Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

QUATRO DIAS por Danka Maia (Continuação)









QUATRO DIAS

SEGUNDA PARTE......




Intrigada Sofia o indagou:

_E por que precisava de tal oportunidade? Já se passaram tantos anos.-sussurrou crendo que ele não ouvira.

_Sempre achei que essa conversa por mais dolorosa que fosse tinha que existir.Temos assuntos inacabados Sofia, sabe disto.- Fitando de lado enquanto limpava o suor de seu rosto de traços marcantes e bem feito.

A moça sabia que Guto tinha razão. Mas às vezes o que nos adianta a razão frente à decepção? Nada. Quando a circunstância nos puxa o tapete jogando-nos num abismo de emoções e lágrimas pouca coisa resta, uma delas, palavras.Simplesmente parecem perder toda seiva que muitas vezes nos coloca de pé. O que Sofia queria esconder do rapaz fora a depressão cavalar e crudelíssima que enfrentara calada e que somente Milton notou porque teve que conviver com ela.

_Sofia de novo com esse quarto fechado?- Milton era baixo,branco, cabelos negros,olhar pequeno e  um pouco paciente.Compreendia que aquele casamento fora um acerto bem feito para si e a filha do pastor.Porém se irritava constantemente nos primeiros anos com a convalescência emocional dela e as idas ocultas ao psiquiatra.

_Desculpe.- Respondeu num tão quase inaudível.

_Poxa tem que levantar dessa cama e ir viver! A casa está uma desordem, comida para fazer, roupa para lavar. Daqui teus pais estão ai para o glorioso almoço de domingo e se ver essa bagunça toda vou me explicar como para eles? Anda, levanta logo! Anda, anda!

A moça se erguia num esforço descomunal da cama. Punha primeiro os pés para fora enquanto a  outra parte de si implorava que fenecesse naquele exato segundo e assim terminaria todo aquele calvário.Milton ia abrindo as cortinas com grosseria e mais resmungos,afinal aquele era seu único trabalho, fazer de conta que tudo estava bem.

Sofia naquele dia em particular havia decidido, sem nada avisar, sem combinação nenhuma com o marido porque evidentemente este a calaria até mesmo usando a força como ocorrera algumas vezes,que naquele almço haveria um grande desvendamento.Queria se revelar, pronunciar  toda dura verdade tão bem abrigada,rasgar o peito, expor a alma, abandonar as vestes daquela postura reprimida, abrir as pernas dos pensamentos e conceber frente a todos a si mesmo,mostrar quem ela era e como se sentia para aqueles que se intitulavam sua família.Cansara de ser uma gente cotidiana, de maquiagens mal feitas e retoques ainda piores.Carecia que aquele tipo de fidelidade resignada fosse enfim extirpado de sua vida para todo o sempre.Seu pai era um homem comum, cumpridor metódico de seus deveres religiosos e por ele considerados preciosos.Entendia pouco de prazeres,e ao findar de tantos anos não conseguia mais  dissipar o que eram seus poucos desejos, se tinha sonhos ou se tudo se aglomerava na tediosa linhagem que construíra ao longo de tantos anos de dedicação.

A mãe era mais uma dona de casa comum, vendia cosméticos e roupas para membresia da igreja. Uma mulher submissa, uma mãe distante, um ser que nunca saberemos se realmente existiu.

Esse era o mundo de Sofia.

Ela se arrumou como nunca. Vestiu-se como mandava o figurino, roupa contida, sapatos baixos, pouca maquiagem, cabelos presos e um sorriso falso saudando seus genitores:

_Cada vez mais jovem mãe! Pai, mais forte, não?

Nenhum dos três compreendeu o que havia acontecido com a filha e esposa recatada, aquele tom irônico não era lhe era peculiar, na verdade, não estava no roteiro do clichê de família. Sofia não suportava mais a vida, as pessoas e o sentimento de sempre: Frustração.

Sentou-se apanhando o garfo e apanhando um enorme pedaço do frango comprado na padaria, abocanhou e com a boca cheia disse:

_Tenho depressão profunda, sabiam? Estou tomando cinco medicações ao mesmo tempo e nenhuma resolve o meu problema. Nenhum! Então, o que farão?

_O que deu nela?- indagou o pai ao marido.

_Ela parece estar endemoniada!- soltou a mãe.

_Desculpem meus sogros,Sofia não está não bom dia e...

_PAREM DE FALAR DE MIM COMO SE EU NÃO ESTIVESSE AQUI!

Houve um silêncio estarrecedor.

A moça abandonou a mesa, apanhou a bolsa e saiu sem direção. Era um dia chuvoso, pior somente a tempestade que carregava na alma. Atravessou carros e carros. Uns frearam em cima dela, outros a xingaram,entretanto pouco importava,queria algo que nunca mais soube o gosto.Sofia queria a sensação  do vento no rosto,do querer, do sorrir,do se permitir,algo que só desfrutou enquanto esteve com Guto. A liberdade.

E de novo vem o destino com as suas. Milton saiu no carro atrás dela, sendo sua responsabilidade ou cofrinho, ainda sim era seu encargo. Foi na descida de uma transversal que um motorista de um caminhão acreditou que podia romper o sinal prestes a fechar que a vida dele foi ceifada.

E o peso da culpa inundou a alma já afogada de Sofia.

_Matei meu marido sabia?- confessou remexendo os pés naquela terra árida.

_Do que está falando Sofia?- Guto não compreendeu a declaração da jovem. - Até onde sei Milton morreu num acidente de trânsito e...

_Causado por mim!- gritou com os olhos cheios de lágrimas. - Eu o matei. O condenei, e por mais que tenha sido um parasita não merecia isso de mim.- ajoelhando lentamente e entrando num surto de misto e desespero.Guto abaixou passando a mão em seus cabelos sem saber o que proferir para lhe abrandar a dor tão notória e desumana.

_Sofia... Olha... Ainda está nervosa com tudo isso e...

Num ímpeto se ergueu pondo o dedo no rosto do rapaz ainda no chão:

_E a culpa é sua! A culpa sempre foi sua!

_Minha? Um acidente de carro?

_Sofro de depressão profunda desde faca que me cravou na alma. Jamais deixei de pensar um dia se quer no motivo que o fez fazer tamanha sacanagem dessas comigo! Arruinou a minha vida e foi viver a sua, senhor Doutor em Física Quântica!Você não presta! Não vale o que come!

_Sofia... - Guto por minuto deixou que ela despejasse o vômito da mágoa nele, compreendia merecer.

_ Foi frio, cruel, egoísta! Meu Deus como eu pude devotar a minha toda a alguém assim!Todos os meus sonhos foram com você Guto. Todos!- partindo para cima dele com raiva e o esmurrando apesar de sua pouca estatura em relação à dele.

Guto deixou que disseminasse sobre ele toda sua cólera, enquanto ia rememorando partes da música que tão bem os detalhou naqueles anos de afastamento na inconfundível voz de Elza Soares.

 

ESPUMAS AO VENTO
 

 

"Sei que aí dentro ainda

Mora um pedacinho de mim

Um grande amor não se acaba assim

Feito espumas ao vento

Não é coisa de momento

Raiva passageira

Mania que dá e passa feito brincadeira

O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei e estou aqui pra te pedir perdão

Cabeça doida, coração na mão,

Desejo pegando fogo

Sem saber direito a hora e o que fazer

Eu não encontro uma palavra só pra te dizer..."

 

Com o tempo a moça cansou, agora só segredava:

_Por quê? Por quê? Por quê?- e foi a primeira vez depois daquele fatídico rompimento que permitiu que os braços dele afagassem seu corpo outra vez. Na medida em que as mãos dele iam descendo por suas costas era como se um ar quente de pleno aconchego viesse a dominando e acalmando os nervos tão a flor da pele. Por outro lado, Guto sentia os cabelos delas outra vez entre seus dedos, seria uma miragem em meio ao deserto? Estaria tudo aquilo realmente acontecendo?

O tempo parou. O tempo sempre para, pois é o maior dos admiradores do amor. A mão direita dele deslizou do meio das costas pelo ombro até chegar a seu queixo e ali relembrar um antigo carinho, esfrega-lo delicadamente antes de beija-la. Sofia se perdia nos seus olhos, porém ao sentir que seus lábios outra vez tocariam, o empurrou com força veemente e rebateu de pronto:

_Jamais!

E Guto viu outra vez seu mundo ruir. Cabisbaixo apanhou as bolsas e se pôs a caminhar rumo a tal Taberna do Vale que Sinval os recomendara.Uma hora e meia de silêncio depois chegaram num vilarejo esquecido pelo próprio Deus.Haviam duas casas. Uma era grande e suntuosa, uma pousada de fato a outra uma pequena tapera, feita de barro brocado, não seria um exagero menciona-la como miserável.

Direcionaram para maior quando a voz de jovem que jazia numa sombra  aproximou-se deles.

_Sofia e Guto?

Os dois se entreolharam, porém calados entre si. Guto o respondeu com a voz seca pela sede e cansaço:

_Sim. Somos nós.

E maior foi à surpresa quando o mesmo saiu da escuridão e um sua aparência os sobressaltaram. Ele arrastava-se pelo chão, parecia uma deficiência que o impedira de erguer-se, muito magro, contudo muito ligeiro e extremamente simpático:

_Que bom tê-los aqui!Sou Jordan.- erguendo com dificuldade a mão para sauda-los. - É uma honra poder revê-los.

A palavra rever arqueou a sobrancelha esquerda da moça e fez o jovem coçar a barba já por fazer.

_Podem me acompanhar.Sinval me instruiu os levarei até minha Taberna.A Taberna do Vale.Serão meus convidados desta vez, adoro isso, a vida dá tantas voltas!

Guto rompeu o silêncio:

_Nos conhecemos de onde Jordan?

O menino esmirado parou e num enigmático sorriso replicou:

_Não lembra Guto? Justamente você? - voltando a caminhar.

Sofia puxou o rapaz pela camisa.

_So que ele está falando? De onde se conhecem?

_Não faço a menor ideia Sofia. Nunca vi o carinha antes.

_Você nunca foi um bom fisionomista. - rebateu em repreensão e tomou a frente da conversa em passos rápidos rente ao jovem.

_Com licença Jordan, mas fiquei meio confusa quando citou nos rever e agora em relação ao Guto.

_È comum que esqueça de mim Sofia.Eu compreendo, ainda mais da maneira que fiquei.- evidenciando a forma de seu corpo.- No entanto,graças aos dois eu ainda vivo e no final verão que isso foi o mais importante,vamos?.- e prosseguiu os passos.

Sofia e Guto criam que a hospedaria seria a grande e bela casa,mas para sua surpresa,mais uma do dos últimos dias não foi.Jordan direcionou-se para o tal casebre caindo em pedaços.

Guto revoltou-se:

_O amigo, pelos céus, não me diga que vamos passar a noite nessa choça desmoronando?

_Guto!- beliscou Sofia seu braço devido menção ríspida.

_Acredite meu amigo, será muito mais confortável do que na Casa dos Segredos.

Lá dentro tudo era rústico e simples. Complexo mesmo, somente o nó que jazia nas mentes de Sofia e Guto.

Quem era Jordan?

 De onde os conhecia?

 Que segredo era este?

Continua...






































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14 DE FEVEREIRO,DIA DA AMIZADE!




SAUDAÇÕES LITERÁRIAS!



Amados,o DankaMachine deixa aqui seu agradecimento pela sua amizade sendo caro leitor ou leitora,mas que sempre vem nos prestigiar com nossos textos,poemas,contos,cronicas e todo tipo de escrito que a nossa criatividade permite e você tem nos agraciados com sua fiel presença.


Receba nossa pequena lembrança,porque a amizade seja em que esfera for,sendo verdadeira é o tesouro mais valioso do mundo!




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Multidão escravizada

Voltando meus olhos para aquela multidão
Pude ver claramente o que os acorrentaram
Toda dor e o medo de viver, os dominaram
Pois suas vidas foram tiradas na destruição

Homens hipócritas cegos por suas injúrias
Formaram olhos de medos aos desastres
Aliando-se aos famintos desejos covardes
Criando maldições alimentadas em fúrias

Voltei meu pensar a tão triste multidão
Então consegui ver o que tanto desejava
Oportunidade de mostrar o que é valor

Aqueles homens hipócritas sem coração
Mataram a esperança que a sustentava
Perderam a vez de saber o que é o Amor
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EU TIVE MEDO por DANKA MAIA

Sim, eu sei que nunca fui tua prioridade, nunca fui seu primeiro pensamento ou talvez primeiro alguma coisa. Mas não havia problema, não queria ser o primeiro alguém ou algo, só queria estar ali, perto de ti.
 Mamãe me avisou sabia?Devo admitir, ela boa com isso.Intuição será?

Contudo, inda sim preferi a dúvida de estar ao seu lado do que a certeza de  nunca fazer parte você.Com isto, jamais poderia conviver.

Havia outros, havia amores, que não quis alimentar porque o que me nutria era a sua existência e a sua persistência de me fazer ver que jamais seria alguém para você.

Posso confessar que doeu? Acho que sim, agora onde você está isto não importa muito mesmo, não é?
 Mas me permita falar algo mais? Era ai que eu gostaria de estar. Nessa aparente e inofensiva solidão que teus olhos vislumbram, numa imensidão que deve ser bela, no entanto queria que fosse vazia porque teus olhos jazem nela e em mim mais uma vez não encontram.

Não foi um ato de coragem,e sim de desespero.

Não foi covardia,foi insanidade de uma alma que prefere ter no além do que aqui com alguém tomando o meu lugar.

Não foi justo,mas porque falar de justiça para uma alma ferida como a minha permanece? 
Isto ninguém pensa, e isto ninguém merece.

Sentada apreciando seu corpo inerte e sem seiva me sinto lixo, bicho, mas e daí? Não foi isto que você sempre me chamou?
O gosto do teu sangue é doce sabia?Melhor só a tua saliva, todavia está nunca pude com verdade experimentar.
Só roubei, e fui punida, foram horas contritas que sua mão no meu rosto encontrava guarita,mas não de carinho e sim de penar.

Eu tive medo meu amor!

Sei que abrirão aquela porta, lerão meus direitos, falarão coisas que não posso entender, porém mesmo nesse momento,saiba,eu vou estar pensando e olhando somente para você.
 Na vida e na morte, entretanto a segunda foi a tua sorte porque de mim tua alma livre está. Sou eu quem ficará na vida, supondo que me querias se não te invadisse com a faca que debaixo do sofá jaz.

É demais...

Sabe, as pessoas vão me julgar, vão supor, expor,descrever,narrar, jamais vão é de verdade compreender a natureza desse meu sentimento por você.
É fácil chamar de doença o que não corroí o teu corpo e sim o do outro que você se quer cumprimenta.
É fácil apontar as falhas de caráter e reputação do meu ato. Mas dos teus agravos em meu corpo? Ah... destes jamais vão falar.

Eu tive medo.

E antes de ir sem ti,a não ser aqui neste músculo rochoso que faz meu sangue ruim palpitar,não poderei ver de pé a tua presença que perdi e para onde vou,jamais irei encontrar.

Adeus.

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3246-B: SUGESTÃO DESCONTROLE-TERCEIRA PARTE Por Danka Maia






Num futuro distante,brasileiros foram submetidos a uma condição onde o Sistema dominou absolutamente tudo.
A democracia deixou de  existir por ineficácia.
O sistema cria controlar absolutamente tudo e todos,mas quem pode controlar o Destino?
Uma moça,uma menina,uma guerreira?
Apenas uma mulher que se atreveu amar sob qualquer circunstância!
Boa Leitura!

3246-B: SUGESTÃO DESCONTROLE




Terceira Parte...

Embora soubesse que o aviso de sua amiga fora de suma importância,Lida desconsiderou aquela sugestão quando o bebê mexeu pela primeira vez dentre de seu ventre.Pungente e firme.Lembrou que seu pai contara que a em sua gravidez que a mãe da Terra  cuja lhe deu vida  em seus relatórios garantia que ela era uma criança saudável,serena e muito dorminhoca,nem mesmo chutava.Foi neste preciso instante que a moça refletiu consigo pondo a mão na barriga já saliente:

_Ele puxou o pai.

Entretanto, em seguida  fez a pergunta que mudaria toda sua vida e toda a história daquele Brasil não mais varonil e sim enfraquecido pelo Sistema daquela atualidade.

_Mas quem é o pai?- Ficou ali contemplando a sua indagação e  a esquisitice que aquilo a propunha.Como uma mãe não saberia quem é homem lhe proporcionou gerar uma vida? Como não saber seu rosto? Seu jeito? Sua forma de ver o mundo? Quem era afinal?

 Correu para as fotografias na parede, aquelas pessoas tão felizes  semelhavam saber cada uma quem foi seu pai, sua mãe,desfrutavam e ofereciam aquela felicidade porque sabiam de suas raízes.

E Lida lançou seu olhar para o ventre e viu que isso era bom e um misto de revolução veio em si e foi inda mais aguçado achar numa caixa que guardava embaixo da cama, seu cofre pessoal, um  antigo conto que ficou preso na tela do que chamavam de tablet supostamente de alguém que cria que o homem é a principal causa de toda transformação.
  "Um cientista obstinado em consertar o mundo, mas interrompido por seu filho de cinco anos que a cada minuto vinha com uma nova pergunta sobre seu intento decidiu empenhar o menino uma tarefa a fim de poder  seguir sua pesquisa na tal mutação do planeta. Deu a ao  garoto um quebra cabeça do globo terrestre crendo que ele levaria horas para decifrar o enigma.Minutos depois o menino volta sorridente e diz:
_Montei pai. O senhor está  tentando consertar o mundo ,não é?
Abismado o cientista não creu na desenvoltura da criança apesar de ter ficado orgulhoso do filho.


_Como conseguiu montar o globo terrestre tão rápido?
O garoto o olhou esquisito como uma reprovação na feição:
_Não pai. Não montei o globo. Eu montei o homem que estava atrás do globo.
E o pai arrepiou-se da cabeça aos pés. Como não pensara naquilo? Seu filho tinha decifrado o segredo e dado a resposta que tanto esquadrinhava.
_Você tem razão filho. Fez o certo. Desmontei o homem e você o refez.Tem toda razão,não se pode consertar o mundo sem primeiro restaurar o Ser Humano.
 Lida adormeceu com uma certeza: naquela madrugada iria em busca de respostas e por algum razão intuiu que ir aquele endereço seria um ótimo celeiro.

Na hora desejada, levantou-se cautelosamente e certificou-se que o pai dormira a noite o Sistema desligava a voz de comandos para os mais recatados como era seu caso. A noite pertencia aos sem pátria, ou seja, aqueles que se rebelou contra o Governo do Novo Brasil. Daqueles que não tinham o regulius, em outro ponto vista, dos que acreditavam que a voz rouca dos desvalidos, porém coesos de alma e coragem, dos brasilês (pronúncia correta para aquele que nasce no Brasil) que lutavam para que a voz de um povo sofrido, manipulado, esquecido voltasse ser a voz de Deus.

Naquele tempo havia um sistema de portas dos fundos elaborado por onde desciam roupas para serem limpas a seco,lixos e toda sorte de tarefa domiciliar,e como Lida precisaria passar pelos seguranças colocou a mão sobre o ventre e o acariciando disse ao seu filho:
 
_Vamos fazer isso juntos filho. Creia na mamãe dará tudo certo.

Ajeitou-se no duto escuro e apertado, na verdade 50cm x 50 cm e cuidadosamente apertou os comandos manualmente para não despertar  possíveis obstáculos e aos pouco ia  descendo da sua masmorra hodierna.

Ao sair daquele duto, por um segundo pensou consigo em voz alta?

_Só posso estar louca!

Sair o condomínio não foi um grande problema, para a jovem o revés pior lhe adviria a seguir, andar pelas ruas da cidade à noite. Ela mal conhecia os endereços dos lugares que frequentava a nata da alta aristocracia contemporânea estar ali lhe dava um frenesi, uma adrenalina perigosa e ao mesmo tempo com sabor de viço e lá no âmago Lida notou que uma ponta de coragem brotou dentro de si o que a fez prosseguir com confiança e crendo que daria certo de algum modo.

Morria a brasileira, nascia a brasilês.

Com o olhar determinado adentrou num beco e trocou suas roupas roxas que evidenciavam como uma Mãe da Terra e no corpo colocou a túnica preta e coturnos catados nos escombros da Grande Catarse, os coturnos eram a marca dos rebelados e conhecedora disto colocou o par que guardara com tantas outras quinquilharias para aquela Lei, contudo para a moça, resgate da história de uma Nação que se perdeu permitindo a perda do seu maior bem: A DEMOCRACIA.

Caminhar  livre inda que sem direção, deu a senhorita Tavares a sensação que nunca tinha experimentado,só ouvido:Liberdade; O frescor da brisa noturna batendo em seu rosto sem nenhum olhar  escoltando-a arrancou um belo sorriso da alma que refletiu na sua face com brio e um respiração que permeava entre o leve e ofegante,aquela era a primeira vez que a filha do almirante sentia orgulho de si.Até que alguém passou por ela e a saldou:

_Bora!

Sem ter a mínima noção do que a saudação significava retribuiu ao jovem alto, esguio e de coturnos:

 _Bora.

Decidiu segui-lo desviando totalmente do rumo que tomara. Meia hora de uma caminhada puxada de longe escutava:
"Temos todo tempo do mundo...".
im, a mesma canção que ouvia em seu quarto do que foi um dia uma banda conhecida de Legião Urbana conhecida por letras marcantes, insurgentes e de jovens que acreditavam que na beleza dos versos havia uma revolução a imediata a ser feita por suas mãos e princípios.Escutar aquela música a fez sentir de algum modo que não estava tão longe assim do que aquelas pessoas que estava prestes a se deparar também criam.

E mais uma vez Lida sorriu.

 Lá dentro, a canção terminou e outra adentrou:
"Eu prefiro ser,

Essa metamorfose ambulante,

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo..."
Ao contrário que pensara as pessoas não estavam drogadas, revoltadas, reprimidas ou debeladas pelo nada. Suas feições eram muito semelhantes aos das fotografias em seu quarto. Pareciam livres, soltas, donas de si, eram seres debaixo de uma grande opressão, entretanto ainda sim evidenciavam o espírito de contentamento em suas faces com um orgulho absurdo.

_Bora!

_Bora!

 Saudavam Lida como se ela fosse simplesmente mais uma deles.Sem questionamentos,somente aceitavam e como elas os demais que se agrupavam naquele recinto.

 Até que alguém subiu naquele modesto palanque. O som diminuiu e um homem alto, moreno, cenho fechado, na casa de seus trinta e poucos anos chamou atenção de todos para si antes de falar uma letra se quer. A senhorita percebeu que ali encontrara a primeira autoridade daquele lugar.
_Bora Brasilês!- Seguida da letra B na linguagem para deficientes auditivos, aquela era uma maneira de expressar como se sentiam frente ao sistema: mudos, todavia diferentes dos portadores auditivos não surdos.

Lida abismou-se ao ver todos os saudarem com júbilo. E então descobriu o que era satisfação em ser representado por alguém que se respeita, acredita e acima de tudo admira.

_Ao que pisam em nossa Arena da Liberdade pela primeira vez, saibam que este é o lugar onde um novo Brasil está sendo gerado em detalhes minuciosos, com um capricho que nossos ancestrais não tiveram ao se depararem com Cabral e Cia nem mesmo com espanhóis antes disto.Estamos concebendo um Brasil feito para brasileses.Porque o Brasil feito para brasileiros foi uma farsa já constituída em sua forma de nos intitular, a nossa língua mãe é clara, quem nasce nesse solo é um brasilês jamais um brasileiro. E como um povo pode respeitar, orgulhar ou lutar por  sua Pátria sem nem mesmo sabe a nomeação correta que detém?

Lida se assistiu viva pela primeira vez.

Aquele homem dissertou por quase uma hora sem palavras de ordens, sem inflamas somente contando a história do Brasil, de um Brasil que o mesmo jamais conheceu.

Antes que ele terminasse aquela mulher que lhe dera o panfleto da rua a reconheceu não pelo papel, mas pelo rosto incomum naquela pequena multidão e o mesmo visto algumas poucas vezes ao lado do Almirante Tavares,sabia quer era a sua filha.Foi até a jovem e com muita docilidade e educação pediu que a acompanhasse sendo levada para uma pequena sala cuja porta era escorada com que parecia latões de zinco.

 _O que faz aqui moça?- perguntou sem firulas.

_A senhora lembra-se de mim?- Lida deu como resposta outra indagação. - Eu vim por causa do panfleto que me deu. - Tirando de dentro da túnica o panfleto tão judiado.

A mulher leu o panfleto, respirou abaixando a cabeça abriu a porta e pediu a uma mocinha que mandasse chamar Dante.

E foi a primeira vez que escutou aquele nome.
_Sei quem você é menina. E a pessoa que está para adentrar este ambiente daqui a poucos minutos não vai gosta nem um pouco de saber que a filha do Almirante veio nos visitar, mas também não suporta mentiras. Então o que direi a ele?

A jovem abaixou a cabeça e decidiu sem delongas.

_Diga quem sou, pois embora não me orgulhe disto ainda é a minha raiz e eu não podemos fugir dela.

A senhora ensaiou um riso, contudo foi atropelada pela figura imponente que cruzou a porta derrubando os latões.

_O que houve?- quis saber mostrando certa irritação.

_Dante, essa moça veio nos visitar, dei a ela um de nossos panfletos.

_Pediu minha presença para falar de uma visitante? Nada contra, mas francamente...

_Sou Lida Tavares. Filha do Almirante Tavares. - A senhorita se apresentou como quem estivesse despida e sem pudores de sua essência.

_Você o que?- Dante rebateu abrupto.

_Acalme-se!- Pediu a senhora segurando-o maternamente.Ignorando-a lançou a mulher para o lado e com o rosto rente ao de Lida disse:

_Eu vou 




Continua...















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Yéyé omo ejá

Aceita meu poema mãe
das águas, aceite-o como
se fosse uma oferenda,
aceite minhas palavras
que se submetem a sua grandeza,
aceite a poesia que deleita
em seus rios de fineza.

Alodê! rainha do mar,
saravá sereia das águas,
grande entre os grandes orixás,
poder como teu,
no mundo não há...

Deusa que controla o mar,
cuide de minha flor, e do navio
que disperso em suas águas
aceita o manjar branco,
aceita minha miosótis...

A benção rainha do mar,
em uníssono os mares rugem,
salve, saravá, grande
rainha mãe, protetora
amante das águas....
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Mulher - Borboleta (a carvão)

Desenho de Isa Lisboa, baseado numa foto da web

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Amar-te

Seu beijo irá encontrar-se
com a terra,
aprecio pela ultima vez
o belo rosto que entrará
para o esquecimento.

O perfume das rosas que
agora perfumam vivas.
Como tu, para minha tristeza,
todas morrerão.

O que é belo, mais não será,
a terra irá engolir
a  fineza mortal.

O ataúde se fecha
e o vento que beija teu corpo
diz "Nunca mais".
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