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quinta-feira, 28 de maio de 2015

O INSUSTENTÁVEL VAZIO DO SER por Danka Maia


Rita era uma moça comum. Tão comum que creu que poderia morrer despercebidamente.Em primeiro lugar quero lhe dizer que ela não é  alguém feliz, mas sim, que aprendeu a arte de sorrir sem estar alegre.A esboçar um rosto cheio de candura quando na verdade vivia em plena amargura.A contar como sua vida é abençoada quando na verdade sentia-se esquecida pelo próprio Deus,ao qual chamava carinhosamente de: Papai, que tanto cultuava pelo menos três vezes por semana na igreja local. Uma jovem tão cheia de sonhos e tão cheia de suas próprias mazelas espirituais. Confusa, naquele processo pessoal que todo ser  humano passa pelo menos uma vez na vida sem saber o que fazer com sua existência, sem conseguir encontrar seu rumo ,seu caminho, sua sina.
Quando entrando na adolescência, conseguiu o direito de ir as festas como as amigas do colégio também iam. Lá, constatou que tudo que conseguiria eram as fofocas do dia seguinte, que lhe faziam falta naquele período onde acreditamos piamente que poder contar o que rolou na balada é ser visto como popular e bem entrosado. No entanto, notou em si, dentro do âmago o vazio que tanto lhe acompanhava. Disfarçado pelo riso ou pela piadas dos amigos que ali dançando ou bebericando soltavam. Rita  ria, mas não seria aquele o antídoto para aquele algo tão abissal que era o abismo de estar num lugar lotado, com pessoas queridas, felizes e sentir-se como se o corpo estivesse caindo num abismo negro e seu braços abertos indo de encontro ao nada. E então ela sofreu.
Com tempo,vieram as novas realidades. Trabalho, faculdade,namoradinhos e o encontro na Praça da pequena cidade, onde depois da praia um trio elétrico era colocado para que todos tivessem algo com que pudessem se divertir.Jogar conversa fora, interagir, viver.

 E mais uma vez, lá estava Rita.Linda,jovem,irradiando vida por todos os poros. A juventude tem esse poder de nos dar vicissitude. De ser belos mesmo quando estamos feios por dentro,e essa era a verdadeira face de Rita. Outra vez, entre um gole de bebida e outro, no chacoalhar do seu corpo bonito e esbelto, no olhar malicioso porém delicado do namorado ,a moça percebeu de novo aquele vazio lhe tomando e desta vez domando sua alma. E mais uma vez,Rita sofreu.
O tempo ia passando, e foi depois de um culto abençoado onde ouvira tantos louvores que encheram os céus mas não o seu espírito que ela decidiu que era hora de terminar o que a natureza começara: Sua Vida. Entrou no apertado banheiro de sua casa, olhou-se por minutos que pareciam uma retrospectiva sem fim de uma vida considerada por ela sem expressão, importância, luz e todos os adjetivos que caberiam nessa crônica. Pegou o celular e fez um vídeo onde creu que poderia com palavras explicar a dor causada por aquele vazio que agora estourava dentro seu ser como uma enorme úlcera. No entanto, o que a linda moça desconhecia é que não há, tampouco algum dia haverá palavra ou palavras que qualifiquem a auto despedida de alguém do palco da vida. Tirar a sua própria vida não é deixar de existir, e sim desistir de si mesmo. Os julgamentos não cabiam, não cabem, cada um sabe a dor que lhe atormenta a alma.Contudo, ela o fez, e quando terminou amarrou o lençol ao pescoço e prestes a cometer aquela atrocidade, pela primeira vez em toda sua vida notou que o vazio não jazia dentro de si. Pensou ter sentido alguém lhe empurrar para atrás com intento de impedi-la, olhou a sua volta,todavia,ninguém estava ali além dela, de sua dor e abrupta decisão. Outra vez com lágrimas nos olhos, forçou o lençol e desta vez sentiu uma mão que impediu a dela de apertar com veemência o tecido. De novo, procurou o vazio não estava lá. Mas tomada pelo desespero que só quem passa por isso sabe o que a jovem enfrentava tentou de novo o ato e desta vez, uma voz se manifestou:


_Pare!


Por um segundo creu piamente que já desfalecia afinal, estava escutando uma voz suave e ao mesmo tempo marcante.E outra vez ouviu:


_Pare. 


Retrucou no pensamento:


_Por quê?


E foi quando o mundo pareceu começar a fazer sentido, as cores ter brilho,o sol ter luz, a vida fazer valer. A campainha tocou de repente, e desfazendo a cena por um momento foi atender, e  enquanto retrucava:


_Já Vai! Já Vai! Um momento! - e enfim abriu a porta,Rita teve que se deparar com o nada. Não havia ninguém ali. Uma corrente de ar quente adentrou passando por ela com uma imponência muito grande e jamais presenciada em seus 23 anos de vida.A moça fechou a porta, sem muito entender,quando decidiu sentar-se no sofá e tentar compreender o que acabara de lhe advir. O mais uma vez a campainha tocou. Correu e abrindo a porta desesperadamente. E de novo ninguém jazia lá.Mas a mesma corrente de ar quente e imponente passou por ela, e do nada sentiu uma imensa vontade de voltar ao banheiro, não para começar o que almejava, ceifar a própria vida, aquilo semelhava pertencer há um passado longínquo como uma nuvem distante num dia lindo de Sol brilhante e céu totalmente azul. Enquanto ia soltando os passos em direção ao cômodo, voltara a sua mente a pergunta que ela fizera instantes ali:


_Por que? Por que não fazer?


E ao abrir a porta, seus olhos foram lentamente marejando, um arrepio lhe veio do pés a cabeça, uma Presença Marcante e Única estava junto dela o que a fez ir escorregando na parede devagar como uma garotinha no colo de seu Pai, e ler a seguinte escrita no espelho do banheiro: