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Mulher-pássaro, Otto Stupakoff |
O teu amor era uma
criatura da noite.
Iludiu-me porque pediu para entrar, sem eu
perceber que era esse o truque. Afastava-me dos espelhos, não sei se para que
não o olhasse no reflexo, o que põe a nu a natureza da alma. Ou para que não
visse as minhas faces brancas, pouco a pouco privadas de sangue.
Esqueceste-te da minha natureza de ave selvagem,
não me basta voar, preciso lançar-me ao vazio, e subir o mais que conseguir.
Era inevitável perceber as grades, por mais que te
esforçasses por as fazer parecer transparentes.
Sem mim não consegues voar, atiraste-me. Não pude
evitar sorrir. Vi que me tornara num dos espelhos que tanto temias.
Ainda assim, não desististe. Os predadores não
desistem. Ias continuar por perto. Por isso precisava de esquecer, esquecer o
teu toque no meu pescoço…
Disparei uma bala de prata contra o meu peito.
Deve ser suficiente. Se não for, cravo uma estaca no meu coração teimoso!
Ficará um pouco mais desfeito, mas sobreviverá.
Renascerá. Para as criaturas do dia.
Para voar.
Isa Lisboa
Uau!
ResponderExcluirEste voo não voado, este texto tão... indescritível, este belíssimo sentimento!
Adorei é pouco... mas não sei dizer melhor!
Beijinhos!
E eu é que não sei dizer o que o teu comentário me deixa feliz! Obrigada, Dulce!
ResponderExcluirExcepcional, Isa Lisboa! É tão belo e intenso, um estilo tão único e lindo ! Fico sempre esperando para ler suas postagens, pois sei que vou me surpreender e amar. Parabéns!
ResponderExcluirIsa, fiquei encantada! Você como sempre brinco:The Best!
ResponderExcluirbeijocas!