Entre Quatro Paredes e Nada Mais LIVRO

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A INVEJA MATA? Por Danka Maia











A INVEJA MATA?




 Hoje  decidi trazer um tema que também dá o que falar, a tal da inveja.Para começo de conversa quero ressaltar bem a definição do que realmente é ser INVEJOSO.
O invejoso não quer ter o que você tem. Querer o que você tem é o que ambicioso deseja. O Invejoso não quer é que você tenha, seja  lá o que for.
Este tema pode vir a ser complexo, e nem sempre de compreensão total. “Esgravatar” os  motivos da inveja é algo que muitos acham não ser sequer necessário. Entretanto não será uma forma de conhecimento e desapego, tentar conhecer e perceber, todos os comportamentos do ser humano? Incluindo os maus, como algo tão importante como os bons? Admitir que sentimentos maus existam, tal como os bons?




 Dá sempre que falar… Porque dá trabalho.. "Borá "Lá?


Muitas vezes ao criar personagens, não podemos somente inventar um nome e uma descrição de um corpo. Toda a sua personalidade, previsão de comportamentos e individualidade, deve ficar registrada.

Ao minutar um livro dedicamos o tempo a conhecer nós próprio as nossas personagens, o porquê de fazerem o que fazem, criando uma vasta linha de hipóteses, que podem variar consoante os estímulos internos e externos que decidimos se existem ou não.

Um texto escrito por nós , é o nosso pensamento, a criação do nosso mundo. E fazer com que o nosso mundo se parece com a realidade e predicabilidade de comportamentos, remete-nos a vários exemplos de vida. É simplesmente mais fácil, recriar personagens, inspiradas em pessoas que já conhecemos, do que em algo que nunca vimos, ou presenciamos.

No entanto á que tentar entender todos os pontos de vista possíveis, e tentar perceber não só os bons comportamentos, como também os maus comportamentos. Por vezes, algumas ações são mais complexas do que simplesmente estereotipar a pessoa como “má peça”. Temos de apreender todos os lados imagináveis, e perceber as razões que levam o individuo a agir de certa forma.

Criar uma boa personalidade é criar um ser vivo num mundo paralelo. Isto não quer expor, que este não mereça ser congruente, realístico, e verídico.A criação de uma boa personagem, pode ser mais complexo do que possa parecer ao inicio.

E, contrariamente á vida real, gostando dela, ou não, temos que a fazer perceber a nós próprios, e aos leitores, quais os motores da nossa personagem.


A VISÃO PSICANALISTA DA INVEJA




A visão psicanalista defende que a inveja é um impulso causado pelo ódio, que já se encontra presente no indivíduo desde da mais tenra infância.E que em dado momento ele vai lançar sobre alguém que o remeta a lembrança do fato.

Segundo Spinoza a inveja é “O ódio que afeta o homem de tal modo, que ele se entristece com a felicidade de outrem, e ao contrário, se alegra com o mal a outrem.”

A inveja cria impulsos negativos que têm como intenção, destruir ou apoderar-se dos bens de outra pessoa, para acalmar uma pulsão de infelicidade do sujeito.Por isso negar ao outro o direito de ter o que ele quer passa a ser  visto e sentido como um "triunfo", uma espécie de "vitória".

Segundo Trica (2009) a inveja é o ódio que se intensifica, podendo assim ser considerado um sentimento. Este sentimento é intensificado quando o indivíduo se sente destabilizado devido a um complexo de inferioridade em relação a um ou mais indivíduos.

O sujeito sente culpa por ser inferior e fantasia com aquilo que pensa fazer-lhe falta. Acredita ser merecedor daquilo que fantasia, e quando a realidade não lhe proporciona o que ele sente ser merecido, o ódio e a humilhação são projetados para um súdito que o fulano não considera estar ao seu nível, não tendo por isso direito a ter aquilo que este não tem.

Segundo a teoria kleiniana o impulso destrutivo esta ininterruptamente presente na inveja e estão já presentes no bebê quando este, por exemplo, ataca a mãe, tentando destruir algo supostamente bom que sente estar a perder, tal como, por exemplo, na substituição do seio pelo biberão. A teoria psicanalista acredita que a inveja é uma pulsão de morte, de destruição, que vai contra as pulsões de vida, aquelas que nos dão prazer.

O bebê sente-se amado, sente-se vivo, e sabe que existe através do contacto com a sua família, e vai experimentando relações de prazer e afeto.

A altura do desmame vem frustrar a criança causando angústia e raiva, que ele vai projetar no objeto perdido, tendo assim uma pulsão de morte contra uma pulsão de vida.

Sendo a inveja um sentimento tão precoce, considera-se que a inveja é um elemento básico do campo emocional, e que quanto mais precários forem os cuidados com desenvolvimento deste ser humano, mais este tende a desenvolver futuramente sentimentos de inveja.




“O INVEJOSO É, POIS, UM SER VINGATIVO QUE SE SENTE ROUBADO DE SUA SEGURANÇA EXISTENCIAL  E DE SUA SATISFAÇÃO PLENA DE VIVER.” (Trinca 2009)




O conceito de inveja pode ser descrito como “o sistema mental determinante é constituído pelo padrão dominante do funcionamento mental inconsciente e consciente que tende a se estabelecer de modo relativamente constante por períodos relativamente prolongados

A inveja é assim um estado de que o indivíduo pode ou não ter noção, mas, no entanto desponta neste o sentimento de cobiça, de vingança, sentimentos estes causados pelo sentimento de inferioridade em relação aos outros que atormentam o sujeito.

Podemos referir que a inveja tem como base a comparação que o individuo faz de si com os outros, sendo esta que provoca o sentimento de ódio e vingança que a inveja o despertou.

A inveja pode mesmo ser um mecanismo de defesa do si mesmo. Quando pacientes procuram ajuda psicológica, por exemplo, por vezes podem-se sentir ameaçados pelos conselhos do terapeuta. Ignoram a ajuda que este lhes pode prestar, para simplesmente esconderem a sua fragilidade por detrás da inveja. Esta inveja pode ser resultante de sentimentos negativos, em que o individuo se sente desqualificado, e pouco competente para se gerir a si próprio.



Que fique claro: ASSUMIR A INVEJA É UM DOS SENTIMENTOS MAIS COMPLEXOS DO SER HUMANO.



Entra assim em ação a inveja como mecanismo de defesa, sendo que o paciente discorda do terapeuta pois não quer admitir a sua fragilidade, querendo proteger a sua própria imagem.
 acredita que assim, a inveja pode ser uma “defesa para a desqualificação interna.”

Quando o individuo se vê perante bens que outra pessoa possui, o sentimento de impotência e de rebaixamento pode ser assim projetado para o ódio por essa pessoa ou por esse objeto, tendo como objetivo destruí-lo para uma manutenção e proteção do próprio SER.

    Quanto mais frágil for o ser da pessoa, tal como a sua situação psicológica, mais propicia está a sentimentos invejosos.



A INVEJA, OUTRO PONTO DE VISTA



 Mas... Como tudo na vida, há um outro lado da questão.

“A inveja, por sua vez, é a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em tipos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais.”       Paulo Dalgalarrondo, (2000)

Podemos com isto refletir sobre as consequências que a inveja pode causar nas pessoas. Transtornos psicológicos podem causar impulsos invejosos no individuo, sendo estas destrutivas para si mesmo. Este complexo de inferioridade, ou de imaturidade,  é refletido em pessoas com baixa autoestima. É mais simples para o individuo extinguir ou possuir aquilo que já é de alguém, do que ter a capacidade própria de conseguir as suas próprias conquistas.

É crucial a autocomparação para desenrolá-lo deste sentimento. Se um individuo centrar a sua atenção na sua vida, e se concentrar em construir as suas oportunas conquistas, não estaria tão propicio a comiserações invejosas.

Com um bom nível de autoconfiança é plausível ao individuo viver sem cobiçar aquilo que não lhe pretende, ou esforçar-se para si mesmo a alcançar o que pretende.

            O individuo deve por isso centrar-se no seu próprio potencial e sentir-se motivado com o exemplo dos outros, para poder subir na vida, sem sentir magoa ou rancor pela conquista de outra pessoa.



"A INVEJA É A DEFESA DOS MAIS FRACOS CONTRA OS MAIS FORTES."



No dia que ouvi meu professor proferir isto em alto e bom som, fiquei passada,mas ao mesmo tempo me marcou para  sempre.É a frase que mais traduz uma pessoa que pode ser qualquer um de nós.



CONCLUINDO...


“A INVEJA VÊ SEMPRE TUDO COM LENTES DE AUMENTO QUE TRANSFORMAM PEQUENAS COISAS EM GRANDES COISAS, ANÕES EM GIGANTES, INDÍCIOS EM CERTEZAS” (MIGUEL CERVANTES)





A palavra inveja deriva do latim “invidere”, que significa não ver. É um sentimento de egocentrismo, por não suportar a ideia que o outro possa ser melhor.

Para os católicos, a inveja é um dos 7 pecados mortais: desejo por atributos, posses ou status da outra pessoa.

É a vontade frustrada de ter o que é dos outros, pois não possui as competências adequadas para tal.

Os mais fracos são incapazes de atingir certas conquistas na vida, recorrendo por isso àquilo que não lhes pertence. Atingem um nível de satisfação ao retirar do outro para darem a si próprios.

Aos olhos dos invejosos, as conquistas dos outros parecem de algum modo mais grandiosas do aquilo que realmente são. Desperta no invejoso uma sede de vingança inexplicável até para ele próprio, alegrando-se com a tristeza que causará na pessoa.

A inveja em senso comum também se designa como o ato de não querer partilhar os seus bens com ninguém.

Uma criança invejosa é criticada por não emprestar os brinquedos a outra criança, embora sinta vontade de brincar com o que não e dela também.

Existe, no entanto em senso comum uma ligação muito forte entre ciúme e inveja, havendo tênues diferenciações.


            Podemos concluir que a inveja, numa visão psicanalítica, funciona como uma pulsão de morte, sobre uma pulsão de vida, ou seja, o indivíduo destrói ou apodera-se de um objeto que sente como merecido, para proteger o "eu" de lacunas como o rebaixamento e a inferioridade. A inveja funciona assim como mecanismo de defesa para consigo.

Pessoas psicologicamente perturbadas têm assim uma maior possibilidade a este tipo de emoção.

A inveja é, no entanto um sentimento composto por vários tipos de emoções, tal como tristeza, magoa, que o indivíduo sente por si próprio, e por fim, um ódio arremessado. Após a destruição ou apoderação do objeto, o invejoso sente alegria com a tristeza do outro, que lhe causou mágoa anteriormente. Isto demonstra também a necessidade de vingança que a inveja faz sentir.

Podemos concluir que a inveja é assim uma mistura complexa de emoções e estados de espírito que podem variar de pessoa para pessoa.

Leva-nos a pensar se o ser humano não nasce já propicio a inveja, logo que sente as primeiras angustias na vida, logo na tenra idade, o que o leva a uma proteção determinada de si como ser vivo, que existe que é vivo e que se quer impor para a vida.

A humanidade deve assim como individuo singular, enriquecer a sua personalidade e conduta, para que aquilo que não a pertence lhe traga exclusivamente incentivo de crescimento.

E não tenha medo ou vergonha de admitir ser invejoso, tenha mais vergonha em ser e se ocultar  e buscar autoajuda ou procure um profissional da área e amadureça, por que isto sim é que define e molda o ser que você é e será.