Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Escuridão – Capítulo IV

Arte: Autor desconhecido

Escuridão – Capítulo IV 

Os meses passaram. Passaram os anos. Ela já estava habituada a tudo o que lhe parecia impossível seis anos antes. Já não se perdia no seu próprio apartamento. Já conseguia deslocar-se na rua sem qualquer ajuda, mesmo em sítios que não conhecia. O segredo eram os outros sentidos. Apercebeu-se que a sua audição detectava mais informações do que pensara possível, que as suas mãos e a preciosa guia sentiam e viam o caminho e os seus perigos. Pensava muitas vezes que as pessoas que podem ver desperdiçam o dom de visão em coisas inúteis quando deveriam aproveitar esse presente para apreciar o mundo, para comunicar sentimentos de doçura, de ternura, como só o olhar pode. 

E trabalhava. O mais curioso no seu trabalho é que ninguém acreditava que ela o poderia fazer até que viram os primeiros resultados. Nem ela tinha consciência que seria capaz de uma tal coisa, mas a sensação nas mãos era tão tranquilizadora, tão maravilhosa, que decidiu tentar a experiência. E deu resultado. A coisa ainda mais estranha era que, ela, a própria criadora dos objetos, não os podia ver. Era escultora. As suas pequenas estátuas vendiam-se facilmente. Porque não eram caras, mas também pela curiosidade dos amadores que queriam possuir uma estátua, um busto, uma flor, formada na argila por uma pessoa com a sua condição. 

Tudo o que diziam dela, ela ouvia. Nunca lhe veio à ideia responder. Aceitava que as pessoas pensassem dessa maneira mas recusava-se categoricamente a deixar-se levar a aceitar condescendência e generosidade originada pela culpa. Tinha novos amigos, alguns que também não podiam admirar o Mundo, outros que desejavam sempre descrever o que ela não podia ver para que lhe fosse possível imaginar ou comparar com a lembrança de tudo o que vira no passado. O seu filme privado ainda estava vívido, fresco. Ela nunca se esquecia de rever tudo o que tinha amado ver. As lembranças, se bem que em menor quantidade, ainda ocupavam o olhar da sua memória.

termina no dia 21 de outubro...

Dulce Morais
Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Página inicial

Agora no Blog!

Total de visualizações de página

Danka na Amazon!

Siga Danka no Instagran

Danka no Wattapad

Curta Danka no Facebook!

Seguidores

Danka no Google+

Confissões Com Um "Q" De Pecado

Entrevistas

Danka no Google+!

Danka no Twitter

Danka no Skoob

Seguidores

Arquivo do blog