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sábado, 27 de dezembro de 2014

TODO MUNDO TEM "AQUELE DIA" por Danka Maia









 




Todos nós temos aquele dia que, sem alcançar, como ou o porquê, tudo parece dar errado e o mundo desaba às vezes literalmente em cima das nossas cabeças. A história que irei narrar agora é fictícia, porém chama atenção de uma possibilidade de como o tal dia nos chega de vez em quando e sempre.
Na verdade o aquele dia começou no fim do anterior quando Antunes chegou à redação do jornal chamado as pressas pelo seu editor chefe e levou uma bronca por causa da sua elaboração das palavras cruzadas. Frustrado pela bronca Antunes voltou para casa chateado, era perfeccionista demais para receber uma advertência. No dia seguinte, os jornais foram espalhados pela cidade.No consultório,Lisa chegou cedo para atender a primeira paciente de anos, a Dona Lourdes, que não aceitava o divórcio onde seu ex-marido a trocara por uma amante 25 anos mais  jovem.No entanto,Lisa tinha por hábito ler aquele jornal enquanto ouvia a mesma história de Dona Lourdes, e ao constatar que a cruzadinha daquele dia era tenebrosa deixou escapar durante o momento que a paciente choramingava suas mazelas:
_Não acredito! Não pode ser!
Lourdes sentou-se enfurecida e disparou para a terapeuta:
_Não pode ser o que? Não acredita em mim é isso? Esses anos todos e a senhora vem me falar agora doutora que não acredita em mim? Acredita em quem, no safado do Osvaldo? Eu quem não creio que tenha me dito isso!- e apanhou a bolsa não deixando que Lisa se queira esboçasse uma letra. Desceu o elevador pondo fogos pelas ventas. Minutos depois adentrou seu apartamento berrando a empregada Glória que já a acompanhava uns trinta anos.
_O que foi Dona Lourdes?- A também senhora veio esbaforida certa de que o mundo estava despencando por ali.
_Pegue este dinheiro aqui! - tirando um montante da carteira. - Vá comprar um quilo de carne-seca bem gorda, bacon, miúdos e todos os tipos de engordantes que possam detonam minhas artérias coronárias com louvor!
_Mas Dona Lourdes, o Doutor não disse que se a senhora...
_E eu te perguntei alguma coisa Glória? Ah... Eu não te perguntei nada!- Já deixando a criada nas tamancas e indo direto ao supermercado.No setor de salgados o Sinvaldo a recebeu com um belo sorriso como sempre.:
_O Glorinha, como vai? O que veio buscar hoje?
_Sinvaldo vá catar coquinhos, e para de graça comigo que não lhe dou essas confianças não! Quer que chame o gerente?- Sinvaldo pouco entendeu a razão de palavras tão ríspidas para com ele.Glória era por hábito tão educada e o flerte entre eles era algo normal há anos.Bastou para azedar a vida do atendente.No fim do dia Sinvaldo fez o mesmo trajeto,duas horas no trânsito da Capital, no último ônibus,que estava eternamente cheio tinha por costume ceder o lugar para as pessoas mais velhas,mães com crianças de colo ou grávidas.Aquele dia decidiu que não ia ceder lugar pra ninguém! Na quinta parada uma jovem loira, muito bonita e grávida subiu a lotação e calhou de ficar de pé ao seu lado em meio aos chacoalhões do trajeto. O João viu,amigo de percurso e deu um toque nele:
_O Sinvaldo, deixa a moça sentar ai.- Bastou. Sinvaldo revidou de cara:
_Hoje não levanto daqui para nada nem por ninguém! Se quiser dê o seu folgado!- E emburrou, a moça o fitou e rebateu a altura:
_Pois enfie o seu assento o senhor sabe aonde! Não preciso dele não, e quando morrer espero que caiba no seu caixão!
_Ah vá ver se estou na próxima minha jovem.Não está grávida, vá andar de taxi e nem me amole a paciência.- Inda que tenha segurado, Lucia, a grávida quase chorou de raiva e ao mesmo tempo de tristeza, desceu no seu ponto,uma coisa o homem tinha razão,não era mesmo para estar ali e naquele ônibus, a questão era que o marido, por ter levado aquela bronca ficou tão azedo que se negou levar o carro ao mecânico e só restou a ela enfrentar o ônibus ultra cheio.Ao chegar em casa,Lucia já adentrou falando:
_É tudo culpa sua Antunes!- o Antunes que começou essa história.- Você leva bronca do seu chefe de edição do jornal e eu e o nosso filho é quem sofremos as consequências!
_Do que está falando mulher?- Antunes não compreendeu.
_Se tivesse levado o carro ao mecânico nada disto teria acontecido. Acredita que um grosso, um estúpido se negou a dar o lugar para mim com esse  barrigão num ônibus mais cheio que sardinha em lata?- Em meio aos olhos marejados. O esposo veio ao seu encontro e a beijou afagando e consolando-a:
_Ah meu amor, não ligue isso, as pessoas hoje em dia estão assim mesmo. Todo mundo anda estressado por vida. E afinal de contas, quem não tem aquele dia?- Sem imaginar que de fato tudo aquilo ocorrera advindo dele.
Fui Galera!