Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Ajuda-me a morrer! Quatro brasileiros contam por que se inscreveram numa clínica de suicídio assistido.

     

Ajude-me a morrer (Foto: Shutterstock)

     
 


  


Raquel (nome fictício), uma aposentada paulistana, fala da própria vida com orgulho. “Aproveitei minha juventude, peguei muito sol, viajei pelo mundo, namorei, casei, tive duas filhas maravilhosas, me divorciei e trabalhei duro”, afirma. Aos 68 anos, mora sozinha num bairro nobre de São Paulo. Caminha diariamente, para ver a vizinhança e para não conviver com a bagunça que a reforma de sua cozinha anda provocando. Raquel é organizada. Dentro de um armário, na sala de estar, guarda uma pasta com instruções que poucos amigos seus conhecem e pouquíssimos se comprometeram a cumprir. Lá está escrito o destino que Raquel arquitetou para si: viajar até a Suíça, onde médicos, enfermeiros e psicólogos a aguardam numa clínica. Ela espera ser examinada e, uma vez aprovada, receber um copo com um barbitúrico misturado a 100 mililitros de água. A bebida, de gosto amargo, descerá em poucos goles. Cinco minutos depois, virá o sono. Em meia hora, promete a clínica, a senhora satisfeita com a vida estará morta. Há quatro anos, Raquel pagou R$ 400 para associar-se à Dignitas, organização suíça que cobra cerca de R$ 15 mil para ajudar pessoas a se matar. Entre os 6.261 inscritos, de 74 países, há dez brasileiros. Quatro deles revelaram a ÉPOCA por que decidiram planejar a própria morte.
Raquel sofre de ateromatose, doença circulatória que compromete a oxigenação do cérebro e pode causar um derrame. Amanhã ou dentro de 15 anos – o momento é imprevisível –, ela pode perder a lucidez. Raquel diz sentir-se mais segura ao saber que, se isso acontecer, seus últimos desejos estarão registra

     
               
      
            
dos nas instruções contidas em seu envelope. “Quando não tiver plena consciência, prefiro morrer”, afirma. “Não me sinto uma suicida, jamais pularia da janela. Apenas quero morrer dormindo.” Raquel diz não querer para as filhas o sofrimento que ela viveu ao cuidar da própria mãe. “Minha mãe passou três anos delirando num leito de hospital, sem reconhecer pessoas ou falar coisa com coisa”, afirma. “Proibi minhas filhas de visitá-la, para que as duas guardassem somente lembranças boas.”



Raquel (nome fictício), 68 anos, aposentada (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)




 
Para você
Existem pessoas que decidem não seguir adiante quando se veem privadas de saúde mental ou física

Para amigos e parentes
Tentar entender o sofrimento de alguém pode ser mais eficaz do que palavras vazias de incentivo
 Ao longo da história, o suicídio sempre foi condenado pelas religiões e pelas leis – são pouquíssimos os países onde tal prática, mesmo assistida por médicos, é liberada. Sob que condições – se em alguma – seria moralmente aceitável que um ser humano tirasse a própria vida? Tal questão intriga filósofos desde a Antiguidade e persiste como tema de debate intelectual até os dias de hoje – a ponto de o escritor francês Albert Camus, um dos grandes pensadores do século XX, ter dito que o suicídio constitui a questão central de qualquer sistema de pensamento. O controle sobre a própria vida também perturba escritores e dramaturgos. O maior de todos, o inglês William Shakespeare, trata do tema em seu monólogo mais conhecido, de Hamlet. No trecho que começa com a frase “ser ou não ser”, o protagonista cogita se vale a pena empunhar armas contra um mar de problemas – ou se seria melhor ir para o país não descoberto, do qual nenhum viajante jamais retornou. No Brasil, na peça Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, o retirante Severino diz a um interlocutor: Que diferença faria/se em vez de continuar/tomasse a melhor saída/a de saltar, numa noite/fora da ponte e da vida?.
Tanto Hamlet quanto Severino optam por viver. No poema de João Cabral, o protagonista testemunha um nascimento e considera aquilo uma resposta a sua pergunta: Ela, a vida, a respondeu, com sua presença viva.
 
As leis, no Brasil e no mundo, foram criadas com base na ideia de que todos querem viver – e que tirar a vida, em qualquer circunstância, é um mal. Diante da crescente longevidade humana e da agonia longa e dolorosa de muitos doentes terminais, que persistem meses ou anos em estado muitas vezes vegetativo, esse conceito agora está em discussão. Os cuidados paliativos, a humanização da morte e a discussão sobre em que momento os tratamentos médicos podem ser interrompidos têm se tornado questões centrais de qualquer conselho de ética médica no mundo.
Em 2010, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou os médicos para interromper o tratamento de um doente terminal, se assim ele quiser. É uma prática conhecida como ortotanásia, uma forma passiva de suicídio assistido. Ela é ilegal no Brasil, mas até hoje nenhum médico foi condenado por praticá-la. O projeto do novo Código Penal, concluído pelo Senado na semana passada que será encaminhado à Câmara, propõe um passo além. Ajudar a morrer, hoje considerado homicídio, viraria um crime específico. A pena máxima cairia de 20 para quatro anos, e a pena mínima cairia a zero. Pelo projeto, o réu sairia livre se o júri concluísse que agiu pelo bem do morto.
Preservar a vida é o principal empreendimento da humanidade, motivador da criação de leis de convivência social e da pesquisa científica. O sucesso do homem nesse desafio é indiscutível. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a longevidade passou de 31 anos, em 1900, para 66, em 2005. Epidemias de gripe e cólera foram controladas. Mesmo a aids, doença que em 1980 matava em cinco anos, tornou-se tratável. Segundo o periódico British Medical Journal, a expectativa para um britânico que contraiu o vírus HIV com 20 anos é morrer aos 66. Numa época em que é plenamente possível alguém passar de 100 anos, aflora, paradoxalmente, a ideia oposta: manter-se vivo, vítima de doenças degenerativas ou problemas físicos irreversíveis, pode ser considerado um fardo – e a morte voluntária, uma saída digna.
Entre os que procuram a clínica suíça Dignitas, o perfil de Raquel é intermediário entre dois extremos. De um lado, estão pessoas plenamente saudáveis que pensam no suicídio assistido como uma espécie de “seguro de morte”, contra alguma doença incapacitante. São os casos do comerciante Hamilton Martins, 45 anos, de Goiás, e do funcionário público Orlando Correia, de 46 anos, da Paraíba. De outro, estão os que sofrem de graves problemas de saúde e têm dificuldade em conviver com a condição. Assim como Raquel, a ex-atleta Ana Paula (nome fictício), do Rio Grande do Sul, está nesse segundo grupo. Os quatro não se conhecem e estão entre os brasileiros que se associaram à Dignitas.
Hamilton Martins, 45 anos, comerciante (Foto: Cristiano Borges/ÉPOCA)
Para Martins, as pessoas têm direito de encerrar a própria vida ao se tornar vítimas de alguma doença incurável. “A Dignitas faz algo nobre ao oferecer essa ajuda a quem está sofrendo”, afirma. “Mas espero não precisar usar o serviço.” Orlando Correia pensa parecido. “As pessoas não fazem seguro de vida? Vejo isso como um seguro de morte”, afirma. Sente-se tão à vontade de expor seu ponto de vista que foi o único a mostrar o rosto nesta reportagem. Ana Paula, de 32 anos, está no segundo caso. Formada em educação física, há três anos bateu a cabeça num banco de areia, ao mergulhar no mar numa área rasa. O impacto fraturou uma vértebra de sua coluna cervical e tornou-a tetraplégica, imóvel do pescoço para baixo. Ela precisa de ajuda para ir ao banheiro, beber ou comer. “Não consigo nem escovar os dentes por conta própria”, afirma. “É muito penoso, passivo. Como posso esperar viver uma vida plena e longa se sempre dependerei de alguém?”
Conversar com Ana Paula é experimentar um estranho conflito entre sua história trágica e a esperança que sua aparência inspira. As sessões de fisioterapia, que faz de segunda a sexta-feira, mantêm o viço da musculatura. O corpo permanece íntegro, apenas se recusa a trabalhar. Como a paralisia pouco afeta o funcionamento de seu organismo, ela tem condições de viver por décadas. Talvez a medicina encontre cura para a tetraplegia antes de Ana Paula envelhecer. Mas essa esperança transformou-se em angústia. “Passei meses fazendo tratamento experimental, nos Estados Unidos, e não melhorei. Centenas de médicos testam novos métodos, cobram caro e não oferecem resultados”, afirma. “Não me arriscaria a fazer uma cirurgia que pode não dar resultado. E o risco de que falo não é de vida ou financeiro, é o risco de me decepcionar.”
Ana Paula (nome fictício), 32 anos, ex-atleta (Foto: Mirian Fichtner/ÉPOCA)
Depois do acidente, Ana Paula tornou-se uma ávida leitora do noticiário científico. As pesquisas com células-tronco são promissoras, mas ainda não há resultados palpáveis para sua doença. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis quer que, por meio da robótica, um tetraplégico dê o pontapé inicial na Copa do Mundo de 2014. Mas isso não a anima. “Não quero usar um exoesqueleto e sair na rua igual ao Robocop”, diz. Ana Paula alterna sessões diárias de terapia com psicólogo e psiquiatra. Trabalha numa empresa e passeia com amigos e parentes. Tenta seguir adiante, mas não consegue. “Sei que não envelhecerei assim. O suicídio é algo que acontecerá na minha vida, e espero que não demore.”
Seu caso levanta outra questão relacionada à vontade de encerrar a própria vida: a reação da família. Ana Paula diz-se revoltada com a incompreensão dos parentes. “As pessoas são egoístas, só pensam quanto elas sofrerão se eu for embora. Não conseguem ter ideia do meu sofrimento”, diz. “A decisão de me matar precisa ser bem trabalhada em família, porque não quero que eles sofram com isso. Principalmente meus pais, ainda mais minha mãe, que me carregou no ventre.” Além do desejo de se despedir em paz, Ana Paula tem uma dificuldade prática. Imóvel do pescoço para baixo, ela só poderá realizar sua vontade com a ajuda de outra pessoa. A divisão de tarefas e despesas, no tratamento de um parente doente, é pesada. Assistir à transformação da pessoa querida é doloroso, assim como aceitar sua vontade de renunciar à vida.
Orlando Correia, 46 anos, funcionário público (Foto: Francois Wavre/Rezo/Polaris/ÉPOCA)
Orlando Correia era pequeno quando um primo mais velho tentou se matar com um tiro no peito. “Aquilo marcou minha infância. Acompanhei suas sessões diárias de fisioterapia no hospital, por meses, sem perguntar nada”, afirma. “Ficava olhando para seu rosto, curioso para saber o motivo daquela atitude. Achava o suicídio uma coisa medonha, mas tinha certo fascínio.” Correia diz que levou décadas para aceitar o gesto suicida do primo. Entender o motivo, nunca entendeu. Mesmo assim, quer ter a chance de – se estiver numa situação incapacitante – optar por morrer.
A Suíça é o único país onde um turista pode se matar com auxílio de um terceiro. Para evitar acusações de assassinato, o ajudante não pode ganhar dinheiro com aquela morte ou incitar o suicídio. Pode fornecer uma droga letal, mas a pessoa disposta a morrer precisa tomar o veneno por conta própria. A Suíça tem cinco clínicas que praticam suicídio assistido. A Dignitas (leia o quadro abaixo) é a única a oferecer o serviço a estrangeiros não residentes. Desde que foi fundada, em 1998, pelo jornalista e advogado alemão Ludwig Minelli, a Dignitas ajudou pessoas a se matar em quartos de hotel, apartamentos alugados
e, segundo a imprensa suíça, até em carros no acostamento de estradas. Mudou várias vezes de endereço, por causa de protestos de moradores e políticos das regiões onde a clínica estava instalada. “A história da Dignitas repete um bordão bem conhecido nos estudos de sociologia: ‘Não no meu quintal’”, afirmou Minelli à revista americana The Atlantic. Atualmente, a clínica usa uma casa de dois andares nos arredores de Zurique. Lá, ajuda pessoas a morrer – um processo que chama de “acompanhamento”.

Até dezembro de 2011, a Dignitas levou à morte 1.298 pessoas – entre elas, em 2010, um brasileiro. O pagamento de cerca de R$ 15 mil cobre inscrição, anuidade, hospedagem e morte. Funeral e cremação custam mais R$ 7 mil. No momento em que decide recorrer à Dignitas, o candidato precisa explicar seus motivos e enviar um histórico médico atestando doença terminal ou incurável. As informações são avaliadas por um médico, que pode pedir mais documentos, recusar o paciente ou dar sinal verde. Com isso, basta ao candidato viajar para a Suíça e fazer duas consultas em dias diferentes com o médico responsável por receitar o barbitúrico. Tudo leva quatro dias.
Cada morte na Dignitas é investigada pela polícia. Para não ser acusados de assassinato, os enfermeiros apenas preparam o coquetel letal. A ingestão cabe ao próprio interessado. Quando ele não consegue levar o copo à boca, há um canudo. Mas a substância é injetada na veia daqueles que não podem mais se mover. Chegar à clínica com um cateter preso ao corpo é interpretado como manifestação de vontade. Como a bebida é amarga, a clínica recomenda que o candidato tome antes um remédio contra náusea e uma bebida doce, como chocolate, para evitar vômitos. Depois de tomar a droga, a pessoa dormirá entre dois e cinco minutos até entrar num coma profundo. O aparelho respiratório deixará então de funcionar, causando a morte. “O processo é absolutamente indolor e livre de riscos”, afirma um documento da clínica.
Segundo a Dignitas, 70% dos candidatos ao suicídio assistido recebem o sinal verde, mas somente 14% se matam. Em seu estatuto, a clínica diz desestimular os filiados da ideia de pôr fim à vida. Raquel e Ana Paula dizem que a Dignitas se dispõe a conversar. “Nosso principal trabalho é de prevenção ao suicídio”, afirmou a ÉPOCA Silvan Luley, porta-voz da Dignitas. Ele diz que a clínica pretende encerrar suas atividades à medida que a discussão sobre a morte assistida evoluir nos países. “Não é nossa preocupação alguém do Brasil, ou de qualquer outro lugar, vir à Suíça morrer”, afirma. “Por causa da Dignitas, fica fácil para os políticos exportar a solução de uma questão que deveria ser discutida internamente.” Uma discussão longa – que precisa levar em consideração argumentos seculares de religiosos, filósofos e artistas que, ao longo dos séculos, têm se debruçado sobre o tema.
Qualidade de vida e qualidade de morte (Foto: Fontes: Organização das Nações Unidas (ONU) e Ministério da Saúde da Suécia)

ATALHOS PARA O FIM
Formas de abreviar a vida em diferentes países
Ortotanásia
A pedido de um paciente terminal ou representante, o médico cessa o tratamento. É aceita pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil e, desde maio, na Argentina

Eutanásia voluntária
Morte por uma injeção aplicada pelo médico, a pedido do paciente. É autorizada por Luxemburgo, Bélgica e Holanda, desde que para doentes terminais

Suicídio assistido
Uma pessoa ajuda outra a se matar. É permitido na Suíça, mesmo para pessoas de fora do país. O ajudante não pode ser remunerado nem receber herança

Suicídio assistido por médico
O médico receita uma droga letal ao paciente, que a toma quando quiser. É legal
na Bélgica, Holanda e Suíça e nos estados americanos de Oregon, Washington e Montana
A clínica especializada em morte (Foto: Fonte: Dignitas / Foto: David Levene/The Guardian)
 
 
 
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Campanha on-line contra violência doméstica pede boicote ao filme "Cinquenta Tons de Cinza"!

CAMPANHA ONLINE PEDE BOICOTE AO LONGA (Foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)CAMPANHA ONLINE PEDE BOICOTE AO LONGA (Foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

 

Organizadores afirmam que a protagonista do longa é vítima de um relacionamento abusivo. A intenção é mostrar que na realidade as mulheres acabam em um abrigo ou mortas.

Ativistas americanos lançaram uma campanha na internet pedindo boicote ao filme "Cinquenta Tons de Cinza", que estreia no próximo dia 12. Os defensores da causa dizem que a protagonista do longa, Anastasia Steele, interpretada pela atriz Dakota Johnson na adaptação do livro de EL James, é vítima de abuso.
A sugestão da campanha, lançada no Twitter e no Facebook, é doar o valor que seria usado nos ingressos para organizações de combate a violência doméstica, informou o jornal "The Guardian".
 
 
"O dinheiro que você gastaria nos ingressos, com uma babá, pipoca e bebida irá para vítimas de relacionamentos abusivos, como a glamourizada série '50 Tons...'", diz a campanha na rede social que reúne mais de 4 mil curtidas. "Hollywood não precisa do seu dinheiro, as mulheres, sim."
O filme de Sam Taylor-Johnson, que traz o ator Jamie Dornan como o bilionário Christian Grey, está sendo criticado por várias organizações do gênero nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, sendo que várias delas apoiam a campanha online.
Mulheres reais "não terminam como Anastasia; elas acabam em um abrigo para mulheres ou mortas" afirmou um representante na organização National Centre ao jornal "Washington Times".
Os ativistas disseram estar animados com o retorno que receberam até o momento e contaram ter recebido doações de países como Alemanha e Austrália. A quantia será doada para grupos de apoio. "As pessoas estão tristes com este filme e com a potencial glamourização do comportamento abusivo e perseguidor, então ficam felizes de terem a chance de fazer algo positivo para ajudar a diminuir o dano", disse um dos organizadores.
Em uma entrevista recente ao "The Guardian", Taylor-Johnson afirmou que gostaria de retratar o relacionamento de uma forma equilibrada. "Pensei, se pudermos levar esta garota numa jornada em que é empoderada e não deixá-la como vítima, terá sido um bom trabalho".

Fonte: Revista Marrie Claire            
 
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Livro investiga trajetória de mulheres flagradas em foto símbolo da segregação racial nos EUA

Elizabeth (à frente) e Hazel em foto feita por Will Counts em 4 de setembro de 1957 (Foto: Reprodução / YouTube / Yale Press)

 
A Matéria foi produzida pela matéria da Revista Marrie Claire.Confira!

Em "Elizabeth and Hazel - Two Women of Little Rock" (Elizabeth e Hazel - Duas Mulheres de Little Rock, inédito em português), David Margolick conta como imagem mudou para sempre a vida das duas ex-estudantes, que chegaram a ser amigas, mas se afastaram novamente. "Sei que a despeito de tudo, elas ainda se gostam e sentem falta uma da outra", diz.Elizabeth (à frente) e Hazel em foto feita por Will Counts em 4 de setembro de 1957 (Foto: Reprodução / YouTube / Yale Press)
Os nomes de Elizabeth Eckford e Hazel Bryan não são reconhecíveis para a maioria, mas uma imagem das duas no dia 4 de setembro de 1957 certamente é: a primeira, uma estudante negra, óculos escuros, caminha estoicamente em meio aos colegas brancos, enquanto a segunda, logo atrás, parece gritar impropérios racistas.
A imagem histórica, capturada pelo fotógrafo Will Counts, do Arkansas Democrat, foi feita quando nove estudantes negros - entre eles a tímida Elizabeth, de 15 anos -iriam ao primeiro dia de aula no principal colégio da cidade de Little Rock, o Central High School. Selecionados pela direção para cumprir a ordem judicial de integração racial no país, eles haviam se reunido na casa de lideranças negras para irem em grupo, temendo serem hostilizados. Menos Elizabeth, que não recebeu o aviso e seguiu sozinha.
Mais de 50 anos depois do episódio, ao visitar Little Rock para uma reportagem, o jornalista David Margolick, ex-editor da Vanity Fair e colaborador do New York Times, se deparou com a foto das duas ex-alunas, já duas adultas, sorrindo uma para a outra.  "Percebi que havia uma boa história ali. Pensei que era uma trajetória importante para ambas personagens", diz o autor de "Elizabeth and Hazel - Two Women of Little Rock" (Yale Press, ainda inédito em português).
No livro, relançado recentemente, Margolick conta como a imagem, reproduzida em diversas capas de jornais e transformada em símbolo pela luta anti-segregação racial, mudou para sempre a vida das duas mulheres: traumatizada, Elizabeth sofreu com problemas emocionais por anos, enquanto Hazel passou outros tantos tentando expiar a culpa. Veja abaixo, um vídeo do autor falando sobre o livro, em inglês:
 
Após um pedido de desculpas de Hazel, as duas se aproximaram e chegaram a ser amigas -época da segunda foto-, mas logo voltaram a se afastar. "As diferenças entre elas –de formação, experiências de vida, atitudes e personalidades- se provaram muito grandes para serem superadas facilmente", diz Margolick, que tentou uma reaproximação entre as duas ao concluir o livro, sem sucesso. Por email, ele respondeu a perguntas de Marie Claire.
Marie Claire - Que razões o levaram a querer contar a história por trás dessa foto icônica de 1957? O que o atraía na imagem?

 David Margolick – Como qualquer estudante da história americana ou qualquer pessoa que tenha lido um livro sobre a história do país, eu convivi com essa imagem a vida inteira. Não poderia nem dizer a primeira vez que a vi; é como se sempre tivesse feito parte da minha consciência e sempre me senti atraído por ela. Quando estive em Little Rock para outra reportagem e vi uma imagem de Elizabeth e Hazel juntas, agora duas adultas, sorrindo uma para outra e aparentemente reconciliadas, percebi que havia uma boa história ali. Como foi o processo entre a primeira e a segunda foto? Pensei que era uma trajetória importante para ambas personagens.

MC - Algumas reportagens afirmam que Elizabeth Eckford não era exatamente uma estudante politizada ou engajada na causa racial à época. O que a levou a enfrentar os colegas brancos daquele jeito?

 DM – É verdade que Elizabeth não era politizada ou uma ativista. Nenhum estudante negro em Little Rock ou qualquer outro lugar do sul naquela época poderia ter sido uma das duas coisas em correr grande risco e Elizabeth tinha menos ainda esse perfil porque era muito tímida. Ela era uma boa estudante e tinha muita vontade de aprender. Ela sabia que teria uma melhor educação, que pudesse oferecer mais disciplinas e abrir mais portas no futuro, numa escola para brancos.

MC - Quais foram as consequências desse ato na vida dela posteriormente?

 DM – O trauma que ela viveu aquele dia em Little Rock e durante o ano naquela recém-reintegrada escola nunca a abandonaria de verdade. Ela já era uma mulher frágil e a experiência a fez mais vulnerável. Por anos, ela sofreu com problemas emocionais e basicamente se recolheu, se desligou do mundo. Mais tarde, no entanto, sua capacidade de superação a tornou mais forte.

MC - Quanto a Hazel Bryan, que traumas a imagem que a tornou um símbolo da segregação trouxeram?

 DM – Hazel nunca mais conseguiu se ver livre da foto e talvez nunca consiga: a imagem se tornou maior que ela. Mas a experiência a sensibilizou para a questão racial, fez ela olhar para dentro de si e abriu sua mente e coração. Então mesmo sabendo que jamais vai se ver livre da sombra dessa foto, ela passou os últimos 50 anos tentando expiar a culpa, muitas vezes trabalhando com pessoas negras em situação vulnerável ou tentando levar uma vida mais justa.

MC - Ela tinha apenas 15 anos na época. Quando acha que ela percebeu que tinha cometido um terrível erro?

 DM – Como ela própria já explicou, ela começou a perceber de verdade quando viu imagens na televisão de negros sendo feridos agredidos em protestos no sul do país. Foi então que se deu conta de ter feito parte desse racismo e prometeu fazer algo em relação a isso. Foi quando chamou Elizabeth para um pedido de desculpas.

A capa de "Elizabeth and Hazel - Two Women of Little Rock", que narra a vida das duas mulheres após a foto (Foto: Reprodução / Yale Press)


MC - Como foi a reaproximação entre as duas?

 DM – Ambas são muito inteligentes e, de certa maneira, individualistas: elas não têm muitos amigos e nunca foram muito próximas mesmo entre seus familiares. Então descobriram que gostavam da companhia uma da outra e, para surpressa de todos, se tornaram amigas genuínas.

MC - Por que elas romperam novamente depois?

 DM – As diferenças entre elas –de formação, experiências de vida, atitudes e personalidades- se provaram muito grandes para serem superadas facilmente. Elizabeth, que é muito rigorosa e exigente consigo mesma e com os outros, começou a achar que Hazel não era imparcial o suficiente a respeito do que havia feito e do nível que sua família era responsável pelo que aconteceu. Hazel, por outro lado, se ressentia da desconfiança de Elizabeth. Ela disse ter se cansado de Elizabeth sempre estar testando sua sinceridade. Então pararam de se falar há alguns anos.

MC -  Durante sua pesquisa, houve alguma tentativa de encontro entre as duas?

 DM – Eu não queria interferir na história sobre a qual estava escrevendo, então, até o final da minha pesquisa, nunca tentei convidar as duas para um encontro. Só quando o fotógrafo do projeto quis que as duas posassem juntas, nós falamos sobre o assunto. Elizabeth concordou em ser fotografada novamente, mas Hazel recusou e a novo foto das duas nunca foi feita. Eu espero muito que um dia, talvez quando ninguém estiver por perto, elas se reaproximem novamente. Sei que a despeito de tudo ainda se gostam e sentem falta uma da outra.

MC - Você diz, no vídeo de divulgação do livro, que a foto permanece como uma metáfora da luta para superar o racismo nos EUA. Quais são os desafios de hoje em relação à época?

 DM – As coisas realmente estão melhores hoje do que em 1957, quando a segregação era lei. Flagrantes de discriminação em instituições de ensino, lugares públicos, no serviço militar etc hoje são crimes. Mas claro que o preconceito racial ainda é um problema enorme nos Estados Unidos, em parte porque hoje é muito mais sutil e difícil de detectar.

MC - Aqui no Brasil, a foto foi lembrada quando da chegada dos primeiros médicos cubanos para um participar de um programa do governo federal, que foi alvo de protestos de médicos brasileiros. A imagem de uma médica branca gritando “Escravo!” para um colega cubano foi comparada com a de Elizabeth e Hazel. Você vê diferenças entre o racismo ainda presente nos EUA e no Brasil?

 DM – Sei que as relações raciais tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, embora tenham raízes comuns no comércio de escravos europeu, evoluíram de formas muito diferentes. No entanto, por mais que já tenha estado no Brasil, não acho que consiga comparar o tipo de racismo dos dois países. É uma situação difícil de compreender mesmo aqui.

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Janelas se vingam

          A casa estava totalmente selada e escura. Passava de meia-noite e todos hospedes estavam dormindo, pelo menos era isso que pensava o rico empresário João Carlos. O dia que já chegava seria cheio para todos, eles iriam comemorar o aniversário de 82 anos da mãe do empresário – não que ela se importava, desde que o Dr. João Carlos propôs a festa, ela se recusara dizendo que não queria festejar com um bando de interesseiros.
        Ouviu-se um barulho estranho vindo da cozinha, passos, Dr. João Carlos que já era velho e nunca foi de acorda a noite, continuo dormindo, então quem desceu para verificar o que ocorria foi um dos funcionários mais antigos da casa cujo nome era Adamastor. Adamastor desceu todas as escadarias como sempre fazia, célere, ele era um homem de 32 anos de idade, robusto. Quando Adamastor se aproximou da cozinha e adentrou na porta nada viu, apenas sentiu o gosto de morte que lhe tomou a boca... Segundos após estava morto, mas não antes de soltar o grito de toda alma que desencarna.
         A escadaria era toda feita de mármore de branco importado com detalhes em ouro nas laterais, tudo que o dinheiro permitia tinha naquela casa. A mansão era tão rica que o quarto da empregada tinha o tamanho da suíte presidencial do Copacabana Palace Hotel. E agora toda aquela escada jazia com uma trilha rubra feita de sangue... Sabe-se lá de quem.
         Pela primeira vez em 10 anos algo conseguira tirar o dono da casa do sono profundo que tinha graças aos remédios que tomava para a depressão, depressão essa que adquiri-la depois da morte traumática do pai que caiu da janela do quarto ao lado, quebrando o pescoço e morrendo em plena luz do dia – essa foi a história que fora contada a imprensa, o resto passa de lenda dizia o Dr. Carlos.
       O homem que já estava com 98 quilos, mais pesado do que deveria para seu tamanho, levantou tonto e atrapalhado da sua grande cama confeccionada em pau-brasil... Colocou os óculos que estavam sobre o criado-mudo de peroba e saiu ligando as luzes dos corredores, chamando a todos os hospedes.
        Vinte minutos depois estavam todos reunidos na sala, mostrando cara de perplexidade defronte aquele corredor de sangue... Alguns mostravam cara de sono outros não, mas estavam todos assustados com a pergunta que imperava entre os rostos e foi o convidado, para a comemoração, chamado Luís, de sobrenome desconhecido entre os demais que perguntou.
      - Onde estão os corpos? Disse com uma voz pálida e sombria, ninguém sabia se aquela era sua voz normal, na verdade não sabiam nada sobre ele, ele fora amigo do pai do Dr. Carlos, nenhum dos que estavam ali o conhecia intimamente.
       - Não devemos nos preocupar com corpos, mas sim com quem é o assassino. Ele pode está entre nós.
         Todos sabiam da possibilidade do assassino ser um deles, entretanto ninguém queria demonstrar insegurança, todos queriam evitar que a suspeita recaísse sobre eles. Não era segredo para ninguém que a senhora Adriana, mãe do doutor não tinha amizade nem com o próprio filho, se alguém alguma vez gostou dela foi o marido que jazia morto.
            Depois de dois minutos de um gélido silêncio, o anfitrião tomou coragem e resolveu dar inicio aos procedimentos, iria ele mesmo descobrir o assassino, mas, para isso viu que precisava dos corpos. Não dava para chamar a policia, aquela mansão fora construída no meio de uma mata fechada, seu acesso só poderia ser feita pelo ar, e estava uma tempestade do lado fora.     
A chuva silvava ferozmente sobre aquelas telhas antigas, construídas sobre pernas de escravos, diziam os empregados mais antigos que ainda se podia escutar o lamento dos negros durante os dias quentes. Enquanto do lado de fora a noite gritava, dentro da mansão era o silêncio que torturava.
Ultradownloads 
Decerto achar corpos em um casarão daquele tamanho não seria tarefa fácil, talvez se separassem... Mas ninguém estava disposto a se separar e ficar no mesmo grupo do assassino, então acordaram todos em um único grupo formado por todas aquelas 20 pessoas, conferir cômodo a cômodo até verificarem tudo.
- Primeiro vamos ao porão, se eu fosse algum assassino seria o primeiro lugar que pensaria para esconder corpos. Levantar a possibilidade de ser assassino não era uma coisa boa a se fazer naquele momento.
- Bom... Apesar porão ter sido fechado logo após a morte do meu pai, ele pode ter conseguido abri-lo. Levantou a hipótese o proprietário da mansão, e agora o responsável por achar o corpo da própria mãe.
Seguiram todos de maneira desordenada e ainda silenciosa a parte mais oculta da casa. A entrada para o porão era feita de cedro adornado por peças antigas de metal enferrujadas e por uma maçaneta em forma da cabeça de um leão feita de bronze. Não foi tão difícil adentrar um único empurrão de um dos convivas mandou a porta para longe...              O porão era cheio de velharias, tinha algemas, objetos de tortura, velhas canetas tinteira do inicio do século XX, estranhos objetos aos que ali estavam que eram ainda mais antigos, possivelmente de 1700, e ainda estavam sendo servidos a traças e outros insetos vorazes, dezenas de livros amarelos vilipendiados pelo tempo. Tinha de tudo que era antigo um pouco naquele porão, mas ninguém estava interessado em nada do que se encontrava ali, exceto um senhor de uns 70 anos de idade que se locomovia de forma precária que pegou de uma prateleira antiga uma moeda dourada da época de reinado e colocou no bolso.
- Aqui não tem corpos, chega, vamos a outro lugar.
Os convidados pareciam já cansados de tanta procura, estavam apenas no primeiro cômodo.
- O segundo lugar mais conveniente para se esconder um corpo nesta mansão é o sótão.
        Todos se dirigiram para o sótão desta vez sobrepondo com suas vozes o tom da chuva que caí do lado de fora.
           Mais uma vez adentraram em um cômodo escuro sem janelas e cheio de velharias, a única diferença entre o sótão e o porão era o cheiro, não um cheiro de morte, de sangue,  o sótão cheirava a ervas, mais especificamente cheirava vetiver, planta nada comum para a região.
         Novamente não era ali que estavam depositados os corpos da mãe do Dr. Carlos e do seu empregado.
            - Calma, estamos apenas no segundo cômodo, não vamos perder as esperanças.  Disse-lhes tentando acalmar os ânimos, todos pareciam suspeitar de todos.
            - Mas não há mais nenhum outro lugar aqui para se esconder corpos! Disse outro conviva, jovem e com cara de assustado.
            - Há sim – respondeu o proprietário – existem passagens secretas entre os quartos, estão na sala.
            Depois de mover um livro de Victor Hugo, antigo e já sem capa uma passagem surgiu através da lareira daquela sala recheada de lustres de cristais e de pinturas renascentistas.
            - Isso sim é uma passagem secreta. Disse impressionado um dos acompanhantes daquela missão estranha de busca de corpos.
            Aquela passagem centenária tinha sido criada pelo bisavô de Carlos que tinha medos que esquecera a história, só sabiam que tinha sido criada por ele por causa dos temores, nada mais.
            A passagem tinha paredes feitas de pedra-sabão lisa, nessas paredes a cada dez metros haviam dependurado em uma lacuna, archotes feitos de bronze que anos não tinham foto para aquecer os seus metais. Todos os corredores da passagem iam de encontro a uma sala maior no centro da passagem, onde havia uma poltrona, provavelmente colocada lá pelo pai de Carlos, uma escrivaninha simples com uma caneta tinteiro ainda sobre ela, e uma fotografia amarelada.
            - Carlos quem são esses da fotografia?
            - Meu pai e, e, e... Respondeu Carlos. 
            Depois de analisar bem aquela fotografia ele resolveu responder.
            - Não conheço quem é essa que está do lado do meu pai, deve ser alguma amiga.
            - E que amiga... Respondeu aquele mesmo homem que fizera a pergunta.
           Em outros tempos ele sairia dali com um pouco de sangue a menos, mas Dr. João Carlos estava com a mente muito ocupada para sentir o sarcasmo documentado, ou para pensar na possível traição do pai... Ele não estava se importando com nada, não era hora.
            O velho que estava passando despercebido desde a visita ao porão, falou com uma voz macia e falha.
            - Acho que já é hora de olharmos o quarto do nosso anfitrião.
        A face de todos se tornou soturna e séria, bem possível Dr. Carlos, cujo temperamento era conhecido até por aqueles que não o conheciam, se sentiria ofendido com a proposição. O velho sugerindo tal coisa estava praticamente sugerindo possivelmente a culpa do anfitrião...
            - Vamos ao quarto de minha mãe... Como não pensamos isso, não fomos ao quarto dos mortos.  Todos perceberam que foi uma intenção de tirá-los a possibilidade de ir ao quarto dele, seja lá qual fosse a razão.
        Ninguém estava com disposição de fazer qualquer outra sugestão, então seguiram primeiro ao quarto da mãe morta. O quarto estava todo limpo, não havia marcas de sangue ou qualquer resquício de assassinato no local. Tudo estava limpo e cheiroso. Diante de mais um quarto vazio foram ao quarto do empregado, mais uma vez um quarto cheiroso e limpo, não havia sinal de morte no local.
          - Podemos ir ao seu quarto agora? Perguntou o velho.
          Diante do interesse de todos e consciente da sua inocência, Dr. Carlos disse:
          - Vamos, não há nada lá, posso garantir.
          Todos subiram a escadaria com marcas de sangue que ia do seu primeiro degrau até o último e depois desapareciam misteriosamente. Chegando a porta do quarto, o velho gritou:
          - Quero ser o primeiro a entrar, devo conferir com meus próprios olhos.
          Assim que o velho abriu o quarto ele gritou novamente:
          - Que horror!
        Os dois corpos jaziam estripados sobre a cama do dono do quarto, apesar de novos cheiravam mal, havia sangue para todo lado. Uma cena macabra.
          Dr. Carlos entrou no quarto e disse:
         - Não, não, não fui eu quem fez isto.
        Diante da cena macabra ele foi se aproximando da janela para vomitar, quando sentiu um empurrão nas suas costas e caiu. Foi defenestrado. Segundos depois aquele corpo estava no chão morto como dizem que o seu pai estivera.
         Assim que passou a cena, o mais jovem do grupo falou:
       - Manoel, tu querias vingança apenas de teu filho, por que mataste também tua mulher?
         - Mas eu não os matei... Respondeu com ímpeto e segurança na voz, o velho que até agora parecia ter por volta dos 70 anos, mas mostrou ali disposição de um homem de 40 anos.
        O assassino do próprio filho tirou a moeda que tinha pegado no porão e a jogou pela janela e disse:
            - Tentaste me matar por dinheiro, agora o leve para o outro mundo.

            Foi à última fala que o homem falou toda a casa ruiu, levando a todos para o mundo dos mortos.  E uma duvida foi consigo para o tumulo. “Quem matou dona Adriana e o seu Adamastor?”. 

Josué da Silva Brito 
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Crime e preconceito? Mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

A filha de santo foi expulsa do Lins porque deixou suas roupas brancas no varal
Crime e preconceito? mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

Bem, para aqueles que não sabem professo a fé Cristã como Protestante. Você pode estranhar então a minha posição em trazer a matéria do Jornal Extra do Rio De Janeiro com tal matéria. Então, leia a matéria e no fim me pronunciarei a respeito.



A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.
- Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino - conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.
A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.

Atabaques proibidos na Pavuna
A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.
-Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.
A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:
- Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.
O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.
- Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.

Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’
Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.
Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.
A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.
O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.
Mãe de santo: proibida de circular na favela com as
Mãe de santo: proibida de circular na favela com as "roupas do demônio" Foto: Urbano Erbiste / Extra

Lei mais severa
Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.
Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.
- Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.
Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.
- Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local, não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.



Bem,em primeiro lugar quero deixar claro que não é o fato de ter uma fé divergente da religião citada que isso me isola ou todo maioria evangélica em RESPEITAR o direito ao credo religioso que nossa Carta Magna nos garante. O que muito me incomodou foi associar o Evangelho ao Crime Organizado. Não há espaço para isso no evangelho genuíno. Ser da "igreja" e ser traficante? Como assim? Entenda que não posso julgar o coração de quem está na vida do tráfico e creia em Deus, cada um prestará a Deus conta de seus feitos.Mas,daí unir a ideia de crime e Evangelho foi demais. Respeito é bom, e todo mundo gosta.


 



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Pai enfurecido, apoiado pelo fanatismo religioso mata e decepa a cabeça da própria filha



Pai enfurecido, apoiado pelo fanatismo religioso mata e decepa a cabeça da própria filha

Antes de tudo quero esclarecer que para mim imagens como essa e sua triste história também me chocam, e muito!A razão pelo qual estamos repassando esta notícia é para alertar o povo sobre a maldição do fanatismo religioso. O Brasil está caminhando para isso. A lei da intolerância religiosa que obriga o cidadão a se tornar um boneco nas mãos de um povo enlouquecido, guiado por um governo hipócrita que insiste em não perceber que o mundo não tem mais tempo para isso.



Esse crime brutal aconteceu na cidade de Rajsamand, no estado de Rajasthan, na Índia ocidental. O Pai com o nome de Augad Singh tinha uma filha de 19 anos, casada. O homem ficou enfurecido ao descobrir a infidelidade de sua filha. A jovem estava traindo o marido com seu próprio vizinho e toda a aldeia já sabia sobre isso.

Incapaz de suportar as críticas das pessoas que diziam se sentirem envergonhadas por um cidadão trazer para a convivência da aldeia uma prostituta, o pai já com a cabeça cheia de conversas resolveu restaurar a honra da família. Com instinto cruel o homem matou e decapitou a própria filha na presença de todos.
Após a decapitação, o pai foi direto para a polícia e se entregou, confessando o assassinato de sua filha (identificada apenas como Mina K.). O pai monstro foi condenado a 10 anos de prisão e disse que valeu a pena para ele fazer esse sacrifício, sabendo que a honra de sua família foi restaurada.

Na Índia, assim como em alguns países do oriente médio, existem tradições ligadas à religiões que tornam o cidadão vítima de uma sociedade opressora, de costumes atrozes e brutais, onde o fanatismo a todo momento acaba ceifando vidas de inocentes ou não, em crimes brutais como esse. Só pra se ter uma ideia, ainda existe em algumas regiões desse mesmo país uma tradição de queimar viva a viúva, quando o marido morre. Outra tradição esquisita é a de enrolar os corpos dos mortos e jogar num rio considerado sagrado, tornando-o extremamente poluído.

O fanatismo religioso em alguns outros países ainda persiste em enterrar a mulher que trai, deixando só a cabeça de fora para ser apedrejada até a morte.

Fonte:trabuco noticias

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PODE? Homem cria pílula que deixa cheiro da flatulência mais agradável

Homem cria pílula que deixa cheiro da flatulência mais agradável
Homem cria pílula que deixa cheiro da flatulência mais agradável


Um inventor do noroeste da França, chamado Christian Poincheval, de 65 anos, é responsável por criar uma exótica linha de produto: as pílulas de flatulência.
A pílula foi projetada para tornar os gases exalados por nós mais agradáveis ao olfato. A novidade da vez no repertório é a Pílula para o Dia dos Namorados (já que em grande parte do mundo ele é comemorado no mês de fevereiro).
Sua nova pílula confere o aroma de gengibre aos gases e, segundo Christian, a invenção ajudará os casais a não se preocuparem caso não consigam conter as flatulências no dia mais romântico do ano.
Christian Poincheval criou pílulas para deixar agradáveis os odores das flatulências, e lançou recentemente uma nova linha para o dia dos namorados.
pilula flatulência - namorados
A escolha do gengibre não se deu por acaso. De acordo com o inventor, o gengibre possui propriedades afrodisíacas.
Christian já trabalhou com homeopatia e afirma que o medicamento é totalmente natural e que não só facilita o trânsito intestinal, como também neutraliza os odores dos gases expelidos.
A ideia para as pílulas surgiu há cerca de seis anos, depois de um desastroso jantar com os amigos. “Nós tínhamos acabado de voltar da Suíça e estávamos comendo um muito com os nossos amigos e do cheiro da flatulência foi realmente terrível. Então eu e um amigo decidimos que algo deveria ser feito.”, disse Christian.
“Quando comíamos vegetais percebíamos que o cheiro era mais agradável do quando comíamos carne,” completou.
A partir daí, Christian procurou um cientista que pudesse ajuda-lo criar uma forma de inventar um remédio natural para resolver o problema de todos os dias.
Um pacote com 60 das curiosas pílulas custa R$78 e, de acordo com o inventor, elas são aprovadas pelas autoridades de saúde francesas. “Todo mundo precisa deste tipo de comprimidos”, disse ele.
 
 
Fonte: Gadoo via TheLocal.fr
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LINDO! Esposa deixa bilhete comovente para marido antes de morrer: “Saiba que vamos nos encontrar de novo”

O bilhete escrito a mão deixado por Billie "Mimi" Breland deixado dentro do seu caderno de notas: "Não chore porque eu morri. Sorria porque eu vivi"" (Foto: Reprodução / Facebook)

Mensagem da professora aposentada Billie Breland foi deixada dentro de caderno de notas que ela costumava usar e encontrado pela família dias após sua morte. Neto que postou foto no Facebook diz que carta foi tentativa de diminuir dor do marido, com quem foi casada por 60 anos



Após a morte da esposa no último dia 13, um aposentado que vive no Mississipi, nos EUA, recebeu diversas mensagens de conforto de familiares e amigos. O que ele não esperava era encontrar um bilhete deixado pela própria esposa, com quem foi casado por 60 anos.

“Por favor não chore porque eu morri eu morri! Sorria porque eu vivi! Saiba que estou num lugar feliz! Saiba que nós vamos nos encontrar de novo! Eu te vejo lá!”, diz o bilhete deixado por Billie Breland, uma professora aposentada, para o marido, James Breland.

A mensagem foi encontrada pela família dias depois da morte dela e postada por um neto do casal, Cliff Sims, em seu perfil no Facebook. No post, Sims explica que Billie, conhecida como “Mimi” sofreu uma fratura no quadril e não conseguiu se recuperar.

  •  
James e Billie estavam casados desde 1954 (Foto: Reprodução / Facebook)


“Meu avô passou cada dia tomando conta dela no hospital, da mesma maneira que fez nos últimos 60 anos em que eles foram casados. Foi assim até a noite em que ela morreu”, escreveu o neto.

Ao “Daily Mail”, Sims contou que a avó, que deu aulas numa escola pública, era uma ávida missivista, que adorava deixar bilhetes pela casa com mensagens engraçadas ou citações que queria lembrar.

“Não sabemos ao certo quando ela escreveu, mas ela deixou esse último bilhete escondido dentro de um caderno que sempre carregava –dessa vez não pra si mesma, mas para meu avô”, escreveu.

Segundo o neto, a avó era do tipo que pensava sempre nos outros antes de si mesma e, por isso, ele acredita que o bilhete foi uma tentativa de diminuir a dor do marido. James e Billie estavam casados desde 1954.




Fonte:Marrie Claire
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Estudante responde a comentário racista sobre namorado em texto e é ameaçada de morte

Ashlyn e o namorado Ra’Montae em imagem postada no Facebook da estudante (Foto: Reprodução / Facebook)"Estou namorando um homem que me ama incondicionalmente", escreveu Ashlyn Sullivan em seu blog, em publicação que viralizou nos EUA. Comentários a ameaçam de morte e sugerem que ela cometa suicídio



A americana Ashlyn Sullivan, uma estudante e garçonete de 20 anos de Wichita, no estado norte-americano do Kansas, inesperadamente se viu no centro de um debate sobre racismo após escrever um texto em resposta a comentários racistas contra o namorado, que é negro.

Num texto que se tornou viral nos Estados Unidos, publicado em seu blog, Ashlyn explica que ela e o namorado, Ra’Montae Green, nunca haviam vivido situações de preconceito nos dois anos em que estão juntos. Tudo mudou no último dia 22 de dezembro, quando ela estava trabalhando como garçonete num bar.

Segundo Ashlyn, ela estava servindo uma mesa com seis homens bêbados que começaram a assediá-la e fazer comentários sobre seu corpo. Ela, então, teria pedido que parassem e dito que tinha namorado e eles sugeriram que ela estava mentindo. Ashlyn, então, teria mostrado uma foto de Ra’Montae no celular.

“Nossa, moça, por que você está saindo com um crioulo? Ele não deve saber te tratar direito”, teria dito um dos homens, segundo ela. Ashlyn diz que, na hora, apenas chamou o cliente de “racista”, mas depois decidiu escrever um texto em resposta a todos que pensam como ele.

“Quero deixar uma coisa bem clara: eu não estou namorando um crioulo”, diz a jovem no início do texto, sob o título “Eu não estou namorando um insulto racial”. “Estou namorando um homem de pele escura e cabelo crespo. Um homem respeitável e trabalhador que faz qualquer coisa para me ver sorrir no fim do dia”.

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Ashlyn eRa’Montae, que estão juntos há dois anos (Foto: Reprodução / Facebook)


“Estou namorando um homem que nunca foi preso, que não age feito um idiota. Estou namorando um homem humilde, alguém que muitas vezes pensa antes nos outros do que em si mesmo. Estou namorando um homem que ama motos e música. Um homem que tem futuro”, continua Ashlyn.

Após enumerar diversas qualidades do namorado, como seu “grande senso de humor”, a habilidade para cozinhar, entre outras, e dizer que ele a ama incondicionalmente, a americana pede que as pessoas “acordem” e parem de julgar os outros com base na cor da pele.

“Por que as pessoas se importam? Por que fazer disso um problema? Por que falar de raça? Somos todos humanos, não importa a pele, cabelo ou cor dos olhos... todos temos sangue vermelho. Eu não entendo a ignorância de certas pessoas nesse mundo.”

Em um único dia, o texto teve mais de 300 mil visualizações. Muitas parabenizando a jovem pela defesa do namorado. Não demoraram, no entanto, a aparecer também xingamentos e até ameaças contra Ashlyn e Ra’Montea.

Um dos comentários cita trechos da Bíblia para dizer que Deus condena relações entre pessoas e “animais”. Outro acusa a estudante de estar “poluindo” seus genes brancos se relacionando com um negro. Um terceiro chega a ameaçá-la de morte, enquanto outro sugere que Ashlyn se suicide.

Ao site Kansas.com, Ra’Montae disse que a namorada caiu no choro ao ler os comentários no blog. “Ele me disse para não me importar com o que as pessoas dizem escondidas atrás de um computador”, afirmou ela.

“Eu sei que em alguns lugares de Wichita o racismo pode ser algo bem ruim”, disse o rapaz. “Mas fora esse episódio há um mês, a única vez que tinha visto pessoas sendo tão racistas foi em filmes.”



Fonte: Revista Marrie Claire
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“Perdoei o assassino do meu filho e ajudei a família dele", diz comerciante que perdeu o filho em assalto


DAISY ENTRE OS FILHOS EDGAR E RAFAEL (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
Rafael, caçula de Daisy Laurino Guerra, de 57 anos, morreu em um assalto com dois tiros no peito. Depois do acontecimento, ela ajudou a família do assassino, que era muito pobre, enviando cestas básicas e dinheiro. Leia o relato.


“O Rafael, meu filho caçula, queria conhecer a Grécia. Era fascinado pela história e se empolgava me mostrando no computador fotos das paisagens do país. No ano que vem farei essa viagem, economizei muito para isso. Mas não poderei levar o Rafa. Meu filho foi assassinado em um assalto em 9 de julho de 2009, o dia mais terrível da minha vida.
 
Fiquei viúva aos 30 anos, depois que meu marido sofreu um aneurisma. Sinto que sou uma vitoriosa por ter criado sozinha nossos meninos – além do Rafa, tivemos o Edgar. Eles tinham 7 e 9 anos quando perderam o pai, em 1992. Eu era dona de casa e consegui manter nossa renda cozinhando para um hotel em Santos, litoral de São Paulo. Por ser mais velho, o Edgar virou o ‘homenzinho da casa’. Muito sério, me ajudava nos cuidados com o Rafa, que era mais brincalhão e carinhoso.
Dez anos depois da perda do meu marido, mudei para Indaiatuba, no interior de São Paulo, onde meu novo parceiro morava. A relação durou somente um ano, tempo em que abri uma padaria e contava com a ajuda dos meninos para administrá-la. No final da madrugada, era eu quem abria o dia, à tarde o Edgar assumia e o irmão entrava às 19h, para rendê-lo.
O Rafa era um rapagão de 1,90 me chamava atenção pela beleza. Com 25 anos na época da tragédia tinha acabado de se formar como técnico em informática. Como era de costume, o Rafa encerrava o expediente na padaria por volta das 22h30. Um assaltante armado apareceu e exigiu que meu filho abrisse o caixa. Numa atitude impulsiva, ele partiu para cima do ladrão, tentando desarmá-lo. Levou dois tiros no peito e não resistiu.
DAISY EM FOTO ATUAL (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
 
Cheguei ao hospital e quis ver meu menino. Não havia chorado até receber a notícia, mas, ao abraçar o corpo do Rafa ainda quente e ferido à bala, desabei. A polícia prendeu o assassino três meses depois. Não tive coragem de ficar frente a frente, mas li o depoimento no qual ele explicava que não tinha a intenção de matar no assalto. Mas se defendeu porque o Rafa ‘era um armário, de tão forte’.
 
 
A prisão não me trouxe alívio. Quase um ano depois, seguia deprimida, sempre com a pressão alta. Um dia, em conversa com a Marlene, uma conhecida, ela contou que estava colhendo doações para ajudar uma vizinha muito pobre, mãe de três crianças. O marido cumpria pena por um latrocínio em uma padaria da cidade. A Marlene nem imaginava, mas estava falando com a mãe da vítima. Pedi mais informações sobre essa família. A mulher do criminoso era faxineira de uma creche e tinha dificuldade para colocar comida no prato dos filhos. Tomei coragem e fui até lá, para vê-la de longe, e fiquei comovida. Era uma mãe batalhadora, criando seus meninos sozinha. Como eu havia sido. Por intermédio da Marlene, passei a enviar cestas básicas e algum dinheiro para os parentes do algoz do Rafa. Acompanhava anonimamente o crescimento das crianças e isso me renovava. Como se, fazendo aquele bem, eu ajudasse meu filho a ter paz. Prestei auxílio a essa família por três anos, até que a mulher se casou novamente – desta vez com um bom rapaz.
Ajudá-los também me fez perdoar o assassino, condenado a 30 anos de prisão. Percebi que o ódio e a revolta amarguravam meus dias. E meu filho era tão alegre, tinha uma gargalhada gostosa... Ele não gostaria de me ver em depressão. Estou animada para ir à Grécia. Realizarei o sonho do Rafa.”

Fonte: Revista Marrie Claire
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