Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

domingo, 27 de julho de 2014

Poderia vir Morfeu

Desenho: Isa Lisboa
O vento passa por entre as folhas das árvores, tocando-me uma sinfonia ritmada, certa.
Aqui sentada, poderia vir Morfeu, entregar-me-ia toda a ele. Deixaria que o seu beijo me fizesse descansar, envolta pelo cheiro da terra, pela vida que dela pulsa.
Talvez que a terra me puxasse para si, e me tornasse eu também árvore, de raízes firmes e enterradas no chão, que os meus braços se transformassem em galhos. Com folhas como estas, para que o vento fizesse música comigo.
Que o meu corpo se fizesse tronco, que daqui a muitos anos alguém tentasse rodear-me com os braços e não achasse a mão do outro lado.
Árvore robusta. Resistente ao tempo.
Aqui estou deitada. Talvez apenas as árvores peçam às suas raízes que saiam e me envolvam os tornozelos, os pulsos, as pernas, toda eu.
E assim não sairei daqui.
E assim terei um lugar.