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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

As Possessões de Aix-en-Provence: um dos casos mais perversos da História

As possessões demoníacas são sempre pra lá de sinistras, mas algumas acabam entrando para a História como sendo especialmente perversas. Esse foi o caso das Possessões de Aix-en-Provence, que aconteceram na França durante o início do século 17 e envolveram uma série de escândalos, acusações e intrigas — além da suposta participação de um time horripilante de demônios! — que culminaram na execução de um pobre padre.
O episódio teve início no ano de 1609, e contou com uma freira de 17 anos de idade chamada Madeleine de Demandolx de la Palud e o padre Louis Jean Baptiste Gaufridi como principais protagonistas. A jovem tinha um longo histórico de instabilidade emocional. Já o padre Gaufridi era amigo da família da moça de longa data — e a confusão teve início depois que surgiram rumores de que os dois estariam tendo um caso amoroso.

Rumores

Quando os boatos sobre o relacionamento começaram a circular, Gaufridi foi advertido de que a história entre ele e Madeleine precisava terminar imediatamente. Além disso, a moça foi enviada a um convento da Ordem de Santa Úrsula localizado em Marseilles — onde ficou sob a supervisão direta da Madre Superiora, uma mulher chamada Catherine de Gaumer.

Após chegar ao convento, Madeleine contou todos os detalhes de seu relacionamento com o padre a Catherine, e ela, com o objetivo de por um ponto final no relacionamento, achou melhor transferir a jovem freira para outro convento, localizado em Aix-en-Provence. Pois o plano pareceu funcionar por algum tempo, até que, dois anos depois, em 1611, Madeleine começou a mostrar sinais de possessão demoníaca.
De acordo com os relatos, a jovem freira foi encontrada com o corpo todo retorcido e, para piorar, em um ataque de fúria, destruiu um crucifixo. Não demorou até que Madeleine fosse submetida a várias sessões de exorcismo — e durante uma delas, a moça teria acusado o padre Gaufridi de ter relações sexuais com ela e de ser um adorador do Diabo.

Possessão coletiva

Como se ter uma freira possuída vivendo entre as paredes de um convento não fosse algo assustador o suficiente, outras três religiosas também começaram a mostrar sinais de possessão. Um ano depois do início dos exorcismos, um total de oito freiras estava endemoninhada — e a mais temida do grupo era uma moça chamada Louise Capeau, cujas demonstrações eram ainda mais aterrorizantes do que as de Madeleine.

Entre as entidades que teriam tomado os corpos das freiras estariam demônios como Baalberith, Ashtaroth, Asmodeus e Belzebu — nós avisamos no início da matéria que o time era horripilante! —, e logo ficou claro que a situação no convento estava ficando completamente fora de controle.
Foi então que Jean-Baptiste Romillon, o padre que liderava a batalha contra os tinhosos, resolveu pedir a ajuda do exorcista flamengo François Doncieux, e do grande-inquisidor dominicano Sebastien Michaelis.

Acusações

Durante os exorcismos, Gaufridi acabou sendo responsabilizado pela possessão de Madeleine, e foi chamado pelo trio de padres para ajudar a expulsar os demônios do convento. Só que, enquanto os religiosos tentavam livrar Louise Capeau (a mais endiabrada do grupo) da possessão, a freira acusou o coitado do Gaufridi de ser um feiticeiro canibal que havia cometido todo tipo de perversão sexual imaginável.

É claro que a denúncia resultou em uma investigação, mas os padres não encontraram nada que incriminasse Gaufridi, liberando o religioso. Mas, em vez de ele ficar quieto e se dar por satisfeito de a história toda não ter acabado com ele virando churrasquinho, Gaufridi exigiu que seu nome fosse limpo e que as freiras fossem punidas.
Com isso, formou-se um tribunal e, durante o processo, Madeleine e Louise foram ouvidas. Os participantes concluíram que as duas freiras estavam em avançado estado de possessão demoníaca, e inclusive chegaram a encontrar a marca do Diabo no corpo de Madeleine.

Segundo os testemunhos, a jovem freira se contradizia o tempo todo — fazendo terríveis acusações contra Gaufridi para, depois, negar tudo —, e tentou o suicídio duas vezes durante o processo. Por fim, o padre foi preso e cruelmente torturado, e uma confissão onde seu nome aparecia assinado com sangue foi apresentada ao tribunal. Nela, Gaufridi confessava que havia feito um pacto com o Diabo e celebrado um ritual para conseguir dominar as mulheres.

Crueldade

Gaufridi depois negou tudo o que havia confessado sob tortura, mas o documento era contundente demais e o tribunal acabou condenando o pobre padre a queimar na fogueira. Assim, em meados de 1611, depois de ter as mãos atadas às costas e de ter o corpo içado, Gaufridi foi arrastado pelas ruas de Aix durante cinco horas até, finalmente, ser levado ao local da execução.

Lá, o padre a implorou para ser estrangulado antes de seu corpo ser queimado e, para seu alívio, o pedido foi atendido. Segundo dizem, Louise Capeau continuou possuída até a morte, enquanto que Madeleine “milagrosamente” se viu livre de sua possessão logo após a execução de Gaufridi.
As duas freiras foram expulsas do convento e, trinta anos depois, em 1642, foi a vez de Madeleine ser acusada de bruxaria. Nessa ocasião, ela deu um jeito de provar sua inocência, mas, curiosamente, voltou a ser incriminada em 1652 e, apesar de ser condenada à prisão, Madeleine conseguiu ser liberada sob a custódia de um familiar 10 anos depois — e morreu em 1670.


O caso das Possessões de Aix-en-Provence foi o primeiro no qual o testemunho de uma pessoa supostamente possuída pelo demônio foi considerado durante um julgamento. O mais interessante é que ele abriu precedente para a famosa condenação de Urbain Grandier, um padre francês  que teria vendido a alma ao Diabo — e queimado na fogueira em 1634.

Fonte(s)
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