Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar.
Ama sua família, amigos e animais.
“Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.
Mas
a curiosidade é o que tem dentro dela, já pensou nisso?
A
ideia dessa coluna é trazer novidades, e que vamos fazer “um faz de conta” e
cada artigo sairá dessa caixa e o que pode ser um verso, um livro, uma musica,
um simples texto e por ai vai...
Hoje
abri a caixa e tinha um texto meu lá vamos ver?
O amor chegou
Assim sem avisar
Numa tarde como qualquer outra
Com seus atrativos e sem demora
Fazendo seus pensamentos mudarem e o seu coração acelerar
Aquele amor fez com que seus dias ganhassem mais cores, tudo
era tão mais emocionante.
Nossa que sensação maravilhosa era aquela, e como, chegou à
maturidade sem aquela sensação?
Tanta duvida, mas todas desapareciam com aquele sentimento
que a aqueceu.
Assim era o amor, apenas o seu amor.
Foi assim que ela se sentia. Feliz. Completa.
Amada. Cheia de charme
Este pode não ser mais um conto como tantos. Embora narre
sobre um casal, uma história de amor e todo complexo dessa estrutura, a maior virtude
desse conto trata do que deveria ser o arcabouço de todas relações humanas. Quem
sabe não seja um recomeço?
Na cultura
árabe um homem é sempre Said.
Um homem é sempre senhor.
E o Príncipe
de Amahabur, Faizel Abdur, cujo primeiro nome significa: O Juiz. O povo árabe
crê que alcunha dada a uma pessoa traça em parte seu destino, por isso escolhem
tanto como intitularão seus herdeiros e descendentes. Faizel fez jus a alcunha
que seus pais lhe destes. Faizel fez jus a alcunha que seus pais lhe deram,
apesar de não o ver crescer haja vista que morreram quando ele só tinha quatro
anos de vida. O Príncipe era justo, e amava a justiça e toda sorte de igualdade
que ela poderia dar ao seu povo, sem dúvida foi o melhor chefe de Estado que as
terras de Amahabur teve em milênios.
Mas chegou a hora de dar continuidade, a hora do
acerto entre os nobres de sua linhagem, embora pudesse ter quantas esposas e
concubinas desejasse, Faizel optou por ser monogâmico e não aceitou o acerto,
não seria justo, ele queria dar a todas as moças na idade em contrair núpcias de
tornar-se sua esposa, companheira, mãe de seus herdeiros, amiga e amante. Os sábios
de seu Reino enlouqueceram com a atitude do Príncipe, dar o império na mão de
uma qualquer estragaria muitos planos, muitos conchavos, porque creia caro leitor,
a politicagem foi feita para isto, para estragar muitas coisas, as melhores principalmente.
Todavia, quando um governante é sensato todo povo
brilha na sua luz e toda vez que ele é imprudente o primeiro a morrer na
escuridão de sua ignorância e de seu egoísmo é a sua nação.
Faizel queria um seleção justa e igual para todas as
jovens, foi quando o Grão-vizir Baldar teceu uma trama ardilosa e maquiavélica
com todos os outros cordatos do Reino. Mandou guerreiros a uma jornada para
buscar mudas da flor mais rara do mundo, A Flor Sincera. Dizia a lenda que a
tal flor era mágica mas não dava flores, por isso tinha esse nome, era apenas
um grão como o de mostarda, nada demais, entretanto não é do tamanho do mesmo
grão que se é necessário ter fé?
A intenção do Baldar era mostrar a Faizel que todas
as mulheres fora de seu clã social, ou seja, a nobreza, certamente golpeariam
com belas flores para o ritual que seria proposto. Para o príncipe o importante
era que sim, seria uma seleção justa e aquela que fizesse o que se pedisse e
vingasse seria sim uma excelente esposa, dada a sua sinceridade.
Nas semanas seguintes todas as moças do reino foram
avisadas do interesse de seu maioral em dar a todas a chance de ser sua princesa,
embora toda mulher seja uma rainha, cedo ou tarde todas se dão conta disto.
Eram carruagens, cavalos e burros xucros chegando no
castelo de Faizel. Eram mulheres lindas, outras nem tanto, a nobreza e a plebe
reunidos por um ato tão autêntico e pouco cometido em nossos dias: A igualdade
social.
A cada donzela foi dado um vaso com terra e a
semente do grão de mostarda, somente a jovem que agisse corretamente receberia
como presente de casamento o grão da Flor Sincera.
_ Atenção digníssimas damas! Peço sua atenção! – bradou
Baldar. - creio que todas sem exceções- Fitou o Príncipe para frisar o que governante
desejava. - _Durante sete dias todas deverão regressar ao palácio com seus
vasos e sua Flor Sincera e daí prosseguiremos com a eleição. Lembrem-se senhoritas,
a fina flor só pode ser regada duas vezes ao dia e nenhum componente orgânico pode
ser posto nela, acreditem ou não saberemos!
E todas se foram.
Uma semana depois regressaram ao castelo. Cada qual
com uma flor mais bela que a outra. Umas maiores outras menores, nenhuma com o
vaso de terra vazio como lhes foram entregues e como deveria regressar, afinal
o grão de mostarda jazia seco sem chance alguma de florescer.
Faizel entristeceu-se por demais. E em meio àquela
desventura levantou-se de seu trono em direção ao seu aposento deixando Baldar
explicar a tal reação e a verdade as impostoras.
Mas o que é o Destino, se não senhorio-mor de
ironias para fazer-se realizar?
Sugiro que ouça com a música árabe
Tony Mouzayek-Ya Helou Ya Zein(el clon)
Quando
colocou os pés adentro da majestosa sala, viu toda atmosfera modificada, e
aquele perfume, o mesmo que o absorvera anos atrás entranhava em todo ambiente,
inda sim tentou cruzar a passos firmes todo recinto, no entanto, ao pôr o pé
direito no primeiro degrau, sua cabeça reclinou um pouco para o lado e algo o
puxou repentinamente para trás, a batida do tambor e flauta oferecia aos
convidados uma mulher envolta num véu e
roupas vermelhas onde somente os olhos, umbigo e os pés estavam amostra assim como os braços e suas formosas mãos. Ela resvalava graciosidade
por todos os cantos onde advinha e um feitiço em cada um presente. Seus quadris
iam de um lado a outro sem que seus ombros saíssem do lugar, decididamente era
senhora daquele estonteante forma.
Ele
volveu e à medida que ela rodava cada vez mais célere e alegre, a acompanhava
com os olhos de um lobo, jamais em toda sua vida sentira aquilo por dona
alguma. Um arrepio percorreu todo seu eu deixando até os pelos dos braços em
pé, um fogo ardeu no peito e quando a dançarina se pôs de costas e como uma
serpente ia de cima a abaixo e vice-versa, notou que ela o invadira. Após o
terceiro tilintar do tambor tremeluziu todo corpo como se soubesse que poderia
causar-lhe um choque de um milhão de volts e Faizel engoliu seco o desejo que o
possuíra assim como tentou disfarçar as saliências que seu corpo masculino
principiou a brotar ao ver aquela odalisca. No semblante de cada convidado
jazia a contemplação, no dele o ardor sem pudor, na alma sentia que a força que
emanava daquele ser o enfeitiçara, estava de todo possuído por ela. De repente,
delicadamente passou o dedo sobre onde seriam seus lábios como quem pedisse
silêncio a todos e de tal modo entendida, com o pé içou ao longe a tampa do
cesto, e sobrevinha rente a ele inúmeras vezes, até que ajoelhou rente ao
próprio com dorso das costas todo no chão com os braços acima da cabeça que se
entremeavam com suas lindas madeixas onde Faizel pôde admirar em mais
proeminências as pernas mais bem contornadas que seus olhos já repousaram.
No mesmo instante, somente seu ventre tremulava como
ondas de um grande tsunami o mesmo e colossal tsunami que acordara dentro dele,
e um ruído foi ouvido de dentro do balaio de vime. Quanto mais revolvia o ventre, mais o
som aumentava e de repente a cabeça de Anake foi posta para fora a procura
daquela que liberava tamanha quantidade do hormônio do amor, porque o amor tem
cheiro e agora o Príncipe sabia disto. E enquanto ela ia suavemente
erguendo-se, a serpente escoltava com o mesmo movimento.
Todos estavam imóveis, todos não, existia um que era
terremoto legítimo, e atendia pelo nome de Faizel Abdul. Estava obcecado pelas
oscilações do corpo daquela mulher, e por um segundo tudo que desejou foi estar
no lugar da serpente.
Quando conseguiu por ofídio na mesma altura que ela
voltou as mãos contra o mesmo que subitamente sem pestanejar abriu suas enormes
abas, e se o ventre dela fosse para direita lá o animal estaria, do mesmo modo
que se fosse para esquerda, abaixo, acima ele acataria, até que em dado
instante, quando de todo intuiu que o
domara num golpe certeiro o pegou pela cabeça expondo a todos o pleno comando
que tinha sobre o ofióideo que em seguida se atrelou a cintura dela como se
tudo que carecesse fosse do calor do seu corpo, a mesma necessidade que abatera
o moço rico e bem feito que jazia ali parado, inerte, arrebatado por ela.
Ela descontinuou os abalos. Agora só tangia os pés e
os ombros para trás soltando de vez em cima de seu ventre Anake, totalmente
entorpecido, envolvido e imóvel. Seus braços desenhavam as agitações de uma
serpente em cada detalhe até as pontas de seus dedos.
Faizel percebia a respiração ofegante, se ao entrar
na sala sentiu-se lobo, agora era a sem questionamento algum a ovelha pronta
para o holocausto.
Perguntas o
submergiam:
— Quem era ela? De onde surgira? Por que o deixara
em tal estado?
Mandou chamar o grão-vizir e trazê-la até uma das
salas. A jovem obedeceu cegamente.
Seu nome era Aamahi, aquela que se esforça. Faizel estava apaixonado, por ele casaria naquele
segundo que seus olhos repousaram nela. Todavia foi lembrado de sua própria exigência,
Aamahi era menos que uma plebeia, era uma viajante, logo a bela donzela
partiria com seu pai um caixeiro viajante.
Porém recebeu um vaso como as demais, por sete dias
cultivou com todo carinho aquele grão em seu vaso, mas ao apresentar-se diante
do príncipe seu semblante era triste.
_O que foi? - investigou Baldar esperando por mais
uma forjada suntuosa Flor Sincera.
_Desculpe Said. - ela também amava Faizel.
E pediu o pai que adentrasse o recinto com o vaso do
mesmo jeito que levara. Contudo o rosto Príncipe Faizel Abdul se iluminou. Havia
encontrado sua Princesa.
Não tenha
medo de ser sincero, inda que isso te cause dor. Tenha sim, muito, muito medo
de perder a felicidade por covardia em ser verdadeiro.
Nunca pensei que este dia enfim chegaria, vejo aproximar-se de mim, e não tem como negar, tenho medo.Não sei ao certo se estou pronta,há fantasmas, incertezas, sair da zona de conforto me deixa inquieta, sabia? Mas ai você tem chegado, eu olho, fico confusa, senta do meu lado, eu te olho, disfarço, penso no que faço e num beijo me contento e me disfarço e tiro a roupa se quiser.
É engraçado, é curioso, as vezes é quase uma invasão, mas se é para ser, tem sido minha vida com você.
O futuro é tão incerto...Então pondero, e qual não é?
Ontem me senti ameaçada,as horas passavam, parecia quer era eu quem estava lá fora e não aqui na sala a te esperar.E vi, sentindo pela primeira vez que metade de mim sentia na pele a ausência da outra parte,que nas ruas andavam ,fora do meu corpo mas dentro do seu.
Ah você sabe como eu sou...
Odeio não ter o controle da situação, brigar foi a solução para me impor,e você me desarmou só me olhando esperando eu terminar, para no final simplesmente mencionar:
_Me desculpe, só fui procurar um emprego, não quero te decepcionar. -Porém, má admitida não cri,ai veio a pasta,os currículos,e a justificativa pelo tanto demorar.
Pois é...O que falar?
Minha vida com você é tensa,intensa,árdua,tem tantos obstáculos,no entanto, ontem você me fez ver que são nas pequeníssimas possibilidades de dar certo que preciso pensar.
Antes queria tudo terminasse bem,agora quero que tudo termine bem também,mas com você lá.
Eu quero muito? Não sei.
Deixei você dormir para então escrever como me senti diante de tudo aquilo.Não que não saiba dizer a você,entre nós dois,sempre sobra para eu falar até o que você reflete e por essa sua indomável tempestade, trava para não me machucar.
Minha vida com você não tem luxo, porém, achei lindo você tirar o lixo,e olha que absurdo isto pode parecer? Mas sei lá, foi lindo,talvez porque foi você.
Preciso parar de escrever, não quero que veja o que escrevi.Ainda não estou pronta,entretanto uma coisa posso dizer...
Sempre paro para pensar sobre a morte. Isso me assusta! De vez em quando recebo a notícia de um felino ou um canino que falecera. Pobre coitado, penso!
Minha dona, por exemplo, já sofrera demais com a perda de três amiguinhos meus. A primeira foi a Capitu. Ela tinha a infeliz mania de sair á noite e só voltar pela manhã. Nunca entendi isso! Deixar o conforto de um lar quentinho, uma ração maravilhosa e o carinho de nossa 'dona', para perambular pelas fétidas ruas frias e insensíveis de nosso bairro. Quanta idiotice! Com isso, um certo dia, Capitu saiu e não mais voltou. "Com certeza morreu. Disse minha 'dona'", muito triste.
A segunda companheira felina que fez minha 'dona' sofrer foi a Pandora, que também era adepta dos passeios noturnos e de apenas aparecer em casa ao raiar do dia. Minha 'dona' sempre sofria ao vê-la sair e demorar a voltar, lembrava-se do ocorrido com a Capitu. Certo dia, Pandora saiu e não voltou. Quando acordamos e minha 'dona' tirava o carro para ir trabalhar tomamos um grande susto: a Pandora estava dura e morta embaixo do carro. Fora envenenada e viera morrer em casa, parecia que queria ajuda das pessoas que a amavam. Sofremos muito.
Um ano após a morte de Pandora foi a vez de perdermos o meu amado irmão Allan Poe. Poe já havia passado por duas cirurgias e muito sofrimento. Seus rins não funcionavam mais e ele não conseguia urinar. Era muito sofrimento para um bichano tão lindo e tão carinhoso como ele. Dessa vez o sofrimento foi enorme, pois ele estava sempre junto a minha 'dona' e ambos eram muito apegados um ao outro. Os dias que se seguiram foram muito tristes em nossa casa, mas como tudo na vida, acostumamos.
Por fim, mas não menos triste, quem partiu foi nosso companheiro de miadas e gatices: o Floquinho. Meu amigo era muito divertido e adorava brincar, escalar os muros e andar no telhado. Essa foi a sua perdição. Numa maldita noite, por obra do destino, a pior vizinha que um ser humano ou um felino poderia ter matou meu amigo. Ele subira no muro para brincar e escorregara para dentro do quintal da maldita vizinha que estava encarnada com o Diabo, só pode. Os cachorros dela faziam o maior barulho e ela, incomodada, pegou um cabo de vassoura e bateu tanto em Floquinho que quebrou seu pescoço, matando-o. Nunca mais pude ver aqueles olhinhos lindo e vesgos brilhando ao olhar para minha 'dona'. Quanto sofrimento!
Eu, uma humilde gata siamesa, fico a pensar, então:
- Por que animais tão carinhosos e tão meigos sofrem tanto e morrem? Por que nossos amados 'donos' morrem e ficamos sozinhos nesse mundo tão frio com pessoas tão más?
É inexplicável e, ao mesmo tempo, inaceitável aceitar que tudo tem um fim. Eu, não aceito! (miados de revolta, hoje não consegui fazê-los rir!!!!!)
Formada em Letras pela Unicamp, com pós-graduação em Língua Portuguesa, Shirley Couto é professora de Português do colégio Sérgio Buarque de Holanda, na Zona Sul de São Paulo. Realiza trabalho de leitura e redação com alunos das séries finais do Ensino Fundamental e escreve a coluna Gatices e outros bichos para o blog da Editora Nova Alexandria toda sexta-feira.
O que você diria se soubesse que existe em Rosario, na Argentina, um culto ao "deus"...
Diego Armando Maradona? Que deve ser coisa de uma dúzia de sujeitos que não têm mais o que fazer? Que eles são loucos? Que "tinha que ser" coisa de argentino? Que esses caras não entendem nada de futebol?
Fundada em 30 de outubro de 1998 na cidade de Rosario por torcedores argentinos. Resolveram considerar a data de nascimento de Maradona como Natal. A partir disto criaram uma igreja com orações e mandamentos, com seguidores cadastrados em vários países. Argentina, Espanha e México são, respectivamente, os países com o maior número de fiéis.
A religião tem o tetragrama sagrado, D10S, que mistura a palavra em espanhol para Deus (Dios) com o D de Diego e o 10 da sua camisa.
Maradona nasceu em 1960,ou seja,eles estão no ano 54 D.M( DEPOIS DE MARADONA)
Editor do UOL Tablóide - O sr. é o fundador da Igreja Maradoniana?
Hernan Amez - Sim...
Editor do UOL Tablóide - Então, o sr. é o papa da sua religião!
Amez - Não! Esta religião não tem relação com as outras. Essa não é a idéia. Sou apenas mais um fiel da igreja maradoniana.
Editor do UOL Tablóide - E há brasileiros entre os maradonianos?
Amez - Sim! Não são a maioria, mas existem brasileiros!
Editor do UOL Tablóide - Então são traidores, pois deveriam ser "pelezianos", e não maradonianos!
Editor do UOL Tablóide - Quando vocês querem falar com Deus, rezam ou pegam o telefone e ligam para o Diego? Qual é o contato de vocês com "deus"?
Amez - Nós não O incomodamos. Temos uma chance que as outras religiões não têm. Vemos Deus na televisão, temos os seus vídeos, escutamos suas entrevistas nas rádios. Poderíamos marcar uma reunião, ter uma conversa com Ele, mas ainda não o fizemos. Nós fazemos o que fazemos pelo Maradona, mas sem nos intrometermos em sua vida.
Veja aqui os 10 MANDAMENTOS DA IGREJA MARADONISTA:
1 - A bola não se mancha, como disse D10S em sua homenagem. 2 - Amar ao futebol sobre todas as coisas. 3 - Declarar seu amor incondicional pelo futebol de MARADONA. 4 - Defender a camisa ARGENTINA, respeitando seu povo. 5 - Difundir as palavras de DIEGO MARADONA em todo o Universo. 6 - Frequentar os templos onde MARADONA jogou com seu manto sagrado. 7 - Não proclamar o nome DIEGO por um único Clube. 8 - Amar sempre os princípios da IGLESIA MARADONISTA. 9 - Adotar DIEGO como segundo nome e repassá-lo para seus filhos. 10 - Jamais perder a fé no futebol da ARGENTINA.
Editor do UOL Tablóide - Como foi seu primeiro contato com Diego?
Amez - A primeira vez que eu O vi foi aqui em Rosario, onde estou. Fiquei poucos minutos com Ele e conversamos sobre futebol, mas não foi uma conversa particular - tinha muita gente. Para mim, foi algo inesquecível. Mas não para Ele, pois sou só um a mais entre todos os seus fãs. Mas guardo boas lembranças deste momento, de tê-lo visto, de ter lhe dado um beijo. Foi muito importante para mim e para minha família, pois é uma lembrança de alguém que fez muito pelo meu país.
Editor do UOL Tablóide - Por que o brasileiro João Havelange (ex-presidente da Fifa) é o "diabo" para a Igreja Maradoniana?
Amez - Porque ele sempre teve confrontação com Maradona. Para nós é muito rancorosa uma disputa entre dois sul-americanos, como Maradona e Havelange.
Editor do UOL Tablóide - Se Havelange é o "diabo", quem são Batista e Burrochaga (colegas de Maradona na conquista da Copa do Mundo de 1986)? Eles são santos?
Amez - Eles são apóstolos, porque estavam com Maradona no momento da realização do milagre.
Editor do UOL Tablóide - E eles são maradonianos também? Pertencem à igreja?
Amez - Sim, sim! Eles têm fichas de inscrição e tudo mais. Eles já participaram de uma missa conosco, e nós lhes agradecemos muito! Eles entendem e se identificam com o princípio da nossa igreja, que é uma homenagem ao futebol, que é um esporte muito vinculado às emoções. E eles pertencem a momentos de muita alegria para o povo argentino.
Veja o caso do Brasil com a Argentina, por exemplo. Por mais que estejamos um do lado do outro - e o Brasil me encanta, há 15 anos passo minhas férias no Brasil -, para mim toda disputa com o Brasil no futebol é de uma rivalidade excepcional, como para qualquer brasileiro ou argentino.
A alegria que o Maradona nos deu quando derrotamos o Brasil, na Copa do Mundo de 1990, por mais que não queiramos uma confrontação bélica com os brasileiros... Nós, tanto argentinos como brasileiros, somos povos pacíficos, e o confronto que há entre nós existe apenas nos esportes.
Editor do UOL Tablóide - O Maradonianismo é uma religião e, como tal, tem pecados. Qual é o mais grave pecado que um maradoniano pode cometer?
Amez - Não amar o futebol.
Editor do UOL Tablóide - E existe alguma maneira de um maradoniano ser "excomungado"?
Amez - Nunca aconteceu. Mas temos algumas figuras emblemáticas como o Havelange e Blatter (o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa), que estão fora. Qualquer um pode se filiar. Até o Pelé.
Editor do UOL Tablóide - Para os maradonianos, quem é Pelé?
Editor do UOL Tablóide - Sua igreja também cobra dízimo de 10% todos os meses?
Amez - Não, e essa é a única diferença. Cada religião tem a sua forma de arrecadar dinheiro - passando a cesta de ofertas, ou cobrando o dízimo. Nós não cobramos nada. Maradona sempre disse que jamais entendia quem ia ao Vaticano, onde há tetos de ouro, enquanto crianças morrem de fome aqui na América Latina.
Nossa igreja colabora com o Hospital Infantil de Rosario, doamos, quando podemos, refeições para 600 crianças que passam por tratamentos contra o câncer.
Editor do UOL Tablóide - E de onde vocês tiram dinheiro para essas doações?
Amez - Dos nossos patrocinadores. Colocamos publicidade nas nossas camisetas e os patrocinadores compram os produtos que são doados.
Editor do UOL Tablóide - Com essa idéia de chamar Diego de "deus", vocês não têm medo de ir para o inferno? Afinal, as igrejas cristãs condenam aqueles que idolatram um outro deus.
Amez - Não, porque esta é uma igreja esportiva, e não há nada anterior ou similar a ela. O que acontece é que estamos crescendo tanto que estamos indo para outro plano. E teologicamente eu não estou preparado para discutir isso.
Editor do UOL Tablóide - O sr. tem uma religião?
Amez - Sim.
Editor do UOL Tablóide - Qual?
Amez - A maradoniana.
Editor do UOL Tablóide - E nenhuma outra?
Amez - Na verdade, não. Não há proibição alguma de que nossos seguidores tenham outra religião. Eu já fui católico. A maioria de nós, argentinos, somos batizados católicos, mas a verdade é que não a seguimos. Por exemplo: aqui em Rosario, aos domingos, a missa reúne cerca de 5 mil pessoas. Já uma partida de futebol reúne 30 mil. A partir daí sabemos em que as pessoas acreditam mais.
Editor do UOL Tablóide - Se Maradona é Deus, por que a Argentina não foi campeã do mundo em 1982, 1990 e 1994?
Amez - Porque o milagre aconteceu em 1979 e 1986. (O editor do UOL Tablóide explica: a Argentina foi campeã mundial sub-20 em 1979 e conquistou a Copa do Mundo de 1986.)
Editor do UOL Tablóide - Sim, mas "deus" não poderia ter assegurado a vitória em 1990, contra a Alemanha? (A Argentina foi vice-campeão, sendo derrotada na final pelos germânicos por 1 a 0.)
Amez - Nosso Deus mostrou que não é perfeito. Essa é mais uma qualidade que admiramos nele. Ele fez o que pôde. Pedir tudo a Ele seria exagero.
Editor do UOL Tablóide - E como é o ritual de casamento na Igreja Maradoniana?
Amez - Durante o casamento, os noivos prometem respeitar os Dez Mandamentos da Igreja Maradoniana (a "tábua de leis" deles, que inclui regras como amar o futebol acima de todas as coisas e incorporar o nome Diego no seu próprio e no de seus filhos) e juram amor eterno à bola. Fizemos dois casamentos, que fazemos em nossas reuniões, apesar dos inúmeros pedidos, ainda não tivemos chance. Somos uma religião jovem. Temos apenas quatro anos de existência, e estamos crescendo vertiginosamente.
Editor do UOL Tablóide - Quando foi o momento de iluminação? Quando percebeu que Diego era "deus"?
Amez - Quando, em 1998, me encontrei com um amigo no dia do aniversário de Diego. E eu lhe disse "Feliz Natal". E ele: "Você tem razão, feliz Natal!". E expressamos um sentimento de crença de Maradona, e ficamos na rua, emocionados, falando de Maradona por mais de duas horas. Nesse momento percebemos como Diego era especial.
Para nós que trabalhamos todos os dias, que temos uma vida sacrificada, nós sabemos que os momentos de alegria são poucos. Maradona nos deu muitos sorrisos. Ele nos deu muito e não nos pediu nada em troca. E a satisfação de termos visto seus milagres, e da alegria que Ele deu ao nosso povo, e que é compartilhada por pessoas de todo o mundo.
Ele, quando jogava, jogava com a habilidade, e a atitude. Isso é um reflexo e uma definição de nosso povo. Precisaríamos de muitos Maradonas hoje em dia, de muitos com a atitude dele, para sairmos de onde estamos.
Editor do UOL Tablóide - Acredita que haverá algum outro jogador tão bom quanto Diego?