Terceira Parte...
Embora soubesse que o aviso de sua amiga fora de
suma importância,Lida desconsiderou aquela sugestão quando o bebê mexeu pela
primeira vez dentre de seu ventre.Pungente e firme.Lembrou que seu pai contara
que a em sua gravidez que a mãe da Terra cuja lhe deu vida em seus relatórios garantia que ela era uma
criança saudável,serena e muito dorminhoca,nem mesmo chutava.Foi neste preciso
instante que a moça refletiu consigo pondo a mão na barriga já saliente:
_Ele puxou o pai.
Entretanto, em seguida fez a pergunta que mudaria toda sua vida e
toda a história daquele Brasil não mais varonil e sim enfraquecido pelo Sistema
daquela atualidade.
_Mas quem é o pai?- Ficou ali contemplando a sua
indagação e a esquisitice que aquilo a
propunha.Como uma mãe não saberia quem é homem lhe proporcionou gerar uma vida?
Como não saber seu rosto? Seu jeito? Sua forma de ver o mundo? Quem era afinal?
Correu para
as fotografias na parede, aquelas pessoas tão felizes semelhavam saber cada uma quem foi seu pai,
sua mãe,desfrutavam e ofereciam aquela felicidade porque sabiam de suas raízes.
E Lida lançou seu olhar para o ventre e viu que isso
era bom e um misto de revolução veio em si e foi inda mais aguçado achar numa
caixa que guardava embaixo da cama, seu cofre pessoal, um antigo conto que ficou preso na tela do que
chamavam de tablet supostamente de alguém que cria que o homem é a principal
causa de toda transformação.
"Um
cientista obstinado em consertar o mundo, mas interrompido por seu filho de cinco
anos que a cada minuto vinha com uma nova pergunta sobre seu intento decidiu
empenhar o menino uma tarefa a fim de poder
seguir sua pesquisa na tal mutação do planeta. Deu a ao garoto um quebra cabeça do globo terrestre
crendo que ele levaria horas para decifrar o enigma.Minutos depois o menino volta sorridente e diz:
_Montei pai. O senhor está tentando consertar o mundo ,não é?
Abismado o cientista não creu na desenvoltura da
criança apesar de ter ficado orgulhoso do filho.
_Como conseguiu montar o globo terrestre tão rápido?
O garoto o olhou esquisito como uma reprovação na
feição:
_Não pai. Não montei o globo. Eu montei o homem que
estava atrás do globo.
E o pai arrepiou-se da cabeça aos pés. Como não
pensara naquilo? Seu filho tinha decifrado o segredo e dado a resposta que
tanto esquadrinhava.
_Você tem razão filho. Fez o certo. Desmontei o
homem e você o refez.Tem toda razão,não se pode consertar o mundo sem primeiro
restaurar o Ser Humano.
Lida
adormeceu com uma certeza: naquela madrugada iria em busca de respostas e por
algum razão intuiu que ir aquele endereço seria um ótimo celeiro.
Na hora desejada, levantou-se cautelosamente e
certificou-se que o pai dormira a noite o Sistema desligava a voz de comandos
para os mais recatados como era seu caso. A noite pertencia aos sem pátria, ou
seja, aqueles que se rebelou contra o Governo do Novo Brasil. Daqueles que não
tinham o regulius, em outro ponto vista, dos que acreditavam
que a voz rouca dos desvalidos, porém coesos de alma e coragem, dos brasilês
(pronúncia correta para aquele que nasce no Brasil) que lutavam para que a voz
de um povo sofrido, manipulado, esquecido voltasse ser a voz de Deus.
Naquele tempo havia um sistema de portas dos fundos
elaborado por onde desciam roupas para serem limpas a seco,lixos e toda sorte
de tarefa domiciliar,e como Lida precisaria passar pelos seguranças colocou a
mão sobre o ventre e o acariciando disse ao seu filho:
_Vamos fazer isso juntos filho. Creia na mamãe dará
tudo certo.
Ajeitou-se no duto escuro e apertado, na verdade
50cm x 50 cm e cuidadosamente apertou os comandos manualmente para não
despertar possíveis obstáculos e aos
pouco ia descendo da sua masmorra
hodierna.
Ao sair daquele duto, por um segundo pensou consigo
em voz alta?
_Só posso estar louca!
Sair o condomínio não foi um grande problema, para a
jovem o revés pior lhe adviria a seguir, andar pelas ruas da cidade à noite.
Ela mal conhecia os endereços dos lugares que frequentava a nata da alta
aristocracia contemporânea estar ali lhe dava um frenesi, uma adrenalina
perigosa e ao mesmo tempo com sabor de viço e lá no âmago Lida notou que uma
ponta de coragem brotou dentro de si o que a fez prosseguir com confiança e
crendo que daria certo de algum modo.
Morria a brasileira, nascia a brasilês.
Com o olhar determinado adentrou num beco e trocou
suas roupas roxas que evidenciavam como uma Mãe da Terra e no corpo colocou a
túnica preta e coturnos catados nos escombros da Grande Catarse, os coturnos
eram a marca dos rebelados e conhecedora disto colocou o par que guardara com
tantas outras quinquilharias para aquela Lei, contudo para a moça, resgate da
história de uma Nação que se perdeu permitindo a perda do seu maior bem: A
DEMOCRACIA.
Caminhar
livre inda que sem direção, deu a senhorita Tavares a sensação que nunca
tinha experimentado,só ouvido:Liberdade; O frescor da brisa noturna batendo em
seu rosto sem nenhum olhar escoltando-a
arrancou um belo sorriso da alma que refletiu na sua face com brio e um
respiração que permeava entre o leve e ofegante,aquela era a primeira vez que a
filha do almirante sentia orgulho de si.Até que alguém passou por ela e a
saldou:
_Bora!
Sem ter a mínima noção do que a saudação significava
retribuiu ao jovem alto, esguio e de coturnos:
_Bora.
Decidiu segui-lo desviando totalmente do rumo que tomara.
Meia hora de uma caminhada puxada de longe escutava:
"Temos todo tempo
do mundo...".
im, a mesma canção que ouvia em seu quarto do que
foi um dia uma banda conhecida de Legião Urbana conhecida por letras marcantes,
insurgentes e de jovens que acreditavam que na beleza dos versos havia uma
revolução a imediata a ser feita por suas mãos e princípios.Escutar aquela
música a fez sentir de algum modo que não estava tão longe assim do que aquelas
pessoas que estava prestes a se deparar também criam.
E mais uma vez Lida sorriu.
Lá dentro, a
canção terminou e outra adentrou:
"Eu prefiro ser,
Essa metamorfose
ambulante,
Do que ter aquela velha
opinião
Formada sobre
tudo..."
Ao contrário que pensara as pessoas não estavam
drogadas, revoltadas, reprimidas ou debeladas pelo nada. Suas feições eram
muito semelhantes aos das fotografias em seu quarto. Pareciam livres, soltas,
donas de si, eram seres debaixo de uma grande opressão, entretanto ainda sim
evidenciavam o espírito de contentamento em suas faces com um orgulho absurdo.
_Bora!
_Bora!
Saudavam Lida
como se ela fosse simplesmente mais uma deles.Sem questionamentos,somente
aceitavam e como elas os demais que se agrupavam naquele recinto.
Até que alguém subiu naquele modesto palanque. O som
diminuiu e um homem alto, moreno, cenho fechado, na casa de seus trinta e poucos
anos chamou atenção de todos para si antes de falar uma letra se quer. A
senhorita percebeu que ali encontrara a primeira autoridade daquele lugar.
_Bora Brasilês!- Seguida da letra B na linguagem
para deficientes auditivos, aquela era uma maneira de expressar como se sentiam
frente ao sistema: mudos, todavia diferentes dos portadores auditivos não
surdos.
Lida abismou-se ao ver todos os saudarem com júbilo.
E então descobriu o que era satisfação em ser representado por alguém que se respeita,
acredita e acima de tudo admira.
_Ao que pisam em nossa Arena da Liberdade pela
primeira vez, saibam que este é o lugar onde um novo Brasil está sendo gerado
em detalhes minuciosos, com um capricho que nossos ancestrais não tiveram ao se
depararem com Cabral e Cia nem mesmo com espanhóis antes disto.Estamos
concebendo um Brasil feito para brasileses.Porque o Brasil feito para
brasileiros foi uma farsa já constituída em sua forma de nos intitular, a nossa
língua mãe é clara, quem nasce nesse solo é um brasilês jamais um brasileiro. E
como um povo pode respeitar, orgulhar ou lutar por sua Pátria sem nem mesmo sabe a nomeação
correta que detém?
Lida se assistiu viva pela primeira vez.
Aquele homem dissertou por quase uma hora sem
palavras de ordens, sem inflamas somente contando a história do Brasil, de um
Brasil que o mesmo jamais conheceu.
Antes que ele terminasse aquela mulher que lhe dera
o panfleto da rua a reconheceu não pelo papel, mas pelo rosto incomum naquela
pequena multidão e o mesmo visto algumas poucas vezes ao lado do Almirante
Tavares,sabia quer era a sua filha.Foi até a jovem e com muita docilidade e
educação pediu que a acompanhasse sendo levada para uma pequena sala cuja porta
era escorada com que parecia latões de zinco.
_O que faz aqui moça?- perguntou sem firulas.
_A senhora lembra-se de mim?- Lida deu como resposta
outra indagação. - Eu vim por causa do panfleto que me deu. - Tirando de dentro
da túnica o panfleto tão judiado.
A mulher leu o panfleto, respirou abaixando a cabeça
abriu a porta e pediu a uma mocinha que mandasse chamar Dante.
E foi a primeira vez que escutou aquele nome.
_Sei quem você é menina. E a pessoa que está para
adentrar este ambiente daqui a poucos minutos não vai gosta nem um pouco de
saber que a filha do Almirante veio nos visitar, mas também não suporta
mentiras. Então o que direi a ele?
A jovem abaixou a cabeça e decidiu sem delongas.
_Diga quem sou, pois embora não me orgulhe disto
ainda é a minha raiz e eu não podemos fugir dela.
A senhora ensaiou um riso, contudo foi atropelada
pela figura imponente que cruzou a porta derrubando os latões.
_O que houve?- quis saber mostrando certa irritação.
_Dante, essa moça veio nos visitar, dei a ela um de
nossos panfletos.
_Pediu minha presença para falar de uma visitante?
Nada contra, mas francamente...
_Sou Lida Tavares. Filha do Almirante Tavares. - A
senhorita se apresentou como quem estivesse despida e sem pudores de sua
essência.
_Você o que?- Dante rebateu abrupto.
_Acalme-se!- Pediu a senhora segurando-o maternamente.Ignorando-a lançou a mulher para o lado e com o rosto rente ao de Lida disse:
_Eu vou
Continua...