Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

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TUDO TEM SEU PREÇO Por Danka Maia








A Última estrofe de Nelson Gonçalves tocava QUANDO O Fim do Começo se iniciou.




Eu Já derramei hum rio de lágrimas,
MUITAS vezes chorei Minhas mágoas
Só Porque eu te amo demais ...
Olha de amor, dediquei A Voce minha vida inteirinha
Sem meu sonho de amor fiz rápido você à rainha
É Você VEM Falando em Separação ...
Meu amor, amor ... Olha
Antes Que seja tarde o Arrependimento,
Eu nao quero Ouvir mil Desculpas, lamentos,
Porque Tudo Que Eu fiz foi pra te ver feliz.

E o meu mundo terminou assim:

— Tudo tem seu preço. — não cri naquele momento, ou naquela frase, no empregado tom de voz, em aceitar que o chamei de amor tornara-se então o meu algoz. A vida poderia ser como num cinema, mas infelizmente nasceu uma realidade.
Sabia que mais ou menos dias avalanche essa desmoronaria sem respeito nenhum em meio a alma minha, fazendo meu coração tornar-se pedra quando foi feito para ser músculo.
Não soube parar de amar e de como não sabre parar de comer, rápido você sabe que se saciou, porém fica o desejo do prazer, de ter o gosto revolvendo na boca. A maior prova de lealdade de uma mulher traída e optar em continuar fiel ao seu traidor, disse Nelson Rodrigues. Pois parágrafo mim um maior lealdade e aquela que dispensa provas de superação. Meu traidor jamais saberá o tamanho do abismo que  jogou porque pouco importa o diâmetro deste abismo, o que dói, o roí e destrói, foi ter me jogado Los Angeles, e não há palavras nenhuma universo suficientes para que possa expressar essa agonia, esse pranto seco e engasgado cheio de enganos, suplícios e perdões que não podem ser uma atadura da sua ferida, porque o que no corpo corta e sarado, contudo o que talha diante dos seus olhos uma alma rasga, lamenta, aguenta porque tem que aguentar, mas ser um mesma, jamais será.
Esse medo de nunca mais sentir-se dono de si, com reintegração de posse, com expectativa de ser feliz e sim de cumprir como uma ordem cabal de viver uma escolha:
— Ah senhora, dona vida, o que fizeste comigo nesta paixão?
escutei vozes que me vinham como anjos corpos de sem, sem demônios rostos, todos de algum modo me garantindo que ainda existia o sorrir.

Mas como?

 Mas quem?

Como dizem pessoas que deus me ama ainda, eu penso e converso com ele, não entanto, nada fala, ninguém aparece, ninguém desce da cruz. Achei que o estar era pior sem fim do túnel, ledo engano, o pior e jazer nele sem direito à luz.
Sentada nessa sarjeta vejo uma indiferença como humana em si é.
Cada um vive em sua cômoda vala, cada um tem suas lágrimas, seus ais, ninguém tem olhos parágrafo mim. entretanto, cabe antes de ir, assumir o que precisa ser dito, trai meu marido, e o meu traidor foi este sentimento, só então porque vi o quanto tinha perdido, o quanto não havia retorno. é tudo que   ele exigiu de mim o fim, por isso antes de fechar a porta o rompi uma covardia e tive uma coragem de assumir o maior erro fazer que me restou de vida:


— Tudo tem seu preço, eu preciso ir.




-Minha Rainha-Nelson Gonçalves




GALERA !! BEIJOCAS


































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A GOTA E O FOGO por Danka Maia





Talvez eu demore um inverno.Foi a resposta que ela deu ao amigo de longas datas,daqueles que a gente somente sabe que conhece e que o mesmo nos lê,mas,sem saber de onde ou porquê.
Fora uma conversa franca,sem rodeios.Os rodeios cabem entre os meios termos da vida,não era o caso decididamente.Naquela tarde,Gota sentiu-se perdida na imensidão de um copo vazio,solitário e perdido.Todas suas reservas tinham se esgotado.E não há nada de errado em assumir isto,porque por sorte é na escassez que nos damos conta do tanto de nós que se foi sem precisar.Não que não se deva conter,o contido não vive a sua existência,ele somente a conta como os velhos carneirinhos das histórias de ninar que as mães dos homens lhes narram, quando pequenos infantes que no afoito de viver,entregam-se a cúmulo da ansiedade carecendo dessa dose de freio gostoso que somente em olhos maternos repousam.
Ela não se viu naquela imensidão de tanto nada.Não se reconheceu.Agora jaz ali apenas Gota.E quanto tempo tem de durabilidade uma gota isolada e sem fontes para recarregar-se? Engoliu seco aquela dura realidade.Relembrou de um dia naquele mesmo copo ter ouvido sua senhora falar ao filho desolado:


_ A dor é única.Tu jamais saberás a minha porque foi feita sob medida para esta pele,para fortalecer esse espírito,calejar este coração.-batendo contra o peito veementemente.-Mas saiba filho também, que, se essa dor é única o sofrimento e opcional,tu sempre terás o poder da escolha.
Aquelas palavras perduraram nas suas ínfimas moléculas de H2O. E então pensou nele,o improvável amigo.Não porque fosse deixa-la,ou não viesse ao seu encontro,porém quando foi que nessa vida água e fogo combinaram?
Isso ponderava ela. Fogo sempre repetiu com a firmeza que lhe cabia:


_Se acreditas não sei,porém eu sim, e assim será!


Gota esperou por dias,contudo resolveu, e num vento desses que o somente o Destino explica,aquele copo virou e veio lentamente rolando pelo tapete empoeirado,e,na soma de suas forças pediu a uma brisa que por ali emanava que o chamasse,talvez fosse para se despedir,pois quando em sua mente fica tudo tão cinza sobram muitas poucas cores para perceber. Entretanto, outra vez ele estava lá.Veio como fagulha e apoderou com respeito da lareira,todavia moderado,no fundo sentira a fraqueza do estado dela,pois para Fogo, Gota sempre foi Tempestade.
Escutou as nuances dela como um cego que necessita compensar no ouvir a suplementação de seus limites.Viu que a água sangrava,no entanto,milagres acontecem e se repetem.Se um dia tornou-se vinho e agora é sangue,sim,pode acontecer outra vez!


_Olha,se tu acreditas não sei,porém eu te digo,somente te acalma porque o meu calor pode aumentar a temperaturas das tuas moléculas e esse ar gélido que cercas irão amornar e assim seus átomos te farão ver o quanto você ainda é.


_Eu sou?-Respondeu Gota desvalida.


_Sim você é,pode estar como for, eu quero dizer que, quando eu era pequeno, diziam que nasci para ser mau , me disseram que eu era diferente. E eu me sentia fora do lugar, muito barulhento, muito inflado desse meu eu, nunca fui bom em ficar parado, nunca fui bom em me encaixar. Achava que talvez não seria bom em nada.Até que um dia eu percebi uma coisa, algo que eu espero que todos percebam. Ser diferente é bom. Então, não se encaixe Gota, não fique ai,seria uma heresia alguém como tu desistindo.O Universo não aceita. Nunca tente ser menos do que você é,um dos maiores desafios da existência é mostrar quem somos e como domamos estes medos.Acha mesmo que nunca me feri,me machuquei para ter esse nível de controle? E não abuse,logo explodirei em labaredas.
Um riso brotou nos lábios de Gota.
Num relance lançou sobre ele uma película do seu seiva e logo se ouviu:


-Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii-aquele chiado quando queremos abrandar uma panela de pressão e Fogo retrucou:


-Ah minha amiga,era tudo que eu carecia.Viu,isso sim é conexão!-E ela viu o quanto era bom,ser útil na sua inutilidade.Entretanto,ao findar da conversa lhe falou:


_Talvez eu volte no próximo inverno.Minha senhora certamente colocará este copo para apaziguar a água da chuva e de novo serei alguém.-Fogo a entendeu outra vez. Ela deixou que ele começasse a esvair e quando pronto para partir esboçou:


-Sabe,sei que você tem razão,só não sei se posso.Abri uma caixa de Pandora dentro de mim.Me desculpe.


-Ele a olhou e formou-se ali outra vez rebatendo:


-Por que manter uma caixa de Pandora dentro de ti se és a chave que te libertará dela? Olha,quero e preciso de calor o ano inteiro,eu ficarei aqui!


Espantada com a decisão dele replicou:


_Mas por que vai mudar e ficar aqui se acabo de ti explicar que tenho uma caixa de Pandora aberta dentro de mim?


Desta vez Fogo soltou um riso certo e esperançoso respondeu:


_Porque a qualquer hora tu vais fechar esta caixa e com certeza vai precisar de fogo para queima-la para todo o sempre e nesse dia eu estarei bem aqui.E isso ainda dará em grandes histórias.


Moral da história: Se tudo que o fogo queima a água pode apagar,também é justo compreender que toda porção de água fria necessita do fogo para ebulir seu estado e assim transforma-la.
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LILICA,FILHA QUERIDA por Danka Maia




 Essa crônica foi inspirada num vídeo de uma reportagem que muito me comoveu.

Bethi adentrou inesperadamente o recinto e mais uma vez encontrou Hilda com as inseparáveis lágrimas nos olhos. Pensou por um segundo, em quantas vezes não se deparara com aquela cena. A amiga de longos anos com um olhar lançado através da modesta janela a espera da filha que desaparecera sem grandes explicações. Hilda nunca entrava muito na questão. Só narrava que um dia Lilica saiu como fazia todos os dias para pegar a mistura na casa de uma amiga que fizera do outro lado da cidade,para alimentar a ela, a mãe e mais cinco filhos pequenos.O que Hilda ganhava limpando quintais mal dava para básico. Era um fato, faltava tudo mesmo. E desde que Lilica completou oito anos de idade ,vendo agonia da mãe, decidiu sem avisar de imediato procurar um modo de ajudar a sofrida e amada mãe. Era um ritual, depois de conversar com Hilda, a mãe permitiu que a filha fosse, e todos os dias as quatro horas ela saia cruzando a cidade indo buscar a merenda, como a mãe chamava. Bethi conhecia bem essa história.

_Hilda, já se passaram quase quinze anos e você ainda ai,assim...- Logo sendo interpelada.


_O tempo não passa no coração de uma mãe Bethi. São duas verdades: Filhos não crescem, e o tempo não passa.


Bethi cruzou a sala indo ajeitar as coisas na cozinha como sempre fazia.Pensando no sofrimento daquela mulher. Agora com seus filhos praticamente criados. O mais novo com vinte anos de idade.Pela vida talvez deveria estar folgada com a chegada dos netos, da vitória em Lara ter conseguido entrar para faculdade e logo teriam uma Dentista na família.A primeira pessoa da família Santos a entrar para uma Faculdade, inda mais,pública. Mas Hilda se orgulhava muito dos filhos. E se contentava com doce deleite de ser avó. O que era difícil explicar era que ela sabia que se não fosse a  coragem, sensibilidade e complicidade de Lilica nada daquilo poderia ser realizado, talvez nunca conseguido. Por isso o buraco era tão avassalador e o abismo tão colossal e a dor tão dislacerante que rasga o coração. Bethi refletia consigo mesma:


_A atitude de uma pessoa marca o ser humano que ela é.A dessa menina ficou cravada na alma dessa mãe como marca quente e cruel no couro do gado.É para todo sempre.
Achava estranho não haver fotos da criança pela casa.Lara a filha  explicava que a mãe guardara todas.As poucas que tinham, todas num velho baú debaixo da cama.
O dia passou,como todos anteriores e posteriores. Sempre marcados pela ausência presente no seio daquela mulher ,cujo o olhar perdia-se no horizonte todas as tardes na esperança de ver Lilica voltar com o sacola onde trazia a merenda agora não mais necessária para toda família.
No entanto houve um dia, e sempre há. Bethi chegou, Hilda na janela porém dessa vez com algo que semelhava uma foto em uma das mãos.Curiosa Bethi aproximou-se devagar e nesse instante Hilda trouxe a foto contra o peito, curvou a cabeça e outra lágrima desceu da parte direita de seu rosto marcado caindo em suas mãos. Bethi hesitou, não sabia se deveria interferir aquele momento tão íntimo. Retrocedeu, e quando virava dando as costas  foi surpreendida por Hilda:


_Sabe Bethi, essa é a última vez que você me virá aqui. Não vou mais esperar por Lilica.Ontem sonhei com ela pela primeira vez. Estava linda e em paz, e sem a sacola da merenda.Me olhou de um jeito que só ela sabia fazer e entendi o que ela me queria dizer.


_E o que foi?- indagou Bethi aflita.


_A vida continua. E seja lá o que tenha intervido a volta dela pela casa e depois de todo meu esforço para encontra-la,o tempo está passando.ela seguiu por uma estrada linda, cheia de flores, corria feito uma criança!- sorrindo feliz pela primeira vez, contudo aquela frase chamou a atenção de Bethi que retrucou:


_Como assim, corria feito uma criança? Ela era uma criança Hilda!- Foi quando a amiga levantou-se e entregou a foto que jazia em suas mãos e pela primeira vez Bethi veria a imagem de Lilica. Por anos pensou que ela poderia ser morena como Lara, ou mais clara como Davi, entretanto, assustou abruptamente quando deparou-se com uma foto envelhecida de saudade e afeto de uma cadelinha marrom, médio porte agarrada por toda família. Imediatamente objetou:


_Mais isso é uma...


_É minha filha mais velha Bethi.- disse num tom mais contundente Hilda.- Porque quantas vezes eu pedi, supliquei e quase mendiguei para ter como alimentar meus filhos pedindo aos que como eu chamam de seres humanos, e no entanto, ouvia tantos absurdos, como: "Vá trabalhar, sua vagabunda!"  "Quem mandou se encher de filhos!"- Lilica simplesmente foi e durante oito anos trouxe a merenda que a moça do outro lado da cidade preparava para ela e sabia que trazia para mim e os outros filhos.Só que infelizmente, houve um dia em que ela não regressou.


Bethi calou-se.


Hilda completou:


_As pessoas deveriam analisar antes de classificar animais irracionais e racionais.Pois quem me ajudou criar meus filhos não foi um ser humano, não com duas pernas e sim de quatro patas. Nela achei mais humanidade que numa multidão de pessoas durante a vida toda.- E seguiu para o quarto.


Sabe leitor,vivemos hoje num momento onde animais ou assim chamados nos tem ensinado o que é ser humano.eu deixo essa crônica na esperança que o olhar e atitude de todos nós sejam abaladas ao ponto de transformar-se em amor.Porque é disto que o homem precisa: do verdadeiro amor. Como sempre digo: O melhor do amor é amar.

 
Boa reflexão.
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