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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O QUE ELE NUNCA SOUBE (por Danka Maia)

  

Ela viu o vídeo com olhos gotejando completamente fora de seu controle. As lágrimas ganharam vida, inda que significassem a morte de um sentimento mútuo, forte e agora descobrira que não era verdadeiro. Porque é bom que alguém crie coragem e diga: Um sentimento entre duas pessoas pode sim ser intenso, recíproco, contudo isso não significa que seja real, infelizmente. E com Ela foi assim. Depois do rompimento repentino e dilacerante, juntou as forças para recomeçar, pois está a palavra mais árdua da vida de quem fica após qualquer tipo de morte, ou seja, física ou emocional. Recomeçar é ter a ousadia de durar para ver o que o Destino escreveu para cada um de nós.
        Passaram sete anos. O número da perfeição. Será? Para Ela não fora.
        Voltou aquela cidadezinha onde tudo se dera, e um dia díspar, chovia torrencialmente, Ela o viu outra vez. Alguns anos mais velhos, quilinhos a mais, barba por fazer, camisa social azul claro, punho cerrado, tentando proteger uma menininha linda de cabelos pela cintura que tinham os olhos dele, então Ela soube que para ele a vida semelhava ter passado coisa que não advirá sobre Ela e seus sentimentos. Rapidamente marcou a hora, eram precisamente 9:17 da manhã. E desde então, todos os dias, se preparava com as roupas mais bonitas, o melhor perfume, e naquela mesma guarita entre o Banco e a Praça esperava que a figura dele surgisse e com mais ou menos minutos todos os dias ele passava por aquele caminho sem jamais imaginar que Ela o contemplava do outro lado da rua e como aqueles minutos tornaram-se os aprimorados instantes de seus dias dos últimos dias. Era o seu tesouro, seu reino, seu tudo portanto, sua vida.
         Entretanto não se engane caro leitor, o que o Destino determina, cedo ou tarde, se encarrega de fazer valer sua vontade. Ela chegou naquela mesma hora. Minutos passaram, meia hora, uma, duas e ele não apareceu e Ela se desesperou ao ponto de explodir-se. Voltou a sua casa e de repente tudo passou a ser insípido, incolor, porém gigantescamente doloroso, insuportável e foi num vidro de tranquilizantes que Ela achou sua saída, da dor, desse palco chamado de vida.
        Em seu funeral, família, amigos choravam a sua perda. Como Ela era querida, amada, amiga. E de repente a silhueta de um homem com aquela camisa social azul claro de punho fechado adentrou carregando uma rosa vermelha e caminhou até seu corpo. Todos se entreolharam, ninguém imaginava que ele poderia estar ali. Tateou seu cabelos, passou delicadamente as pontas dos dedos pelo sua face pálida porém inda belíssima ao seus olhos e foi quando a primeira lágrima ousou trair seu cenho firme e assente, e ele desabou pranteando copiosamente.
        Tiveram que retira-lo, no entanto antes olhou para Ela ali inerte e ida, lançando as perguntas que teriam mudado completamente tudo:
        _Por que não me disse que tinha voltado? Por que não me procurou?
         Pois é meu amado leitor, as vezes atrás de sentimentos tão perigosos como orgulho, receio, de mostrar quem realmente somos e o que desejamos simplesmente perdemos, curso daquilo que nos foi reservado, mas por reservas banais ou bestiais escorrem entre nossos dedos como se fossem areias da praia no vento.