Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

sábado, 26 de julho de 2014

A Urgência de Uma Necessidade por Danka Maia


 
 Por mais retundante que pareça,quem nunca se sentiu perdido, esquecido ou meramente frustrado por tentar desesperadamente mostrar ao outro a urgência de algo ou alguma coisa e perceber de imediato que não  conseguiu se fazer entender? Que por mais que tenha se retorcido em palavras ou atitudes o outro não alcançou o tamanho da sua precisão? Dessa busca pela compreensão imediatista que todos nós mortais ao menos uma vez na vida experimentou nasce essa crônica.

Afonso era um típico magnata das pedras, advindo de família donas de jazidas e mais jazidas de pedras preciosas, nascera em berço de ouro literalmente e com esse tipo de gente é muito complicado compreender sob o ponto de vista do mero e relis mortal que  careça de alguma coisa. Por isso todos espantaram quando o milionário adentrou o recinto do bar da esquina esbaforido aos berros:

_UM GRAMPO! UM GRAMPO PELO AMOR DE DEUS!- Ressalva: Naquele boteco ninguém sabia quem ele era, e ai começava a sua saga.

_Meu senhor, vá com calma ai!- disse o dono do ambiente com um pano sujo "limpando" o balcão.

_Eu preciso muito de um grampo! Um grampo desses de cabelo! Alguém tem um grampo? - retirando da carteira um alto valor em notas prosseguiu:_ Pago o preço que pedirem dinheiro não é problema!

Todos riram e voltaram a bebericar seus copos de cachaça. Afonso saiu frustrado, ombros caídos, passos perdidos. O que ninguém jamais poderia supor era que o endinheirado necessitava de um simples grampo de cabelo para prender os cabelos de sua única afilhada e que também ocupou o lugar de filha, para prendê-los a grinalda. A moça teimara em casar-se num vale perto dali no meio do nada com tudo muito simples e rústico. Tão simples e rústico que ela mesma preparou-se, entretanto na hora de subir ao altar e Afonso passa-la aos braços de Felipe, o noivo,  a grinalda caiu.E para uma família grega isso significava para lá de mau agouro, daí a caça desatinada do pai/padrinho para que sua única herdeira não passasse pelo apuro e maldito prenúncio de ter o casamento fracassado antes mesmo de começar.







  Dorito,como era chamado, era um bom vivã. Uma cara simples e de bem com a vida. Vivia sorrindo e abraçando todos a sua volta, sem contar nos beijos. Beijos para lá, beijos para cá.
Era o seu jeito de demonstrar afeto, carinho pelo próximo. Porém, houve um dia que Dorito chegou à padaria da Sebastiana para aquele café no meio da tarde de todo dia e com a mesma empolgação pediu para o Osório:

_Ô meu querido, manda ai o "Zé pretinho" que me faz feliz!

_Para já meu chefe!- respondeu o atendente que tão bem conhecia o amigo e freguês.

Ali bebericando, conversando e interagindo, por várias vezes ele parou na frente de um e de outro e pediu:

_Me dá um abraço?- Todos riram. Aquele não era o Dorito, pedir abraço? Era ele o senhor que agarrava a todos com seus abraços de ursos e beijos cheios de calor humano. Dorito também ria da reação das pessoas, no entanto, o que ninguém sabia era que o dono da alegria viera de uma consulta médica naquela tarde e recebera um diagnóstico de câncer na próstata avançado e não viveria muito, e não viveu mesmo, um mês e meio depois o feliz Dorito Partiu da Terra dos viventes.

    A pergunta que não quer calar é: Até onde entendemos a emergência do outro? Ou até onde estamos dispostos a isso? Aqui com meus botões penso: "Compreender a urgência da necessidade do outro é como ir ao banco precisando de dinheiro. Você sabe que tem algo disponível, mas não sabe se é o bastante."

Diante disto, como quem precisa da urgência, sejamos mais francos, sem orgulhos, sem supostas vantagens a oferecer, e como quem pode socorrer que possamos ser o mais ouvinte dos mortais. Sabe leitor as pessoas carecem das mais variadas necessidades e na maioria das vezes isto está intrínseco num olhar chamado "ME INTERPRETE, POR FAVOR!" Entretanto, a correria desse mundo moderno, onde as redes sociais tomam a maioria do nosso tempo, onde todos são felizes, estamos esquecendo literalmente de gostar de interpretar o olhar do próximo, do poder do seu brilho, daquela máxima:" Te conheço só pelo olhar!". Isto está deixando de ser uma verdade, uma bela verdade. Deixo esse texto para que aqueles me amam, que fiquem mais atentos a mim e como sendo também aqueles que amo, que eu esteja mais aberta que nunca para alcançar todo as suas emergências como prioridades minhas. E a você meu amado leitor, que perceba o quanto alguém necessita de algo, alguma coisa, uma mera atitude sua nesse exato momento.

Bora lá,ajudar!