Eu Sou Assim!
Quando Leopoldo segurou firme no queixo
da filha e a advertiu ensinando saber se impor diante da vida e das pessoas com
aquela frase, jamais imaginou até onde o impacto de tal menção iria na mente
prodigiosa da então pequena Greta de
apenas nove anos de idade.
_Diga sempre e não abra mão disto:
"Eu Sou Assim!", e ponto. Entendeu querida?- piscando em seguida e
permitindo que se ausentasse com a
cabeça erguida e a personalidade marcante que encantava os estranhos,que era
odiada pelos parentes, invejada pelos conhecidos e o agente enlouquecedor de
sua mãe, Amara.
Greta era filha única de um chaveiro e
uma dona de casa que se aventurava em pequenas costuras para aumentar o
orçamento da família e tentar assim, pagar as aulas de balé que a mãe almejava
e ela tanto detestava.
_Filha, pelo amor de Deus se aquiete!
Como vou prender este cabelo num coque com você se retorcendo deste jeito?-
pondera Amara numa verdadeira guerra para arrumar sua criança para mais uma
aula.
_Eu odeio essa aula! Odeio aquela
professora! Odeio essas coisas!- tentando se desvencilhar da meia calça tom de
chá e do collant em seu módico corpo.
_Escute aqui, - a sacudiu pelos ombros a
mãe.- Quer dizer que me mato naquelas
costuras até as três da manhã por nada?
Em vão? Você não é capaz de por uma vez se quer parar e pensar que a mamãe faça
todo esforço porque é importante para mim te dar uma boa educação?- Com um tom
severo, mas não intimidante o bastante para fazer a menina se impor.
_EU SOU ASSIM!- Gritou deixando Amara
perplexa e sem chão, mas n o ímpeto de agir como mãe para defender sua
autoridade e hierarquia desfechou um tapa em cheio no rosto da garota seguido
de um olhar angustiado pelo ato desatinado.-_Como pode Greta?
_Eu sou assim mamãe, sinto muito.-
Deixando o traço forte da expressão na face
de que a idade pouco importava para ela.Sua personalidade era
intensamente forte e latente.
_Termine de se arrumar!- Amara deu ordem na esperança que a filha se
movesse, no entanto, isto não ocorreu._ Não ouviu? Está surda agora?
_Não irei a aula do seu balé hoje, nem
amanhã, nem depois da manhã, nem nunca mais mamãe.
_Eu sou sua mãe, e estou te dando uma
ordem expressa!- revidou.
_Eu sou assim mamãe!- replicou outra vez
serenamente. Apavorada com a relutância da garota, Amara ousou indagar:
_Assim como Greta?- pegando pelo braço
com força.
_Assim, de um jeito que a senhora nunca
vai gostar. - com os grandes olhos verdes impetrantes no semblante doce da
genitora.
Houve silêncio.
Amara
percorreu alguns passos com as mãos flexionadas pelo peito, o rosto
perdeu a cor, era visível que algo havia
passado dos limites.Notando que alguma coisa acontecia no semblante e gestos da mãe tentou
ajuda-la:
_Mamãe?
_Vá para seu quarto!- berrou arrumando
forças. - Agora!
A menina obedeceu. E assim que virou as costas
subindo a escada de madeira que dava para o segundo pavimento da casa, no
terceiro degrau escutou um som estarrecedor. Volveu e seus olhos deparou-se com
o corpo de Amara ao chão. Chamou por algumas vezes e vendo que não obtinha
resposta decidiu correr até a casa do avô paterno que morava a algumas quadras
dali e único parente próximo em busca de
socorro para mãe.
Durante o trajeto, corria como uma
flecha, arrancou os sapatos ajeitando-os nas mãos e em sua mente somente uma
frase perpetuava:
_Eu sou assim, vou conseguir ajudar
mamãe!
Greta percorreu quase dois quilômetros
em menos de dez minutos. Suas passadas eram largas, angustiantes e céleres. Semelhava
como o livro que lia na época onde uma
pequena guerreira indígena cursava afligida em busca de seu xamã que poderia
facilmente com algumas ervas e cânticos resolver toda aquela questão.
Contudo, Greta não era uma guerreira
indígena, não havia um xamã poderoso em sua história, e inda que tenha dado o
sangue literalmente em busca de auxilio para Amara, uma vez que um corte fundo
se deu num de seus pés devido à estrada batida e a veloz corrida, tudo que a
menina conseguiu ouvir naquela tarde de Abril em Saquarema de um homem de
jaleco branco e uma pequena maleta foi:
_Sinto muito minha criança, sua mãe está
morta.
Durante o funeral de Amara por mais que
alguns incansavelmente a confortassem, ora com palavras ora com carinhos, ela e
tão somente ela,Greta, sabia o que desencadeou a morte de sua mãe. A culpa é o
sentimento mais pesado do mundo porque simplesmente te obriga carrega-la
independente de que você esteja ou não preparado para ela. E inda que fosse uma
mocinha de nove anos,na alma era tão
velha quanto os livros avelhantados que lia tão desesperadamente atrás da
palavra que a mais seduzia: Conhecimento.
_Não fique assim. - o afago de Leopoldo
deslizou em seu rosto onde jazia no balanço com lágrimas que molhavam o vestido
de renda que Amara copiara de uma das revistas de suas clientes e juntado meses
para comprar o majestoso vestido.-Onde quer que sua mãe esteja,e ela está
bem,não vai gostar de vê-la desse modo.
Ela ergueu-se do brinquedo e abraçou
fortemente confessando:
_Fui eu quem a matei papai.
Leopoldo tentou sorrir sem êxito. Os
enfrentamentos entre as duas eram corriqueiros. Amara e Greta eram água e óleo.
E ele compreendia que aquilo ininterruptamente seria daquele jeito. A esposa
não conseguia ver o brilhantismo da mente extraordinária e ágil da filha se não
fosse como uma ameaça aos seus devaneios maternos de ter uma simples afável
menina prendada e de boa educação. Conversas e mais conversas existiram entre o
casal sobre a questão, e Amara julgava que o incentivo que Leopoldo dava a filha
era abeira do insano. Do mesmo modo, que
haviam decidido ocultar da garota os problemas cardíacos da mãe.Amara
tinha receio que isto afetasse o desempenho de Greta na escola, balé e nas
iniciantes aulas de piano que conseguira barganhar em prol de vestidos feitos
até o infinito com a Professora húngara Brigite Dacor.Embora Greta fosse
intensamente inflexível em defender seus pontos de vistas e opiniões, o amor
pela mãe era algo incondicional ao jeito dela.E este é o segredo da
vida,compreender o modo como somos amados nem sempre será como almejamos sermos
amados.
_Escute...- Mais uma vez a tocando pelo
queixo.- A morte de sua mãe foi algo inevitável.Ela estava doente e não quis
que soubesse para não preocupa-la.
_Mas papai, o senhor não estava lá...- proferiu
entre soluços enquanto limpava os olhos avermelhados.
_Você jamais seria capaz de provocar a
morte de sua mãe, Greta.Preciso que entenda e aceite isto, as vezes a vida nos
reserva surpresas não tão lindas ou belas como as dos livros que tanto ama.
_Eu amava mamãe. Só não podia ser como
ela pensou. - admitindo.
_Ela sabe disto, sempre soube. O
importante é que enquanto esteve contigo, pode falar aos quatro cantos do
mundo,eu tive uma grande mãe.- Beijando-a na testa e indo cumprimentar outros
conhecidos que chegavam.Refletindo as palavras do pai, e olhando o sol se por
no horizonte, Greta se autoconfidenciou:
_Pena que mamãe não poderá dizer o
mesmo. Talvez este seja a maior lição que
tenha me deixado.Não sirvo muito para isso,não soube ser filha,jamais saberei ser mãe.
As férias de uma
família britânica em Portugal ganharam inesperado ar de suspense em 2007. Numa
noite de sábado, Kate e Gerry McCann deixaram seus três filhos, Madelaine e
seus irmãos gêmeos, de dois anos, sozinhos no apartamento alugado enquanto
jantavam em um restaurante próximo. Ao voltarem, a surpresa: a pequena garota
havia desaparecido. O caso repercutiu rapidamente. Na madrugada do dia 4 de
maio, poucas horas depois dos pais perceberem o sumiço, o jornal britânico The
Telegraph já anunciava: “Garota de três anos pode ter sido sequestrada em
Portugal”. A rapidez com que o caso foi parar nas manchetes de todo o mundo – e
prolongada cobertura dada à investigação – não fez com que a busca pela pequena
inglesa corresse melhor. Passados seis anos desde o seu desaparecimento, ainda
não se tem notícias do paradeiro da garota.
CONTINUA...
A Profissional
O imenso telão de cinema foi aberto
para os slides onde a Doutora e PHD Greta Lemos discorria com extrema
facilidade o assunto que devotou a sua vida durante anos a finco: O
desaparecimento de pessoas. Dentro deste Universo paralelo onde pouco se fala
ou se produz, onde tudo não passa na maioria das vezes de meras especulações,
ela era consideram um tipo de celebridade no seguimento, sendo inclusive
diversas vezes chamadas para juntar-se a equipes de outros países, e desvendar
casos perdidos trazendo entes queridos aos seus familiares.
_Vejam
senhores. - disse num tom imperativo numa sala onde cerca de trezentos outros
investigadores disputaram para ouvi-la naquela manhã.
-
1. Os príncipes da Torre de Londres- Ano: 1483
Já
que falaremos de casos inexplicáveis, nada melhor do que começar a conversa com
um enigma que se delonga há quase 600 anos. O desaparecimento dos dois filhos
do Rei Eduardo IV da Inglaterra intriga o mundo desde o século 15. Após da
morte do monarca, seu filho, Eduardo V, que então tinha 12 anos, seria o sucessor
do trono. Entretanto, para quem é fã de Game of Thrones, -sorriu ironizando- o
que aconteceu depois não é surpresa: o irmão de Eduardo, Ricardo de Gloucester,
fez com que o Parlamento alegasse bastardos os filhos do rei. E, portanto, o
usurpador chegou ao trono e virou Ricardo III. Além de roubar a coroa, o tio perverso
prendeu os jovens irmãos na Torre de Londres. Depois disso, eles jamais mais
foram vistos – e até hoje não se sabe ao certo que fim foi lhes imputado. Em
1674, dois esqueletos, provavelmente dos herdeiros destronados, foram descobertos
no castelo.
Um
dos expectadores ergue a mão pedindo a palavra logo atendida pela Investigadora.
_Mas
Doutora Lemos, não seria este um caso familiar, afinal de contas,pelo que
entendi, o tio agiu por mero interesse,porém dentro da esfera familiar, o que
descaracteriza o crime de desaparecimento.
Greta
caminhou até o meio do salão pondo sua sombra refletida no projetor aproximou
do rapaz lendo o crachá de identificação onde jazia seu nome, sorriu e objetou:
_Meu caro senhor Freitas, são pensamentos
semelhantes aos seus que me impedem de fazer o meu trabalho. Primeiro não
existe crime de desaparecimento, segundo Convenção Interamericana Sobre o
Desaparecimento Forçado de Pessoas Adaptada en Belém do Pará, Brasil, em Nove
de junho de 1994, no vigésimo quarto período ordinário das sessões da
Assembleia Geral, desaparecimento só será considerado crime, e neste caso será
intitulado de sequestro ou cárcere privado, o que caracteriza o desaparecimento
forçado de pessoas; A mesma Convenção Interamericana que deu como a
obrigatoriedade do estado brasileiro de legislar. Este artigo aborda sobre a
eficácia da Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas
em nosso ordenamento jurídico, comparando com a eficácia que possui em outros
países latino-americanos e apresentando pontos em que o Estado brasileiro foi
alvo de criticas e o que o Brasil tem feio para atender o compromisso assumido
por causa do tratado, bem como a criminalização do Desaparecimento Forçado de
Pessoas, seguindo o modelo dos demais países latino-americanos em que tal
conduta já é criminalizada por força desta referida convenção. Este artigo
também aborda sobre a pressão internacional que o Estado brasileiro tem sofrido
em razão de sua condenação no caso “Guerrilha do Araguaia” na Corte
Interamericana de Direitos Humanos, que intensificou a pressão sobre o Brasil
para a solução de centenas de desaparecimentos realizados por agentes do regime
militar brasileiro, durante sua vigência no país. Portanto, senhor Freitas, o
que temos aqui é mais um caso político que foi maquiado por uma conjuntura
familiar para atender os interesses do sujeitinho em questão. E acredite isto
acontece muito mais do que vossa senhoria pode supor. - dando-lhe as costas.
_A senhora está
dizendo que as pessoas desaparecem porque existe uma probabilidade de um agente
mais amplo do que aquilo que supomos?- investigou ajeitando a lapela do terno.
Greta virou-se e
rebateu:
_Não. Estou
afirmando que ininterruptamente há um agente muito mais amplo do que está
aparente saltando aos nossos olhos e cabe a nós descobrirmos quem é e uma vez
feito isto, digo que certamente teremos o caso resolvido. - Voltando a caminhar
par o seu lugar. - Próximos casos!
Quem sabe um
pouquinho sobre história do cinema com certeza já ouviu discorrer dos desbravadores
Thomas Edison e irmãos Lumière, contudo, muito possivelmente, desconhece a
existência de Louis Le Prince. O francês, por muitos anos deixado fora dos
livros, é hoje creditado como o “Pai da Cinematografia”. Utilizando uma câmera
de lente única e uma película de papel, Le Prince filmou as primeiras
sequências de imagens em movimento em 1888, três anos antes de Auguste e Louis
Lumière realizarem seu primeiro filme. Mas Le Prince desapareceu antes de
conseguir apresentar publicamente seu trabalho: em 1890, o pioneiro do cinema
embarcou em um trem na cidade de Dijon, na França, rumo à Paris, e nunca mais
foi visto.
Todos se
entreolharam com certa proeminência aflitiva.
3. Percy
Fawcett-Ano: 1925
Arqueólogo e
explorador, o britânico Percy Fawcett começou a fazer expedições na América do
Sul em 1906. Seu destino era a Amazônia brasileira. Depois disso, Fawcett se
aventurou em outras sete expedições pelo continente. Em 1925, o arqueólogo
partiu para a Serra do Roncador, em Barra do Garças, no estado do Mato Grosso,
com um objetivo inusitado: encontrar “Z”, uma cidade perdida sobre a qual havia
escutado diversas lendas. Só que nem a cidade, nem o explorador foram
encontrados. Percy e seu filho Jack, que o acompanhou na viagem, simplesmente desapareceram
misteriosamente na região do Alto Xingu.
_Isto se deu
aqui no Brasil?- deixou escapar uma jovem cuja presença tornou-se ressaltante
de olhares reprovativos diante do que mencionara. Greta tão somente ignorou o
fato.
4. Agatha
Christie-Ano: 1926
Este caso
deixaria Hercule Poirot bastante intrigado. A criatura descobrir onde estava
seu criador? Agatha Christie, criadora do famoso detetive belga e autora de
mais de oitenta obras de suspense, desapareceu misteriosamente em 1926. Seu
sumiço incidiu pouco depois da escritora britânica expor que seu marido,
Archie, estava tendo um caso e queria o divórcio. Se fosse uma obra da ficção,
o marido certamente levaria a culpa, mas na vida real a história foi bem
diferente. Onze dias depois, Agatha foi avistada em um hotel em Yorkshire. Pois
é, A Rainha do Crime optou manter o mistério e jamais elucidou o movedor de seu
desaparecimento. Até um livro foi escrito sobre o episódio: “Agatha Christie e
os onze dias perdidos”, Jade Cade tenta desvendar o caso conversando com
pessoas próximas da escritora. Entretanto a verdade é que Christie levou esse
segredo para o túmulo.Uma ironia do destino, a Dama do suspense esvanecer sem
rastro e sem permitir que o caso fosse desvendado.
O pequeno Walter
Collins tinha apenas nove anos quando evanesceu de sua casa, em Los Angeles. O
caso ganhou as manchetes e a busca da polícia era retratada como um grande
fiasco. A pressão pública aumentava até que, cinco meses depois do
desaparecimento, um garoto identificado como Walter foi encontrado no estado de
Illinois. Para melhorar a imagem do Departamento de Polícia, a reunião entre
mãe e filho foi transformada em um evento para a imprensa, com garantia de
lágrimas, abraços e pose para a foto. O problema foi que, ao chegar lá,
Christine, a mãe do garoto, apontou um pequeno problema: aquele não era o filho
dela. Fuén.O que seria somente mais um fiasco para a polícia, se transformou em
um caso surreal: o encarregado pelo caso, Capitão J. J. Jones, sugeriu que
Christine levasse o garoto para casa de todo jeito, “só para ter certeza”.
Quando Christine insistiu que o garoto não era seu filho, ao invés de admitir a
confusão, a polícia escolheu interná-la em um hospital psiquiátrico! Christine
só foi solta quando o garoto admitiu ter mentido – seu nome real era Arthur Hutchins
Jr., de 12 anos. O caso absurdo inspirou, em 2008, o filme A Troca, dirigido
por Clint Eastwood e estrelado por Angelina Jolie. Foi descoberto depois que o
Walter de verdade foi uma das vítimas da série de sequestros e assassinatos
conhecidos como “Wineville Chicken Murders”.É a arte imitando a vida nobres
colegas.
6. Amelia
Earhart-Ano: 1937
Amelia Earhart
merecia o título de Rainha dos Ares. Primeira mulher a voar sozinha sobre o
oceano Atlântico, ao longo de sua carreira nas alturas empilhou recordes e
participou ativamente no incentivo à formação de novas pilotos, além de ter
sido importante defensora dos direitos das mulheres. Foi ao tentar estabelecer
um novo marco que a pioneira da aviação desapareceu no oceano Pacífico: seu
objetivo era conduzir, junto de Fred Noonan, o mais longo voo de volta ao
mundo, que seguiria a rota equatorial, completando um percurso de 47 mil
quilômetros. Mas algo deu errado: a comunicação pelo rádio falhou e Earhart
nunca chegou à Ilha de Howland, destino da aviadora. O caso permanece
misterioso já que, até o dia de hoje, nem a aeronave e nem os ocupantes foram
encontrados.
7. Antoine de
Saint-Exupéry-Ano: 1944
Você com certeza
sabe que “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, porém
talvez não saiba que, além de escritor, o francês Antoine de Saint-Exupéry era
aviador. O pai d’o Pequeno Príncipe trabalhou em rotas de correio aéreo na
Europa, África e América do Sul até a Segunda Guerra Mundial, quando se juntou
à Força Aérea Francesa. Em 1944, Saint-Exupéry partiu para uma missão de
reconhecimento em um território francês ocupado por alemães. Para o choque de
todo o mundo, o escritor desapareceu sem deixar traços. Foi somente em 1998 que
um bracelete com seu nome foi encontrado por um pescador. Em 2004 foi confirmado que os restos do avião Lockheed
F-5B, encontrados em 2000, pertenciam à aeronave que Saint-Exupéry pilotava.
8. As crianças
Beaumont-Ano: 1966
Um simples
passeio resultou na maior investigação policial da Austrália. Os irmãos
Beaumont, Jane Nartare, de 9 anos, Arnna Kathleen, de 7, e Grant Ellis, de 4,
desapareceram no dia 26 de janeiro de 1966. Naquele dia, foram desacompanhados
até uma praia e nunca mais voltaram. Durante um ano, relatos de pessoas que
diziam terem avistado as crianças juntas de um homem mantiveram o caso em
evidência. Mesmo sem qualquer pista sobre o paradeiro dos Beaumont, a
investigação se estendeu por 40 anos e pode ser, em breve, levada para o
cinema.
9. Oscar Zeta
Acosta-Ano: 1974
Oscar Zeta Acosta
foi um advogado americano, um ativista e um personagem da vida real. Talvez
você nunca tenha ouvido seu nome, todavia, se for fã do jornalista e escritor
Hunter S. Thompson, provavelmente o conhece como “Dr. Gonzo”. Foi ao lado de
Oscar que Thompson partiu em uma na viagem em busca do Sonho Americano – usando
um bocado de drogas para isso. A aventura foi imortalizada no livro Medo e
Delírio em Las Vegas (na adaptação cinematográfica de 1998, Oscar é vivido por
Benicio Del Toro). A vida emocionante do Dr. Gonzo acabou resultando em uma
história com final incerto: em uma viagem para o México, em maio de 1974, o
advogado desapareceu. Seu paradeiro continua sendo desconhecido.
10. Eliza
Samudio-Ano: 2010
Denúncias de
agressões, desentendimentos públicos, um sequestro. Eliza Samudio desapareceu
misteriosamente em 2010 e o caso se tornou manchete até fora do Brasil. Apesar
das histórias contraditórias de seu ex-namorado e pai de seu filho, o goleiro
Bruno Fernandes, e de seus amigos Bola e Macarrão, as investigações concluíram
que a jovem está morta – mas o corpo de Eliza nunca foi encontrado. Com o caso
ainda aberto, já que os acusados estão sendo julgados separadamente, esta
novela ainda tem alguns capítulos que podem explicar o desaparecimento ou
deixar o mistério no ar por muito mais tempo.
Madeleine
McCann-Ano: 2007

Um homem de
aproximadamente quarenta anos, leve calvície pediu consentimento e a
questionou:
_Doutora, sou um
mero fã de seu trabalho e de sua paixão pelo seu trabalho como tantos e os demais
que aqui estão, no entanto, permita-me...- batendo as pontas do dedo indicador
ao polegar como se fosse um tique nervoso.- A senhora realmente acredita que em
todos esses casos aqui apresentados há uma razão maior? Não poderia nenhum
deles, nenhum se quer ser uma fatalidade do acaso? Do Destino? - especulação
que a deixou irritada.
_Destino? Como
se chama cavalheiro?
_Lima. Lúcio
Lima, Coordenador responsável pela Divisão de...
_Sua patente
para mim é completamente dispensável senhor Lima. - o atropelando como um
trator.- Essas pessoas que aqui foram citadas, assim como aquelas cujos
parentes desesperados lidamos
diariamente em nossas divisões, não foram meramente afetadas pelo destino,pela
sina, ou seja lá como queira chama-lo.Foram todas INTERROMPIDAS!- Bradou. -
Tiveram arrancados de si o direito de prosseguir. Não passam de interrompidos,
e desaparecer foi à palavra que o destino usou para se justificar. Afinal de
contas, é necessário mencionar algo a família dessas pessoas, não é verdade?-
sendo talhante.
_Mas Doutora Greta,
- outro se pronunciou no canto esquerdo ao fundo. - Eu mesmo já tive nas mãos
casos de pessoas que por mais que tenha me empenhado não consegui descobrir
seus paradeiros, parecem que simplesmente sumiram da face da Terra!
_E vão assim
continuar graças a sua incompetência meu caro colega!- Sem aceitar conjecturas.
- Anotem bem isto senhoras e senhores, por trás de todo desaparecimento seja
que de natureza for, consecutivamente existirá um motivo, uma razão, um agente
que mobilizou a finalidade do desaparecimento. Ninguém some da face do Planeta
de um dia para outro, isto não existe! Sempre haverá uma causa!E cabe a sua
competência decidir se vai escrever a fatídica frase: "Investigação sobre
sigilo Judicial" codinome para: "Não fazemos ideia de onde este
indivíduo foi parar", ou se realmente desejam honrar o juramento que
fizeram quando entraram para vida policial, ao qual julgo uma boa hora para
rememora-lo. “Incorporando-me à Polícia,
prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver
subordinado, respeitar os superiores hierárquicos, e tratar com atenção os
irmãos de armas, e com bondade os subordinados; dedicar-me integralmente ao
serviço da pátria, cuja honra, integridade, e instituições, defenderei, com o
sacrifício da própria vida.” enfatizo a última frase: "...com
sacrifício da própria vida."
Todos
emudeceram. Satisfeita coma reação, a Doutora desligou o monitor, estalou os
dedos para o rapaz responsável para ascender às luzes do recinto, apanhou seus
pertencem e despediu com um eloquente:
_Bom dia
senhores.
Partindo em seguida para a porta que dava para
o grande corredor acompanhado de seu inseparável companheiro, secretário,
amigo, parceiro ou como ela mesma gostava de intitula-lo: "Meu papagaio de
pirata".
_ O que foi
aquilo lá dentro mulher? - inquiriu o também Doutor Estefano Rossi.
_Alguém tem que
por esse bando de almofadinha nos eixos Rossi, que seja eu, por mim tudo bem. Estou
farta desses achismos!
_Pretendo morrer
seu amigo. - gargalhou Rossi.
_No seu lugar
faria o mesmo.- reafirmando com um riso no canto dos lábios.
Foi quando Rossi
descontinuou os passos chamando a atenção da parceira.
_O que foi?-
indagou Greta.
_Não quero
bancar o intransigente, mas cá entre nós, acredita mesmo que nenhum de todos os
casos já estudados incluo principalmente os do Canadá, uma explicação
sobrenatural é teoricamente plausível.- coçando a cabeça sem saber o que lhe
adviria.
_Do Canadá?
Sério?- ela ironizou.
_Pelo amor de
Deus Greta! Uma vila inteira?- abrindo os braços voltando a segui-la.-
_Você releu o
caso e o estudo como indiquei?- olhando qual seria sua próxima tarefa.
_Claro!-
exclamou o afoito investigador pondo-se a ler desesperado. - Até hoje as
autoridades canadenses não foram capazes de resolver esse enigma ou entrar em
contato com membros ou descendentes daquela tribo. É praticamente como se ela
jamais tivesse existido.
O mistério
surgiu em novembro de 1930, quando um caçador de peles valiosas de nome Joe
Labelle entrou, caminhando pela neve, na familiar vila de barracas existente
nas proximidades do lago Anjikuni, no Canadá encontrado-a completamente
deserta.
Somente duas
semanas antes, a última vez em que Labelle estivera lá, a vila era um
assentamento agitado e cheio de vida, com crianças correndo e fazendo
algazarra, velhas carregando roupas, homens carregando madeira e conversando
nos alpendres.Agora ao invés das amigáveis saudações de acolhimento, Labelle
foi recebido por um silêncio sobrenatural.
Sem encontrar
viva alma, o caçador procurou desesperadamente por pistas que o levassem a
explicar a situação.
Absolutamente em
vão. Os caiaques dos esquimós continuavam ancorados como de costume, suas casas
guardavam os artigos essenciais dos habitantes da vila: seus tapetes e rifles.
Nas fogueiras apagadas do acampamento, encontravam-se os familiares potes de
cozido de carne de cervo congelados, que consistiam no prato rotineiro da
tribo.
Tudo estava no
lugar certo, com exceção das pessoas.
Era como se a
comunidade inteira de duas mil pessoas tivesse deixado subitamente as suas
casas no meio de um dia normal.
Mas havia outro
detalhe diretamente relacionado à sua ausência: Labelle verificou,
profundamente estarrecido, que não havia rastros no chão indicando que as
pessoas saíram do acampamento. Tomado por um estranho e mórbido sentimento de
terror... - Lemos o interrompeu sarcasticamente:
_ Tomado por um
estranho e mórbido sentimento de terror, Rossi? Faça-me o favor!- pisando cada
vez célere.
_Queira ou não,
irei continuar. -volvendo a leitura do caso.- O caçador dirigiu-se ao
escritório telegráfico do distrito mais próximo e alertou a Real Polícia
Montada do Canadá.Os mounties nunca tinham ouvido história parecida.Uma
expedição foi imediatamente organizada a fim de investigar a vila, sendo também
empreendida uma busca ao longo das margens do lago Anjikuni.Não foi possível
localizar a tribo perdida e a expedição só serviu para agravar o mistério.Ao
chegar no acampamento deserto, os mounties canadenses encontraram duas gélidas
provas que insinuavam definitivamente a possibilidade de que houvesse ocorrido
um evento sobrenatural.
_ Ha!- Ela
gargalhou, mesmo assim não intimidou o parceiro.
_Em primeiro
lugar, descobriram que os esquimós não levaram os seus trenós puxados por
cachorros, como Joe Labelle afirmou de início. Além disso, as carcaças dos
huskies foram encontradas cobertas de neve acumulada pelo vento nas cercanias
do acampamento.
Eles morreram de
inanição.
Em segundo
lugar, e em alguns aspectos o mais inacreditável, foi a descoberta de que as sepulturas dos ancestrais da tribo haviam
sido profanadas e os restos mortais, removidos, ou seja, apenas os humanos,
incluindo os mortos foram retirados da tribo.Por quem e por quê? Ninguém sabe.-
prosseguia arfante o investigador.-Esses dois fatos deixaram as autoridades
perplexas.Os esquimós não poderiam de maneira alguma ter viajado sem um dos
seus meios de transporte típicos, os trenós ou os caiaques.E jamais deixariam
seus fiéis servos caninos morrerem de uma forma tão lenta e dolorosa.Ainda
assim, eles partiram, e os cachorros foram deixados à sorte.
O segundo
enigma, as sepulturas abertas, era o bastante para os etnólogos familiarizados
com o comportamento da tribo, uma vez que a profanação de tumbas era
desconhecida entre os esquimós.
Além disso, o
solo estava tão congelado que parecia petrificado e seria impossível escavá-lo
à mão.
Como afirmou um
oficial Mounty na ocasião: "Esse acontecimento é, de um modo geral,
"fisicamente improvável"".
Mais de meio
século depois, esse veredito ainda permanece o mesmo, pois nada foi encontrado.
O que me diz doutora? - a fitando enquanto ela parou o avaliando.
_Primeiro erro,
não deveriam ter mandado um caçador e sim um investigador. Segundo, é óbvio que
em virtude do primeiro erro, pistas e evidenciam cruciais do caso foram
perdidas e dadas a circunstâncias climáticas jamais recuperadas, o que você
sabe tão bem quanto eu, reduz a resolução do caso em cinquenta por cento de chances.
Terceiro, o que me permite usara minha
capacidade de dedução a partir do que restou.
_Que seria?
_É lógico que
essa gente incomodava alguém muito maior e mais forte que eles. - sorrindo
concisa.
_Espera lá, quer
me convencer que mãos humanas os tiraram todos de lá com estás evidências? -Greta
tinha ao dom de deixar Rossi transtornado.
_O que está sua cabecinha
aprendeu de tudo que o ensinei? Pense! Mandar um caçador? Permitir que ele
visse apenas aquilo que seria narrado em detalhes a todo resto da população
como algo apavorante e sobrenatural, tirando qualquer fungo de evidência do que
fatalmente sucedeu aquela gente. È um fato Rossi! Tudo foi armado, metodicamente
criado para que essa história fosse tão assombrosa e aparentemente sem pontas
soltas, perpetuasse pelos longos dos anos sem jamais permitir que qualquer um
ponderasse nada perto do que certamente incidiu e que por incompetência das
autoridades locais, possivelmente reféns deste tal "alguém", jamais
saberemos o que verdadeiramente ocorreu com esta vila. Ponto!- Abrindo a porta
do carro.
A mentalidade de Greta era além de muito
racional extremamente célere. Não podia se ignorar que o ponto de vista dela
era sim bem pertinente.
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