Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Machado de Assis, simplificá-lo é matá-lo

"Esta a glória que ficaeleva, honra e consola." - M. de Assis 


           Não sou fã de Patrícia Secco, deixo bem claro antes de começar o assunto, entretanto não é a minha opinião pré-definida sobre a autora que me faz desprezar tão vilmente o novo trabalho dele que ela pretende lançar. Decerto os mais informados e conectados ao mundo da internet já conhecem esse assunto, porém percebi que nem todos os autores e leitores conhecem a informação "Machado de Assis será simplificado por Patrícia Secco".
Machado de Assis foi e sempre será o maior dos autores brasileiros. Ele escreveu de tudo um pouco (Crônica, Conto, Romance, Poesia, Crítica literária, Peça Teatral...). Vou ser direto, a simples tentativa de simplificar Machado de Assis é um crime de honra contra a cultura nacional.
Talvez os defensores usem a defesa, “Os jovens não deveriam ser obrigados a lerem a complexa obra de Machado de Assis”, para isso tenho o meu argumento, não sou velho e desde os 10 anos de idade leio com prazer Machado de Assis. Regozijo cada segundo que perdi lendo “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó”, entre outros.
A linguagem rebuscada e as ironias é uma marca inconfundível e inalienável de Machado, é essa uma marca do autor. O livro que não tiver a marca do autor, não é Machado de Assis, é um livro qualquer. É um vitupério o que está sendo feito com a obra do maior autor brasileiro, e pior é o apoio financeiro recebido pela autora dos livros. Os livros que dizem que Machado simplificado será distribuído pelo governo federal. Seria mais útil para o povo brasileiro se pegassem a verba que foi usada para patrocinar esse ultraje e destinassem para novos autores, novas produções de autores brilhantes que estão ainda anônimos.
E por fim, se é para ter novos leitores que não conseguem ler um Machado de Assis, prefiro não haja. O que não podemos é matar um clássico apenas por números de IDH, o que não vale nada. Talvez deixemos de analfabetos, mas pior, teremos um tanto de brasileiros que sabem ler, mas não têm a capacidade de interpretar.  Pois isso lhes foi tomado por uma autora que irá entregar ao povo um livro já interpretado e com um vocabulário pobre, como o (des)serviço que ela realiza.

   

Josué da Silva Brito

Este artigo reflete a opinião expressa do autor e não a opinião do blog em que foi vinculado.

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