Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

EU NÃO GOSTO DE LER! (Por Danka Maia)

 
 imagem google


Pedro era o típico adolescente parafernália. Com celulares, tablets e notebooks por todos os lados e em todos os lugares que costumava ir. O calcanhar de Aquiles dele era sua mãe e também professora de Língua Portuguesa, a dona Elisa. Uma renomada e devotada discente, daquelas que leva o dom de ensinar como sacerdócio não como profissão, diga-se de passagem, como tem que ser. Porém, o dom e a dedicação da professora ficava sempre questionado quando incentivava seus alunos a leitura e o primeiro a reclamar era ele,seu filho Pedro que berrava para os quatro cantos da turma:
            - EU NÃO GOSTO DE LER! -A classe na gargalhada e ia ao delírio, afinal Pedro conseguia jogar por terra as tentativas da mãe, professora e era o queridinho popular da galera. Até que um dia, Elisa adotou uma postura e deu entender que desistira da ideia de abrir o apetite literário de seus alunos, em outras palavras, do próprio filho. Em um de seus intermináveis pedidos à mãe, recebeu pela primeira vez um papel com escritos de uma língua que não fazia ideia de que país se originara. Notando que se tratava de mais uma tentativa de Elisa em despertá-lo para a leitura, deu os ombros, jogou o papel já amassado no chão e de novo disparou:
          - EU NÃO GOSTO DE LER! -Durante a semana a cena repetia-se, Pedro pedia algo, Elisa entregava a folha com a tal língua como resposta. No entanto, adolescente suporta tudo menos esperar, não é verdade?Tudo tem que rolar para ontem! Pedro não suportou a pressão e partiu para sites em busca do que a mãe colocara na tal mensagem. Contudo, depois de uns cinquenta idiomas pesquisados, jogou a toalha e decidiu ir à mãe.
            -Tudo bem dona Elisa, a senhora ganhou! Que raios está escrito nessa mensagem trolada?-Elisa parou de ler, sorriu e o respondeu:
            -Tentou descobrir?
            -Tentei mais de um milhão de línguas e nenhuma traduz essa parada aí.
             -Você sempre diz: Eu não gosto de ler, certo? -Diante dos olhos do menino escreveu de trás para frente desvendando o mistério daquelas letras.
            -Eu sei disso! -Levantou-se, antes de romper a porta boquiaberto o adolescente a indagou:
            -Por que isso?
            -Sabe filho, a leitura pode entrar em sua vida por duas formas, uma é pela obrigação, a outra pela curiosidade. O que te levou a procurar foi a precisão, mas me questionar foi a curiosidade, então, já fiz o meu papel, agora é contigo. -E se foi. No dia seguinte, Pedro começou a procurar assuntos de seu interesse e lê-los. Na redação que a mãe e professora pediu sobre leitura o último parágrafo que leu da sua foi: "Eu ainda não gosto tanto de ler,mas também não quero que a necessidade me roube o prazer da curiosidade que a leitura pode me proporcionar.".