseminou quando o filho torrou todo legado em menos de dois anos. Com muitas dificuldades o casal conseguiu dar ao único filho um destino um pouco melhor. Entretanto, o Doutor Mauro deixou que isto subisse a cabeça, ao ponto de esquecer-se dos genitores, casar-se com a modelo da vez e cuspir toda vez que via o Lupa na calçada e sempre mencionar:
_Morador de rua? Ralé, é tudo bicho de pé!
Mauro jamais reconheceu Leopoldo tampouco o mesmo a ele. Eram pontas extremas da mesma sociedade que prega a inclusão social,todavia fecha os olhos para os expoentes que a vida pode dar.
Mauro e Lupa jamais saberão quem foi ou quem são, peões de um mesmo tabuleiro, sem herdeiros, sem lições, mas com a mesma pergunta que fica cá povoando a cabeça da gente ao ler vertentes escritas como essa:
_O que a gente aprende quando lê coisas desse tipo e sem nada poder fazer?