IKANATON no Amazon!Confira!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

SEM PALAVRAS por Danka Maia










Este é um conto antigo porém nunca tão atual, achei em meus arquivos e que decidi dividir com vocês.


      Na esquina de um lugar qualquer às três horas da manhã ele sempre chegava com a sua vestimenta funesta habitual: Calça, camisa, meias e sapato de fina estirpe, todos de cor preta. Salvo somente o chapéu, inda sim com uma lista preta. Sim, era um homem de cenho fechado, porém muito charmoso em seu jeito taciturno e clássico.  Era do tipo calado, cabeça baixa, poucos amigos, mas tudo isso se transformava quando surgia na ponta da outra esquina: Ela. Então o seu dilúculo tornava-se sol. O vestido rubro de decote provocante e ao mesmo tempo comedido, dando oportunidade de fazê-lo imaginar tudo sem saber como de fato era, o deixava ainda mais enlouquecido. A Dama, como a intitulava, ininterruptamente o abordava da mesma forma. Vinhas em passos delicados, quadris envolventes, perfume amadeirado, cabelos castanhos presos num coque afrouxado, olhos verdes e absorventes, duas esmeraldas que iluminavam a alma lúgrume do velho homem.

O toque dela em sua pele era percorrer da mão esquerda a altura do pescoço, repousar os lábios num leve mordiscar enquanto a sua mão apertava forte abaixo do ombro onde jazia a tatuagem que fizera com a imagem dela caminhando naquele infinito breu em sua direção. Aperta-la era um modo de lhe dizer entre os adágios:


 
 _Sua imagem acaba de se materializar meu senhor.



 Por outro lado, Cavalheiro, como Dama, a apodava sem nunca saber que ele a titulava de tal modo, uma vez que jamais trocavam nenhum vocábulo, tinha  seu jeito próprio de doma-la.Esperava aquele segundo preciso de sentir os calor de seus lábios em seu colo para envolver suas mãos , uma pela cintura, outra que percorria ousadamente pelas suas costas indo assentar-se em sua nuca e ali firma-la até que  encontrasse seus olhos verdes dentro dos negros dele.



Enfim, mais uma vez, estavam em plena sintonia.



     A primeira vez que se viram, Cavalheiro jazia naquele beco parado com o olhar perdido, enquanto uma batida gitana o fazia companhia advinda de um infeliz sem-teto que do outro lado da cabeceira da ponte tocava ferrenhamente enquanto cacos queimavam a e se misturavam no fogo improvisado dentro de um latão de zinco de uns cem litros, afinal a noite era fria e ali a solidão era companheira fiel e dura.

Cavalheiro remediava as batidas batendo contra coxa arqueada na parede onde semelhava esperar o que não possuía, não havia esperança e ele não era do tipo que cria que alguma coisa ainda pudesse surgir em sua vida e mudar seus conceitos ou virar sua cabeça, muito menos que isso dizimasse de uma senhora. Isso era o que julgava, mas uma coisa é o que se pensa, a outra é a que realmente acontece na vida nossa de todo dia.

A privilegiada informação que tinham um do outro é que nada sabiam além daqueles momentos intensos que vivenciavam de modo furtivo, afoito e imortal. A paixão entre eles saltavam entre os poros de seus corpos e por isso se consumiam de modo abissal e ardente uma vez que desconheciam qual seriam o seu último instante juntos.

Dama veio com passos fortes que o seduziu desde aquele segundo, o provocou dedilhando os dedos entres os seios deixando claro que agora sua respiração ofegava por outra razão, gostava de provocar, faria tudo para no próximo minuto tornar-se submissa ao seu senhor, esse era seu intento, era disto que gostava. Possuía aquele andar de uma mulher forte, sem medos ou delicadezas e ao mesmo tempo tão feminina. Jamais saberemos o que a fez passar naquela esquina e naquele dia e em tal ocasião. Tudo que saberemos é que veio do lado oposto ao dele.

A partir do momento que se amoldavam e suas almas se amordaçavam o mundo poderia ser o próprio inferno,nada arderia mais do que a fleuma que os incineravam, era como se os fluidos corporais de um tomasse a alma do outro no roçar da pele. Uma vez Cavalheiro tentou arguir uma única nota, mas sua Dama pôs o dedo indicador em seu peito e balançou a cabeça levemente enquanto mordiscava os lábios porque sabia que isso o desarmaria ainda mais.



 E quando estava em seus braços, a dona se permitia reprimir. Seu homem compreendia que fazia parte do jogo, arrastava empurrando com o peso do seu corpo para um canto inda mais sombrio do beco, o riso solto e cativante dela o deixava alcançar que mais uma vez  improvisara o que sua Dama queria sem ao menos um som ser emitido entre eles.

As maiorias das pessoas acham que amor, paixão são sentimentos que se expressam usando palavras ou frases do tipo:_Eu te amo ou _Você me enlouquece! Às vezes algumas circunstâncias te obriga sem um tom imperativo a compreender que ler o corpo, o olhar, a face,o modo do ser que desejamos, amamos ou meramente nos envolve da forma mais carnal pode ser o inusitado modo e o melhor de extrair uma reação quente, árdua e delirante.

Que homem ou mulher não quer ser compreendido por seu parceiro só num olhar ou numa transmissão de pensamento?

 Seria uma utopia ou síncope?

Não senhores, é apenas tornar que julgamos como o impossível, tornando-se possível através do motor que revira a alma: O Desejo.  




Dama gostava do encontro de sua língua quente e avermelhada com a de Cavalheiro, era ali que de fato acontecia para ela, mesmo que o ato dele afrouxar o coque de seus cabelos e  os sacolejar para que suas mãos encontrasse o rosto dela outra vez. Dar a seu homem seus desejos mais ocultos e ternos, era como confidenciar a Deus por todos os seus pecados, inclusive aqueles que cometera em plena consciência.Aquele homem arrancava de sua seiva o melhor e o pior dela. Colocava  sua língua dentro da boca dele delicadamente, era importante para a dona analisar a reação de seu parceiro.E ao notar o quanto o seu corpo se era voluptuosa por ela,segurava mais firme sua nuca começar a soltar a sua imaginação e brincar com a língua dentro da boca dele. Tentava enlouquecidamente sugar a língua dele e fazer como  sua. Impetrava que se tocassem se completassem, se amassem como num furor de uma tempestade. Depois passava a sua língua de breve e de forma rápida pela parte debaixo do lábio de seu Cavalheiro. Ele por sua vez ditava as ordens com a pegada de seu corpo junto ao dela. Seus corpos obedeciam às oscilações de suas línguas.



 Cavalheiro amava  passear sem nenhuma pressa pelo corpo de sua amada. O tempo com ela definitivamente parava, apreciava o cheiro doce de sua pele, aroma que jamais soube decifrar com outra palavra que não fosse viciante.

A sensação de ver e sentir os pelos de seu corpo se arrepiando quando  revolvia as mãos ou segurava firme o queixo dela  enquanto sua boca momentaneamente livre ia pairar  descendo seu colo até chegar aos seus seios era a máxima da excitação para ele.Sabia que Dama chegava ao ápice, a ansiava assim, perversa e ao mesmo tempo dominada como um pobre cordeiro indo ao seu holocausto por vontade própria. Raspando suas unhas em seu couro cabeludo e descendo para regaço, tentava morde o lábio inferior dele,mas a mão firme no seu maxilar e os olhos dele eram talhantes,agora era seu homem que ditava as regras e mais ensandecida era concebido o volição no seu sexo. Com movimentos selvagens puxava os cabelos do seu homem, desvencilhando de sua mão com uma módica briga de tapas onde ele a travava sem força no ar pelo punho e com um riso de canto de boca permitia prosseguir, e agarrando-o a calça pelo cinto, pondo-se de joelhos, era hora de rezar, todavia não pela absorção de pecados e sim para consumação do maior deles:A luxúria.









 E ia descendo o zíper da vestimenta lentamente com os olhos nos dele.



O ritual começara a se consumar enfim.



As posições entre eles eram ilimitadas na transa,contudo jamais repetitivas, sem ou com dor a certeza mesmo era: Sem pudores.Como arrancar cabelos, mordidas e dar batidinhas  e sem poupar as unhas, sem machucar,e no olhar deixavam:



 _Isso foi tão quente.



 Reforçado com um texto vigoroso:



_Você é tão bom, que eu pagaria por isso.



Mas sem proferir em nenhum segundo uma letra se quer.



Ao se despedir o ar era leve,o sol soltava seus primeiros raios fulgentes e lindos,talvez por tê-los contemplado em oculto o deixou extasiado.O beijo era simples porém díspar,o laço se desvencilhava no largas dos dedos esticados,uma vez que iam em posição opostas,e antes de desaparecerem cada um em sua esquina da vida,pararam, volviam um para outro no mesmo eixo de seus corpos,sorriam e suspiravam.


Se mais um dia amanhecera, é porque haveria outra noite,e isto era o bastante para que os amantes soubessem que o Destino conspirava ao seu favor pelo menos mais uma vez.