Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MÁQUINA DE FAZER VOCÊ por Danka Maia

















Foi na tarde do último dia de abril que ela ouviu do homem de jaleco branco aquela frase que ninguém nunca nasceu pronto para escutar qualquer que seja a ocasião.

_Lamento,mas...

Paula apenas desabou no fundo de si.Quando perdemos alguém que amamos é como subir as escadas no escuro depressa sem saber que havia  um último degrau e dele tombar no mais profundo abismo, e nunca mais parar de ruir em lembranças.Lui era a vida dela, sua bússola, seu termômetro, sua direção embora muitas vezes ele fosse si a própria encruzilhada.Sempre tão complexo, naquele mundo paralelo onde só vivia e que de vez quando permitia que ela adentrasse.
O que mais doeu, foi relembrar aquela última discussão. Sim, havia um bom pretexto como tema, no entanto que pretexto vale a vida? Foi naquele segundo onde Paula o disse:

_Não precisa ser assim.

E Lui retrucou altivo:

_Mas é assim que será!- E ao atravessar a rua um homem insano guiado pelo álcool em suas veias jogou seu corpo ao alto e foi ao ver o corpo dele inerte no chão que parada ali sem reação alguma uma lágrima rolou do seu olho direito e uma voz seca e rouca gritou dentro do seu peito:


_Eu o perdi.




Passado alguns meses,Paula não conseguia superar.A Doutora PHD de Física, começou a usar a lógica dura de sua ciências em seus adágios para encontrar um meio de poder voltar atrás.Cria que tanto conhecimento  pudesse beneficiá-la em algum instante de sua história e aquele era o instante.Compreendia que atualmente, os físicos estão convencidos que as viagens no tempo são muito improváveis.Foram  mais dois anos dedicados a cálculos gigantescos,experiências perdidas,porém,estava obsecada,nem que fosse por um único segundo carecia vê-lo e ouvir a sua voz outra vez.As vezes,é o bastante para se  voltar a sorrir apesar das pessoas insistirem tanto em coisas que nem elas mesmo não sabe para que ser servem e quando conseguem não saber como utilizar.
Exausta,cansada,a  jovem Doutora da lógica debulhou-se em lágrimas em cima de sua cama pois pode constatar que todas as tentativas eram ineficazes.Chorou copiosamente, até que as lágrimas secassem e a dor de cabeça se manifestasse.

Adormeceu.

Foi um sonho curto como um tiro a queima roupa.Entretanto,Paula reviveu aquela última cena.Enquanto Lui gesticulava colérico pôs a mão sobre a boca como quem via novamente o sol pela primeira vez depois de cem invernos.E quando ele expôs:

_Mas é assim que será! – o agarrou como quem agarra a última esperança, tomada pela emoção não conseguia falar,só em seu olhar podia-se ver a súplica dela a ele.Contudo o calor da situação outra vez o dominou, Lui era muito duro quando se exaltava com algo e mesmo que tenha tentado segurar com todas as suas forças, facilmente desvencilhou dele mas o bastante para que aquele motorista bêbado passasse e numa fração de alívio crendo que tudo podia ser como antes, Lui tropeçou no meio fio caindo e batendo sua cabeça e mais uma vez  o submergia para morte.
Acordar em sua cama e ver que nada mudara a enlouqueceu.Destruiu tudo que jazia ali no seu quarto, a fúria a tinha tomado como oxigênio nosso corpo.Após minutos,percebeu que talvez aquele sonho,devaneio ou seja lá o que fosse poderia ser o meio de tentar mudar o passado.
Paula voltou trinta e duas vezes. Nas mesmas,jamais conseguiu evitar a morte de Lui.
Afastada do mundo, das pessoas, um dia uma amiga foi visita-la convicta que tiraria daquele mundo utópico que auto se estabeleceu.Uma discussão se instaurou entre elas:

_Pelo amor de Deus Paula! Se o que diz valesse a pena...Mas não vale,você mesmo diz que o Lui sempre morre de um jeito ou outro, então por que voltar? Para se autoflagelar?
Se autopunir? Condenar, é esse o propósito dessa loucura toda?

Paula  sentou-se ao lado dele na cama,passou a mão pelo lenços que Lui mais gostava, e olhando não só nos olhos da amiga respondeu:

_Sei que não posso mudar o que o destino impetrou.

_Então só me diga a razão de tudo isso?- passando a mão pelos seus cabelos.

_Na terceira vez que voltei a ter esse sonho percebi que não poderia mudar nada do que aconteceu.
No entanto, apesar de ser a última lembrança do Lui ,bravo,revoltado, magoado comigo,ainda é melhor do que ausência de não ter nada dentro de mim, de conviver com esse imenso vazio que a sua presença me jogou.

_Paula...- a amiga levantou-se tentando chama-la a realidade.- O que é isso que você fez consigo?

A moça sorriu em meio ao pranto de dor e replicou:

_Minha máquina. _ E pegando a foto de  Lui concluiu.- Minha Máquina de fazer você.


P.S: O maior segredo da vida ela guardou bem,ninguém nunca sabe quando será seu último instante,mas sendo assim,não seria hora de rever algumas de nossas "prioridades e razões"?



                                                              Fui Galera!