Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O DIÁRIO DE MACHINE: A OSTENTAÇÃO DO “TER” E A DEGRADAÇÃO DO ”SER” por Danka Maia




A OSTENTAÇÃO DO “TER” E A DEGRADAÇÃO DO ”SER”






Faz tempo que não paro para escrever esse tipo de artigo como de hoje. Por inúmeros motivos, razões e afins, mas tem hora que nos deparamos com certas coisas que mexem no âmago nos nossos princípios, do nosso costume , daquilo que nossos pais nos ensinaram e que levamos uma vida para construir e a gente necessita, precisa, carece se posicionar de defender naquilo que cremos. Em primeiro lugar quero deixar claro a máxima: ”Gosto não se discuti.” Então quem gosta, acha o Supermega legal, ok, quanto a mim falarei o que penso, o respeitar precisa existir para haver o respeito. Tenho acompanhado movimentos musicais como “Funk Ostentação” e ontem vendo uma reportagem me deparo com o “Forró Ostentação”, confesso que enquanto ia vendo a matéria ia me indignando como pessoa de um jeito que há muito não acontecia. Na matéria, os músicos argumentavam que a razão pela qual suas canções possuem letras que enaltecem TER o melhor carro, a melhor bebida, roupas de marca, casas luxuosas e etc., é porque quer desejam que seus ouvintes se despertem para TER as melhores coisas da vida, que todo mundo quer TER o que tem de bom, o que é de qualidade e que suas letras despertam a ideia do não desistir de seus sonhos. Então comecei a refletir mesmo não crendo no que via: ‘ Como assim TER tornou-se melhor que SER?”
  Sou de uma geração onde os versos exaltavam a consciência política, social, onde o SER era infinitamente maior do que o TER, aliás, o TER  não era se quer lembrado. Creio piamente que não sou a única pessoa que valorizam o SER. A importância  de
SER educado!
SER trabalhador!
 SER honesto!
 SER generoso!
 SER humilde!
SER humano!
 Onde  ressaltar numa letra de música para que alguém não desista de seus sonhos cabia no verso:
“Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança.”

E o valor dos sentimentos jazia em:

 “ É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porquê se você parar para pensar, na verdade não há.”

Não sou obrigada, nem posso permitir que minhas sobrinhas, alunos, sejam intoxicadas com essas letras tão cheias de palavras torpes que de verdade só enchem mesmo o bolso de quem as produz e cantam. E que na dura realidade só, e tão somente esvaziam as mentes dessa geração que já carrega tão pouca consciência moral, política, social.
  É claro que não vivo numa utopia socialista, seria hipocrisia da minha parte. É óbvio que as pessoas lutam para ter o melhor, desfrutar e poder dar aos seus familiares o mesmo. Mas a questão é:

SER humano ou TER humanos a sua volta em virtude do que você tem?

 Eu creio que a Sociedade precisa desesperadamente parar e agir sobre alguns valores, para que nós não percamos ainda mais do muito que já perdemos por essas distorções morais implícitas nessas ideias das “modinhas” musicais que sempre esbarram na frase: “ Ah, mas não tem nada haver?”


Talvez já passou da hora de rever e agir sobre nossos princípios.