Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar.
Ama sua família, amigos e animais.
“Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.
Pastor lambe bumbum de crentes solteiras para terem maridos -
O mundo onde a palavra de Deus é verdadeiramente seguida tal como encontramos nas escrituras. Em parte, o que hoje vem acontecendo mostra que algumas igrejas estão mais interessadas em atos carnais e não espirituais.
Essa imagem mostra um pastor na Angola, que convidou todas as crentes solteiras à praia, para ajudá-las a ter marido, mas para isso todas elas tinham que ficar nuas deixadas na areia e com os bumbuns inclinados para cima. Todas elas fizeram o que o pastor pediu e ele começou a lambê-las uma por uma até terminar o trabalho que tem como objetivo ajudar as crentes solteiras a conseguirem marido. Tudo isso aconteceu no domingo (18).
Uma chamada de atenção todos aqueles que como eu são evangélicos porque crente até o diabo é, não sejam tão burros em crer que um milagre de lamber bumbuns, vai te dar marido ou te dar a salvação, toma muito cuidado no que fazes quando vai a igreja, e defina sempre bem o que você procura na igreja, não siga o vento, que ele pode te levar ao inferno ou até a praia.
Confira o vídeo!
Agora fico aqui me perguntando...Será que quando for para
" interceder " pelos homens solteiros ele fará a mesma coisa?
Tentei procurar na fonte onde tirei a informação mas não consegui encontrar a mesma a fonte é CKN. Mas tem outros sites que também publicaram antes de mim que eu vou deixar aqui os links: http://news2.onlinenigeria.com/latest-addition/388072-pastor-strips-female-church-members-before-praying-for-them-to-get-a-husband.html e http://thisisafrica.me/lifestyle/pastor-orders-women-strip-kisses-butts-attract-marriage/
“Consegui reencontrar a felicidade depois de perder três filhas em uma tragédia”
Jackie Hance, 42 anos, deixou o trabalho para se dedicar às três filhas em tempo integral. Tudo mudou numa manhã, quando sua cunhada destruiu o carro que levava as meninas em um acidente. Destroçada pela perda, entrou em depressão e pensou em suicídio. Após um ano e meio, atendeu ao apelo do marido de engravidar novamente.
“Assim que me casei, em abril de 1999, larguei a carreira e parei de tomar pílula. Trabalhava na Barnard College, em Nova York, e gostava de meu emprego. Mas, aos 25 anos, queria ter um filho. Um não, vários. Meu grande sonho sempre foi ser mãe. Meu marido, Warren, queria muito formar uma família também. Não demorei a engravidar: logo tive três lindas meninas – Emma, Alyson e Katie.
Elas se tornaram a razão da minha existência e nunca me arrependi de ter parado de trabalhar para cuidar delas em tempo integral. Adorava preencher meus dias em função de suas agendas, das aulas que tinham, dos ensaios de teatro. Fazia questão de estar presente em todos os momentos. Naquela época, no entanto, nem me passava pela cabeça que elas pudessem ser arrancadas de mim, levando junto todo o sentido de estar no mundo [o drama é contado no livro "Até que o Tempo Nos Reúna", Fontanar, 270 págs., R$ 29,90].
Quando as meninas não estavam por perto, ao contrário de muitos pais que veem o tempo livre como uma bênção, eu ficava perdida. Não acho que isso seja certo, nem que funcione para todo mundo, mas era como me sentia. E foi assim naquele fim de semana de verão, há cinco anos, quando elas foram acampar com os tios Diane e Denny e seus dois filhos (primos delas).
"Quando as meninas não estavam por perto, ao contrário de muitos pais que veem o tempo livre como uma bênção, eu ficava perdida."
Minha cunhada amava minhas meninas como se fossem suas próprias.E elas também a amavam, estavam animadas em viajar com os primos. Emma tinha 8 anos, Alyson, 7 e Katie, 5. Minhas filhas haviam feito a mesma viagem no ano anterior e estavam excitadas para ir de novo.
No fim da tarde de sábado, falei com as garotas pelo telefone e elas estavam se divertindo, muito felizes. Pegariam a estrada de volta no domingo de manhã e não via a hora de reencontrá-las. Emma, a primogênita, teria ensaio para sua apresentação de "A Bela e a Fera", que aconteceria no fim de semana seguinte.
Warren, meu marido, estava bem tranquilo com a ausência das meninas, certo de que elas estavam em boas mãos e se divertindo bastante. Tanto que até marcou de encontrarmos um casal de amigos naquela noite, para aproveitar nosso raro tempo sem crianças. E realmente foi muito gostoso.
No domingo de manhã, Emma ligou para o escritório de Warren e disse que se atrasariam um pouco para sair (meu marido tem uma empresa de avaliação imobiliária e algumas vezes tem de trabalhar aos finais de semana). Preocupada com a demora, liguei para Diane para saber se estava tudo bem e ela me explicou que eles haviam se atrasado um pouco – a logística de cinco crianças é complicada –, mas que logo estariam conosco.
Só que às 12h58, o telefone de casa tocou e já não estava mais tudo bem. Era minha Emma, ligando do carro, assustada, dizendo que ‘tinha alguma coisa de errado com tia Diane’. Meu coração disparou. Ouvi ao fundo o choro de um dos primos das meninas, e Diane pegou o telefone. Disse que as meninas estavam só brincando, mas notei que sua voz estava estranha. Tinha a fala arrastada e dizia coisas incoerentes. Pedi para conversar com Emma de novo, mas ela seguiu com as frases sem sentido e desligou.
"Às 12h58, o telefone de casa tocou e já não estava mais tudo bem. Era minha Emma, ligando do carro, assustada, dizendo que ‘tinha alguma coisa de errado com tia Diane’. Meu coração disparou."
Na hora telefonei para meu marido. Queria que ele falasse com a irmã e tentasse entender o que estava ocorrendo. Warren ligou para Diane e mandou que ela parasse o carro onde estivesse que ele iria buscá-las. Implorou para ela não continuar dirigindo, pois percebeu que havia algo errado. Na hora pensamos que talvez ela tivesse tido um ataque epilético ou um derrame. Eu tinha certeza, pelo que conhecia de Diane, uma mãe cuidadosa e responsável, que ela pararia o carro no acostamento e esperaria por Warren.
Assim que ele saiu pela porta, liguei para a emergência da polícia para pedir ajuda. Depois, para Danny, meu cunhado, que talvez tivesse alguma ideia do que poderia ter acontecido, afinal, havia estado com Diane naquela manhã. Ele havia ficado no trailer para terminar de arrumar as coisas e, como estavam em carros separados, saiu de lá depois dela. Diane dissera a ele que viria até nossa casa deixar as meninas. Ficou desesperado quando soube que ela ainda não chegara. Pegou o carro e saiu para encontrá-la, pois sabia o caminho que sua mulher costumava fazer.
O tempo foi passando e o pesadelo continuou. Warren e Danny não encontravam o carro em lugar algum, nem com a ajuda da polícia, que a essa altura já estava em ação. Até que tocou o celular de Brad, marido da minha vizinha, que estava na minha casa para dar uma força. Era meu marido, histérico, do outro lado da linha. Brad só escutava, depois ficou de pé, apoiou-se na parede e pediu calma. Eu podia ouvir meu marido aos gritos.Quando desligou, Brad olhou para mim com o rosto transfigurado. Ele só conseguiu dizer: ‘Jackie, elas se foram’. Fiquei olhando para Brad sem entender, que repetiu: ‘Elas se foram, Jackie, eu sinto muito’.
"Diane não havia estacionado no acostamento, como pedimos. Bateu de frente com outro carro. Ela, a filha de 2 anos, Emma e Alyson morreram na hora. Katie chegou com vida ao hospital, mas não resistiu."
Saí de casa correndo, aos berros. Gritando, me esgoelando. Não dizia nada, só conseguia uivar com aquela tragédia. Corri muito rápido, para longe, com a ilusão de que, se me afastasse de lá, fugiria do horror. Os vizinhos começaram a sair das casas assustados com meus urros e me chamavam, mas eu só conseguia correr. Nem sei como voltei para casa naquele dia. E todos os dias seguintes foram tão nebulosos e confusos quanto aquele. Houve o velório, o enterro. Cinco caixões brancos enfileirados. Todos enterrados no mesmo jazigo.
Fui descobrindo a história aos poucos. Só muito tempo depois entendi completamente o que havia acontecido. Diane não havia estacionado no acostamento, como pedimos. Ela parou de atender ao celular e seguiu para a estrada em direção ao norte, não ao sul, onde morávamos. Bateu de frente com outro carro.
Ela, a filha de 2 anos, Emma e Alyson morreram na hora. Katie chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. Os três ocupantes do outro carro também se foram. O único que saiu com vida foi Brian, filho mais velho de Diane. Naquele dia, eu também perdi minha vida. Danny também havia perdido o chão, junto com quase toda sua família. E, assim como eu, não imaginava o que ainda estava por vir.
Menos de uma semana após o acidente, saiu o relatório toxicológico de Diane. Até então, apesar de não termos respostas claras sobre o que teria acontecido, Warren e eu estávamos perturbados e confusos demais para tirar qualquer conclusão. Acreditávamos que ela tivera um problema de saúde. Mas a polícia tinha uma resposta atordoante: Diane estava bêbada na hora do acidente. Seu nível de álcool no sangue era mais que o dobro do limite legal.
A polícia descreveu a quantidade como o equivalente a dez doses de vodca consumidas em menos de uma hora. E encontrou uma garrafa da bebida aberta em meio aos destroços. Havia também evidências de que ela teria fumado maconha menos de uma hora antes de bater o carro.
Nas semanas seguintes, sofri uma amnésia factual. Todos os dias acordava sem lembrar do que tinha acontecido. Perguntava pelas meninas, dizia que tinha que descer para preparar o café da manhã e o lanche da escola. E todos os dias tinham de me dar a notícia de novo. Um dia, levantei da cama e tropecei numa das minhas amigas, que dormia no corredor, em frente ao meu quarto. Meus amigos fizeram um esquema de plantão na minha casa para que nunca ficasse só. E todas as manhãs me mostravam o mesmo jornal com a notícia do acidente.
"Diane estava bêbada na hora do acidente. Seu nível de álcool no sangue era mais que o dobro do limite legal. A polícia descreveu a quantidade como o equivalente a dez doses de vodca consumidas em menos de uma hora."
Mesmo tomando remédios todos os dias, desejava morrer para ficar perto das minhas filhas. Cheguei a pedir para o Warren me matar para ir cuidar delas no céu, porque, se cometesse suicídio, talvez fosse para outro lugar. Ele ficava irritado, apavorado com minhas palavras. Então ameacei matá-lo. Na minha fantasia, assim ao menos um de nós dois poderia ficar com elas. Um dos pais precisa estar perto das meninas. O casamento desandou, claro. Bastava um olhar para o outro para lembrar da dor. No nosso caso, ainda havia a raiva que eu projetava nele.
Todas as vezes que olhava para Warren, pensava: ‘Foi sua irmã que destruiu nossas vidas’. Não era justo culpá-lo pelo que ela fizera, mas não havia ninguém mais para odiar. Começamos a brigar tão asperamente que os amigos não nos deixavam sozinhos. Raiva, culpa, dor e ressentimento formam uma combinação explosiva. Como sentir carinho por alguém se você não tem coração? Depois que elas se foram, me sentia com um enorme vazio no peito. Não conseguia mais dizer ‘te amo’. Quando Warren tentava me abraçar, simplesmente deixava o corpo mole até que o abraço terminasse.
Alguns meses depois, um casal de amigos nos convidou para ir à praia. Achavam que sair daquele ambiente cheio de tristeza e luto nos faria bem. Foi quando consegui sentir, pela primeira vez, alguma coisa pelo Warren de novo. E foi a primeira vez que fizemos sexo desde o acidente. Eu me permiti, por alguns minutos, deixar de lado o horror profundo do qual não conseguia esquecer em outras situações. Foi bom sentir meu marido perto de mim, mas me senti culpada no mesmo instante. Não conseguia conceber a ideia de me sentir bem ou de ter prazer, já que as meninas haviam morrido.
Não demorou para que os amigos começassem a dizer que eu deveria ter mais filhos. Estava com quase 40 anos e a teoria parecia ser a seguinte: se minha vida tinha sido brutalmente arrancada de mim, era preciso começar outra. Honestamente, todos pareciam loucos. Filhos são insubstituíveis e eu já tinha três. Queria ser a mãe delas e não de outra criança!
"Todas as vezes que olhava para Warren, pensava: ‘Foi sua irmã que destruiu nossas vidas’. Não era justo culpá-lo pelo que ela fizera, mas não havia ninguém mais para odiar. Começamos a brigar tão asperamente que os amigos não nos deixavam sozinhos."
Também estava instável emocionalmente e não me imaginava cuidando e muito menos amando uma pessoa. Além disso, depois de três gestações difíceis, nas quais enfrentei fortíssimas alterações de humor e depressão pós-parto, eu tinha ligado as trompas. Mas, convencida por uma amiga, fui conversar com um médico amigo dela, especialista em fertilização in vitro. Saí de lá achando aquilo tudo absurdo, enquanto Warren parecia dividido entre uma ponta de esperança e o medo. Éramos dois seres humanos vazios, destroçados por uma dor que nunca iria embora.
Alguns dias depois, saí para resolver umas coisas e, no meio do caminho, tive uma crise de choro. Estacionei o carro, me debrucei no volante e chorei compulsivamente. Fazia isso todos os dias desde o acidente, mas naquele momento o choro era por um motivo diferente: pela primeira vez, me dei conta de que, durante um ano e meio, estive presa, sem sonhos, propósitos ou objetivos. Percebi que não conseguia pensar no futuro porque só vivia o passado. Uma parte de mim, então, entendeu que o que eu tinha perdido não seria reencontrado jamais. Era hora de olhar para a frente.
Combinei com Warren que faríamos três tentativas de implantar embriões. Ele tinha muito receio de que, se eu não engravidasse na primeira, mergulhasse novamente em uma depressão profunda e cometesse suicídio de fato. Mas engravidei. E, no dia em que descobrimos, ficamos felizes. Foi a primeira vez, em um ano e meio, que sentimos uma faísca de alegria em nossas vidas. Ainda demorou um tempo para que parasse de me sentir culpada por estar feliz, mesmo que um pouco ou por alguns momentos. Achava que estava traindo minhas meninas.
Mas, com a chegada de Kasey, aprendi que alegria e tristeza podem coexistir. Essa menininha linda que hoje está com 3 anos trouxe de volta um coração para uma casa oca. E mostra, todos os dias, um pouco de cada uma de suas irmãs para mim. Ela também me fez ser uma pessoa capaz de amar de novo. Hoje, posso dizer que a amo e também Warren, meu marido e porto seguro.
"Com a chegada de Kasey, aprendi que alegria e tristeza podem coexistir. Essa menininha linda que hoje está com 3 anos trouxe de volta um coração para uma casa oca"
Foi graças a Kasey, também, que consegui perdoar minha cunhada. Se tristeza e alegria podem coexistir, certamente amor e ódio não. E perdoar Diane foi muito importante em meu processo de reaprender a amar. Ainda não sei por que ela fez o que fez. Fui ao cemitério e disse, tocando na lápide dela, que a desculpava.
Com Emma, Alyson e Katie me dediquei com tanto afinco à maternidade que acabei deixando todo o resto da vida de lado. Era muito feliz enquanto vivia apenas como mãe, mas, quando tudo acabou, e de uma vez, o choque foi imensurável. Agora, com Kasey, optei por fazer diferente. Trabalho meio período no escritório de uma empresa da área médica e me dedico também à fundação que criamos para manter viva a memória das meninas, a Hance Family Foundation, que promove apoio educacional e psicológico para crianças.
Foi pela memória delas que resolvi, também, escrever o livro "Até que o Tempo Nos Reúna". Queria que as pessoas tivessem a chance de conhecê-las: que a mulher que um dia poderia ter sido a sogra de Katie soubesse como ela gostava de dar abraços. E que os amigos que Aly viesse a ter soubessem como ela era uma companheira alegre. E que Emma, minha estrelinha Emma, poderia estar brilhando nos palcos de um teatro.”
Eu, leitora: “Venci oito cirurgias, dois tumores no cérebro e até uma extrema-unção”
A jornalista Roberta Mânica começou a sentir dores de cabeça aos 18 anos. Passou oito meses internada até descobrir que tinha tumores cerebrais. Foi submetida a várias operações e, na véspera de receber alta, teve a notícia de que estava com leucemia. Hoje, aos 31, controla a doença, superou o câncer, é professora universitária e acabou de dar à luz sua primeira filha
“A data 11 de setembro de 2001 é um marco da minha história. No dia em que as torres gêmeas caíram, eu tive a pior crise de dor de cabeça da minha vida. Tinha 18 anos, trabalhava em dois empregos durante o dia e fazia faculdade de jornalismo à noite. Não suspeitava que fosse algo grave e não fui ao médico. Mas a dor continuou e chegou a um ponto em que eu tive de colocar a cabeça embaixo d’água gelada para tentar aliviá-la.
Quase um mês se passou e a angústia persistiu. No dia 3 de outubro, as crises chegaram a um ponto que tive convulsões. Minha mãe, assustada, me levou para o hospital. Chegando lá, os médicos me liberaram dizendo que tudo não passava de consequências de má alimentação, imaginavam que eu estava fazendo dieta para emagrecer. Horas depois, voltei para o pronto-socorro com dores ainda mais fortes. Um médico conhecido da família me viu e se apavorou.
Depois de um exame, diagnosticou uma meningite. Fui direto para a UTI. Havia muitos pacientes em situação grave e eu ouvia gemidos o tempo todo. Fiquei tocada pela situação dos outros, mas estava confiante de que melhoraria logo. Mas, depois de quatro semanas ali, a doença não regrediu. Em busca de um atendimento mais especializado, fui transferida para Porto Alegre (morava no interior de Santa Catarina). Mesmo assim, não estava assustada. Ao contrário. Tinha certeza de que aquela saga finalmente terminaria.
"As dores eram tão fortes que eu colocava a cabeça embaixo d'água na tentativa de aliviá-las"
Não foi, entretanto, o que aconteceu. Lá, tive hidrocefalia – o líquido que protege o cérebro se acumulou na minha cabeça. Foi quando precisei passar pela primeira cirurgia, para retirar a água. Não tinha ideia do que viria pela frente. Na época, eu tinha o cabelo loiro supercomprido, angelical, e rasparam a minha cabeça sem dó. Foi brutal. Lembro do choro da minha mãe ao ver a cena. Mas precisava passar por aquilo para aliviar as dores, meu maior tormento.
A operação durou 18 horas, mas não adiantou nada. O líquido começou a acumular de novo e logo precisei fazer outra operação. Desta vez, colocaria também uma válvula que faz o líquor circular entre o cérebro e a medula, processo que havia perdido com a doença e que me levaria à morte rapidamente, caso o problema não se resolvesse.
Essa válvula seria conectada a um ‘caninho’ de silicone, ligado diretamente à bexiga. Por conta disso, para piorar, o médico me disse que eu nunca poderia ser mãe. Se eu precisasse de uma cesariana, teria de cortar o local por onde passa o caninho que me mantém viva. Na época, eu tinha um namorado mas éramos jovens, não pensávamos em engravidar. ‘Eu adoto’, pensei, resignada. Só que, de novo, a cirurgia foi malsucedida. Meu corpo rejeitou a válvula. Fui obrigada a operar mais uma vez. Dessa vez, devido à gravidade da doença e da minha fragilidade depois de tanto tempo no hospital, soube que tinha poucas chances de sobreviver. E, se saísse viva, teria sequelas graves. Meu maior medo era perder a fala e falei para o médico que a única coisa que não poderia acontecer era isso. Meu projeto de vida envolvia a minha voz.
Eu tinha 18 anos e queria ser jornalista. Momentos antes da operação, para minha surpresa, um padre veio até o meu leito para me dar a extrema-unção. Parou do meu lado e começou a rezar. Era um procedimento padrão do hospital para os casos de risco de morte. Eu estava acordada e, por incrível que pareça, aquilo me deu ainda mais força. Acreditei que sairia viva – e bem. E foi justamente o que aconteceu. A válvula finalmente funcionou.
"Estava acordada quando o padre veio até mim para rezar"
Só que, mesmo depois dessas três cirurgias, a meningite ainda não tinha cedido. Continuei a me tratar com penicilina e antibióticos fortíssimos. Fiz outras três cirurgias para ajudar a válvula a drenar mais líquido e diminuir a inflamação cerebral. Depois de seis meses no hospital, finalmente descobriram a raiz do problema: eu tinha neurocisticercose,uma doença que, geralmente, vem da carne de porco contaminada, de alimentos mal lavados ou água não tratada.
Eu tinha o mal desde criança, mas não sabia. Por causa dele, desenvolvi um cisto que se comportava como um tumor no cérebro. Ele cresceu tanto que estourou. E, quando isso aconteceu, inflamou as meninges. Comecei a tomar remédios para calcificar o cisto e, com o tratamento correto, finalmente poderia ter alta. Neste momento, senti uma urgência de viver. Não queria mais perder tempo na vida. Fiz um acordo comigo mesma: se conseguisse cumprir os planos de terminar a faculdade, faria um mestrado antes dos 30 anos.
Um pouco antes de ser liberada, fiz um check-up completo, que é praxe em casos graves como o meu. E o resultado do exame mostrou que eu tinha... leucemia. Não conseguia acreditar! Foi um choque. Pensei: ‘Pronto, agora vou ficar mais um ano aqui. Isso se eu sobreviver!’. O abandono da faculdade me desesperava. Esse momento, certamente, foi o pior da minha vida.
"O médico me disse que eu nunca poderia ser mãe"
Depois de tudo que havia passado, ainda tinha mais essa. Fiquei sem forças. Eu me perguntava por que aquilo estava acontecendo comigo. Foi quando uma professora de reiki me disse algo que nunca esqueci: ‘É preciso agradecer e aceitar’. Sem outra alternativa, incorporei essa ideia que me ajudava a lidar com um problema de cada vez. Cada punção, cada exame, cada cirurgia. Olhando para trás, me pergunto como é que consegui.
Como a leucemia foi diagnosticada no início, a quimioterapia foi leve e pude voltar logo para casa, em Santa Catarina. Cheguei careca e com a sensação de que tinha de correr para alcançar meus sonhos. Fiquei muito tempo sem cabelo. Primeiro por causa das cirurgias e, depois, pela quimioterapia. As pessoas me olhavam com pena, não sabiam como lidar. Mas a careca era uma força, o meu jeito de mostrar que não era preciso ter pena. Um orgulho e um símbolo da minha superação.
Segui controlando a doença. Voltei para a faculdade e arrumei dois empregos. Dois anos depois, reencontrei um amigo de infância, o Vilmar, na festa de formatura de um primo. Quando eu tinha 6 anos e ele 14, me salvou de um afogamento em uma lagoa. Foi a primeira vez que quase morri. Nessa festa, nos olhamos de um jeito diferente. Ele sabia de tudo o que havia acontecido comigo e conversamos a noite toda. Eu sentia como se todas as luzes do mundo estivessem brilhando sobre a gente. Não ficamos, nem nos beijamos, mas eu sabia que aquele não era o fim. O curioso é que eu estava, naquela semana, enfrentando mais uma provação.
Ao chegar ao estágio, dias antes, senti dificuldade ao estacionar o carro e pensei: ‘Poxa, não estou legal’. Não enxergava bem, mas não quis contar nada para ninguém pois tinha de defender o trabalho de conclusão de curso da faculdade. Fiz isso e no dia seguinte fui ao médico. Minha pupila estava muito dilatada, um sinal de hidrocefalia. Voltei a Porto Alegre para outra cirurgia. Era a sétima vez que abriam meu cérebro.
O médico descobriu outro tumor, que quase me deixou cega. A operação deu certo e voltei a enxergar normalmente. Depois dessa, ainda precisei de mais uma, a oitava, para ajudar na drenagem. Tive alta a tempo de participar da minha formatura. E, com muito orgulho, fui a oradora da turma. Vilmar e eu continuamos nos falando e logo nos apaixonamos. Seis meses depois do nosso reencontro, ficamos noivos. Um ano depois, casamos. A cerimônia foi muito emocionante. Quando o padre disse ‘na saúde e na doença’, nossos olhos transbordaram. Para nós, aquelas não eram palavras da boca para fora. Feliz na vida pessoal e livre de todas as doenças, continuei aperfeiçoando a profissional, como havia prometido para mim mesma no hospital. Fiz uma especialização e depois mestrado. Comecei a trabalhar na área acadêmica. Fui para o doutorado e terminei a pesquisa na metade do prazo normal. Virei doutora em comunicação aos 28 anos.
"Minha filha veio ao mundo no mesmo lugar onde fui operada pela última vez, o lugar em que nasci de novo"
No ano passado, aos 30, tinha passado a régua nas minhas metas profissionais. Estava cheia de saúde, fazendo meus exames e me programando para entrar no pós-doutorado quando tive uma notícia inesperada: estava no terceiro mês de gestação. Era o início deste ano e a médica pediu um teste de gravidez ao ver alterações em um dos exames. Eu não desconfiava de nada, já que continuava menstruando. Um dos remédios que tomei diminuiu o efeito do anticoncepcional e engravidei sem querer.
Foi um susto enorme, já que por causa da válvula seria uma gravidez de muito risco. Consultei a equipe que me acompanha e decidi que só contaria a novidade ao meu marido no fim de semana, depois de ter visto se o bebê estava bem.
Fiquei muito emocionada ao ouvir seu coraçãozinho durante o ultrassom. Comprei uma roupinha de bebê, escrevi uma carta e coloquei tudo dentro de uma caixa. Na mensagem, eu detalhava para Vilmar minhas expectativas para 2014. Dizia que ia ser um ano especial para a nossa família, com a chegada de um bebê. Mas nem deu tempo de entregar. Ele encontrou o exame antes, abriu e começou a chorar descontroladamente.
Emocionado, me abraçava e agradecia. Foi lindo. Busquei especialistas em gravidez de risco e programamos uma cesárea, que foi acompanhada por um obstetra, um pediatra e meu neurologista.Tudo muito monitorado. Durante a cirurgia, não foi necessário cortar a válvula. No fim, a Maria Clara nasceu no mesmo hospital onde fiz minha última cirurgia. No mesmo lugar onde nasci de novo.”
Se Chorão e Champignon tivessem se perdoado para valer, tudo seria diferente, acredita viúva de baixista
Você teria coragem de reatar com um namorado que a traiu publicamente? Perdoaria o assassino de seu filho e ainda ajudaria a família dele? Entenderia o egoísmo de um suicida que preferiu a morte à esposa grávida? As mulheres desta reportagem conseguiram. O perdão para elas foi uma questão de sobrevivência: com tanto ódio no peito, não seria possível seguir em frente. Entenda por quê
Raiva, revolta, desejo de vingança. Difícil sentir algo diferente ao enfrentar uma traição pública, ou presenciar o suicídio do marido grávida de 5 meses. Mais ainda ao ter um filho assassinado. Tido como um dos mais nobres sentimentos, o perdão tem pouco de altruísmo e mais de superação. Embora seja celebrado em todas as religiões – é citado em passagens na Bíblia e é o tema central do Yom Kipur, no judaísmo –, ele é, por si só, quase um ato de egoísmo, pois quem tem a capacidade de desculpar se livra do peso de ressentimentos e fortalece a autoestima. Dessa forma, cicatriza uma ferida que insiste em se manter aberta. “Quem consegue exercer o perdão para valer deixa de se sentir vítima de uma situação para se tornar protagonista”, explica a terapeuta Heloísa Capelas, autora do livro "O Manual da Felicidade" (Gente, 239 págs., R$ 30). O psicanalista Christian Dunker, do Instituto de Psicologia da USP, explica que perdoar é difícil porque a vítima nunca se sentirá quite com o agressor. Por isso, para viver em paz, resta a ela superar o ocorrido – mas de verdade. “É importante não confundir o perdão com masoquismo. Um perdão barato não é transformador, ao contrário, só aprisiona e mal acostuma”, diz. A seguir, confira as histórias dramáticas de três mulheres que passaram por situações que muitos poderiam considerar imperdoáveis. Mas elas conseguiram e deixaram suas vidas mais leves e felizes. Leia o depoimento da cantora Claudia Bossle de Campos, 34, que perdoou o marido, o baixista do Charlie Brown Jr., conhecido como Champignon, que se matou quando ela estava grávida de cinco meses. A reportagem completa você lê em Marie Claire de janeiro.
“Estava dopada e confusa, mas lembro bem dos comentários de alguns parentes e amigos revoltados que foram ao enterro do Luiz. ‘Ele não merece perdão. Foi egoísta, não podia ter cometido essa loucura sem pensar em você.’ Por isso, em um momento ao lado do caixão, gritei: ‘Eu te perdoo, meu amor!’ Quando o Luiz acabou com a própria vida, em 9 de setembro de 2013, eu estava grávida de cinco meses da Maria Amélia. Era a mistura dos nomes de nossas mães, que havíamos escolhido juntos para ela. O Luiz era mais conhecido como Champignon, o baixista do Charlie Brown Jr. Ao lado do Chorão, o vocalista, formou a banda em 1992. O Champs tinha 12 anos quando o Chorão, aos 20, o trouxe para o grupo. Havia muito afeto entre eles, era uma relação meio de pai e filho. Mas os dois tinham personalidades explosivas e, artisticamente, egos muito fortes. Conheci o Champs em 2009, na casa de uma amiga. Sempre fui mais ligada em jazz, então sabia pouco de seu trabalho no Charlie Brown Jr., do qual ele havia saído após brigas com o Chorão [os músicos trocaram ofensas publicamente e Champignon acusou o colega de tirar dinheiro da banda]. Apesar da postura de bad boy, o Champs era um doce comigo, mas também ciumento e às vezes tinha ataques de fúria. Namorávamos havia quase um ano quando ele encontrou um celular antigo em uma gaveta e leu mensagens de um ex. Ficou descontrolado e nem me deixou explicar que o aparelho era velho. Gritou palavrões, saiu batendo portas e, semanas depois, já estava com outra. Decepcionada, virei a página. Aceitei um convite para cantar em um cruzeiro em Dubai, que durou um ano. O Champs se arrependeu, quis se reaproximar e mandava e-mails pedindo para conversarmos no Skype. Não aceitava, pois sabia que no dia em que ligasse a câmera do computador, minha vida mudaria – e foi o que aconteceu. Ficamos viciados um no outro, passávamos horas namorando e compondo músicas virtualmente. Voltei para o Brasil em 2011. Troquei uma vida confortável em Dubai para morar com ele em um apartamento alugado de dois quartos em Santos. Faria tudo novamente, mesmo sabendo como nossa história chegaria ao fim. Nessa mesma fase, o Champs procurou o Chorão, queria voltar para a banda. Foram conversas acaloradas, em que eles se cobraram pelas acusações. Decidiram retomar o grupo, mas nunca se acertaram para valer. O Champs tinha uma necessidade enorme de se sentir perdoado. Nos shows, o Chorão era grosseiro, o humilhava no camarim e até no palco. Além do problema com as drogas, que o desequilibrava, ele cobrava do Champs uma gratidão eterna. Para compensar, nossa relação estava ótima. Comprei um apartamento em São Paulo e nos mudamos. O Champs planejava montar um projeto paralelo de jazz comigo – ele criaria os arranjos e eu cantaria. Também me pedia um filho, mas eu tinha dúvidas. Ele vivia nervoso e sentia vergonha de andar na rua por causa dos maus tratos que sofria em público. O Chorão morreu de overdose em março de 2013, um mês antes da descoberta de minha gravidez. O Champs ficou abalado, sentia raiva pelo descontrole do amigo com as drogas e rancor por tudo o que sofrera. Foi então que me dei conta de que ele desejava um perdão do amigo, mas ele próprio nunca o havia perdoado. Para piorar, passava horas na internet lendo ofensas de fãs, bullying de gente que disseminava ódio. Nessas horas, eu roubava o computador de suas mãos e mostrava vídeos do ultrassom ou uma novidade do enxoval do bebê. O Champs se derretia, mas em seguida entrava de novo na internet. Na véspera da noite fatal, ele me fez perguntas sobre suicídio. Como sou espírita, ele queria saber o que minha religião dizia sobre pessoas que acabavam com a própria vida. Expliquei as consequências terríveis desse ato e, preocupada, perguntei o porquê da curiosidade. ‘Eu sempre penso que a overdose foi de propósito. Será que ele está bem agora?’, foi o que me respondeu, referindo-se ao Chorão, morto seis meses antes. Às vezes refaço nossos passos e imagino o que teria acontecido se eu tivesse entrado no quarto, arrancado o revólver de sua mão e impedido que disparasse contra a cabeça. Mas aí penso que a bala poderia ter atingido nossa filha em minha barriga. Foi a Maria Amélia que me deu forças para seguir em frente. Ela fará 1 ano no mês que vem e é a cara do pai. Nunca tive raiva do Champs, só compaixão. Talvez, se fosse com outra mulher, eu pensaria: ‘Que cara filho da puta! Se matou e nem pensou na esposa grávida!’. Meu perdão foi instantâneo, até porque aprendi muito com a relação dele e do Chorão. Se eles tivessem se perdoado para valer, tudo seria diferente. Talvez ainda estivessem aqui.” Fonte: Revista Marrie Claire
"Meu sofrimento foi transmitido ao vivo no BBB", diz ex-participante sobre traição no programa
Você teria coragem de reatar com um namorado que a traiu publicamente? A modelo Mariana Felício, de 29 anos, teve. Daniel Saullo terminou um relacionamento com ela durante a sexta edição do Big Brother Brasil e ficou com outra. Fora do programa, eles reataram, se casaram e tiverem uma filha
“Era apaixonada pelo Daniel desde os 13 anos, quando fui contratada pela mesma agência de modelos que ele. O Daniel já tinha 18 e uma carreira de sucesso. Babava quando passava por mim sem nem me notar e escrevia poesias para ele em papel de carta. Uns meses depois, recebi propostas para desfilar na Ásia e o Daniel foi para Milão. Fiquei sete anos sem vê-lo. Em 2006, fui aprovada para entrar no Big Brother Brasil. Na casa do reality show, a primeira pessoa que vi ao abrir a porta foi ele, meu primeiro amor. Morri de emoção! Na segunda semana de confinamento, revelei ao Daniel minha paixão platônica do passado. Ele achou a declaração meio esquisita, mas dias depois me beijou em uma festa do programa. Passamos a semana grudados, como namoradinhos. Era um sonho viver aquele romance com o príncipe encantado da minha adolescência! Mas ele quis terminar. Explicou-me que não queria namorar em rede nacional. Fiquei chateada, mas tentei entender. Só que, na noite seguinte, em uma festa da casa, ele tomou um porre e se agarrou com outra participante [a bailarina Roberta Brasil] na minha frente! Passei a noite inteira chorando, inconformada, trancada no quarto. Minha dor foi transmitida ao vivo e acho que as mulheres do país inteiro se identificaram. Arrependido, Daniel me pediu desculpas já no outro dia. Mas o público foi implacável: ele e a Roberta foram eliminados na votação em paredões simultâneos. Continuei minha jornada no BBB e fui vice-campeã.
Ao sair do programa, o reencontrei em uma festa. Ele voltou a se desculpar e nos reaproximamos. Um mês depois, começamos a namorar para valer - sem câmeras nem julgamento popular. Então pude descobrir quem era ele: um cara maravilhoso, que conservava a humildade da infância em Passa Quatro, no sul de Minas. Assim como eu, menina de São José dos Campos, interior de São Paulo, ele também dava muita importância à família. Estávamos namorando havia sete anos quando perdi meu pai, vítima de um câncer, em 2013. O Daniel, que era apegado ao sogro, organizou uma excursão para a Europa para levantar o astral da família. Lá me pediu em casamento. Voltei grávida de nossa filhinha, a Anita, agora com 6 meses. Acabamos de comprar nossa chácara em São Manuel, no interior paulista. Temos uma rotina cheia de alegria com nossa pequena. Quando uma amiga me conta que foi traída pelo namorado e está em dúvida se deve voltar, aconselho: ‘Se você o ama e acredita que pode dar certo, perdoe!’. Não acho que a gente deva ser bobo e desculpar tudo. Só vale a pena quando o parceiro reconhece que errou. Sou tão feliz com o Daniel que o perdão que concedi a ele foi um grande presente que me dei.” Fonte; Revista Marrie Claire
"Quando
o primeiro raio brotar então o doce coração a terra se entregará. E ao mesmo
primeiro raio findo se recolher todos chorarão a alma do guerreio que há de
jazer."
No
início só existia uma verdade: Amabile amava korsten e este a venerava. Depois de aquele primeiro raio solar brotado
na fenda entre o paredão de rochas e a mata cerrada que colidiu iluminando os
densos olhos verdes da moça de vestido de puro algodão rústico onde na cintura
trazia consigo um alforje com água e suporte com flechas cujas pontas
carregavam um veneno milenar de sua tribo, os Limbus, e arco aguerrido em suas costas,
a bela face da jovem revelou ao bélico dos Aiam que o sentimento que jurou na
cova de seu pai jamais se cederia e sim tão somente aos interesses de seu clã
se ater, enfim era mais que uma verdade, além de existir tinha força, pois roubou
naquele instante o seu domínio.
Amabile
_Teki
pá noah!-o jovem saudou em sua língua que significava:_Não tenha medo eu sou de paz!-Amabile
correu do raio de sol e ocultou a silhueta atrás de um grande e frondoso cedro
de monfíneas. A
árvore dos amantes. O
moço de ombros largos, pele morena, lábios espessos e cabelos ondulados na
altura do ombro, negro como a ave de Abudim, flexionou os joelhos atentos ao
seu movimento e insistiu absorvido pela vivacidade daquela ocasião: _Bedá
ackuluim bin setê!-_Confie, sou um Aiam
em paz de espírito!-Mas o silêncio permaneceu. Um fulgor alimentado por um vulcão
o empurrou ainda mais ousado para junto dela. _Theiká toum dotá. -_Por favor,confie em mim.-E enfim aqueles grandes olhos verdes
postos milimetricamente naquele semblante angelical,onde madeixas ruivas que
adornavam também o corpo terminando abaixo dos quadris largos e bem torneados
com um tom de voz breve o respondeu: _Midi
atoak.- tradução para:_falo sua língua.- Ela
veio em passos complacentes.Os pássaros cessaram sua canção,os demais animais paralisaram.Um
anjo que passava levando boas novas para uma família também descontinuou e em
seguida o semblante do tempo virou-se para Amabile e korsten e do mesmo modo obedeceu
a continuidade que seguia. Tudo
conspira quando o verdadeiro amor nasce. _Sou
korsten,filho de Zaluk,das terras de Aiam.-Apresentou-se curvando a fronte
diante dela.
Korsten
_Eu
sei quem você é. O prometido de Valpurga.-A jovem não escondeu um certo
desconforto mesmo que isto fosse incompreensível ainda para korsten. _Sim,
sou. Mas e você, quem é?-Amabile afastou-se para esquerda, não queria continuar,
porém o moço não regressava e por fim a jovem cedeu: _Sou
Amabile, da terra de Limbus. -Não seriam necessárias mais explicações. O
povoado de Limbus fora devastado por Aklasto, guerreiro violento na batalha que
dizimou aquele vilarejo pacato a mando de Valpurga, pois esta almejava um
suposto apoderar-se de um tesouro milenar que aumentaria ainda mais os poderes
da aclamada Moça dos Feitiços, como
era conhecida tornando-a uma espécie de Rainha Suprema sobre o mundo de Zarot. Restaram
poucas vidas, todavia dentre essas a guardiã do tal legado, Amabile, contudo
korsten não sabia que era seria justamente aquela púbere de aparência tão frágil
que jazera ali a sua frente. Debaixo
daquele mesmo aponto solar o rosto deles se encontraram envolvidos numa bela
sinfonia que um ser semelhante a uma fada que trazia consigo para jogar nas pétalas
das flores de Auriá, as mais raras daquele da Terra Zarot,salpicou sobre os
dois com um riso afetuoso
e olhos gentis do anjo que vendo seu gesto de sutileza pôs o dedo indicador sobre os lábios para que
tudo e todos pudessem ser absorvidos pelo ápice da beleza daquela cena onde um
homem e uma mulher não tão somente se viam,no entanto suas almas numa completa
sintonia revolviam na relva verde como duas crianças felizes indo para a terra
do nunca,porém ao regresso do corpo a
alma de Amabile foi deitar-se com a korsten e do guerreiro repousou sobre os braços dela enrolando-se em
suas longas madeixas avermelhadas.Sim,o mundo
cessa,descontinua,emudece,enriquece e agradece quando almas gêmeas enfim depois
de milênios se acham,se entregam,não se negam,entorpecem uma a outra selado num
puro,módico e intenso ósculo de amor.
Eternal Flame-The Bangles
Depois daquele
singelo e único instante, os jovens não puderam mais se separar. A cada dia, uma
vez ao nascer e outra ao romper do rei sol, Amabile e korsten encontravam-se e
viviam tanto quanto reverenciaram aquele cálice que já deixara fulgente ao
casal apaixonado ser mais forte que a própria morte, pois onde passavam, a
caravana do fim cedia aos seus encantos,a abandonava em prantos e a vida facilmente vencia. Por
meses viveram assim. Subiam
e desciam as colinas de Tarsulle, amavam-seora nas relvas do vale de Peki, ora debaixo das cascatas de Óderon.Uma
coisa era certa,seja onde fosse o fogo que corria entre seus corpos não
pertencia nem aquele,nem a esse,nem a qualquer outro mundo.Pois não há orbe que
possua a ardência da paixão de uma alma habitando em dois corposEntretanto,
nem todo céu pode ser celestial tampouco a luz o brilho dos pés.Os
mensageiros,os Ardueros,olheiros de Valpurga que pulavam entre as árvores , uma
vez que eram do tamanho da sombra da palma da mão humana de toda Zarot ouviram
falar dos encontros secretos e apaixonantes de moça de Limbus e jovem de Aiam.
Valpurga
Valpurga
não precisava de espelhos para lhe admirar ou envaidecer. Sabia quem era, não
era a dose e sim o puro veneno. Engoliu toda a bebida e quebrou a taça feita do
mais puro cristal de Vainá, feita especialmente para ela. Os olhos de seus
serviçais enlouqueceram jogados uns
contra os outros.O coração da Moça dos
Feitiços era tão vil que seu ódio fez com que o cristal torna-se em
lágrimas ali diante de todos.Valpurga tinha pactos secretos com muitas
Deidades, e todos exigiram dela o mesmo preço além de sua alma imortal os olhos
cobertos por vida, sim,ela vivia constantemente na escuridão,esse era o preço a
pagar enquanto vivesse pela terra dos viventes, poderes para atravessar por
toda e qualquer luz,todavia em si jazia a plena e absoluta obscuridade. Ela
não amava Korsten, mas amava ter o que amar. E por mais cruel que fosse, era uma mulher, e
o coração de uma mulher é como um oceano guarda muitos segredos, e quanto mais
profundo for o oceano, mais obscuro são os seus mistérios. Friamente esperou a
terceira lua cheia quando Korsten vinha visita-la na Torre de Astaeda de onde
jamais sairia, nem mesmo quando se casasse com o guerreiro de Aiam. Ele
chegou diante dela como sempre, contudo naquele dia estava disposto a quebrar a
aliança entre seu povo e a Moça dos Feitiços.
Mas ao que cabia Valpurga, isto jamais iria acontecer. _Valpurga!-
Bradou firme por sete vezes como mandava o ritual com a mão sobre sua espada. _
Valpurga! Valpurga! Valpurga!Valpurga! Valpurga!Val...- E pela primeira vez a
voz potente de Korsten não terminou o nome de sua prometida.
Do chão de puro
mármore prateado, abriu-se uma fenda onde uma fumaça de tom muito denso e
escuro foi criando um redemoinho enquanto ao fundo ouvia-se a temível Carmina Burana . Um cheiro de um aroma
amadeirado tomou todo ambiente e imponente à sombra da alta, esguia e pálida
Valpurga em sua difusa túnica negra com brilhantes na cauda pouco a pouco ia se
materializando diante dos seus olhos. Os olhos delas enfim jaziam destampados,e
embora fossem esbranquiçados nunca foram
tão avermelhados pela ira que lhe a dominou. _Filho
de Zaluk,você desonrou sua promessa para comigo!- Estendendo os longos dedos
finos em sua direção. Naquele
segundo Korsten temeu por Amabile, pois compreendia que a havia posto sobre o
jugo colérico de Valpurga e sua prometida até então não tinha o poder da
informação mais valiosa, que a moça de Limbus era a guardiã do tesouro milenar
do colar dos seus ancestrais, o poder
que Valpurga tanto cobiçava e por ele entregara a alma. _Valpurga,
não sei o que pretendes, mas não faça nada a filha da terra de Limbus! _Rogas
por ela?- Iniciando a sugar todo ar da sala e o respirando de forma gélida até
que o jovem caísse de joelhos. Valpurga
o deixou agonizando, e com um mecha de cabelos de Amabile ceifado por seus
mensageiros enquanto a jovem dormia nos braços de seus amados diante dos olhos
dele ela lançou a maior de todas as conjuras:
_Ao Filho de Zaluk, Korsten...- erguendo sua espada que apanhara enquanto o
guerreiro a suplicava por Amabile.- _ A Amabile, a filha da Terra de Aiam...-
Unindo os dois elementos.- _Eu, Valpurga,Filha das Deidades de Zarot conjuro
sobre os dois que enquantoem suas
narinas o ar fresco roçar que jamais se tocarão... _Não...
Valpurga... Tenha clemência!- implorava Korsten. A
Moça dos Feitiçoslançou um olhar frio e
lúgrume de perfeito desdém e prosseguiu: _Jamais
se tocarão! Jamais estarão dentro do corpo do outro! _Não...
- o jovem retorcia-se. _Jamais
seus corpos serão um, pois sobre eles lanço o meu maior magia:
"Quando o primeiro raio brotar então o
doce coração a terra se entregará. E ao mesmo primeiro raio findo se recolher
todos chorarão a alma do guerreio que há de jazer."
E
naquele mesmo instante, do outro lado das terras de Zarot,enquanto sol começava
a raiar, e o seu primeiro nasço veio ligeiro beliscando o solo ordenado por Valpurga e sua cólera
vingança,Amabile que catava pequenos gravetos para reascender a velha lareira
para aquecer a água para o chá matinal repentinamente sentiu um frio correr
pelas pernas na medida que o sol a penetrava e de repente seu corpo caiu sem
vida e com seus intensos olhos verdes abertos sem que antes pudesse completar a
frase que ficou em seu pensamento: _Por
quê? Korsten
recuperou-se crendo queinda podia
salvar a vida de sua amada e por vingança revelou a Valpurga: _Se
feriu Amabile com suas conjuras, juro que nada adiantara porque sendo ela a
guardiã do colar de ancestrais de Limbus, sei que certamente haverá como
retroceder seu feitiço!
Valpurga
se agitou e como fazia parte do pacto, como sendo ela mesma quem amaldiçoou
aquilo que mais apetecia, as deidades estavam aptas a tomar sua alma imortal
para todo sempre e foi o que sucedeu entre gritos, dores e ais, seu espectro
deixou sua forma física e foi-se com os guardas dos seus agora senhorios. Korsten
jamais correu tanto em sua vida. Suas pernas nunca foram tão agis, no
entanto,não havia mais nada a fazer.O feitiço de Valpurga encontrara efeito,
durante o dia Amabile morreria,e no último raio de sol ao entardecer,ele
deitaria ao solo e o doce coração voltaria a vida e assim sobreviria por toda
eternidade. E
por dez anos foi o que viveram. Até que Maitã, Guardião do sentimentos veio a
terra de Zarot e soube da agonia que os jovens viviam. E durante a noite
conversou com Amabile e ao dia com Korsten, existia um jeito do feitiço de
Valpurga ser quebrado. Maitã
explicara ao casal, que o amor entre eles não era um sentimento que habitava em
cada coração e sim que dividia dois corpos, portanto, no romper do sol daquele
ano, que se daria dali alguns dias, sepor um segundo conseguissem trocar de alguma forma um toque,uma palavra
o sentimento tomariaum corpo apenas e
poderiam então não viver mais no mundo dos viventes,porém de certo,juntos
eternamente no mundo não dos mortos,pois os mortos não amam,mas no mundo dos
que continuam suas vidas, em algum outro plano desta jornada. Durante
aqueles dias derradeiros tanto Amabile quando ressurgia quando Korstententaram separadamente com Maitã encontrar
como poderia mesmo que por um segundo dedicar ao outro o que tinha sido
determinado.E foi quando tiveram a mesma ideia, voltar onde tudo nasceu,aquela
floresta, sobre os rochedos,e pedir para que todos os seres tocassem aquela
mesma canção outra vez. Todavia
não seria possível recriar todo aquele cenário outra vez. Mas
da Terra veio Mikael, com o coral
celestial.Da Zarot as fadas,estavam dispostos a tudo para tornar aquela
realidade, aquele sentimento outra vez possível. No
entanto, Maitã foi claro, somente a palavra de um Ser tonaria tudo aquilo viável,
e os seus nomes eram variados: Javé,Yhaweh,Eloim,Adonai,Nissi,Eloai,Princípio,
Fim,Talvez eu e você o conheçamos
apenas como Deus. Faltava
pouco menos de uma hora para a transição onde Amabile ressuscitaria e Korsten
morreria mais uma vez.Todos se posicionaram.Aflição estava no rosto de cada um
dos que ali encontravam-se, afinal,eramseres diferentescom
Deuses,Deidades, Crenças e Credo tão diferentes, o que o mesmo Ser determinaria
aquela causa e sobretudo aos jovens apaixonados. Pouco
menos de dez minutos e o silêncio era ensurdecedor. Nada grita mais alto que o silêncio.
E
o melhor de um milagre é quando a nossa fé nos abandona por um mero segundo e
de repente eis que vem afinal. Na ponta do Céu de Zarot, um mensageiro veio
como um flash de luz e transformou-se num simples homem entregando a Maitã um
pergaminho. Assim que o leu,Maitã sacudiu a cabeça e rapidamente Gabriel e Idela,
a Rainha das Fadas se posicionaram,seria um dueto para a canção The Prayer/O
orador.
The Prayer/O orador- Andrea Bocelli &Celine Dion
O ORADOR
IDELA- Eu rezo, você
será nossos olhos
E nos observará
onde nós formos
E nos ajudará a
ser sábios
Em tempos em que
nós não soubermos
Deixe isso ser
nossa oração
Quando nós
perdermos nosso caminho
Conduza-nos para
o lugar
Guie-nos com sua
graça
Para um lugar
onde nós seremos salvos
GABRIEL -A luz
que você traz
Eu rezo, nós
encontraremos sua luz
IDELA- No
coração restará
E segure isso em
nossos corações
GABRIEL-A
recordação que
Quando as
estrelas saírem na noite
Eterna ela será
Na minha reza
IDELA- Deixe
isso ser nossa oração
Quanta fé que
Quando sombras
encherem nosso dia
GABRIEL-Conduza-nos
para o lugar
IDELA-Guie-nos
com sua graça
JUNTOS- Nos de
fé e então seremos salvos
JUNTOS- Sonhamos
com um mundo sem tanta violência
Um mundo de
justiça e esperança
Um dia cada um
dando a mão ao seu próximo
Símbolo de paz e
fraternidade
A força que você
traz
Nós perguntamos
se essa vida é amável
E o desejo que
bserve-nos do
alto
Cada um tendo
amor
Nós esperamos
que cada alma encontre
Em todos e
dentro de si
Uma outra alma
para amar
Deixe isso ser
nossa oração
Deixe isso ser
nossa oração
Como cada
criança
Que precisa
encontrar um lugar
Guie-nos com sua
graça
Nos de fé e
então seremos salvos
E a fé que
Age sobre nós
Sinto que se
salvará!
E
numa fração de segundo os olhos de Amabile viram as lágrimas que caiam
incessantemente doolhos de seu amado enquanto ia sucumbindo ao chão, e
rapidamente sem pensar jogou nos braços dele e o beijou de todo seu coração,
como só o amor verdadeiro e puro permite fazer. E daquela vez em uma década
Korsten não sentiu seu corpo ficar sem vida outra vez.Não houve palavra,nem
toque,mas a troca de fluidos de seus lábios foi dose suficiente para quebrar o
veneno que um dia Valpurga julgou ser letal.
Somente
houve tempo para a todos contemplarem, estavam livres de seus corpos físicos,
porém os celestiais apenas iniciavam a longa jornada,juntos,felizes e plenos.
Eles
desapareceram depois de um penhasco.
Idela
despediu-se de Gabriel e foi ao encontro de Maitã e curiosa o questionou:
_O
que Ele escreveu no pergaminho?
Maitã
riu e entregou a Rainha das fadas respondendo:
_Leia
você mesma.
E
ao abri o pergaminho Idela leu:
"Todas as
coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." Não me ocupem com
ideologias humanas ou não,sou o primeiro escritor de tudo que conhecem,adoro
finais felizes.